quinta-feira, 1 de março de 2007

Vitória da FAB e do Brasil (01/03)

Escrevi dias atrás em Os chacais:

A cada nova informação que aparece, fica claro que os pilotos americanos do Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, foram os responsáveis pelo choque aéreo que provocou a tragédia com o avião da Gol, dias antes do primeiro turno da eleição presidencial ano passado. (...)[Nada] trará de volta os 154 mortos do Boeing da Gol. Mas talvez intimide os chacais que se atiraram sobre os cadáveres em busca de atingir objetivos nem sempre confessáveis, pelo menos abertamente. Estão temporariamente derrotados os lobistas da privatização da Infraero e os articuladores do esvaziamento da Força Aérea Brasileira (FAB). (Continua...)

Reportagem hoje, na Folha de S.Paulo:

Defesa quer controle militar do tráfego aéreo e mais caças

Ministro recua e se alinha à Aeronáutica, que tenta não perder comando para civis

Novo comandante defende retomada do projeto F-X, de compra de aviões de combate, e do Veículo Lançador de Satélites

LEILA SUWWAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ministro da Defesa, Waldir Pires, afirmou que o controle de tráfego aéreo civil deverá permanecer subordinado à Força Aérea. A declaração aconteceu após a posse do novo comandante da Aeronáutica, o brigadeiro-do-ar Juniti Saito, que por sua vez defendeu a retomada do projeto F-X, de aquisição de novos caças. Segundo Pires, o controle de tráfego aéreo deve permanecer integrado ao sistema de Defesa Aérea, mas deu a entender que há propostas sob estudo para destacar a natureza civil do controle da aviação geral. Com o recuo, a Defesa se alinha à Aeronáutica, que rejeita a desmilitarização do setor, proposta pelo grupo de trabalho do governo em dezembro. "O Brasil precisa ter uma aviação civil poderosa e importante, mas submetida ao controle do espaço aéreo da Aeronáutica", disse Pires. "O sistema integrado é indispensável, senão teríamos uma repetição do que aconteceu no 11 de Setembro [problemas de comunicação entre controle e defesa aérea]", completou. Segundo o comandante, o sistema brasileiro é "invejável" e "objeto de consulta de outros países, principalmente no pós-11 de Setembro". (Continua...)


As tentativas de enfraquecimento da FAB nesse episódio do acidente do avião da Gol são emblemáticas de como um discurso "civilista" e "pró-sindical" pode, a depender das circunstâncias, ser manipulado por interesses antinacionais. Agora, o ministério da Defesa parece ter concluído que não faz sentido jogar o jogo dos adversários do Brasil. A posição expressa nos jornais de hoje é a mais adequada à biografia do ministro Waldir Pires, sabidamente um patriota. O Brasil precisa de Forças Armadas capazes de garantir na prática nosso papel no equilíbrio regional. Esse é um elemento decisivo para o projeto de uma América do Sul pacífica e livre de armas de destruição em massa. Ou seja, para um Brasil e uma América do Sul democráticos.

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12 Comentários:

Anonymous Artur Araujo disse...

Alon,
Não tenho opinião formada, mas me permito uma consideração "lateral": a FAA, agência civil, prejudica o controle militar do espaço aéreo dos EUA ou enfraquece a USAF?

abs

quinta-feira, 1 de março de 2007 13:01:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

O controle militar fica mantido, mas quer "destacar a natureza civil da aviação geral".
Então vai haver uma desmilitarização-pela-metade pra deixar os controladores de vôo quietos e o alto oficialato contente?

quinta-feira, 1 de março de 2007 13:35:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Os pilotos americanos são só dois paspalhos a mais numa séire de paspalhadas que começaram muito antes do Legacy NXL 600 decolar em São José.

É possível que elas tenham começado com o projeto do avião da Embraer, cujos sistemas de proteção ao vôo se mostraram frágeis (transponder e TCAS integrados e desligados por "esquecimento" ou falha dos paspalhos norte-americanos). Entre os passageiros do jatinho estavam um executivo da Embraer, o vice-presidente da empresa que comprou o avião, a Excelaire e um jornalista americano a serviço de uma revista especializada em aviação civil. Os pilotos distraídos testavam os comandos com a ajuda de laptops, que encobriam os mostradores... Até parece uma reunião de país e filhos em torno da árvore de Natal, tentando descobrir como funcionam aqueles brinquedinhos novos...

Enquanto isso, em Brasília, outros paspalhos não sabiam direito se o avião estava ou não na aerovia correta, não conseguia contactar os pilotos e nem entendia inglês. Notem bem: os controladores da rota que liga o Brasil aos EUA não dominam o idioma dos irmãos Wright. Afinal o antiamericanismo brasileiro - decantado por Sharkey, Cantanhêde e Abdenur - está em Copacabana (onde os paspalhos ficaram hospedados), no Itamaraty ou na Aeronáutica?

O ex-comandante da Aeronáutica e o nobre ministro da Defesa (a biografia de Waldir Pires foi a 155ª vítima desse acidente) deram prosseguimento à sequência de paspalhadas tentando covardemente colocar toda a responsabilidade nas costas de um jovem e despreparado controlador de tráfego ou anunciando desconhecimento da situação de todo o sistema (falha imperdoável para quem tem por obrigação conhecer todos os perigos que nos ameaçam).

A próxima paspalhada foi o "desligamento acidental por um programador" de todo o sistema nacional de comunicação aérea por rádio. Foi preciso chamar um técnico francês - talvez para ler o manual - cujo país foi preterido pelos EUA na licitação do Sivam.

Paspalhadas podem fazer o sucesso das comédias. Ou transformá-las em tragédia.

quinta-feira, 1 de março de 2007 17:08:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Pois é, Waldir Pires desmoraliza o patriotismo, mas neste ponto, o sistema brasileiro, militar-civil, tem despertado o interesse dos EUA, sim senhor. Mas os controladores brasileiros são pouco treinados, isto é inegável e eu sei de experiência própria.

quinta-feira, 1 de março de 2007 18:35:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Às vezes as ideologias à direita fazem mal ao bolso também. A desejada privatização do controle de vôo pelos liberais, não desobriga o controle militar.
O controle militar é imprescindível, para evitar seqüestros, atos terroristas como o 11 de setembro (o Brasil teve um caso pioneiro de um sequestrador que queria jogar o avião sobre o Palácio do Planalto, na época do Sarney, se lembram?), narcotráfico e invasões do espaço aéreo.
Então, o monopólio militar é por força de contingência, e estruturas civis concorrentes (e conflitantes, pois no mesmo espaço aéreo há vôos militares também) iriam apenas onerar o contribuinte / consumidor.

quinta-feira, 1 de março de 2007 21:35:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Eu não sou favorável a transformação do DAc num imenso Detran aéreo. E sou de direita e interessado noa ssunto.

quinta-feira, 1 de março de 2007 23:52:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

FHC foi aiatolá do estado-minimalista. Ele não investiu em pessoal para Proteção ao Vôo porque para a classe (co)média era blasfêmia, enquanto que para o "Conselho da Revolução" diminuir a folha de pagamentos seria valorizar ações para futura paradisíaca e virginal privatização da INFRAERO. Tudo isso soava moderno (na mídia) até 11/02, quando se descobriu que aeroporto não é padaria. Lá caíram as torres, aqui o Gol. Acho irrealismo dispensar o estado da Proteção ao Vôo num país descapitalizado, sem justiça, polícia. Esse modelito não serviu nem na Lady Liberty.

sexta-feira, 2 de março de 2007 04:42:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Acho que o ranço anti-DAC tem a ver com a antipatia de FHC pelos militares em geral.

sexta-feira, 2 de março de 2007 10:47:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Fui colega de militares da FAB no início dos 90 que consideravam FHC um soviético vingativo. O pior é que eram inteligentes! Tal fato demonstra o grau de falta de articulação do brasileiro quando discute política. Precisou um tempo para eles mudarem. O trabalho de chinês dos blogueiros que é contribuir com para a elevação do nível de discussão não é em vão. Muitos deles confessaram-me, depois de 10 anos, que votariam no PT. O militar tem preocupação pelo coletivo que não encontrei em muitas categorias que conheci.

sábado, 3 de março de 2007 04:20:00 BRT  
Anonymous JV disse...

militar votando no PT é a abdicação da inteligência.

sábado, 3 de março de 2007 16:19:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, se os americanos são realmente culpados, porque a ANAC não mostra as provas de uma vez?

domingo, 4 de março de 2007 01:09:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Não foi o PT que restringiu a permanência de conscritos nos quartéis para economizar o rancho, diminuiu ao limite de menos de 100 balas o treino de tiro, o projeto AMX foi paralisado (equipe de técnicos do radar estava com um pesquisador), parte significativa da equipe do VLS foi-se em Alcântara; se a Marinha não tivesse empenhado quase todo seu orçamento no submarino, o país perderia o trabalho de décadas, as manobras aéreas da FAB viraram coisa do passado, a PM de SP tem um dos soldos mais baixos. Não acho inteligente essa alternativa neoliberal. Conforme o governo enquadre a herança maldita, acho que consolida o caminho da soberania.

domingo, 4 de março de 2007 04:37:00 BRT  

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