sábado, 24 de março de 2007

A solução é acabar com a verba publicitária. Alguém me apóia? (24/03)

Uma das aberrações do sistema político brasileiro é a publicidade oficial. Os governos gastam o dinheiro do povo para tentar convencer o povo, na base da propaganda, de que o governo é bom. Por eu achar isso um absurdo, eu sou a favor de abolir a publicidade oficial, com as exceções (editais, campanhas de vacinação) de praxe. A minha posição é muito razoável. Não conheço argumentos contra ela. Mas não conheço tampouco mais ninguém que defenda a minha posição. Vivo com esse paradoxo, fazer o quê? Agora, o assunto da publicidade oficial volta à pauta com a nomeação do novo ministro da comunicação social, o jornalista Franklin Martins. O Franklin dá uma entrevista hoje na Folha Online a um dos grandes repórteres brasileiros, Kennedy Alencar. Vale a pena ler. O Franklin vai ser responsável por tudo: relação com a imprensa, rede estatal de rádio e tevê (que eu apóio, pois todo mundo tem o direito de fazer o seu próprio jornalismo, inclusive o governo) e publicidade oficial. Os veículos torcem o nariz para a acumulação de atribuições. Dão a entender que esse desenho institucional permite pressões indevidas do governo sobre o noticiário. Eu acho isso uma bobagem, pois o governo é um só. Mesmo que o ministro da imprensa fosse um e o da propaganda fosse outro, eles responderiam a um único chefe: Luiz Inácio Lula da Silva. A melhor solução para acabar com essa preocupação dos veículos é abolir a publicidade oficial. Alguém me apóia?

Leia também:

Liberalismo com reserva de mercado e dinheiro público (18/03)

Por que sou favorável à criação de uma TV estatal (13/03)

Estatal ou pública? (04/12/06)

Democratizar a comunicação (25/11/06)

Neil Armstrong e o debate sobre um programa para o Brasil (05/03/2006)

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

19 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Também sou contra publicidade oficial institucional (exceto campanhas de serviço público, como prevenção à AIDS, Dengue, vacinação, anti-drogas, trânsito, etc).
O que defendo é que todas as ações de governo (municipal, estadual e federal) sobre verbas, obras, estatísticas e serviços dirigidos à comunidades locais, sejam publicadas em jornais de bairro e de pequenas cidades (podendo incluir portais e blogs comunitários).
O objetivo é informar à população, para que possa fiscalizar diretamente:
1) Todas as verbas e editais dirigidos ao Bairro ou Cidade, evitando desvios por corrupção.
2) Todas as obras feitas no Bairro, com descrição, valor e data da realização, permitindo ao próprio cidadão fiscalizar e reclamar.
3) Todas as nomeações, os serviços públicos disponíveis, horários de funcionamento, servidores disponíveis para que a população possa controlar diretamente a existência e a presença.
4) Todos os equipamentos e serviços disponíveis nos hospitais e demais orgãos públicos, para o cidadão poder exigir ser bem atendido, e evitar que fiquem equipamentos parados, sem que ninguém tome providências, como Raio-X, tomógrafos, etc.
5) Todas as equipes de médicos de família que atuam na região.
6) Todas as estatísticas sobre criminalidade, educação (desempenho da avaliação das escolas da região), saúde (estatística de doenças, etc), IDH, censos, etc, para que a população possa avaliar se está sendo bem governada e exigir melhorias.
7) Divulgar a existência, a agenda de reuniões, e as decisões tomadas nos Conselhos Comunitários de Saúde, Educação, Segurança, Crianças e Adolescentes, Idosos e outros, incentivando maior participação popular nas políticas públicas.

sábado, 24 de março de 2007 11:18:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Eu o apoio na sua luta pela abolição da publicidade oficial. Conte comigo para qualquer ação que se fizer nesse sentido.

Eu também o apoiaria muito mais mais se você desistisse de defender essa idéia da TV estatal.

Se essa TV for criada, na minha opinião estaremos no pior dos mundos. Duvideodó (como sei que você também duvida) que venha do governo a iniciativa de abolir a propaganda oficial. Ao contrário, a grita será imensa. Não é nem do interesse do governo e nem dos particulares deste mercado secar essa teta. Você, eu e toda areia que existe nas praias do nosso litoral sabemos que isso nunca acontecerá. O certo é que, se a proposta vingar, teremos a propaganda oficial convivendo com a propaganda da TV estatal. E nós, os contribuintes, pagando pelos custos dessa magnífica idéia.

Te faço a seguinte proposta: vamos condicionar o apoio a TV estatal à abolição prévia da propaganda oficial. Se o governo abolir a propaganda oficial, eu saio com você em defesa da TV estatal. Se o governo não abolir a propaganda oficial você muda de posição e passa a defender a criação da TV com a condição precedente da abolição da TV estatal (veja que a proposta é boa para você. Eu não lhe peço que você desista definitivamente defender a criação de uma TV estatal. Peço apenas que sua defesa esteja condicionada à prévia abolição da propaganda estatal, certo?).

Também teríamos que colocar na lei de criação da TV estatal mais ou menos o que segue: "fica abolida a propaganda oficial e criada a TV estatal. Caso este governo, ou qualquer outro, utilize de artimanhas ou subterfúgios para reintroduzir a propaganda oficial, então a TV estatal será imediatamente fechada, seus funcionários serão demitidos a bem do serviço público e todos os bens da TV estatal serão leiloados. Neste caso, o que se apurar será revertido ao cidadão na forma de investimento em saúde e educação."

Vai encarar?

abs

sábado, 24 de março de 2007 11:58:00 BRT  
Anonymous Roberto Baginski disse...

Prezado Alon,

pode contar com meu apoio a sua tese. Eu só seria um pouco mais radical: editais já são publicados no Diário Oficial e não haveria motivo para gastar dinheiro pagando para que os grandes jornais publicassem avisos de abertura de edital. Já a divulgação das campanhas de vacinação e assemelhadas deve ser feita na rede de saúde. Se as emissoras de TV quiserem transmitir algum anúncio disso, que o façam voluntária e gratuitamente como serviço de utilidade púbica. Acho também que o primeiro governante que tentar isso não dura uma semana no cargo. Afinal, as verbas de propaganda oficial são bem razoáveis...

Saudações,
Roberto

sábado, 24 de março de 2007 12:01:00 BRT  
Anonymous PAULO ARAÚJO disse...

ERRATA AO COMENTÁRIO ANTERIOR

onde se lê "Se o governo não abolir a propaganda oficial você muda de posição e passa a defender a criação da TV com a condição precedente da abolição DA TV ESTATAL, leia-se "Se o governo não abolir a propaganda oficial você muda de posição e passa a defender a criação da TV com a condição precedente da abolição da PROPAGANDA OFICIAL.

sábado, 24 de março de 2007 12:05:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, acabar com a propaganda oficial significa quebrar os órgãos de comunicação social brasileiros... já pensou nisso?

sábado, 24 de março de 2007 13:33:00 BRT  
Blogger Pedro Lamarão disse...

Eu posso reescrever a sua máxima assim:

"Os governos gastam o dinheiro do povo para comunicar ao povo o que é que eles estão fazendo."

Eu acho que essa coisa aí em cima que eu disse é muito útil e importante.

Especialmente em um país cujo governo é ativamente combatido pela mídia.

Se ela está sendo feita hoje da maneira mais eficiente e apropriada eu não sei dizer -- não pensei no assunto.

Mas a idéia da TV estatal me ocorre agora.

sábado, 24 de março de 2007 14:30:00 BRT  
Anonymous Lau Mendes disse...

Tem meu voto mas com uma condicional tal a que você já postou aqui quando o assunto foi TV Pública e a chiadeira das privadas . Que reclamem sim , mas sem estar de barriga cheia com a verba do Estado . Caso contrário o que não se quer aconteça na situação,será aproveitado pela oposição na medida que o fortalecimento financeiro destas mídias que apóiam a oposição seria como armar um inimigo nem sempre muito leal,para dizer pouco.

sábado, 24 de março de 2007 16:13:00 BRT  
Anonymous Neves disse...

Neste tópico, apoio amplo, geral e irrestrito. Isso só serve para comprar silêncio.

sábado, 24 de março de 2007 16:54:00 BRT  
Blogger Marcos disse...

Apoiado!

sábado, 24 de março de 2007 17:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A comunicação institucional existe até em sociedades ditas primitivas (me corrija os antropólogos se a informação não for correta, os caciques têm que se dirigir à comunidade 02 vezes por dia para relatar a situação comunitária, os acontecimentos comunitários). Por que a proposta de comunicação ficar restrita aos jornais locais? E a manutenção do sentimento da nação em um país continental como o Brasil? Sem a comunicação institucional em caráter nacional haverá risco até para a soberania nacional. Defendo uma TV Pública tal qual defendida pelo Franklin Martins na entrevista de hoje ao jornalista Kennedy da Folha S Paulo (não deixem de ler). Uma TV Pública pode vincular programas culturais, educacionais, produzidas pelas universidades, por cooperativas, por entidades sociais, e, inclusive, com vinculação de programas institucionais dos Governos (além das campanhas preventivas de saúde, e educacional).

Rosan de Sousa Amaral

sábado, 24 de março de 2007 18:29:00 BRT  
Anonymous José Maria Souza disse...

A idéia é interessante. Mas, e sempre existe pelo menos um mas, como é que fica a situação com a total parcialidade e preconceitos da mídia conservadora e destruidora?
José Maria Souza
R. Caetanópolis, 347
S. Paulo

sábado, 24 de março de 2007 18:41:00 BRT  
Anonymous Eraldo disse...

Os governos tem que mostrar o que esta sendo feito, mas com seriedade

sábado, 24 de março de 2007 18:41:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Silêncio de quem a existência de publicidade oficial até hoje conseguiu comprar neste país?

sábado, 24 de março de 2007 18:54:00 BRT  
Blogger Vera disse...

O Paulo Henrique Amorim disse a mesma coisa hoje no Conversa Afiada, já leu?

sábado, 24 de março de 2007 18:55:00 BRT  
Anonymous Mauricio Galinkin disse...

Alon,
Creio que os outros comentadores de seu blog, assim como eu, o apoiam inteiramente no corte da propaganda oficial.
Propaganda, somente nas estatais comerciais (BB, Petrobrás, tem mais alguma?) e em dimensão proporcional à dos concorrentes (com relação ao faturamento, ou algo assim...).
É um excelente condicionante à criação da TV estatal, pois assim estaríamos contribuindo para uma melhor alocação dos gastos do governo. Além disso, acho que esse volume de recursos daria para fazer uma TV de excelente qualidade, especialmente jornalística, capaz de bem concorrer com as melhores TVs privadas do país e assim ganhar audiência.
Eu apoio a criação de uma TV estatal, mas sou inteiramente contra a publicidade oficial que de alguma forma influencia os meios de comunicação brasileiros, em especial nos estados.
Sabemos que as verbas dos estados praticamente colocam os jornais e emissoras locais a serviço do governo de plantão, e eles só fazem alguma oposição ou cumprem seu papel de levar a informação correta ao público quando pertencem a grupos políticos rivais ao governo local, ou quando deixam de receber as verbas oficiais.

sábado, 24 de março de 2007 20:20:00 BRT  
Anonymous bubualdo disse...

Alon, por quê é legítimo o governo fazer jornalismo e não fazer propaganda?
Acho que o "mercado" das consciências já regula isso um pouco: propaganda enganosa se volta contra o governo. Se a propaganda é sóbria e informativa, o povo gosta. Mas não acho isso suficiente e concordo que aquela marquinha com assinatura ao final do comercial nada mais é do que serviço a um projeto de poder, pago com o dinheiro público. Mas volto a perguntar: se propaganda é ilegítima num governo, porque é legítimo o jornalismo governamental? Não é tudo no fim máquina de formar imagem?

segunda-feira, 26 de março de 2007 00:44:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Alon, eu já disse que concordo com a troca da publicidade oficial pela TV estatal. Ou seja, eu aceito negociar uma coisa pela outra, como também propôs hoje o Paulo Araújo. Veja que o apoio está crescendo. Mas deixo claro que se trata de uma concessão para evitar um mal maior, pois sou contra a TV estatal. O motivo é muito simples, nada tem de ideológico: não funciona. Ningúem vê, ninguém gosta. Já fiz "house-organ" e "veículo oficial" de governo e de empresas desde os tempos de estudante. Nunca deu certo e nunca vi dar certo. No quinto número não tem mais assunto, não alcança os objetivos desejados, o chefe começa a ficar nervoso e o leitor de saco cheio.

Mas acho que há muita confusão nesse assunto da comunicação governamental, é um assunto ainda pouco estudado no Brasil, cheio de charlatãos, cujos conceitos ainda não foram bem definidos, difundidos, assimilados e compartilhados. Não é como na medicina, em que todo mundo sabe o que é patologia, anemia, ou pressão arterial sistólica. Quando você fala em extinguir a propaganda oficial, exceto as campanhas de utilidade pública (vacinação) e a publicidade legal (editais), está misturando alhos com bugalhos.

A propaganda oficial é aquela do tipo veja que governo bom você tem, mesmo que você não consiga ver nada, e ainda para pra ver (a propaganda e o governo que gostaria).

Já as campanhas de utilidade pública, como o nome diz, são de interesse público. As mais notáveis são as de saúde - contra a dengue, a aids e o tabagismo e a favor da vacinação. Vamos muito bem nessa área mas poderíamos ir muito melhor. Elas são, portanto, outra coisa. Por aplicarem o dinheiro público em benefício público, acho que ninguém é contra. Ou é?

A publicidade legal é obrigatória e um direito de todos nós. Garante um mínimo de transparência e satisfação do governo sobre aquilo que temos o direito de saber (poderia se melhor). Permite maior lisura nos concursos públicos e compras governamentais (mas não é suficiente). Acho que também ninguém é contra. Aqui, novamente, o benefício público é indiscutível. Os jornalistas da TV estatal e a aquisição de seus equipamentos vão exigir publicidade oficial. Graças a Deus, senão eu não poderia concorrer a um empregão desses.

Eu já disse aqui há tempos e volto a repetir (você deveria criar um arquivo de declarações dos leitores também...):

Se formos capazes de traçar uma linha no chão separando o campo do público do campo do privado, está resolvido o problema. E se pusermos dois goleiros para evitar que a bola de um não entre no gol do outro, melhor ainda.

segunda-feira, 26 de março de 2007 11:33:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Errata:
No meu último comentário leia-se "para evitar que a bola de um entre no gol do outro".

Em tempo:

Só para ajudar a pensar nos conceitos.

Em inglês a palavra "propaganda" siginifica doutrinação, proselitismo, impostura. Ex: propaganda nazista. Seu significado, portanto, é sempre pejorativo, ao contrário de "advertising", que é a nossa propaganda bacana, ou "publicity", que são as nossas relações públicas e assessoria de imprensa (ao contrario daqui, os americanos, pais da matéria, não fazem distinção entre uma e outra).

segunda-feira, 26 de março de 2007 16:47:00 BRT  
Anonymous Túlio Carvalho disse...

Eu apóio a transparência na publicidade, com o fim de cerceá-la ou cercear seus desvios. Como já dito em outro post, e talvez este seja o motivo porque vc não tem apoio na idéia de acabar com o dinheiro de publicidade, a imprensa se financia com este dinheiro do estado.

A conta publicitária do(s) governo(s) é(são) relevante(s) para os jornais de SP, e mesmo para a Globo. Isto uma afirmativa que peço a sua pena de averiguar. Mas como averiguar, se não há transparência?

terça-feira, 27 de março de 2007 04:56:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home