sexta-feira, 9 de março de 2007

"Quero que o governo reaja rapidamente e com força. Não quero que uma coisa como essa se repita" (09/03)

Hoje faz 30 dias que morreu no Rio o menino João Hélio Fernandes Vieites, arrastado por sete quilômetros preso pelo cinto de segurança do lado de fora do carro de sua mãe. O veículo era conduzido pelos assaltantes que haviam roubado o carro da mãe do João Hélio. Entre os criminosos, um menor de dezoito anos. Nos últimos trinta dias, nenhuma autoridade federal arranjou alguns minutos na agenda para, pelo menos, dar um telefonema de pêsames aos pais do João Hélio. Para comparar, veja uma reportagem que descreve como o poder reagiu, há dois anos, ao assassinato da missionária americana Dorothy Stang. A matéria de Evando Éboli e Bernardo de la Peña, n'O Globo, é de 15 de fevereiro de 2005, três dias depois do bárbaro crime. O texto traz uma frase forte de Luiz Inácio Lula da Silva:

— Quero que o governo reaja rapidamente e com força. Não quero que uma coisa como essa se repita — disse o presidente ao saber do assassinato no sábado à tarde.

Clique aqui para ler a reportagem. Ela mostra que nem sempre o presidente brasileiro acha ruim agir sob o impacto dos acontecimentos, quando o país está mergulhado em fortes emoções, desencadeadas por crimes bárbaros. Todo mundo que lê este blog sabe que eu gosto do governo que o Lula faz, além de gostar pessoalmente do próprio Lula. E eu gostaria mais ainda do governo e do presidente se mostrassem diante do sofrimento de uma simples família de classe média brasileira a mesma justa indignação e a mesma firmeza que exibiram quando facínoras mataram a irmã Dorothy.

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7 Comentários:

Anonymous JV disse...

Alon, você é realmente um neo-liberal. Quanto a gostar de Lula? Bem , gosto não se discute. Mas eu gosto de seu blog porque não sou petista, os petistas não se solidarizam com o sofrimento de pessoas da classe média para cima, e daí a razão dos petistas não gostarem de seu blog...
(Aliás, petistas gostam cada vez menos de Lula, mas comem na mão dele)

sexta-feira, 9 de março de 2007 12:20:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Realmente, assim como tem leis que pegam e outras que não, tem cadáveres que são mais ilustres do que outros e merecem maior atenção, principalmente quando saem na imprensa internacional.

sexta-feira, 9 de março de 2007 15:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Depois do pequeno João Hélio muitos outros inocentes´já seguiram o mesmo caminho rumo ao cemitério ou ao céu conforme a crença de cada um, e no entanto, nada acontece. É a repetição enfadonha da bárbarie, da selvageria.
Esta situação só vai mudar quando a sociedade como um todo, sem discriminação de raça e classe social se unir para pedir providências nas ruas, como nos tempos das diretas-ja, do movimento pela anista. Fora isso, é o show de sempre. Do Lula, do PT, e do resto.

sexta-feira, 9 de março de 2007 22:24:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Quando você escreve que gosta do governo Lula eu fico imaginando como é restrito o nosso leque de opções na políica brasileira. Que você prefira o governo Lula em oposição a o que a política brasileira oferece como alternativa, eu entendo.

No caso da irmã Dorothy o auê midiático deu-se sobretudo pelo o que ela representava como patrimônio ideológico dessa turma que se reivindica de esquerda. Nada é melhor que um cadáver com as qualificações da irmã para reunir no culto dos "opressores X oprimidos" os seus iguais. No caso, Lula com sua firme e indignada pregação falava à plateia ávida para ouvir a arenga
"opressores X oprimidos".

O caso do menino foi diferente. Como aplicar no caso de João o "conceito" "opressores X oprimidos" e faturar dividendos políitcos? Vê? Isso simplemente não tem nenhum interesse para essas pessoas. Desde o episódio do menino, o Noblat relatou alguns outros tão brutais quanto. O último, foi o do estupro e assassinato de uma garotinha de menos de dois anos em SC.

Não menosprezo o crime cometido contra a irmã. Apenas não vejo diferença entre esse crime e o que vitimou o João. Estou convicto, pelo que li durante os debates, aqui e alhures, que uma parcela considerável de indivíduos que se reivindica de esquerda não pensa como eu. Ou seja, acham que o crime contra a irmã é mais condenável do que o cometido contra o menino.

Qualquer assassinato é condenável e injustificável. Pior, ainda, quando o agressor ataca uma vítima indefesa. Prisão perpétua para tais crimes me parece uma pena justa.

abs.

sábado, 10 de março de 2007 19:36:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Quando você escreve que gosta do governo Lula eu fico imaginando como é restrito o nosso leque de opções na políica brasileira. Que você prefira o governo Lula em oposição a o que a política brasileira oferece como alternativa, eu entendo.

No caso da irmã Dorothy o auê midiático deu-se sobretudo pelo o que ela representava como patrimônio ideológico dessa turma que se reivindica de esquerda. Nada é melhor que um cadáver com as qualificações da irmã para reunir no culto dos "opressores X oprimidos" os seus iguais. No caso, Lula com sua firme e indignada pregação falava à plateia ávida para ouvir a arenga
"opressores X oprimidos".

O caso do menino foi diferente. Como aplicar no caso de João o "conceito" "opressores X oprimidos" e faturar dividendos políitcos? Vê? Isso simplemente não tem nenhum interesse para essas pessoas. Desde o episódio do menino, o Noblat relatou alguns outros tão brutais quanto. O último, foi o do estupro e assassinato de uma garotinha de menos de dois anos em SC.

Não menosprezo o crime cometido contra a irmã. Apenas não vejo diferença entre esse crime e o que vitimou o João. Estou convicto, pelo que li durante os debates, aqui e alhures, que uma parcela considerável de indivíduos que se reivindica de esquerda não pensa como eu. Ou seja, acham que o crime contra a irmã é mais condenável do que o cometido contra o menino.

Qualquer assassinato é condenável e injustificável. Pior, ainda, quando o agressor ataca uma vítima indefesa. Prisão perpétua para tais crimes me parece uma pena justa.

abs.

sábado, 10 de março de 2007 19:39:00 BRT  
Anonymous Augusto disse...

Prezado Alon: É tudo muito triste. Em especial as manifestações e caminhadas sem um objetivo definido. Lembro que recentemente um plebiscito sobre armas revelou a posição da maioria dos brasileiros sobre o uso da principal ferramenta da violência. E como não dá para construir uma nação de paz com armas, gostaria que você anotasse: o Brasil será o primeiro país do mundo a incorporar a violência como traço cultural. O resto é o cachorro correndo atrás do rabo... Um abraço.

domingo, 11 de março de 2007 14:44:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Essa não Augusto, a humanidade chegou aqui depois de milênios de sangue derramado. Rousseau mentiu descaradamente.

segunda-feira, 12 de março de 2007 00:06:00 BRT  

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