segunda-feira, 2 de abril de 2007

Antes de sair de casa, consulte a página da ABCTA (02/04)

A Constituição proíbe o sindicalismo militar, mas é precisamente um "sindicato" militar que está neste momento no comando do controle de tráfego aéreo no Brasil. Sei que há quem julgue esse fato um importante avanço democrático e civilista em nosso país, e também considere que a Constituição pode ser rasgada, em determinadas circunstâncias. Eu, como já disse no post anterior, discordo da avaliação e do método. O flerte com a anarquia militar no Estado de Direito democrático não vai constrar do meu currículo. Não seria nesta altura da vida que eu iria entrar numa dessas. No momento, entretanto, minha preocupação é outra: se os controladores mandam no tráfego aéreo, quem manda nos controladores? Aparentemente, ninguém. Bem, minutos atrás, o sindicato avisou que o tráfego aéreo na Semana Santa será normal. Mas convém estar precavido. Minha sugestão a você que, como eu, pretende viajar no feriado: antes de sair de casa, consulte a página da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA) na Internet para saber o que ela vai fazer. Até porque, como era de se prever, o Ministério Público Militar vai pedir abertura de inquérito para identificar responsáveis pela sublevação da sexta-feira. Não poderia deixar de fazê-lo, pela lei. Vamos esperar pelos desdobramentos.

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9 Comentários:

Anonymous Artur Araújo disse...

Meu comentário no post sobre a hipótese de sabotagem perdeu-se no éter. Pena. Cumprimentava-o por resgatar o jornalismo, após seu sepultamento na discussão legal. Já disse e reafirmo: toda a crise deve-se à extinção do DAC, o paraíso das prebendas. Atuo no turismo de 1983 e sei do que estou falando.
Enquanto esse ponto não se fizer público, muito sobrará para os armchair warriors, para os holofotes da oposição fácil e da imprensa irresponsável, adicionadas do caldo de cultura de uma classe média em paroxismo de ódio de classe, como vociferava um "executivo" na fila: "Quem o Lula pensa que eu sou? Eu não sou proletário! Isto é um aeroporto, não uma rodoviária!!".

segunda-feira, 2 de abril de 2007 17:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sr. Alon, acompanho desde a sexta-feira os seus comentários sobre a crise aérea e quero dizer que o Brasil pecisa de mais jornalistas como o senhor, com a coragem de colocar os pingos nos is. O governo estimulou irresponsavelmente o sindicalismo entre os controladores, com objetivos que não estão claros, e agora o presidente Lula diz que eles são irreponsáveis. Eu me pergunto se é responsável manter no ministério da Defesa alguém que já demonstrou não ter nenhum preparo para o cargo. Silas.

segunda-feira, 2 de abril de 2007 17:56:00 BRT  
Anonymous Marcelo Pinto disse...

Caro Alon, o que você faria no lugar do Presidente Lula na última sexta-feira. Sem entrar no mérito dos acontecimentos anteriores.

segunda-feira, 2 de abril de 2007 18:21:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Gostei Alon, maturidade e sensatez. Bom post, todo mundo deveria poder compreendê-lo.

segunda-feira, 2 de abril de 2007 18:37:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Artur

Esse tipo de comportamento que você descreve existe, gostemos ou não. A ministra Matilde, por sua vez, também manifestou-se com idêntica "indignação". Não vejo diferença nessas manifestações de ressentimentos. O que muda? Para mim, nada. Para outros, um certo corte de "classe" pode justificar uma fala ressentida e condenar outra. Eu penso que ambas são condenáveis porque são falas movidas pelo preconceito e pelo ressentimento. Veja, eu não condeno os sujeitos empíricos das frases. Eu critico as formas mentais que produzem tais falas. Como costumo dizer sempre, todos temos bem guardadinhos lá no fundo dos nossos corações pequenos Hitler e Stalin doidinhos para escapar. De minha parte, faço o possível para que eles não saiam. Eu os reprimo com dureza para que fiquem lá e não causem mal a ninguém.

Não vou fazer aqui a defesa do Alon. Os dois sabemos quem foi e é Alon.

Também não se trata de menosprezar essa outra face que você aponta. Para mim, que sou leigo e deconheço de perto essa realidade com a qual você lida a tantos anos, tudo é muito estranho. Intuo, pois não disponho de fatos para análise, que o que está em um jogo por trás dessa nebulosidade são intereses particulares e penso que todos muito graúdos. A disputa por poder é também uma disputa por prestígio social e por benefícios materiais. Os controladores são a ponta do iceberg. O interesse nacional é o que menos conta.

Uma outra face, que me parece mais importante neste momento e que vem sendo abordada corretamente no blog, é o atentado que esse movimento e a solução oferecida pelo governo representam contra o Estado de Direito. Se aceitarmos que a Constituição possa ser rasgada ao sabor dos interesses do governante do momento, então me parece lógico que teremos também que rever tudo o que pensamos e escrevemos sobre ditaduras e golpes militares. Por que uns podem e outros não?

Entendo perfeitamente, e sei que você também, quando Alon escreve que "não seria nesta altura da vida que eu iria entrar numa dessas."

abs.

segunda-feira, 2 de abril de 2007 18:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O título do post retrata a mais pura e triste verdade. Onde chegamos...

Marcelo, não tenho a pretensão de ser o presidente Lula. Na verdade não tenho nem a pretensão de ser o Alon. Mas o que eu faria: eu apoiaria a autoridade do comandante da Aeronáutica contra os revoltosos. Explicaria à nação que estava diante um motim de militares contra o Estado, contra a sociedade e contra a Constituição brasileira. Diria que a situação era inaceitável e que não cederia a chantagens.

Daqui da minha cadeira, aposto que Lula teria vencido a parada. Que neste momento o controle estaria normalizado e que ele teria marcado um gol de placa. Mas a fortuna só premia os que tem coragem.

segunda-feira, 2 de abril de 2007 19:01:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Meus companheiro de viagem, digo blog. Não nos iludemos. Por não haver plantel reserva, por não haver alternativa, os controladores têm ciência do poder e da oportunidade para sanar diversas aspirações. Também têm ciência que ultrapassaram a linha da legalidade. Pelas declarações dos seus representantes, também parecem ter ciência de que "O Império Contraatacará" (não como a representação do mau, mas como necessidade de manutenção das pilares do Estado Democrático do Direito). Por isto os controladores ainda ameaçam, veladamente, outra paralização ainda na semana-santa caso não garantam a anistia, bem como se precavendo para a possibilidade de uma chegada do "Ataque dos Clones". Desculpem a inspiração na triologia do George (o Lucas).

Rosan de Sousa Amaral

segunda-feira, 2 de abril de 2007 21:34:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

E mais.
A Aeronáutica só tem direito de falar grosso se garantir o serviço.

Fora isso, a hierarquia que interessa é a do serviço público e a satisfação do consumidor que paga por ele.

Estamos em tempos de paz meus caros.

segunda-feira, 2 de abril de 2007 23:54:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Co-Araújo,
Não me meta em conversas de Matildes (rs). Apesar de concordar com o Alon, que até é possível avalizar o conteúdo da verborragia ministerial, a falta de senso político e de oportunidade foi indescritível.
Venho batendo compulsivamente na tecla das reais origens da crise aérea - extinção do DAC e controle civil da aviação civil - pq não é coisa pequena o tamanho do embate em curso e os meios de comunicação, oportunistamente, elidem o tema.
Que as oposições o façam, é do jogo, ainda que cínico. Que a "livre imprensa" o faça é, na minha opinião, crime contra a cidadania, parte de estratégia golpista de desgaste, tentativa continuada de "terceiro turno".

terça-feira, 3 de abril de 2007 12:54:00 BRT  

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