quinta-feira, 15 de março de 2007

Uma dúvida sobre o álcool e a reforma agrária (15/03)

Um dos argumentos mais repetidos pelos defensores da expansão acelerada do cultivo de cana de açúcar para a produção de etanol é que a cana não ocuparia áreas em que persiste a vegetação dita natural, mas substituiria, por exemplo, pastagens em áreas degradadas. Ou seja, penetraria em terras que hoje têm baixa produtividade. Se o argumento for verdadeiro, fica uma pergunta para o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária): por que essas áreas de pequena produtividade não estão sendo utilizadas no programa de reforma agrária do governo federal? Se temos terras mal-aproveitadas em quantidade suficiente para transformar o Brasil na principal fonte planetária de álcool etílico, por que o instituto diz que falta terra para um programa mais agressivo de assentamentos?

Leia também sobre o balanço da Reforma Agrária no governo Lula.

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31 Comentários:

Anonymous Ricardo Melo disse...

Alon:
Para se propor a Reforma Agrária em determinada propriedade, o INCRA define se a mesma é produtiva ou ociosa. A princípio, somente latifúndos sub-explorados são designados para a repartição de terras.
Para que isso seja definido, o INCRA calcula a produtividade da propriedade. Mas há um sério problema: o índice de produtividade usado atualmente é o mesmo de 30 ou 40 anos atrás!
Nas últimas décadas, a produtividade média real da agricultura brasileira aumentou muito. Conclusão: ao se definir a produtividade rural, o INCRA usa dados ultrapassados, de uma época em que praticamente não havia tecnologias, principalmente biotecnologias. Basta um certo número de cabeças de gado na fazenda para se estabelecer que a mesma está sendo socialmente produtiva. Isso é um escândalo. Mas, quando se fala em atualizar o índice de produtividade de acordo com a realidade atual, os latifundiários são os primeiros a formar um escândalo na mídia. E esta sempre fica do lado deles...

quinta-feira, 15 de março de 2007 15:59:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Elas não servem para cultivo exatamente porque estão degradadas.

No entanto, hoje a agronomia brasileira dispõe de tecnologia (plantio direto, por exemplo) para utilização dessas áreas. No entanto, até onde sei (não sou especialista), a viabilidade está condicionada à disponibilidade de máquinas, irrigação, insumos e tecnologia. O investimento inicial para recuperação desses solos é alto (quem vai bancar?) e só se viabiliza com monoculturas que garantam alta rentabilidade ao produtor(o MST e quejandos são contrários, por exemplo, ao plantio de trangênicos). Jogar essa turma nesses solos pra fazer proselitismo político e cultura de subsistência é, na melhos das hipóteses, idiotice.

Outro agravante, de ordem cultural, é a predominância do pensamento anticapitalista dos agentes (governamentias e não governamentais) ligados à reforma agrária. É forte nesse setor a idéia de que o bom na reforma agrária seria o surgimento de um certo coletivismo de conteúdo comunitarista e cubanobolivaristacristão.

Junte-se a isso, o irracionalismo ambientalista (vide destruição de plantios experimentais e laboratórios de pesquisa) dessa turma que considera os avanços científicos e tecnológicos da agricultura um atentado à "mãe natureza". Enfim, o pensamento dominante nestes setores é atrasado e incompatível com a modernidade agrícola.

Colocar estas terras na reforma agrária seria puro desperdício de dinheiro do contribuinte. Seria, sim, ótimo negócio para proprietários descapitalizados. Como contribuinte não considero que esta seja uma boa destinação para o dinheiro que entrego ao governo na forma e impostos.

abs.

quinta-feira, 15 de março de 2007 16:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Você escreveu, dias atrás:

"Outra boa medida seria rever, para cima, os índices de produtividade exigidos para que uma área escape da expropriação por interesse social. Os índices em vigor são de 1980, baseados num recenseamento agropecuário de 1975. A portaria para atualizá-los repousa em algum escaninho do Palácio do Planalto."

Aí é que está a resposta. O governo se recusa a mudar os índices. O que nos empurra para a modernização conservadora. Pastagens vão virar canaviais, mas manter-se-á o latifúndio.

quinta-feira, 15 de março de 2007 16:26:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Acho que meu comentário perdeu-se no buraco negro da WEB. Reescrevo, portanto.

Essas terras não se prestam para fins de reforma agrária exatamente porque estão degradadas.

No entanto, a agronomia brasileira, com as fantásticas e pouco divulgadas pesquisas produzidas pelas faculdades de agronomia e pelas instituições de pesquisa, possui tecnologia de ponta para reaproveitamento desses solos (por exenplo, plantio direto e trasngenia. Aviso: não sou especialista). O problema é que o investimento inicial para recuperação desses solos é alto (quem vai bancar?). Isso requer máquinas, irrigação, insumos e novas tecnologias de manejo. Sendo assim, só há sentido investir em monoculturas (escala de produção) com garantia de alta rentabilidade. Acho que é por essa razão que se fala em reaproveitamento para plantio de cana de acúcar.

Outro agravante é que o pensamento dominante (governamental e não governamental) nestes setores ligados à reforma agrária é militantemente anticapitalista. Junte-se a isso o irracionalismo ambientalista e seu ódio a tudo o que se refere aos avanços da ciência e da tecnologia. Numa caricatura (ou talvez a triste realidade), para essa gente tais avanços são um atentado à "mãe natureza".

Outro impedimento é a ideologia coletivista comunitarista cubanobolivaristacristã que se irradia desde os movimentos ditos sociais (MST e quejandos). Jogar gente pobre nessas terras degradadas para fins de proselitismo político e cultura de subsistência é, na melhor das hipóteses, idiotice e desperdício do dinheiro do contribuinte.

Imagino que o programa do etanol deverá influenciar o valor de venda dessas terras. Se eu tivesse uma boa grana para investir, iria agora comprar uma "latifúndio improdutivo" para torná-lo um agronegócio rentável e gerador de desenvolvimento.

Enfim, se o dinheiro do contribuinte for utilizado para efeito de reforma agrária, isso deve ser precedido por planejamento e dotação de recursos orçamentários com vistas ao desenvolvimento e fortalecimento do cooperativismo de mercado. Mas isso não será feito. Cito algumas razões:

1. o governo não está interessado nessa forma capitalista de democratização da terra. O governo está interessado em "assistencialismo" que lhe garanta votos. No governo também predomina a cultura anticapitalista.

2. MST e quejandos, além de meter a mão nesses recursos, tudo farão para que a cultura capitalista não triunfe sobre o atraso militante.

3.A igreja católica (sou católico) abomina o capitalismo. A reforma agrária é vista por ela como uma espécie de antídoto contra a modernidade.

abs

quinta-feira, 15 de março de 2007 17:11:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Para completar meu comentário anterior. Acabei de ler na ag. estado

PORTO ALEGRE - Os agricultores do Assentamento Novo Pedro Osório, em Pedro Osório (RS), arrancaram nesta quarta-feira, 14, os eucaliptos que haviam plantado em parceria com a Votorantim Celulose e Papel em cerca de 100 dos 540 hectares que receberam do Incra em 1999.

Para tornar o momento simbólico, reuniram cerca de 100 pessoas, entre assentados e acampados da região, e iniciaram o dia com um ato público em que proclamaram a opção pela produção de alimentos em vez da produção de árvores exóticas para abastecimento da indústria da celulose. Depois passaram a retirar do solo árvores que tinham de poucos centímetros até dois metros de altura.

A decisão de abandonar o cultivo do que chamam de "monocultura" e "deserto verde" foi tomada em debate interno das 24 famílias assentadas e seguiu orientação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), contrário ao florestamento de eucaliptos no Rio Grande do Sul.(...)

Em Pedro Osório, assim como em toda a metade sul do Rio Grande do Sul, a Votorantim incentiva os assentados da reforma agrária a plantarem eucaliptos no sistema de integração, no qual fornece as mudas e assistência técnica e se compromete a comprar a produção.

Votorantim

No início desta noite, a empresa emitiu uma nota lamentando que "o trabalho realizado pelas famílias de assentados nos últimos dois anos (no Assentamento Novo Pedro Osório) tenha sido destruído por uma ação extremada, que revela um forte viés ideológico, e não apresenta qualquer respaldo legal".

O texto também anuncia que a Votorantim "vai utilizar todos os meios jurídicos disponíveis para apoiar e proteger os produtores que aderiram ao seu programa de inclusão social e distribuição de renda por meio da produção de matéria-prima".

E destaca, ainda, que a própria Votorantim impõe cuidados ambientais e reconhece a prioridade à produção agrícola familiar ao aceitar que os agricultores plantem no máximo 20% de suas áreas com eucaliptos.

http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2007/mar/14/358.htm

quinta-feira, 15 de março de 2007 17:44:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

O Governo se resusa a mudar os índices? Por favor, se informe.

quinta-feira, 15 de março de 2007 18:02:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, sobre comida no Brasil, sobre terra, e falta gente capaz para ocupá-las e um mercado consumidor maior para manter preços atrativos e absorver a produção excessiva de alimentos. A comida nunca foi tão barata no país, por isso que os assentamentos não decolam.

quinta-feira, 15 de março de 2007 18:05:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Mais um detalhe, MST não quer terras degradadas, só o filet mignon.....

quinta-feira, 15 de março de 2007 18:05:00 BRT  
Anonymous StênioB disse...

Senhor Alexandre, é isto mesmo. O Ministério do Desenvolvimento Agrário tem a portaria pronta mas ele enfrenta a resistência do Palácio do Planalto porque o governo tem medo da bancada ruralista.

quinta-feira, 15 de março de 2007 18:36:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

O caso da usina Catende Harmonia
http://www.catendeharmonia.com.br

Na Zona da Mata de Pernambuco, há uma usina que faliu em 1995 e o poder judiciário consentiu que a título de pagamento de indenização trabalhista, seus trabalhadores rurais conquistaram o direito de administrar 48 engenhos e 26.000 hectares, 1 hidrelétrica, um parque industrial para produção de açúcar e ração animal. Com isso mantém empregados hoje cerca de 4.000 trabalhadores.

Trata-se de uma experiência interessante tanto do que se deve como do que não se deve fazer.

A transferência para auto-gestão da massa falida é uma boa medida, poderia ser mais aplicado em vez dos acordos crônicos de perdão de dívidas de usineiros.

Na auto-gestão é que parece haver necessidade de correção de rumos. O trabalho de capacitação, bem como todo o esforço produtivo e organizacional, vem sendo desenvolvido com o apoio e a participação direta de ONG's e entidades sindicais como : FETAPE - Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco; ADS - Agência de Desenvolvimento Solidário da CUT; ANTEAG - Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Autogestão e Participação Acionária; Centro Josué de Castro; UFRPE - Universidade Federal Rural de Pernambuco; FASE - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional; RECAT - Rede de Cooperação Técnica; CEAS Rural; Centro Sabiá; SENAR e SEBRAE, e entidades internacionais como, OXFAN, Save The Children, e Bilance/Cordaid.

Pelo que li, está faltando maior capacitação empreendedora. Há muita ênfase na agricultura familiar, produção artesanal, e pouca ênfase na produção industrial perto do potencial existente (a CONAB, do governo, precisou comprar a safra por antecipação para gerar fluxo de caixa na usina, pelo que entendi).

São muitas ONGs com projetos interessantes, inclusive de educação e saúde para os trabalhadores, mas a grande riqueza parece estar extremamente sub-utilizada, mantendo seus trabalhadores em uma inusitada pobreza (menor do que outros trabalhadores rurais da região, mas muito aquém do potencial de geração de renda).

Acho que, mais do que o governo, o movimento sindical, os MST's (existem vários, além do que detém a sigla), deveriam reduzir a soberba ideológica e buscar gerir a produção do campo com as técnicas competitivas do agro-negócio. Isso é que proporciona elevação de renda dos trabalhadores, perseguindo a riqueza onde ela existe. É claro que de forma ambientalmente responsável. Mas precisam acordar para a realidade de que a simples prática da agricultura e pecuária, mesmo familiar, já é uma degradação ambiental em relação ao extrativismo e caça nas matas nativas originais antes de 1500. Então se o objetivo é obter renda vendendo excedentes, que o façam com competência e louvor.

Por isso que eu acredito que seria interessante uma empresa com o profissionalismo da Petrobrás, criar uma subsidiária para investir em usinas (e nas terras ao redor onde houver latifúndio) com participação acionária de cooperativas, onde os pequenos e médios produtores seriam os produtores da cana. Dessa forma seria possível tornar uma massa de trabalhadores acionista da riqueza do ciclo do álcool que antevemos.

quinta-feira, 15 de março de 2007 19:56:00 BRT  
Anonymous JV disse...

tem medo é de perder os dólares que o agronegócio proporciona ao país, trazendo esta bonanza econômica que Lula goza.

quinta-feira, 15 de março de 2007 20:37:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

A razão é que o Governo não dispõe de recursos para investir em reforma agrária desta magnitude. Não se trata de apenas desapropriar terras. Isto não oneraria o caixa do Governo, pois poderia dar um "calote" legal e pagar com TDA's (títulos da dívida agrária).
O problema é ter recursos e tecnologia para investir na produção de etanol. O Governo simplesmente não dispõe nem do dinheiro nem do talento empresarial para tal projeto. Se tivesse, já teria feito a mais de uma década, quando se introduziu os TDA's na legislação Brasileira.

quinta-feira, 15 de março de 2007 21:03:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro José Augusto

Imagino que você tenha lido a matéria que trancrevi da agência Estado.

Qual a informação mais importante ali? Para mim, o fato do assentamento ter recebido do INCRA 540 hectares de terra e ter destinado à plantação de eucaliptos apenas 100 hectares. Não sei porque a matéria não informa sobre o que era plantado nos 440 hectares restantes.

O que dizer sobre isso? Por que calar sobre esse tipo de ação perniciosa que lideranças promovem como espetáculo midiático? Quem beneficia-se com a destruição de dois anos de trabalho suado dessa gente?

Quando você cita o caso da usina em Pernambuco e relaciona um grande número de agências, ONGs e instituições trabalhando em prol do sucesso e bem estar daquela coletividade eu me pergunto: por que esse monte de gente bem intencionada não conseguiu contribuir para a melhoria do padrão de vida dos herdeiros da massa falida? Como você diz, como explicar que gente na posse de tanto recurso ainda dependa da intervenção do Estado para gerar fluxo de caixa?

Na minha opinião, parece que sobra ali propagandistas do "outro mundo possível" e falta a difusão de técnicas de gestão capitalista. O que você edulcora com o termo
"profissionalismo" da Petrobrás nada mais é do que prática e tecnica de gestão capitalista. Tornar os herdeiros da massa falida acionistas de um empreendimento associado a um investimento da Petrobrás no programa do etanol é incluir esses indivíduos na moderna democracia de mercado que, para desgosto de alguns, não pode prescindir das formas de gestão capitalista dos recursos materiais.

Por que esse medo ou receio dar às coisas o nome que elas têm?


abs.

quinta-feira, 15 de março de 2007 21:38:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro José Augusto

Imagino que você tenha lido a matéria que trancrevi da agência Estado.

Qual a informação mais importante ali? Para mim, o fato do assentamento ter recebido do INCRA 540 hectares de terra e ter destinado à plantação de eucaliptos apenas 100 hectares. Não sei porque a matéria não informa sobre o que era plantado nos 440 hectares restantes.

O que dizer sobre isso? Por que calar sobre esse tipo de ação perniciosa que lideranças promovem como espetáculo midiático? Quem beneficia-se com a destruição de dois anos de trabalho suado dessa gente?

Quando você cita o caso da usina em Pernambuco e relaciona um grande número de agências, ONGs e instituições trabalhando em prol do sucesso e bem estar daquela coletividade eu me pergunto: por que esse monte de gente bem intencionada não conseguiu contribuir para a melhoria do padrão de vida dos herdeiros da massa falida? Como você diz, como explicar que gente na posse de tanto recurso ainda dependa da intervenção do Estado para gerar fluxo de caixa?

Na minha opinião, parece que sobra ali propagandistas do "outro mundo possível" e falta a difusão de técnicas de gestão capitalista. O que você edulcora com o termo
"profissionalismo" da Petrobrás nada mais é do que prática e tecnica de gestão capitalista. Tornar os herdeiros da massa falida acionistas de um empreendimento associado a um investimento da Petrobrás no programa do etanol é incluir esses indivíduos na moderna democracia de mercado que, para desgosto de alguns, não pode prescindir das formas de gestão capitalista dos recursos materiais.

Por que esse medo ou receio dar às coisas o nome que elas têm?

abs.

quinta-feira, 15 de março de 2007 21:39:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
A informação que tenho é de que o INCRA historicamente se especializou em comprar para a Reforma Agrária, em sua maior parte, terras empurradas por seus donos, com inaptidão para quase todo tipo de produção, geralmente sem respeitar a reserva legal e áreas de proteção permanente (matas ciliares, etc). Quem puder esclarecer isso, com dados factuais, me ajudaria muito a mudar de conceito sobre a atividade histórica desse instituto.
De acordo com a Embrapa, somente no bioma Cerrado teríamos algo como 50 milhões de hectares de pastos e terras degradadas, e geralmente abandonadas, que poderiam voltar à produção, exigindo algum investimento para isso, é claro.
Mas o que se sabe é que as usinas em processo de instalação estão comprando as melhores terras, pois já querem partir de um patamar de alta produtividade, da ordem de 120 t/ha, deslocando outros cultivos e bons pastos. E recursos financeiros não faltam, elas podem pagar bem pelas terras, geralmente com capital internacional.
Será preciso que o governo Federal faça, em caráter de urgência e emergência, um zoneamento econômico-ecológico de terras para cultivo de cana-de-açúcar, como forma de limitar os impactos sociais e econômicos negativos dessa nova "febre" exportadora.
Quanto a capitalismo e capitalistas, sem entrar no mérito dos comentários dos colegas, só gostaria de lembrar, Alon, de notícia divulgada no início desta semana: a abertura de contas individuais para os membros do último kibbutz israelense que ainda não havia aderido ao capitalismo individualista e mantinha sua proposta socialista.
Lamentável, de meu ponto de vista pessoal, que as ilhas socialistas em Israel tenham sido engolfadas pelo capitalismo em menos de 60 anos de existência.
Aqui, quanto durariam, se é que ainda seja possível implantá-las?

quinta-feira, 15 de março de 2007 21:53:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Maurício Galinkim

Existe hoje tecnologia brasileira para plantio de cana de açúcar que não requer necessariamente terras "férteis" (na agricultura moderna esse conceito de fertilidade do século passado está superado. Hoje o solo é muito mais um suporte da planta), mas sim variedades tecnologicamente desenvolvidas e adequadas a diferentes tipos de solo e clima.

Sim, esses números que você cita são mesmo dessa grandeza. Existem mesmo milhares de hectares de pastos degradados (parece que o um dos fatores de degradação é o pisoteio do gado, que deixa aquelas trilhas que observamos nos pastos). Hoje há tecnologia brasileira para recuperação desses solos. Me parece lógico que investidores no etanol busquem terras baratas e prefiram investir mais em tecnologia. Lembro que a uns dez anos atrás as terras do cerrado eram consideradas impróprias para cultivo e não valiam nada. Veja o que valem hoje.

abs.

quinta-feira, 15 de março de 2007 22:46:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

paulo araújo

Li seu primeiro comentário e inclusive usei-o em parte para "fazer minha cabeça"... Minha conclusão é praticamente a mesma que a sua. E minhas críticas também. Só não tenho certeza se o significado de capitalismo neste contexto seria o mesmo para mim e para você.

Você citou a sub-utilização de 440ha (mais de 80% da área), e parece ocorrer algo semelhante na usina Catende-Harmonia. De 26.000 hectares, parece que apenas 10.000 estão sendo cultivados e ainda assim metade (5000) em culturas agrícolas e animais em regime de agricultura familiar, e a outra metade em regime de produção assalariada no plantio da cana, do café e do milho. Ou seja, aparentemente existe um latifúndio de mais de 15.000 hectares improdutivo nas mãos destes trabalhadores!!! (No caso desta Usina pode ser que haja atenuante por ser massa falida e talvez não esteja aparelhada para absorver maior produção, mas novamente o diagnóstico é falta empreendedorismo para fazer as coisas acontecerem).

Sem dúvida que profissionalismo empreendedor são técnicas empregadas ostensivamente por capitalistas (mas empreendedorismo não é monopólio de capitalistas. Para citar um exemplo, militares em tempos de guerra constroem pontes, abrem estradas, portos e pistas de pouso, produzem arsenais em tempo recorde. Cientistas também são empreendedores de alta produtividade em pesquisas sem vislumbrar recompensa financeira diretamente, muitos são assalariados fixos).

Eu tenho dificuldades de simplesmente usar a palavra capitalismo neste caso, porque entendo que capitalismo pressupõe livre concorrência, onde os mais aptos à habilidade negocial, bem sucedidos, comprariam as terras dos menos aptos à medida em que se enrrolassem em dívidas e outras dificuldades, tirando-os do negócio, e formando novos latifúndios em poucos anos. Vigoraria a lei do mais forte (ainda que tenham começado em igualdade de oportunidades e condições). O que estaria na contra mão do cooperativismo, onde os mais aptos galgam cargos de direção, mas sem excluir os demais da cooperativa.

A dificuldade de democratizar o capitalismo é que, por sua natureza, ninguém pode ensinar ninguém a ganhar dinheiro (a não ser a seus próprios herdeiros e sucessores). Nem nas melhores escolas de negócios. Ensina-se técnicas de gestão e marketing e estuda-se casos de sucesso. Mas ninguém que descobre um nicho de negócio lucrativo vai compartilhar com outro por altruísmo, porque isso incentivaria a concorrência, e o concorrente pode destruir seu próprio negócio. É inerente ao regime.

Por isso que sugeri a Petrobrás (ou congênere), por ser uma empresa Estatal e pública. Da mesma forma que a Petrobrás tem compromissos com regulação dos preços dos derivados de petróleo, e teve compromisso de prospecção de petróleo em solo nacional, mesmo quando isso era mais caro do que importar; atuando em usinas de álcool teria o papel de regulação distributiva de renda. Seria indutora aos mais aptos e tuteladora aos menos aptos ao ambiente de negócios.

Em tempo, para não restar dúvidas:
1) defendo existência e expansão das atuais e novas usinas de capitalistas bem sucedidas no agronegócio. Melhor será se um dia houver distribuição de bônus em ações para os trabalhadores.
2) Só defendo substituir o controle para a gestão de cooperativas, nos casos de usineiros malservadores do dinheiro público, que só não vão à falência porque conseguem seguidos perdões de dívidas de impostos e/ou com bancos estatais.
3) O que defendo também, é que a expansão da indústria do álcool prevista com recursos públicos (como financiamentos do BNDES e financiamento agrícola das safras) inclua e priorize projetos que tenha participação de cooperativas como acionistas, sejam associadas à usinas de capitalistas privados, seja por indução de uma empresa pública como a Petrobrás.

sexta-feira, 16 de março de 2007 00:36:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Nesse debate sobre a reforma agrária, qual é a opinião de vocês sobre o seguinte fato: há uma correlação clara entre a prevalência da pequena/média propriedade e a prosperidade com maior grau de equilíbrio social.

sexta-feira, 16 de março de 2007 08:55:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Tento responder a pergunta do Alon:

Bush veio aqui pedir mais álcool, mas o governo brasileiro quer tarifas mais baixas, que os agricultores americanos não deixam e não vão deixar baixar.

Isso porque eles são donos das terras deles há centenas de anos. Foi arrancando as terras dos índios a bala - como já cansamos de ver na TV - que os americanos começaram a acumular a riqueza e o poder que hoje detêm.

Mas eles não acumularam riqueza, apenas. Também a distribuiram em pequeans propriedades, cujos donos hoje têm o poder de peitar o latifúndio brasileiro e sua agroindústria associada. É por isso que as fronteiras dos estados americanos são retas. Elas obedecem as mesmas riscas que foram traçadas no chão para dividir as terras. O MST deveria ter recebido o Bush com flores por isso. Seria uma boa maneira de demonstrar que o nosso antiamericanismo é resultado da nossa falta de americanismo.

O império, portanto, começou com a reforma agrária. Só falta aos americanos lembrar disso e, aos brasileiros, entender isso.

sexta-feira, 16 de março de 2007 11:09:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
Existe uma alta correlação, sim, entre maior grau de equilíbrio social e a prevalência de pequenos e médios proprietários. É imprescindível, claro, que tenham condições de produzir...
Nos estados do Sul do país existe uma forte agricultura familiar, com razoável padrão de vida, de educação e saúde. A Federação dos Trabalhadores Familiares do Sul (Fetraf-Sul) tem cerca de 200 mil filiados e uma forte atuação na região.
Existe uma tese (de doutorado ou livre docência, não sei bem) da década de 1960, em que o professor Henrique Rattner, da USP, atualmente aposentado, analisou essas relações na região Norte do Paraná, onde houve um projeto de colonização para plantio de café com pequenos e médios proprietários. Isso durou até a grande geada do início dos anos 70 do século passado, quando as terras foram agregadas em grandes fazendas e a produção passsou a ser de grãos, altamente mecanizada ("revolução verde"), expulsando a população pela concentração das terras e redução do emprego.

Caro Paulo Araújo,
Precisamos, então, avisar os grandes investidores que estão trazendo recursos do exterior (Henry Philippe Reischtull, por ex.?), que não precisam comprar as melhores terras, pois é isso que estão fazendo no Mato Grosso do Sul.
Concordo contigo, pois também acompanho esse assunto, que temos tecnologia que aproveita quase qualquer terra disponível, sem precisar de fertilidade natural. Mas a "gana" de obter imediatamente a maior produtividade possível, além do "status" de ser o detentor das melhores terras da região, é o que está prevalecendo...

sexta-feira, 16 de março de 2007 11:29:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, sobre o fato prevalência da pequena/média propriedade e a prosperidade com maior equilíbrio social, minha opinião é que essa deve ser a meta a ser alcançada nas políticas de reforma agrária, e de fomento financeiro governamental ao agronegócio.

Receio que a maior resistência encontra-se entre os maiores interessados: os trabalhadores rurais assentados. Em vez de direcioná-los à riqueza do agronegócio, há uma tendência em direcioná-los à técnicas produtivas artesanais. Pode ser louvável como nicho, mas nunca como regra geral.

Nos setores da economia onde há mercados com desenvolvimento maduro, como frangos no Sul (onde a reforma agrária foi feita na época das imigrações de europeus), leite, e a própria cana em algumas regiões do interior de SP, o sucesso do pequeno produtor é bastante claro, quando organizados em cooperativas.

No caso do etanol, as usinas parecem enxergar o plantio de cana como parte da linha de produção (e não simplesmente como insumo a ser comprado como matéria prima no mercado como qualquer commodity). Não sei se isso é meramente cultural ou é de fato fator crítico.
Nesse modelo as usinas precisam de extensas áreas de cultivo de cana para não ficarem desabastecidas. Essas áreas podem ser da própria usina (latifúndio), o que garante pleno controle, ou de diversos pequenos produtores no entorno.

Creio que existe o receio de altos investimentos em Usinas de beneficiamento, sem a garantia da cana. E assentamentos da reforma agrária com interesse produtivo instável pode desabastecer a Usina, comprometendo o alto investimento. A primeira coisa que um assentamento deveria fazer é organizar-se em cooperativa de produtores de produtos de acordo com a vocação econômica na região. Daí receber financiamento, insumos e assistência de órgãos como a Embrapa. Parece óbvio, mas parece haver enorme resistência em agir assim, pelos próprios assentados.

No caso do etanol, uma cooperativa de vários pequenos produtores pode ter os mesmos padrões de produtividade de grandes empresas de agronegócios, inclusive com mecanização, irrigação, etc. A cooperativa pode comprar ou arrendar maquinário agrícola de uso compartilhado, cada pequeno produtor alugando à cooperativa por tempo de uso. Nos EUA é comum máquinas serem usadas em 3 turnos, à noite inclusive (24hs), aproveitano ao máximo o capital investido na máquina, não a deixando parada. A consequencia aqui, seria a diminuiçõ dos custos de produção e aumento o lucro - renda - dos cooperativados.

Já comentei que os empresários do agronegócios e o governo (bem ou mal) parecem saber onde querem chegar com o etanol. Já os movimentos sociais não. Entrei na página do MST, há artigos criticando as monoculturas (não cita a cana especificamente), direitos humanos, exploração sexual de crianças, contra a transposição do Rio São Francisco, etc, e não encontrei nada sobre cana e álcool. Em que país esse pessoal está vivendo?

sexta-feira, 16 de março de 2007 12:53:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Sou favorável, como a maioria, ao desenvolvimento, mas com o pé no chão e respeito à poupança privada.

O Brasil tem hoje, cerca de 260 milhões de hectares de terras "agriculturáveis", assim distribuídas, aproximadamente, conforme divulgação recente do Ministério da Agricultura: 60 milhões para agricultura em geral, dos quais apenas 6 milhões são de cana, quase tudo no Estado de SP; Os restantes 200 milhões são pastagens, que podem vir a se tornar mais produtivas. A própria criação e engorda de bovinos ganhou enorme produtividade, nesta última década, e hoje necessita de menor área para produzir mais carne.

Estas terras "improdutivas", de pastagens ou agrícolas, pertencem, em sua maioria, a pecuaristas e agricultores que começaram do zero. São empreendedores que saíram há décadas do sul do país, e migraram para abrir uma fazenda no norte. É gente lutadora e empreendedora que tem na terra a poupança de uma vida de batalhas. Respondem por boa parte desta balança comercial favorável dos últimos anos.

Todo este debate de aumentar a produção do etanol, envolve pouco mais de dobrar a área atual (atuais 6 milhões de hectares) e ganhar produtividade, pela extração do etanol também da celulose ou bagaço da cana.

Transformar extensões desta grandeza em terras mais produtivas para alimentos e energia, qualquer que seja o modelo econômico ou político adotado, requer muito trabalho, tecnologia e capital. O governo Federal, sozinho, não tem recursos materiais ou empresariais para este projeto gigantesco. Pode ser o catalisador, mas não faz sem parcerias empresariais.

Não se promove atração de capital e empreendedores, nos dias de hoje, sem segurança. Ninguém oferece sua poupança para governos tomarem na primeira oportunidade.

Menciona-se a Petrobrás, como estatal e publica. Quero qualificar isto mais precisamente. O capital da Petrobrás está dividido em 60% na mão de investidores privados, nacional e estrangeiros, muitos dos quais, trabalhadores que lá puseram seu fundo de garantia ou fundo de pensão. Apenas cerca de 40% é do Governo federal, que pelo fato de possuir a maioria do capital votante (ações ordinárias) é o acionista controlador. Dentro desta ótica, a Petrobrás, no meu entender, é muito mais uma empresa privada do que estatal. Sua lógica empresarial é a do capital privado. De outra forma perde parceiros internacionais importantes para seu inquestionável sucesso.

sexta-feira, 16 de março de 2007 13:29:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Este debate me faz salivar e ter a tentação de encher a caixa de comentários com laudas e laudas. Por respeitar o terreno alheio - ainda que o dono do blog seja muito cordato e amigo de longa data - vou me ater a uma única provocação: enquanto os movimentos por reforma agrária no Brasil não se descolarem do gandhismo, do luddismo, do ecoxiitismo e do neo-malthusianismo, nem mesmo a correlação positiva citada pelo Alon (estrutura fundiária distribuída X progresso com estabilidade e distribuição social do excedente)será suficiente para calar os arautos do agronegócio e fazer a montanha parir mais que um mero rato - os assentamentos dependentes.
Basta ver até as dúvidas recorrentes que assaltam o blogueiro quanto à cultura de cana... (rs)

sexta-feira, 16 de março de 2007 15:51:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Este debate me faz salivar e ter a tentação de encher a caixa de comentários com laudas e laudas. Por respeitar o terreno alheio - ainda que o dono do blog seja muito cordato e amigo de longa data - vou me ater a uma única provocação: enquanto os movimentos por reforma agrária no Brasil não se descolarem do gandhismo, do luddismo, do ecoxiitismo e do neo-malthusianismo, nem mesmo a correlação positiva citada pelo Alon (estrutura fundiária distribuída X progresso com estabilidade e distribuição social do excedente)será suficiente para calar os arautos do agronegócio e fazer a montanha parir mais que um mero rato - os assentamentos dependentes.
Basta ver até as dúvidas recorrentes que assaltam o blogueiro quanto à cultura de cana... (rs)

sexta-feira, 16 de março de 2007 15:51:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Alon

Concordo com os comentários do José Augusto e do Luca Sarmento para questão proposta.


Maurício Galinkin

Sou um mero observador e curioso. Desconheço o assunto em profundidade. Mas vou acompanhar o movimento dos investidores.

abs.

sexta-feira, 16 de março de 2007 16:16:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, não há resposta a sua pergunta. Na França o governo subsidia o pequeno, que sem subsido, quebra. Assim como nos EUA, onde o governo paga para que não plante para segurar os preços.
No Brasil a pequena propriedade que dá certo é a que tem alto valor agregado ou trabalho familiar intensivo-japonses, italianos e alemães tem caracteristicamente talento em culturas de produtos mais caros. Pequena propriedade para plantar arroz, feijão, milho, soja, batata é muito dificil.

sexta-feira, 16 de março de 2007 17:46:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Eu sei que reina neste blog a correta tática de fazermos "olhos moucos" com determinados comentários, pressupostos e apriorismos. Há alguns, porém, em relação aos quais eu não consigo e não quero me calar. Se o Alon considerar este comentário fora de tom, tem todo o poder para não publicá-lo.
JV:
a) onde, no Brasil, há "agricultores japoneses, italianos e alemães que têm caracteristicamente talento em culturas de produtos mais caros"?
b) quais são os traços culturais ou biológicos dos naturais - ou descendentes de naturais - desses países que os habilitam a tal proeza e que não estão presentes nos brasileiros ou, eventualmente, nos etíopes,tibetanos, esquimós ou bielorussos que se proponham à agricultura em nosso país?;
c) quais são as características intrínsecas do cultivo de "arroz, feijão, milho, soja, batata" que impedem sua execução eficaz em pequenas e médias propriedades?

sexta-feira, 16 de março de 2007 20:43:00 BRT  
Anonymous JV disse...

a) no sul do pais, italianso plantam uva alemães plantam fumo e em SP japoneses plantam hortaliças
b)creio que os bielorussos tem tradição em agricultura, ja os tibetanos , etíopes ne esquimos não posso afirmar porque nunca vi nenhum deles plantando no Brasil. De qualquer modo, esquimó não sabe plantar, só pescar e caçar urso polar.
c) economia de escala, a margem é muito pequena para o lucro valer a pena

sábado, 17 de março de 2007 18:45:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Last salvo, I promise:
a)no Vale do São Francisco, pernambucanos plantam uva; na Bahia, baiano plantam fumo; em Goiânia, goianos plantam hortaliças; e daí?
b)fiquei fascinado com a teoria segundo a qual o aprendizado é deterministicamente formatado pelo meio físico - "esquimo só sabe pescar e cacçar urso polar" - que nos permite concluir que todos os naturais da Texas só são capazes de plantar macadamia e cactus e não podem aspirar a nada além disso. O que, pensando, bem talvez tenha algum fundo de verdade...
c)a falta de economia de escala no plantio de feijão e mandioca é a razão científica pela qual todos os brasileiros já morreram de inanição, sendo sua aparição mero truque ilusionista;
I rest my case. Promise.

domingo, 18 de março de 2007 21:57:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Italianos levaram a uva para o vale do s Francisco, onde ensinaram a tecnica a população local.
O dia em que esquimó plantar alguma coisa, eu prometo mudar de opinião.
Se você acha que o ser humano tem futuro plantando apenas para comer (a expressão hand to mouth, quer dizer pega do chão e põe direto na boca) sem gerar excedentes, vá morar no campo. Lembre-se a vida no campo é muito boa para quem sabe pastar, as vaquinhas adoram....nem o Messetê aguenta, assim que podem vendem o lote.

segunda-feira, 19 de março de 2007 09:05:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

O presidente Lula, hoje, 20/03 de 2007, deu uma declaração ao discursar durante evento na cidade de Mineiros (GO), que muito acrescenta ao debate deste tema:

"Os usineiros de cana, que há dez anos eram tidos como se fossem os bandidos do agronegócio neste país, estão virando heróis nacionais e mundiais, porque todo mundo está de olho no álcool. E por quê? Porque têm políticas sérias. E têm políticas sérias porque quando a gente quer ganhar o mercado externo, nós temos que ser mais sérios, porque nós temos que garantir para eles o atendimento ao suprimento"

Concordo com o Lula!

terça-feira, 20 de março de 2007 23:04:00 BRT  

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