terça-feira, 13 de março de 2007

Por que sou favorável à criação de uma TV estatal (13/03)

Eu sou a favor da proposta de criar uma rede estatal de tevê aberta. Sou também a favor de que haja uma rede de rádio nos mesmos moldes. Assim como sou a favor de haver uma agência estatal de notícias e um site como o da Agência Brasil. Eu sou tão a favor dessas coisas que coloco, faz um bom tempo, links neste blog para a Novosti (Rússia) e para a Voz da América (Estados Unidos), que claramente expressam a posição de seus governos. Eu sou contra chamar canais estatais de comunicação de "públicos". É uma maneira envergonhada e canhestra de defender o direito que o governo (qualquer governo) tem de fazer o seu próprio jornalismo. Para tentar atingir os seus próprios objetivos de comunicação sem se meter no jornalismo que é feito pelas empresas privadas. Que, aliás, têm donos para decidir o jornalismo que vão praticar. Quando eu quero xingar o jornalismo produzido por uma empresa privada de comunicação, eu sei contra quem praguejar. Portanto, quando a cobertura do jornalismo estatal me causar desagrado, eu quero poder xingar o presidente da República sem o risco de estar cometendo uma injustiça. Mas quando "estatal" é trocado por "público", o distinto público, paradoxalmente, fica sem ter como influir nos rumos da estatal que adotou esse nome-fantasia. É um processo de autonomização, supostamente "republicano", no qual o dinheiro dos impostos é gasto com base nos objetivos de alguém que não recebeu votos para tal. E como as estatais da comunicação não costumam aceitar anúncios, eu não posso nem tentar influir sobre o conteúdo da programação, propondo, por exemplo, um boicote a determinado anunciante que patrocine um programa do qual eu não gostei. Mas, se a empresa é assumidamente estatal, se está claro que quem manda nela é o governo de plantão, eu posso tentar mudar o governo na próxima eleição. E, entre duas eleições, eu posso xingar à vontade o presidente que nomeou os jornalistas que mandam na estatal, para que ele fique com medo de perder votos e se mexa. É democrático. Por isso é que eu sou a favor da proposta de criar uma rede estatal de tevê aberta.

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14 Comentários:

Anonymous Jura disse...

A minha principal razão para discordar de você, Alon, chama-se credibilidade. Eu acho que nem a Voz da América, nem a Novosti e nem mesmo a BBC (como já ficou demonstrado há pouco tempo no caso da invasão do Iraque que levou uma fonte ou repórter da emissora ao suicídio, não lembro exatamente).

Sem credibilidade essas organizações tornam-se inúteis até mesmo aos interesses do governo, sem contar o nosso. E isso é desperdício de dinheiro público. O dinheiro só pode ser público ou privado. Se for público, tem que servir ao público, não ao governo e nem ao privado.

E nós nem aprendemos ainda a distingüir o marketing público do eleitoral. Os marqueteiros dos candidatos eleitos passam quatro anos de férias fazendo marketing eleitoral com dinheiro, novamente, público. Eles já tem emprego vitalício garantido e bem pago, sem ter nem que prestar concurso público. Eu queria ver eles arrumarem emprego igual nas melhores agências do país.

terça-feira, 13 de março de 2007 15:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

E, se me permite, eu sou totalmente favorável à Voz do Brasil, obrigatória, em começo de horário nobre, e mais, que aquelas rádios que não a transmitam sejam multadas, percam a concessão, o diabo. Mais ainda, que as TVs tenham a mesma obrigação, inclusive as fechadas. (Como escrevi no calor do entusiasmo, não sei se algumas propostas são viáveis, mas acho que uma das campanhas mais vergonhosas que já se viu neste país foi a da Eldorado contra a Voz do Brasil.) E, para permitir uma resposta mais articulada de quantos queiram comentar este comentário, sou a favor disso tudo mesmo que haja a TV estatal.
Sandor

terça-feira, 13 de março de 2007 16:14:00 BRT  
Anonymous JV disse...

O que você quer Alon, é uma TV GOVERNAMENTAL. Que troque de mãos entre partidos assim que houver eleições. Acho um absurdo. A Hora do Brasil, projeto facista do Getulio, anda aí até hoje, deveria ser facultativa.
obs: o problema dos democratas tupiniquins, que de democratas nada tem, é que gostam de autoritarismo desde que seja a favor deles.

terça-feira, 13 de março de 2007 17:49:00 BRT  
Anonymous Wlade disse...

Seus argumentos são interessantes, mas o que preocupa é como será usada essa máquina pública. Digo isso, pois no Paraná a TV Educativa é utilizada pelo governo local como sua, e cuja programaçâo é totalmente chapa branca. Devemos aceitar que teremos que bancar uma TV que servirá apenas para propaganda política do líder de plantão?

terça-feira, 13 de março de 2007 19:09:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Eu acho que democracia é um sistema de governo que permite ao cidadão ter liberdade de escolher: então se eu quiser escolher ouvir ou assistir o que o governo do dia pensa ou acha, eu vou ver ou ouvir o que diz a tevê estatal; se quiser ver ou ouvir o que dizem as oposições, vou ver ou ouvir a tevê que me diga o que tal linha de oposição tem a declarar - sempre sabendo quem é quem.

terça-feira, 13 de março de 2007 19:34:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

A discussão do controle governamental sobre a informação, parece que vai ser atropelada, no curto prazo, pela evolução da Internet.
Nem o socialismo Chinês conseguiu controlar o que chega pela web e vem sendo atropelado pelo impacto da informação globalizada.

Obrigar, estatizar, controlar via sindicato dos jornalistas, nada disto resistirá ao fato de que não há regulamentação sobre a Internet. Todas as iniciativas aqui e no exterior de se "controlar" a web, fracassaram.

Viva a formidável anarquia trazida pela tecnologia, que vem preservando a liberdade de expressão e esta diversidade de opiniões que caracteriza a natureza humana.

terça-feira, 13 de março de 2007 19:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Já sei, já sei. Você não tem compromisso com a coerência. Mas tem coisas que são demais. Um dos motivos pelos quais você não apoia a reforma política é a possbilidade de o partido vitorioso se perpetuar com fundos públicos. Mas o partido vitorioso da hora pode se perpetuar contando com um aparato nacional de comunicação a custo zero.
Eu só queria entender.

terça-feira, 13 de março de 2007 19:54:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Concordo com o Alon.

Se vamos brincar de TV pública, vamos brincar direito. Criemos, então, uma taxa sobre cada aparelho de TV, à la Inglaterra, para financiar a nossa TV pública. Aí sim, garantida a independência financeira da TV pública, a gente pode falar em TV pública independente de governo.

Ou então a gente aceita o fato de que nossa TV é estatal e ponto.

terça-feira, 13 de março de 2007 22:23:00 BRT  
Anonymous Wlade disse...

Vera, eu concordo que o sistema democrático nos permite escolher o que queremos, porém o problema não é essee sim o custo envolvido no projeto. Custo esse que será democráticamente bancado com nossos impostos, e ai, ninguém será sendo consultado. Imagine o nosso Presidente com uma rede de televisão só para êle, onde reinará absoluto. Com certeza não lhe darei audiência, porém estarei pagando democráticamente.

terça-feira, 13 de março de 2007 22:42:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Wlade, esse seu raciocínio de custos inviabiliza um sistema público de comunicação, ou você acha viável uma tevê pública paga com recursos privados? Ou você acha que só porque a Tevê Globo é privada, o cidadão que não gosta da Tevê Globo não está pagando nada só porque ela pertence a uma família? E as isenções tributárias, quem é que paga? Pagando, direta ou indiretamente, eu prefiro escolher onde buscar informação, ou diversificar minhas fontes de informação, e ainda poder conferir os investimentos feitos numa organização pública, através do site que certamente será criado para prestarcontas desses gastos. A respeito das emissoras privadas, onde e quem me presta contas?

quarta-feira, 14 de março de 2007 09:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Uma boa discussão, mas talvez mereça melhores definições conceituais. O pessoal está achando que o blogueiro quer dar uma televisão para o Lula ficar fazendo discurso 24 horas por dia. Não sei se foi bem isso que foi proposto.
TV estatal é tudo de bom. Deve existir, os canais devem ser facilmente acessados, não devem ficar circunscritos àqueles que podem pagar para ter TV fechada (tipo TV Câmara, TV Senado), e devem poder entrar na programação das concedidas com bastante liberdade.
Sandor

quarta-feira, 14 de março de 2007 11:52:00 BRT  
Anonymous JV disse...

De que espécie de isenções fiscais a TV Globo goza, que eu não sei?

quarta-feira, 14 de março de 2007 22:42:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Nada a opor a idéia de imprensa estatal. Sou contrário a qualquer reserva de mercado para esta atividade, seja para entidade estatal ou privada.

A livre concorrência, aprimora o empreendimento e beneficia o consumidor final.

quinta-feira, 15 de março de 2007 11:47:00 BRT  
Blogger Dourivan disse...

Não sou especialista na questão e sou cético quanto à viabilidade política de uma TV pública no Brasil, nos moldes pretendidos.

Quero lembrar apenas que a qualidade dos documentários da BBC (criticada por muitos aí) e da PBS, americana, dificilmente é igualada por canais privados como o Discovery, The History Channel e National Geographic e quejandos - todos estes, aliás, apostando cada vez mais no tripé crime-guerra-automóveis.

Se seria possível à BBC e PBS (aliás, casos isolados e vivendo crises cada vez maiores) fazer o mesmo sendo estatais, confesso minha ignorância. Faço o mesmo em relação à cobertura jornalística.

quinta-feira, 15 de março de 2007 18:03:00 BRT  

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