terça-feira, 3 de abril de 2007

Melhor para o Brasil (03/04)

A rebelião dos sargentos-controladores foi na noite de sexta-feira. O presidente da República disse no sábado -depois, portanto, do motim dos controladores- que o problema teria uma "solução final" hoje, terça-feira. Na data prevista pelo presidente para a solução final [a nós, judeus, essa expressão soa algo desagradável] o que há é uma não solução, exposta depois da reunião de hoje do ministro do Planejamento com os controladores de vôo. O que mudou de sábado para cá? O governo perdeu as condições políticas para fazer imediatamente o que queria, e pelo que vinha trabalhando, na pessoa do ministro da Defesa (mas não somente): retirar a Força Aérea Brasileira (FAB) do controle do tráfego aéreo nacional. O governo perdeu as condições políticas porque: 1) o Brasil ficou em dúvida sobre a conveniência de deixar o controle do tráfego aéreo nas mãos de um sindicato de controladores de vôo e 2) a anarquia militar da sexta-feira e a capitulação do Executivo à pressão dos amotinados deixou o governo meio sem autoridade diante dos chefes militares. É o ponto em que estamos agora. Aparentemente, a situação vai se acalmando, já que o governo decidiu parar de especular com a quebra da hierarquia na FAB. Não deixa de ser um bom começo. Escrevi no sábado em A Oban não era de esquerda:

Nada impede que o presidente da República recue de sua decisão e reponha as coisas em seu devido lugar. Esse, aliás, será o conselho que os verdadeiros amigos darão a Lula quando ele voltar da viagem aos Estados Unidos.

Para sorte nossa, Luiz Inácio Lula da Silva costuma ser um tático invejável. O presidente é capaz de mudanças bruscas de curso quando se alteram as condições do ecossistema político ou quando percebe que fez uma grossa besteira. Lula não sofre quando precisa subordinar sua vaidade às necessidades da administração do poder. As últimas horas mostram isso. Bom para ele. Melhor ainda para o Brasil.

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12 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Bom mesmo Alon. Bom mesmo. Só que essas indas e vindas podem estar demonstrando, a cada dia, fraqueza política ou, ao menos, abertura de muitas frentes sem uma estrutura que possa sustentar tal embate, que abre fissuras difíceis de fechar. A não ser através de mais indas e vindas e apelos à mobilização. A impressão que se tem é de que a hora em que táticas como essa não mais surtirão efeitos está próxima. Portanto,pode-se esperar nada mais do que mais espaços, difíceis de ocupar. E não há espaços vazios em política.
Sotho

terça-feira, 3 de abril de 2007 14:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

o problema não o presidente mudar quando percebe que errou, e errar demais, não seria melhor ele pensar um pouco mais antes de fazer algo?

terça-feira, 3 de abril de 2007 15:04:00 BRT  
Anonymous maria santos disse...

Nada disso. Para as pessoas que votaram no Exmo. é indício de sabedoria ouvir, meditar, meditar ouvir, voltar, tornar a ouvir. Tds. sabem como é difícil lidar com tantas forças, tantas idéias, sempre haverá um canal aberto com o querido Presidente. Isto nos faz mais próximos dele e nos ensina que cada vez devemos ser menos radicais, mas sem sufocar nossos ideais.

terça-feira, 3 de abril de 2007 15:12:00 BRT  
Anonymous maria santos disse...

E alguém ainda pensa que poderia fazer melhor...santa ignorância.

terça-feira, 3 de abril de 2007 15:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Ministro do Planejamento estabeleceu, em nome do Presidente, um acordo
( completamente equivocado, mas mesmo assim, empenhou a credibilidade do Governo neste acordo ) com os controladores de vôo.

Recuar agora, sem qualquer fato novo, ou que fosse imprevisível,independentemente de qual seja a posição mais lúcida, expõe a precariedade do governo e o leva, mais ainda ao ( merecido )descrédito.

terça-feira, 3 de abril de 2007 15:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, ontem à noite postei a seguinte opinião:

"Eu acredito que o jogo ainda não acabou. Não é hora de fazer balanços parciais. Qualquer administrador que interrompe a gestão durante uma crise para fazer balanços parciais caminha para o fracasso".

Continuo acreditando que o jogo ainda não acabou.

Também temos que considerar que nestas questões de Estado, que envolve segurança pública e segurança nacional, a probabilidade de que toda a estratégia ainda não foi posta na mesa é alta.


Rosan de Sousa Amaral

terça-feira, 3 de abril de 2007 16:03:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Os posts sobre o episódio foram ótimos. Penso que valem como preciosas aulas de jornalismo. Vejam que interessante: Alon, não recorreu em nenhum momento ao famigerado “fontismo”. Fez apenas uso do que o bom Deus lhe deu. Usando o raciocínio, seguiu a boa lógica unida à defesa da legalidade democrática. Produziu, assim, jornalismo de primeira.

Parabéns, Alon. Nota 100 com louvor.

Contribuindo para a teoria do viés.

Num post anterior, um comentarista citou literalmente passagens do acordo firmado entre o governo (Paulo Bernardo é governo ou não?) e amotinados. Está escrito com todas as letras nesse acordo que o governo

1.Assegurrou aos amotinados que não haveria punições.
2. Aceitou negociar condições com amotinados.
3.Aceitou negociar aumento de salários para os amotinados.

Metido os pés pelas mãos, a encrenca estava armada. O Ministério Público Militar entrou em ação e deixou muito claro que o acordo firmado pelo governo com os amotinados não valia porcaria nenhuma. Gostem ou não do que vou escrever, o fato é que o governo cedeu às chantagens de criminosos. Não sou eu quem tipifica o crime e aponta os criminosos, mas sim o código penal militar, transcrito aqui no blog e disponível para leitura.

Ficou evidente que não se tratava da simples quebra de um "tabu militar". Estava em curso uma crise institucional que, no limite, poderia levar o governo e o país a um beco sem saída. A boa notícia é que o curso dos acontecimentos parece que vai tomando melhor rumo.

Enfim, penso que os artífices do recuo do governo foram os militares e o MP. E vamos às perguntas: o que Lula poderia fazer? Poderia impedir o MP de instaurar o IPM? Poderia mudar o que está escrito na Constituição por um único ato da sua vontade? O que, ainda, pergunto é como é possível que alguém que jurou defender a Constituição permitiu-se negociar com aqueles que ofenderam e desrespeitaram acintosamente a Constituição?

Agora entro no viés, Alon. Você escreveu

"Para sorte nossa, Luiz Inácio Lula da Silva costuma ser um tático invejável. O presidente é capaz de mudanças bruscas de curso quando se alteram as condições do ecossistema político"

Primeiro o ecossistema político não mudou . Os militares bateram pé e com razão na defesa dos princípios da legalidade democrática, da hierarquia e disciplina e o MP, por sua vez, agiu prontamente em defesa da Constituição. Então, eu pergunto, como falar em "mudança brusca de curso"? Lula seria um maluco se levasse adiante a presepada que ajudou a criar. E que poder ele teria para não recuar? Na realidade, Lula foi recuado pelos militares e pelo MP, que saíram na primeira hora contra o governo e em defesa do Estado de Direito. Se Lula recuou, recuou para o lugar do qual nunca deveria ter saído: defesa da legalidade democrática e da Constituição.

A avaliação de Lula como um tático invejável e capaz de mudanças bruscas e que sabe subordinar sua vaidade às necessidades da administração do poder é uma avaliação da sua, Alon, subjetividade. Claro que você tem os seus preferidos. Sabemos que você não milita no “isentismo”.

Mas como você magnificamente escreveu na sua defesa da objetividade jornalística, “Quem define o que é a tal informação objetiva? O bom jornalismo resolve esse problema a partir da constatação de que a convergência das subjetividades aproxima a objetividade. Em outras palavras, não há como ser objetivo sem ser plural. Pois ninguém detém o condão da objetividade suprema. Não há técnica jornalística que consiga eliminar completamente o viés, o preconceito, a tentativa de selecionar na realidade os fatos que melhor se encaixam na explicação que temos para ela (a realidade).”

Abs

terça-feira, 3 de abril de 2007 21:02:00 BRT  
Blogger Sidarta Cavalcante disse...

Alon, realmente, muito boa análise. Não deixo de ler seu blog, você está me convencendo com argumentos.

terça-feira, 3 de abril de 2007 23:09:00 BRT  
Anonymous Fernando Silva disse...

O presidente errar e voltar atrás, tudo bem, é do jogo. O que não dá para engolir são os spin-doctors do governo tentaram vender versôes da "grande saída", da "quebra de tabu", do "exemplo de civilismo" do presidente Lula na sexta-feira, quando até o analista mais ingênuo percebeu o terrível engano cometido pelo presidente. Eu sei que o trabalho deles é esse mesmo, com o risco de pagar esse mico e ficar com cara de bobo agora.
Ainda bem que você não embarcou nessa, Alon, como aliás já era de se esperar pela sua independência de pensamento.

terça-feira, 3 de abril de 2007 23:30:00 BRT  
Anonymous JV disse...

As coisas estão apenas começando, Alon, não fique tão otimista. Seguirão outros amotinados se o executivo demonstrar tibieza.

quarta-feira, 4 de abril de 2007 01:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Entendo que a atividade de um Presidente da República tem grande, senão toda ela, pauta política. Não tem como ser de outro modo. Caso contrário não concorreriam ao cargo, mas, sim a outras atividades. Contudo, tal atividade, essencialmente política, deve ser condicionada pela submissão à Democracia e pela defesa da Democracia. E a Democracia é um valor muito importante para ser tutelado por governos. Portanto, o conselho do Alon é muito pertinente.
Sotho

quarta-feira, 4 de abril de 2007 11:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Recuo?

Será?

Corrijam-me se estiver errado, mas na sexta-feira se os controladores fossem presos, o caos seria longo.

Era imperioso fazê-los voltar ao trabalho.

Agora, que eles já foram identificados como "causadores do mal", é mais fácil pressioná-los a manter as reivindicações em níveis, digamos, civilizados. E as punições poderão ser feitas sem prolongar o caos, por meio de inquéritos militares - que, não duvidem, acabarão com algumas prisões e uma ou duas expulsões (dentre os 18 da torre).

Sobre quebra de hierarquia, bem... o Presidente não é o Comandante em Chefe das Forças Armadas? Então, como uma ordem sua seria "quebra de hierarquia"?

Paulo

quarta-feira, 4 de abril de 2007 11:50:00 BRT  

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