sexta-feira, 20 de abril de 2007

Forte com os fracos (20/04)

De volta de viagem, escrevo sobre assunto de ontem. Chamou a atenção a dureza das palavras do ministro do Desenvolvimento Agrário contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo a Agência Brasil:

O ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, disse hoje (19) que a sociedade brasileira está ficando “cansada da retórica vazia” do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). (...) “Não só eu, mas toda a sociedade brasileira está ficando um pouco cansada dessa retórica vazia, que sempre vira as costas para a realidade, para justificar os seus atos. (...) Isso [as críticas do MST ao governo] é retórica e retórica vazia para justificar ações políticas que são, às vezes, inexplicáveis”, completou. Na nota divulgada, o MST afirma que “nos últimos anos, pouco ou nada foi feito para uma verdadeira reforma agrária". (...)

Clique aqui para ler a íntegra da reportagem
. Eu estranho o tom das críticas do ministro (autonomeado representante "de toda a sociedade brasileira") contra o MST, em decorrência de posições políticas assumidas pelo movimento. Afinal, sabemos todos -sabe em primeiro lugar o próprio ministro- que movimentos sociais saudáveis são assim mesmo: por mais que o governo faça (e nem se pode dizer que o governo federal seja um sucesso na reforma agrária -ao contrário), sempre vão querer mais. Aliás, o país estaria mais bem servido se o movimento sindical brasileiro mantivesse, nos dias que correm, 10% da combatividade do MST. Para dizer as coisas como devem ser ditas, as palavras do ministro Cassel ficariam melhor na boca do representante de um governo de latifundários. O mais chocante, porém, é comparar o tratamento verbal dado ao MST com aquele dedicado aos controladores de vôo, que protagonizaram coisa bem mais grave do que a invasão temporária de meia dúzia de prédios públicos e um punhado de discursos radicais. Recorde-se que os sargentos-controladores levaram ao colapso o tráfego aéreo nacional após uma rebelião militar. Nem assim deixaram de ser tratados com doçura pelo ministro da Defesa, que invariavelmente faz questão de destacar a "legitimidade" das reivindicações dos sargentos. Olha aí uma idéia. Por que Luiz Inácio Lula da Silva não põe o titular do Desenvolvimento Agrário na Defesa e o da Defesa no Desenvolvimento Agrário? Pelos discursos recentes, seria mais adequado. Eu não tenho dúvida de que Waldir Pires trataria o MST com mais respeito (e você sabem o tanto que o ministro da Defesa apanhou aqui por causa de sua posição na crise aérea). Mas estou sinceramente curioso para saber se o ministro Cassel exibiria, diante dos sargentos-controladores de vôo e dos comandantes militares, a mesma valentia verbal que despejou nesta semana sobre os trabalhadores sem-terra.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

6 Comentários:

Anonymous Caetano disse...

Ué, será que o ministro ainda acredita que o objetivo do MST é a reforma agrária?

sábado, 21 de abril de 2007 00:16:00 BRT  
Anonymous Caetano disse...

Surpreende alguém dizer que o MST merece respeito. Invadir prédios públicos, ameaçar, agredir e encarcerar pessoas, danificar propriedade pública e privada são atos criminosos, e assim deveriam ser tratados por nossas lenientes autoridades

sábado, 21 de abril de 2007 00:23:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Meu Deus do céu, Alon, quando é que eles vão começar a trabalhar, e produzir, sem querer mais e mais dinheiro dos impostos do povo brasileiro? Movimentos sociais? Isto é pura extorsão contra o contribuinte.....

sábado, 21 de abril de 2007 00:54:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Tenho certeza que Lula assina cada palavra do ministro. Uma coisa é querer mais outra é dizer que não está sendo feito nada ou quase nada.

Aliás, vc cortou uma parte importante das palavas dele:

"Elas podem pedir mais, isso é justo e compreensível. Mas não pode dizer que não foi feito nada. Isso é retórica e retórica vazia para justificar ações políticas que são, às vezes, inexplicáveis”.

sábado, 21 de abril de 2007 01:04:00 BRT  
Blogger rafael disse...

Acho que falta uma ponte entre esses comportamentos erráticos: é o próprio presidente da República, que emite sinais para o céu e para o inferno, para cima e para baixo.

terça-feira, 24 de abril de 2007 16:13:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Eu concordo integralmente com as palavras do ministro.

E discordo do posicionamento do Alon.

Penso que o MST perdeu a bandeira, pois o país vem fazendo sim a reforma agrária, com um número apreciável de famílias assentadas, e fica bradando slogans ao vento.

E acho que as ações do MST são (e têm sido) muito graves, bem mais do que a isubordinação dos controladores.

quarta-feira, 25 de abril de 2007 13:55:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home