quarta-feira, 11 de abril de 2007

O presidente não é páreo para mim (11/04)

Calma, eu não estou sofrendo de alucinações. O título acima é apenas humorístico. Para motivar você a ler este post. Vamos ao conteúdo (rapidamente, porque vocês sabem que eu estou fora de circulação). Luiz Inácio Lula da Silva continua com a popularidade nas alturas, segundo pesquisa CNT/Sensus. Só que nos assuntos em que eu tenho feito críticas sistemáticas e impiedosas ao governo levo ampla vantagem sobre o presidente. Lula, por exemplo, é a favor de manter a inimputabilidade dos menores de dezoito anos, que pela Constituição brasileira podem cometer o crime que quiserem e não serem acusados de nada. Eu e quatro em cada cinco brasileiros (81,5%, sendo a Sensus) somos contra essa maluquice inscrita na Carta (artigo 228) e defendida com unhas e dentes pelo presidente. 1 a 0 para mim. E a Sensus perguntou também quem as pessoas consideram o maior responsável pela crise aérea. O resultado, segundo texto do site da CNT:

Para 25,8%, o principal responsável pela crise aérea é o governo federal; para 15,1%, os controladores de vôo; para 10,9%, as companhias aéreas; para 9,9%, a Aeronáutica; para 9,3% a Infraero e, para 7,3%, o aumento no número de passageiros.

O governo, os controladores e as companhias aéreas aparecem à frente da Força Aérea Brasileira (FAB). Ou seja, a maioria esmagadora da população não vê na militarização do controle do tráfego aéreo nacional a principal razão dos problemas dos últimos seis meses. 2 a 0 para mim. Por que Lula vai bem? Em primeiro lugar, porque faz um bom governo. Inflação baixa, crescimento econômico (criação de empregos) constante, ótimos programas sociais, plena vigência das liberdades democráticas. Em segundo lugar, pelas qualidades de liderança do presidente -ainda que elas lhe sejam insuficientes quando ele tem que polemizar comigo :-). Em terceiro lugar, porque Lula não enfrenta oposição política. A sabedoria popular não deve ser nunca subestimada. No que a política econômica da oposição seria diferente da atual? Ninguém sabe. No que a política de segurança pública da oposição seria diferente da atual? Ninguém sabe. No que a oposição agiria diferente diante da crise do setor aéreo? Ninguém sabe. Alguma crítica da oposição à política do governo para os biocombustíveis? Ninguém viu. Quem mais elogiou a "nova política" do governo para a educação? A oposição. Se até a oposição gosta tanto assim do governo do Lula, o povo vai ficar contra por quê?

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16 Comentários:

Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

Esta pesquisa poderia ter resultado bem melhores, caso boa parte da população não tivesse sido influenciada contra o governo e Lula por um grande segmento da imprensa.
Não se tem mais dúvida que alguns veículos de comunicação têm distorcido as suas informações, com um viés negativo quando se refere ao governo.
O resultado desta pesquisa, demostra que a mídia esta frâgilizada e perdendo credibilidade perante aos seus leitores.

quarta-feira, 11 de abril de 2007 15:54:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Todo mundo sabe que Michael Schumaker é um grande piloto. E muitos concordam que ele não seria 7x campeão se tivesse que entrar na pista contra Senna, Mansel, Proust e até Piquet. Realmente, a falta de uma oposição , com "o" maiúsculo, dá a impresão que Lula é o máximo.

quarta-feira, 11 de abril de 2007 15:54:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Até quando ouviremos petistas como esse senhor Antonio vendo complôs e maldades na mídia, sendo que a própria pesquisa da Sensus mostrou que as pessoas são ignorantes e incultas (apenas 25% sabiam do Apagão Aéreo)? Distorção é ler uma patacoada como a de que há viés negativo contra Lula. Como Alon diz, não existe oposição, portanto, não há qualquer "viés" negativo. Se há, há pouco.
O governo Lula é um governo horroroso, no que divirjo radicalmente de Alon. Apenas leva tudo em marcha lenta, chutando e empurrando a crise lá para a frente. Um dia, quando pensarmos em avaliar governos pelo legado, veremos o desastre que Lula trouxe à indústria, às instituições, à infra-estrutura, à mentalidade brasileira etc. E quem sabe, Alon me dará razão.

quarta-feira, 11 de abril de 2007 16:30:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Engraçado, não sou burra, não sou inculta, estou nos 5% de "ricos" deste país, tenho pós-doutorado, o que nem 1% da população tem, sei do "apagão aéreo" - portanto estou nos 25% dos "inteligentes" -, viajei umas 5 vezes de avião durante o período do chamado "apagão", e não vi "apagão" nenhum: meus vôos sempre saíram na hora; duas vezes, eu viajei até antes do horário marcado, porque o vôo anterior não estava lotado, de modo que fui espremida num banco de trás, para dar lucro para a Tam. Uma única vez, o vôo atrasou meia hora, e eu fui tomar cafezinho no confortável aeroporto de Congonhas. De modo que se me perguntassem se eu tinha conhecimento do "apagão aéreo", e não qualificassem a perguta, eu diria que NÃO.

quarta-feira, 11 de abril de 2007 20:31:00 BRT  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon, quero primeiro apontar um engano em dois comentários anteriores, não são 25% dos brasileiros que ouviram falar da crise aérea, mas 82%. Nossa população não está assim tão alienada. A informação não está no texto do post, mas na pagina da CNT, para a qual você dá um link. Se 25% da população responsabilizam o governo, eu diria que a opinião pública está indefinida. Além disso, três dentre as demais alternativas oferecidas pela pesquisa estão subordinadas ao governo: aeronáutica, controladores de vôo e Infraero. Parece-me natural que o primeiro a ser responsabilizado seja o governo: na tal de democracia, que macaqueamos por aqui, a soberania popular se dá na eleição do governo, que passa a chefiar o Estado. Seja o que for que não andar bem, principalmente quando o faz repetidamente, é culpa do governo; a menos que a linha de comando que supomos não esteja funcionando adequadamente, como penso que é o caso. Claro que a autoridade real nunca corresponde à autoridade formal inteiramente, a questão é saber qual prevalecerá: nossa aristocracia luta por estabelecer o comando dos “especialistas”, dos “profissionais isentos” e fazer de governo, partidos, eleições (“essa sujeira toda”) um teatro para inglês ver. Macaquear a democracia. Quanto à oposição, essa não quer apresentar alternativa ao que quer seja: como o passado recente demonstrou mais uma vez, o caminho mais curto é montar CPIs que paralisarão o governo e, com isso, esperar a debandada dos parlamentares governistas. A oposição cumpre o seu papel, também aqui é o jogo que está montado para parecer o que não é. O STE pode até impedir a troca de partidos, mas os neo-oposicionistas votarão com a oposição sem deixarem seus partidos, já que não devem satisfação (fidelidade) a ninguém. Não será o judiciário, a nata de nossa aristocracia, que fará prevalecer a vontade do eleitor.

quinta-feira, 12 de abril de 2007 08:27:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, a economia não seria diferente com a oposição pelo fato dos princípios basilares terem sido mantidos pela atual gestão. Até mesmo com quadros das gestões anteriores. O sucesso macro de agora veio sendo construído antes. Tanto quanto as liberdades democráticas: não há força política que possa "na cara dura" fazer algo contra isto. Olhando de outra forma, não houve força política em 2003 para reestatizar, encampar, nacionalizar ou acabar com o "golpe do plano real". Ao invés do incêndio, o pragmatismo e a força política, dada por um processo cuja Constituição não foi assinada pelo partido no poder hoje. Como não há agora, momento de ajustes que vão protelados e descaracterizados pela presença política do presidente. Quanto à oposição, ela esqueceu que recebeu cerca de 40% dos votos nas últimas eleições. Ou melhor, não fez nada que os merecesse. E os herdeiros são os que acreditam ser a midia que cria apagões aéreos, violência nas ruas, crises que não são crise e por ai a ladainha, como se apenas fantasmagorias o fossem.
Sotho

quinta-feira, 12 de abril de 2007 10:02:00 BRT  
Blogger Fernando Luis disse...

Alon, a pesquisa foi feita sob intenso bombardeio da mídia, no caso João Hélio. Ao final, a apuração dos fatos revelou que a participação do menor foi superestimada e que o esquema de receptação, comandado por um policial militar, é quem articula este entre outros bandos de assaltantes, não sendo portanto, na raiz, um problema que se resolva com legislação, mas pelo controle executivo da corrupção policial. Mas, a raiz do problema não foi explorada pela mídia. Sem ser populista, Lula sabe que a redução da maioridade penal apenas vai aumentar a pressão sobre o já caduco sistema penal juvenil, retroalimentando o ciclo de crminalização da juventude historicamente vulnerabilizada. Seu posicionamento é de uma grandeza pr'além do populismo que caraceteriza, por exemplo, o governador do Estado do RJ.

quinta-feira, 12 de abril de 2007 10:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, está na página de opinião do Estadão de hoje:
O Brasil não tem governo, nem oposição.
Síntese genial.

quinta-feira, 12 de abril de 2007 11:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sobre a ausência de oposição política, vejam o que disse o Fernando Rodrigues hoje em seu blog:

CPI flopada? – está difícil para PSDB e DEM (ex-PFL) conseguirem unidade entre seus senadores... É possível que nem todos os senadores ditos de oposição assinem o requerimento da CPI do Apagão Aéreo no Senado.
Comentário do blog: essa oposição é uma piada.

quinta-feira, 12 de abril de 2007 12:47:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

É verdade Alon. A oposição não tem bandeira e os que são contra as políticas do governo não tem voz.
Você veja só: A ampla maioria dos brasileiros é a favor da redução da maioridade penal, contra o aborto e a favor da pena de morte. Há algum partido que enfatize alguma destas opções políticas? Não!
A ampla maioria dos brasileiros goza dos benefícios das privatizações... Há algum partido a defendê-las? Veja só, até o PFL abandonou o "liberal" pois achava que queimava o filme.
O Brasil está nesta desgraceira em que, quanto menos "politizado" um político, melhor. Quanto menos "ideológico" um partido, melhor. Não é por acaso qeu o maior partido brasileio é o PMDB e que nosso presidente seja o Lula. Fizemos por merecer.

quinta-feira, 12 de abril de 2007 16:49:00 BRT  
Anonymous Fernando Silva disse...

Caro Alon, esse post não tem nada a ver com o assunto em questão - ou não diretamente, mas enfim...
Começaram a pipocar em blogs (Noblat, Alerta Total, Diego Casagrande, por exemplo) rumores de que é grande a insatisfação nas casernas com o governo Lula./
Parece que o presidente do STM - Superior Tribunal Militar - fez uma pesada declaração contra uma hipotética candidatura do presidente Lula a um terceiro mandato. Você, que conhece Brasília a fundo, já escreveu que não há o menor risco de uma crise institucional envolvendo os militares. Será mesmo? O perfil sindical do atual presidente, o incentivo a movimentos sociais que por vezes ferem as leis, os ataques à propriedade privada, a ausência de oposições, o descrédito crescente nos políticos em geral e a aparente invulnerabilidade de Lula junto ao eleitorado não estão criando um caldo de cultura propenso a rupturas institucionais? Sei que nosso presidente prima pela inteligência política e saberia sair de um imbroglio desses, mas sinceramente, não confio muito em seu estilo propício a bravatas de improviso. Enfim, estou dividindo a minha paranóia com você, a quem muito respeito como jornalista e pensador dos problemas brasileiros.
Abraços e parabéns pelo seu blog.

quinta-feira, 12 de abril de 2007 17:53:00 BRT  
Anonymous Pedro Bastos disse...

Alon, quero dizer que depois da patética participação do ministro da Defesa nos debates da Câmara e do Senado só resta mesmo a Aeronáutica tomar conta desse troço. Eu discordava de você,mas me convenci.

quinta-feira, 12 de abril de 2007 20:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, veja que coisa estranha. No site do Min. da Fazenda há chamada para "anteprojetos para a aceleração da cobrança de dívidas tributárias". Num dos projetos, no art. 41, está prevista a privatização da cobrança de tributos atrasados pelos bancos. O que você pensa a respeito? Estranho, não é?

sexta-feira, 13 de abril de 2007 12:15:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

6 meses de crise e a única certeza que temos é que ainda não termos solução, tão cedo... não foi pra isto que votei em Lula todos estes anos (menos na última!!!!)

sexta-feira, 13 de abril de 2007 15:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Conclusão: logo, o Alon é lulista.

sábado, 14 de abril de 2007 21:04:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Pois é... a pergunta continua. Cadê a oposição? Ou melhor, cadê o projeto nacional da oposição? A oposição PSDB/DEM/PPS está nitidamente perdida, esperando deslizes do governo para aparecer. Se não houvesse o "apagão aéreo" ninguém citaria os parlamentares da oposição.

É pouco. Muito pouco. A oposição tem 4 anos para fazer um projeto de governo e já gastou 4 meses, sei lá, contemplando a vida fitando o buraco do metrô.

segunda-feira, 16 de abril de 2007 00:44:00 BRT  

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