quarta-feira, 4 de abril de 2007

Anistia e vivandeiras (04/04)

Elio Gaspari escreve na Folha de S.Paulo de hoje coluna obrigatória -para ler e refletir sobre ela. O assunto (anistia para os controladores de vôo amotinados) havia sido tratado aqui, em Constituição à la carte, mas só de passagem. Fica para você comentar, enquanto eu viajo (de avião). Um trecho do texto do Gaspari:

(...) há antecedentes de mazorcas militares sedadas por anistias: Em novembro de 1910, os marinheiros dos principais navios de guerra brasileiros rebelaram-se na Baía da Guanabara. Dispararam sobre a cidade e ameaçaram bombardeá-la se não tivessem algumas reivindicações atendidas. Entre elas, estava a abolição da chibata como forma de punição disciplinar. A baderna durou quatro dias, e o marechal Hermes de Fonseca cedeu. Em seguida, o Congresso anistiou os revoltosos. O líder da iniciativa foi Rui Barbosa. (Semanas depois, veio a forra, mas essa é outra história.) Em fevereiro de 1956, cinco oficiais da FAB apoderaram-se de dois aviões militares e foram para Jacareacanga, no meio da Amazônia. Pretendiam iniciar uma revolta que derrubaria o presidente Juscelino Kubitschek. Cerca de 60 oficiais das tropas do Rio, de Salvador e de Fortaleza recusaram-se a reprimir o levante. Dezenove dias depois, os rebeldes renderam-se. Em dezembro de 1959, outra revolta. Os oficiais amotinados seqüestraram um avião de passageiros (primeiro episódio desse tipo da história nacional) e instalaram-se em Aragarças. Capitularam 36 horas depois. Em abril de 1960, com o apoio de Kubitschek, o Congresso anistiou os revoltosos. As anistias destinaram-se a preservar a ordem (1910) e a evitar o aprofundamento de uma crônica crise militar (1960). No século passado, a mazorca dos quartéis vinha tanto de baixo como de cima. (...) O caminho que leva os amotinados à cadeia pode conduzir os aeroportos ao inferno. Guardadas as proporções, essa foi a preocupação de Rui Barbosa em 1910. Os amotinados enfrentarão um processo que pode durar meses, ao fim do qual tudo indica que serão condenados. E como ficam, perante a lei, os negociadores que fecharam um acordo com eles? Já apareceram comissários que conhecem "brigadeiros progressistas" e parlamentares que recebem acenos de oficiais indignados. Essas duas espécies estão por aí, ciscando nos conciliábulos de Brasília. São nefandas figuras, retratadas em 1965 pelo marechal Castello Branco: "Eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar". Desde 1981, o Brasil não vê extravagâncias do poder militar. O que menos se precisa é do ressurgimento das vivandeiras. (Clique para ler o texto na íntegra.)

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8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Vivandeiras devem ser desacreditadas. Vivandeiras veem golpe por todos os lados. Vivandeiras mantém a sociedade anestesiada por medos e culpas inculcadas. O que deve ser cobrado de todos é a temperança de estadistas. Mirar-se nos estadistas. Temperança a todos. Vivandeiras não a tem.
Sotho

quarta-feira, 4 de abril de 2007 11:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O pior é que nestes dias o mais tem são vivandeiras.

Ainda acalentam o sonho do 'terceiro turno'.

Paulo

quarta-feira, 4 de abril de 2007 11:44:00 BRT  
Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

Chego a conclusão, que estas ações da oposição juntamente com parte da mídia tem um motivo.Verificaram que Lula conseguiu montar uma coalizão onde ficou com maioria na câmara e senado, apesar de criticarem o PAC sabem o que representa para o país, e recentemente as propostas para a educação. Isto sem se falar na inflação em baixa, o risco país, aumento da exportações, crescimento do crédito e consumo e o principal a melhoria de vida de todos o brasileiros.
Juntando tudo, entram em convulsão, e tentam de todo modo desmoralizar
o governo.
Além do mais, verificaram que têm uma oposição franca e sem poder de fogo para barra as iniciativas governamentais.
Ainda tem mais, estão como muito medo das próximas eleições.

quarta-feira, 4 de abril de 2007 16:17:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Quem tem interesse hoje em dia num golpe militar?

quarta-feira, 4 de abril de 2007 16:55:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Esboço de resposta à indagação de JV: todos os que querem inscrever, extraconstitucionalmente, o terceiro turno na rotina nacional.
Quando os clubes militares lançam "pronunciamientos", quando a imprensa associa 1o. de abril a sindicalismo de sargentos e repúblicas sindicais, quando publica-se foto de primeira página de autoridade que NÃO tem jurisdição sobre os controladores como "prova" de omissão, quando parcelas das camadas médias vociferam na TV contra a "baderna do governo de proletários" e quando as oposições propõem uma CPI do "apagão" que tem como pauta única a "corrupção na INFRAERO", sem um item sequer referente a tráfego aéreo, parece-me que há, sim, algo mais no ar que aviões de carreira.
No caso da imprensa é sempre bom lembrá-la que costuma ser a primeira vítima. Parece-me, porém, que memória curta, no Brasil, não é "monopólio do povo".

quarta-feira, 4 de abril de 2007 18:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Além da temperança, cabe mesmo a pergunta: quem tem interesse em alardear risco de golpe? Alardeia-se risco de golpe e depois alardeia-se que foi debelado. A quem interessa isto? Será a quem investe em descreditar tudo e a todos? Semeadores do medo?
Sotho

quinta-feira, 5 de abril de 2007 14:47:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Concordo, Sotho

Se Gaspari sabe da existência de vivandeiras a rondar bivaques deveria dizer os nomes.

abs.

quinta-feira, 5 de abril de 2007 18:08:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Esta historias de morde e assopra só serve ao Lula, cria um problema fictício e depois finge resolvê-lo, quando deveria ter feito prevenção. Lula vem agindo contra os militares e insuflando os sargentos desde o acidente da GOL.

quinta-feira, 5 de abril de 2007 18:21:00 BRT  

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