sexta-feira, 6 de abril de 2007

O mito e os fatos (06/04)

Volto aos estertores da crise militar, que felizmente para os usuários da aviação civil já deixou de ser uma crise aérea. Depois que acabou (por enquanto) a agitação político-sindical entre os sargentos, estimulada por gente do governo, a Força Aérea Brasileira (FAB) vem demonstrando sua capacidade de controlar o tráfego aéreo nacional. Mas não é só a FAB que vai bem. Também o Palácio do Planalto tem demonstrado nos últimos dias uma renovada capacidade de travar a disputa de versões na imprensa. Isso é bom e democrático. Jornalismo é confrontar versões, na busca obstinada pelos fatos. Para separar os fatos dos mitos. Um mito, por exemplo, é que Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ceder aos controladores de vôo na sexta-feira (30 de março) à noite porque a FAB não tinha um Plano B e era necessário evitar mais transtornos aos passageiros. Bem, desde setembro Lula vinha convivendo bem com a dor de cabeça diária causada aos usuários da aviação civil. No Natal, quando o sistema quase entrou em colapso, o presidente fez declarações genéricas sobre o overbooking (coisa que agora as autoridades dizem que não existiu). Em seguida, lavou as mãos. Os constantes "ultimatos" do presidente foram aparentemente ignorados durante todo esse tempo, sem que ele reagisse. Você poderá argumentar que se trata de um padrão de comportamento. Isso não é fato. Quando, recentemente, Lula bateu o martelo da compra da Nova Varig pela Gol, mandou a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) analisar (aprovar) o negócio a toque de caixa. Foi o que a ANAC fez, pois manda quem pode e obedece quem tem juízo. A verdade é que o assim chamado caos nos aeroportos era útil ao governo em seu propósito de transferir o controle do tráfego aéreo nacional para a esfera da ANAC e da Infraero, transferência embalada com o bonito nome de "desmilitarização". Eu continuo querendo saber, aliás, quais os bombons que vêm dentro do ovo de Páscoa da "desmilitarização". E a história da sexta-feira, 30, ainda está por ser completamente contada. Um deputado federal me relatou na última quarta-feira, no plenário da Câmara, que tentou mandar sinais na sexta-feira pela manhã ao Palácio do Planalto de que os controladores planejavam transformar o fim-de-semana num inferno. A reação do governo parece ter sido nenhuma. Com raras exceções, os ministros aproveitaram a viagem de Lula aos Estados Unidos e se mandaram de Brasília. A começar pelo ministro da Defesa, que antes de cair fora da cidade deu uma coletiva na qual afirmou a "legitimidade" do movimento dos sargentos e se limitou a advertir para os riscos de "retrocesso". Foi um comportamento adequado para autoridades supostamente preocupadas com o bem-estar dos passageiros acima de tudo? Não creio. Minha hipótese é que o governo avaliou mal. Não imaginou que, em horas, o novo transtorno se transformaria em colapso. E por que o governo não imaginou isso? Talvez porque a greve geral não estivesse nos planos dos controladores naquela sexta-feira. A idéia deles era iniciar uma greve de fome que, com o tempo, levaria o sistema à paralisia. A greve geral só explodiu quando os líderes do movimento perderam o controle da situação, diante da ameaça de punições. Ou seja, o que era para ser mais um fim-de-semana de confusão nos aeroportos se transformou, inesperadamente, num cenário de paralisação total dos serviços aéreos comerciais. E o novo quadro pegou o Palácio do Planalto no contrapé. Foi aí que o governo cometeu seu segundo erro de avaliação. Imaginou que a precipitação da crise era a oportunidade que faltava para dar o xeque-mate na FAB. Dizem que o presidente da República perguntou ao comandante da Aeronáutica se ele poderia garantir a continuidade do controle do tráfego aéreo caso fossem aplicadas punições imediatas aos sargentos amotinados. Consta que comandante respondeu que não. A cena assemelha-se à situação do paciente que discute com o cirurgião cardíaco a necessidade de um transplante.

- Mas, doutor, eu estou acostumado a jogar bola com os meus amigos toda terça-feira. É verdade que nos últimos tempos não estou jogando, pois ando meio sem fôlego. Minha dúvida é a seguinte: se eu fizer esse tal transplante que o senhor me recomenda faz algum tempo, eu vou poder bater minha bolinha na semana seguinte?

Claro que o médico vai dizer que não. Mas a resposta é uma formalidade. A própria pergunta já foi elaborada para obter uma determinada resposta. Quando Lula mandou o ministro do Planejamento e a secretária-executiva da Casa Civil ao encontro dos sargentos-controladores na sexta-feira à noite, desenhou-se um cenário teórico em que o Planalto apareceria como a instância capaz de intervir para debelar uma greve com a qual o comando da FAB -já enfraquecido pela impotência dos últimos meses- não havia conseguido lidar de maneira eficiente. Pesquisem as entrevistas dos políticos governistas naquele sábado e naquele domingo. O discurso foi um só: a insatisfação dos controladores (com o comando militar) tinha, definitivamente, emergido como a causa central da crise. Isso posto, o governo resolveria rapidamente o problema. O próprio Lula prometeu, direto dos Estados Unidos, uma "solução final" para a terça-feira seguinte. Mas o que deu errado para os estrategistas da "desmilitarização"? Está em post anterior e nas reportagens dos últimos dias: 1) a reação da sociedade contra a sindicalização do controle do tráfego aéreo nacional e 2) a reação das Forças Armadas à quebra da hierarquia e da disciplina. Para terminar este post: a melhor resposta do comandante da FAB ao presidente da República está sendo dada nos últimos dias. Com sua autoridade restaurada, a FAB normalizou a controle do tráfego aéreo nacional em horas. Como? Com a total militarização do serviço e a imposição de duras normas marciais aos controladores de vôo. Talvez isso seja o tal "retrocesso" sobre o qual, sabiamente, o ministro da Defesa advertiu os sargentos na sexta-feira fatídica.

Clique aqui para baixar um arquivo .pdf com tudo que o blog publicou sobre a crise aérea e militar desde 30 de março último.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

13 Comentários:

Blogger Vera disse...

Li duas vezes a sua explicação e sinceramente não consigo entender essa raciocínio tortuoso: simplificando, você acha que foi o próprio governo Lula ou o Waldir Pires que criaram essa confusão toda? Tá confuso!

sexta-feira, 6 de abril de 2007 13:27:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Mas Alon, será que no fundo o presidente simplesmente não "levantou a bola" para a FAB remilitarizar o controle aéreo sem grande resistência? Veja que os defensores da desmilitarização/privatização sumiram desde quarta-feira...

E o governo conseguiu quase carta branca para contratar novos controladores. Um passo em falso da ABCTA e o presidente deixa o terreno livre para a degola por atacado.

sexta-feira, 6 de abril de 2007 13:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Vera, não é tortuoso, é cristalino. O governo surfou na sabotagem dos controladores mas não colheu o que queria, porque perdeu o controla da coisa.

sexta-feira, 6 de abril de 2007 16:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Foi aí que o governo cometeu seu segundo erro de avaliação. Imaginou que a precipitação da crise era a oportunidade que faltava para dar o xeque-mate na FAB."

Vamos explicitar o sujeito oculto aqui. Quem exatamente é esse "governo" que tentou dar o xeque-mate na FAB?

Eu queria também ouvir que benefícios alguém espera ter com a desmilitarização. Estou com você neste ponto.

sexta-feira, 6 de abril de 2007 17:13:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Diz o anônimo acima: "O governo (quem?) surfou na sabotagem dos controladores mas não colheu o que queria (queria o quê? Por quê?), porque perdeu o controle (que controle? Quem? Como?) da coisa (que coisa?).
O post não explica permitem fazer ilações desse gênero e diferentes interpretações. Fica meio dito, meio não-dito, e se aplica a qualquer coisa. Difícil!Principalmente se comparado com o que se vê nos aeroportos desde ontem, no noticiário em geral (refiro-me ao que aparentemente acontece, não aos comentaristas que aí precisa cuidado...)hoje.

sexta-feira, 6 de abril de 2007 18:49:00 BRT  
Anonymous Ricardo Melo disse...

O fato é que a grande imprensa entrou de sola na onda do choque institucional (motim, quebra de hierarquia, etc. e tal).
Outro fato é que ler o blog do Alon dava até mais susto ainda.
Agora, a realidade mudou totalmente, tal como as "nuvens" políticas do Tancredo Neves.
Acho que o Alon pegou muito pesado na sinistrose e agora precisa se reposicionar. Acho até que isso já está acontecendo...

sexta-feira, 6 de abril de 2007 21:25:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Ricardo, se tiver oportunidade assista à entrevista do ministro Tarso Genro a Alexandre Garcia na Globonews e veja a resposta à última pergunta. E o que mudou não foi minha abordagem sobre a situação, mas a situação em si. Graças ao recuo de Lula. Vamos ver os próximos movimentos.

sexta-feira, 6 de abril de 2007 22:06:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Para mim a informação mais importante no post é: “Um deputado federal me relatou na última quarta-feira, no plenário da Câmara, que tentou mandar sinais na sexta-feira pela manhã ao Palácio do Planalto de que os controladores planejavam transformar o fim-de-semana num inferno.”

Li uma notícia publicada pelo Correio Brasiliense em 05/04, às 10:04, informando que: “Na noite da terça-feira (27/03) (...) havia ocorrido uma assembléia dos operadores civis e militares das torres de controle dos principais aeroportos brasileiros. Um desses encontros ocorreu em Brasília. Na manhã da quarta-feira, 28 de março, um deputado do PT foi informado da estratégia traçada no encontro: parar os aeroportos brasileiros na sexta-feira e resistir às ordens de prisão. O deputado petista passou a informação para o ministro da Defesa, Waldir Pires, e saiu do circuito certo de que seria dado a ela um tratamento de Estado. Não foi.”

Há um aparente conflito nas duas versões sobre o mesmo fato:
1.Na sua versão o deputado federal tentou mandar sinais na sexta-feira (30/03) ao Palácio do Planalto.
2.Na versão do CB o deputado é identificado como do PT e avisou o Waldir Pires na manhã da quarta-feira (28/03).

Há um conflito evidente nas datas. Como explicá-las? O que não sei é se as fontes são as mesmas. Se não forem, a coisa piora, pois ao menos dois deputados em diferentes datas tentaram avisar o Planalto sobre o motim que se anunciava. Estranho muito que ninguém no Planalto, sobretudo considerando que todos sabiam do clima de “pé de guerra”, levou ao Presidente a informação. Como explicar tamanha falta de responsabilidade?

A notícia do CB informa, ainda, que “na manhã de sexta-feira (...),um senador do PMDB recebeu relatos consistentes de oficiais da Aeronáutica, que já detalhavam o caos que só se materializaria dali a algumas horas. O senador peemedebista repassou os dados para um integrante do governo com acesso direto ao presidente e, também ele, acreditou que a informação ganharia curso próprio e auxiliaria nas decisões destinadas a evitar o problema. Nada disso.“

Ou seja, pelo menos dois importantes integrantes com acesso direto a Lula receberam idêntica informação, porém através de fontes opostas no conflito. Também é certo que a Aeronáutica tinha a informação do que estava para acontecer. Espantoso, me parece, é o governo, na posse de tais informações, não ter feito nada para impedir o motim.

Para piorar, na sexta-feira deu-se a debandada ministerial. O que fico me perguntando é porque as informações não chegaram ao Presidente? Ou melhor, o que me intriga é a falta de atitude desses dois importantes integrantes do governo com acesso direto ao Presidente. Por que menosprezaram as informações a ponto de não avisarem o Presidente? Estranho a atitude benevolente de Lula com o Waldir Pires. Estranho mais ainda o Waldir Pires não avisar Lula sobre a ocorrência de um fato muito grave no âmbito do seu ministério.

Abs.

sábado, 7 de abril de 2007 02:13:00 BRT  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon, em um comentário ao post “Como a FAB pode ajudar o Brasil (01/04)”, eu quis chamar atenção para a falta de transparência de nosso Estado. Esse caso da crise aérea, como é comum acontecer quando ocorrem atritos entre governo e setores da burocracia, mostra bem isso. A maioria das pessoas, especialmente na imprensa (não vai aí uma crítica só a você Alon), no lugar de exigir maior transparência das autoridades, constrói sua própria versão, em cima das diferentes hipóteses mais ou menos prováveis. Estou com a Vera, se focarmos com rigor, qualquer raciocínio fica confuso. O pior é que o caminho mais provável dos acontecimentos não lançará novas luzes: nossa classe média aéro-transportada está feliz com o retorno à normalidade dos aeroportos (e comprou com prazer a versão de que tudo não passou de mais uma prova de incompetência do presidente sem uma “formação adequada”), enquanto a provável CPI irá atrás do assunto que achar mais adequado para acusar o governo, como negócios escusos da Infraero. A título de curiosidade, deixo minha versão dos fatos: a FAB usou o movimento dos controladores como moeda de troca com o governo, o principal ponto sem explicação é a falta de plano B dia 30/3 e a capacidade de pôr os controladores de joelhos menos de uma semana depois. Qual o bombom que a FAB leva? Que tal o PAC específico para reequipar as forças armadas, anunciado de afogadilho? Enfim, entre mortos e feridos estão todos felizes, inclusive o ministro Waldir Pires, que apareceu no Jornal Nacional, a um par de dias, sorrindo entre militares de alta patente. E cada um de nós, com a própria explicação dos fatos.

sábado, 7 de abril de 2007 09:44:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Para mim o que esse episódio revela de maneira estrondosa é que os negócios da República são cada vez menos públicos. Não digo que isso tenha origem no atual governo. Não tem mesmo. Temos uma longa história, uma longa tradição, no trato dos negócios públicos como se fossem do interesse privado. Não é de hoje que, secretamente, interesses particulares engalfinham-se em disputas por posições de poder e com vistas a abocanhar as gordas tetas estatais em benefício próprio e de grupos.

Há um artigo muito bom do Walter Ceneviva. na FSP de hoje. Ele alerta para o fato jurídico, inscrito na Constituição, “que indica (que)o primeiro responsável pela administração federal é o presidente da República, papel do qual deve desincumbir-se o atual chefe do Executivo, nos termos do artigo 84 da Constituição. Está na Carta Magna: a competência do presidente da República existe para exercer, com o auxílio dos ministros de Estado (ele os nomeia e os exonera segundo seu exclusivo critério) a direção superior da administração federal. Cabe-lhe, ainda, dispor sobre a organização e o funcionamento administrativo da Nação.”

O “jogo de empurra” que assistimos hoje é lamentável sob todos os aspectos. No sistema presidencialista a boa ordem política resulta do comando do Presidente. Se este falha ou adia indefinidamente decisões difíceis é natural que toda a cadeia de poder que emana do chefe do executivo enfraqueça-se. Um presidente tíbio, que não sabe ou não gosta de decidir, leva os seus subordinados à indecisão. E quando os resultados da indecisão presidencial aparecem, a escolha é sempre pelo fácil caminho da sua autodesresposabilização face aos acontecimentos, atribuindo a “forças ocultas” ou a “irresponsáveis” e “traidores” aquilo que é de sua exclusiva responsabilidade.

Mas nos regimes democráticos não podem os eleitores eximir-se também da responsabilidade dos seus atos. Afinal, no regime democrático quem escolhe certo ou errado entre candidatos à chefia do executivo é o eleitor.

Por último, sugiro a leitura da entrevista do historiador Marco Antonio Villa no ESP de hoje. Ele trata da mesma questão (a indecisão) abordada pelo Walter Ceneviva. Temos aqui duas visões, uma de jurista e outra do historiador, sobre o mesmo fato.

Abs.

sábado, 7 de abril de 2007 13:34:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Sou chato certificado, repito-me à exaustão, porque sei do que estou falando: há uma enorme "força oculta" que não aceita a criação da ANAC, não pela "desmilitarização", mas por quebrar-se a "panela" do DAC, uma caixa-preta muito mais danosa que a da Infraero. Ao perder, após anos, essa batalha, insurge-se, entre outros meios, "tirando castanhas com a mão de gato" dos controladores, cujas reivindicações salariais e por condições de trabalho são antigas, sufocadas e corretas.
De outro lado, há fortes setores empresariais que defendem o modelo ANAC não por pretenso viés civilista, mas por verem aí a ponta do iceberg da privatização. O iceberg, a jóia da coroa, é a Infraero privatizada.
No meio desse salseiro um governo que gosta do modelo ANAC, não quer privatizar a Infraero - no máximo admite abrir seu capital - e cujo setor de inteligência (ABIN, mundo sindical, políticos e jornalistas com boas fontes) demonstrou-se digno de dó e piada.
No em torno dessa salada uma oposição raivosa e sem pauta, uma classe média com ódio de pobre em avião, não aceitando nada que "venha dessegoverno" e uma imprensa doente por ver o circo pegar fogo e emplacar terceiro turno.
Receita perfeita para 15 minutos de caos.

sábado, 7 de abril de 2007 15:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Até quando vamos ficar fazendo esse jogo de "mentirinha" para defender as nossa convicções políticas? A verdade é que já faz tempo que a parte da esquerda mais radical do governo vem fazendo de tudo para sindicalizar o setor de aviação. Diversas entrevistas dadas por membros do governo provam isso (Valdir Pires por ex.). Basta seber ler nas entrelinhas.

sábado, 7 de abril de 2007 20:32:00 BRT  
Blogger Nehemias disse...

Não sei...

Que uma parte do governo queria a desmilitarização e "vivandeirou" com a indisciplina é fato. Luiz Marinho e Waldir Pires que o digam.

Agora, por outro lado, os problemas com os controladores foram o estopim do caos aéreo, primeira grande crise do 2° governo Lula. Com os vários apagões a oposição teve a oportunidade que queria para abrir uma CPI. Que o governo faz de tudo para evitar.

No dia 30, o ministro Celso de Melo tinha acabado de dar uma decisão "salomônica". Tem que ter CPI. Porém sua decisão tem que ser ratificada pelo pleno do STF. Deus sabe quando. A oposição ficou meio desanimada.

Ai vem o apagão. E não é qualquer um. É o pior de todos. "A mãe de todos os apagões" ou o "apagão de sete cabeças", de proporções bíblicas. (Daqui a mil anos contarão a história desse apagão, e os céticos dirão que é uma invenção. "Não pode ser", "é impossível que tenham deixado a situação chegar a esse ponto", dirão).

E, tcham, a CPI sai do limbo. E junto com ela uma crise militar. (Cara, se eu fosse oposicionista, eu diria que Deus ouviu minhas orações). A "caixa-preta" da Infraero voltou a aparecer no horizonte.

Ainda que a situação tenha apenas saido do controle, e apenas se desejasse um "apaguinho", o fato foi que o momento escolhido foi o pior de todos (para o governo). Qualquer coisa que acontecesse, capaz de criar atrasos e confusão, já apareceria nos jornais e telejornais e poria o assunto da CPI na roda.

E, sinceramente, não sei se temos no governo algum articulador tão competente a ponto de planejar e executar tal plano, quase a perfeição (quase, porque se era essa a idéia, faltou pouco).

Na verdade eu acho é que o governo e aeronaútica acharam que o ameaças dos controladores eram um blefe, que eles não seriam malucos, e ai, de repente, foram pegos de calça curta.

segunda-feira, 9 de abril de 2007 15:29:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home