quarta-feira, 28 de março de 2007

Por que os negros nos Estados Unidos são mais americanos do que são brasileiros os negros do Brasil? (28/03)

Faltou escrever uma coisa no post anterior. Faltou responder melhor a pergunta do título deste post. Por que os negros nos Estados Unidos são mais americanos do que são brasileiros os negros do Brasil? Porque os negros americanos criaram um movimento de massas pelos direitos civis já em meados do século passado. Uniram-se para lutar por direitos iguais aos dos brancos. Ou seja, mobilizaram-se pelo direito de serem tão americanos quanto os brancos. Talvez falte algo assim no Brasil. Para os negros e para os índios. O pior racismo não está em impedir que os negros e os índios sejam diferentes. Está nas barreiras a que eles sejam iguais aos brancos do Brasil, em direitos e confortos. Todo dia somos bombardeados por campanhas que nos ensinam sobre o direito à diferença. Talvez esteja na hora de começar uma campanha pelo direito de sermos todos iguais.

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16 Comentários:

Anonymous Frank disse...

Ocorre que o negro americano quis ser apenas americano. Integrou-se, em regra, à cultura branca-protestante - que é a matriz, o "núcleo duro" da cultura americana.

No Brasil, tem-se a impressão de que negros (e pardos), da mesma forma que muçulmanos magrebinos na França, não querem se integrar, mas, antes, afirmarem-se, destacarem-se de nossa matriz. E nossa matriz, como vc destacou com clareza (e coragem, se me permite) em outro post, é européia, branca e católica.

quarta-feira, 28 de março de 2007 15:19:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Muito bom. Mais uma contra o mito do antiamericanismo. É sempre um erro confundir os povos com seus governos, seja os EUA ou o Irã.

Quase concordo com Frank, acima, mas faço uma ressalva: não há contradição entre integração e afirmação, sobretudo nessa era de individualismo exacerbado em que vivemos. Ser diferente virou obrigação, como observou o Alon. A sociedade americana - branca e protestante - é o melhor exemplo disso, ainda que a reforma luterana tenha proposta exatamente o contrário. Aqui também não dá pra exigir coerência.

Os negros americanos influenciaram profundamente a cultura norte-americana, desde a negra Rosa Parks ao desbotado Michael Jackson. O gospel invadiu o culto dominical dos brancos. Enfim eles se integraram e se afirmaram. Em termos porque continuam sendo os maiores excluídos da riqueza e da educação nacionais. Tanto que sua talvez (não tenho os dados)principal fonte de renda e respeito continuem sendo as artes e os esportes. Até hoje é jogando basquete que eles obtém acesso às universidades, porque suas notas escolares são ainda inferiores às dos brancos.

Muito semelhante - embora melhor, concordo - à situação dos negros brasileiros que, além da pobreza, estão entre as principais vítimas da violência, sobretudo aquela sacramentada pelo direito exclusivo do Estado.

quarta-feira, 28 de março de 2007 17:30:00 BRT  
Anonymous Lucas disse...

Frank, talvez eu não tenha entendido bem. Você diz que a integração passa pela assunção dos negros, ou de qualquer raça/etnia que seja, aos padrões da matriz branca, européia e católica, é isso?
Se afirmativo, temos um grave problema.

quarta-feira, 28 de março de 2007 18:46:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Tratou-se de simplificação apressada. Não pretendi (e nem pretendo) dar conta, aqui nesse espaço, de conceitos fugidios e abstratos como matriz cultural ou cultura, por exemplo.

Penso, contudo, que o tronco cultural central dos brasileiros é europeu. Evidente que outras culturas não foram meramente absorvidas, houve e há trocas. Mas, a meu ver, pode discernir-se uma linha central claramente inserida no que se chama Ocidente - e tributária, portanto, da herança cultural e ideológica que o informa: legado grego-romano, Humanismo, Iluminismo, etc.

Quando trouxe o exemplo dos negros americanos, pretendi aludir ao fato de que buscaram ser negros americanos, e não AFRICANOS na América – um sutil jogo de palavras que, no entanto, encerra um oceano de distância.

quarta-feira, 28 de março de 2007 22:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Aproveitando o post do Frank, muitos dizem que nossa vertente, além de européia, branca e católica, acrescentam a tradição judaico-cristã. O que às vezes não fica muito visível, mas são fortes o bastante. O tigre não precisa explicar para ninguém que é um tigre, se é que me entendem. De todo modo, parece sobrar um espaço estreito para outras tradições e vertentes, o que acaba refletindo-se na representação política e outros aspectos. A questão, portanto, não é o porque do negro americano ser mais americano do que o negro brasileiro ser menos brasileiro. Seria interessante perguntar quem se sente brasileiro, mesmo, independente de raça ou etnia, cor, religião. Ai podem residir problemas de identidade, aspecto tão utilizado hoje na simbologia política dominante. Nela o negro torna-se mais uma das simbologias a serem brandidas contra aqueles a quem pretende-se colar culpas e responsabilidades por mazelas. Os americanos desenvolveram um país e ainda sobrou/sobra espaço mesmo para aqueles que insurgem.
Sotho

quinta-feira, 29 de março de 2007 10:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Assim, tal aspecto não é muito visível no Brasil. Quando o País cresce, os espaços estreitam-se. Quando regride, estreitam-se mais ainda. Desta forma, todos os comentários têm um certo som de puxão de orelhas na chamada militância negra, por não ter logrado definir questões além da vertente racial. Toda vez que se coloca o binômio negro-raça, o mundo desaba no Brasil. Em seu lugar surgem os pobres, paupérrimos, índios (daqui e de fora). Mas o negro, não. Deve esperar as benesses de uma revolução na melhoria da situação de paupérrimos para pobres e depois de pobres para um pequeno patamar acima na escala. Nada mudou desde os tempos de faculdade, onde o tema era colocado na forma: defesa da mulher, da lésbica, da prostituta, do homossexual, do índio, do pobre e do negro. Nesta ordem. Ou então: o problema do negro é que ele não tem consciência de classe. E ai de quem insurgisse. Lembra muito o gingle famoso do Bamerindus.
Sotho

quinta-feira, 29 de março de 2007 10:56:00 BRT  
Anonymous Neves disse...

Frank, explica melhor. Por que Cassius Clay resolveu mudar o nome para Muhammad Ali? Os negros americanos lutaram por direitos civis dos brancos, o que assegura entre outras coisas o direito da diversidade religiosa, de pensamento e de identidade cultural.

quinta-feira, 29 de março de 2007 12:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Vamos trocar em miúdos. Sem as ideologías adotadas por conveniências política pela esquerda brasileira, os negros americanos querem direitos "iguais" aos demais americanos. Aqui, querem impor privilégios em nome de ideologias canhestras que só fazem gerar conflitos entre etinias e pretensos ganhos aleitorais para grupos (ou bandos) de políticos ávidos de poder.

quinta-feira, 29 de março de 2007 14:11:00 BRT  
Anonymous Paulo Lotufo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quinta-feira, 29 de março de 2007 14:13:00 BRT  
Anonymous Neves disse...

O Anônimo que citou "as ideologías adotadas por conveniências política pela esquerda brasileira" parece que ignora que são os negros americanos os maiores defensores das políticas de cotas, uma ideologia endossada por eles para enfrentar a política de segregação, para assegurar direitos iguais (sem aspas) aos demais americanos. Parece também que ele só é simpático a negros que estão distantes, lá na américa do norte. Aliás ele parece com quem ignora tudo.

quinta-feira, 29 de março de 2007 18:09:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A defesa das cotas nos EUA não foi uma ideologia. Não é disseminada. Tais políticas são discutidas e decididas na Suprema Corte (Federal), que em várias decisões avalizou ou não avalizou as cotas nos aspectos de integração. Como lá os Estados são independentes, as Cortes Estaduais também decidem por demandas locais neste sentido (cotas). Uns Estados podem ter as cotas, nos sistemas de integração, mais disseminados que outros. Outro aspecto importante é que a luta dos negros americanos por direitos civis, deu-se, muito, contra legislações escritas e não, como no Brasil, práticas veladas. A discrimnação por aqui passava desde o pouco sutil "negro não entra" até nos "footings" em praças (os negros caminhavam por fora e os brancos por dentro dos jardins em cidades do interior). O movimento nos EUA integrou negros e brancos que também insurgiram contra a discriminação e segregação.Assim, a luta capitalizou opiniões até no exterior. No Brasil, parte-se do pressuposto de que não há problema racial, razão pela qual é mais difícil mobilizar opiniões favoráveis à integração e até a formulação de denúncias contra atos discriminatórios.
Sotho

sexta-feira, 30 de março de 2007 10:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Que o Alon explique melhor seu conceito de matriz branca, judaico-cristã e ocidental do povo brasileiro. Acho que foi a primeira vez na vida que li uma afirmação não impossível mas improvável.
Como milhões de pessoas, no caso os africanos, vêm para um país antes da imigração branca, judaica, alemã, italiana e oriental e não influencia culturalmente e etnicamente um país?
Estou aguardando, vou até procurar um antropólo para esclarecer melhor esta afirmação do Alon.

sábado, 31 de março de 2007 15:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

NÃO EXISTE VARIOS TIPOS DE RAÇAS,A ÚNICA QUE EXISTE É RAÇA HUMANA... OBRIGADO....

quinta-feira, 8 de maio de 2008 18:01:00 BRT  
Anonymous Jhosembeg disse...

Precisamos nos libertar desse estereótipo. Moro em Salvador, que é a África fora da África, e os negros(as) Brasileiros (as) são muito bonitos. Aqui em Salvador a presença Africana é fortíssima, principalmente negros vindo da Nigeria a Angola e Moçambiqqque. É ilusão crer que os Norte-americanos são mais bonitos. Ouvi um negro norte-americano: "aqui no Brasil é muito mais África do que os Estados Unidos". Valorizem mais nossa Nação.

sexta-feira, 24 de julho de 2009 22:27:00 BRT  
Blogger Raul disse...

Alon, isso que você disse não faz o menor sentido.
Os negros americanos sofriam um racismo muito pior do que os brasileiros, aqui nunca houve consituição republicana que determinação os negros como cidadãos de segunda classe sem direitos civis ou políticos, havia uma limitação por renda, mas isso se aplicava também a brancos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 20:20:00 BRST  
Blogger José disse...

Bem, senhores, as opiniões são muito boas. Todas com excelente senso crítico. Penso que se o negro brasileiro não conseguiu e nem tem consciência de que é um afro-brasileiro como o negro americano pensa de si mesmo, há a necessidade de uma forte conscientização étnica e antropológica. Defendo que os negros devem se empenhar em desenvolver seu intelecto e, ao olhar-se no espelho e analisar sua aculturação, aceite-se e entenda sua origem. Vou acrescentar, também, como negro que sou, dois comentários que podme causar polêmica, entretanto friso que é fruto do meu pensamento. No Brasil, apesar das diferentes tribos étnicas que nossos ancestrais advieram - o que para alguns é uma das causas de certas diferenciações ideológicas e comportamentais -, não é este aspecto relevante para os brancos latinos e de outras etnias que não nos gostam, mas a presença da melanina no maior órgão que temos no corpo: a pele. Além do mais, é claro, de defenderem que o intelecto do negro sempre foi e sempre será inferior, ainda que esses imbecis esquecem que foram os criadores da bomba atômica, destruidores do ecossistema e autores das grandes guerras. O outro cometário é que bom seria que todos, de norte a sul deste país, aprendessem a ser unidos, reivindicassem firmemente os direitos da etnia como a cobrança de uma indenização em virtude da desaculturação e desfamiliarização que os malditos portugueses executaram, visto que os descendentes deles estão nas posições mais privilegiadas desta sociedade. Outrossim - perdoem-me a franqueza -, só quem pode falar melhor a realidade da etnia negra é quem faz parte dela, porquanto uma coisa é ter opinião formada exclusivamente em leitura e pesquisa e outra é fazer juízo de valor mediante estes recursos e experiência prática vivida. Os latinos não enxergam inteiramente como os afro-descendentes enxergam. Todos tenham boa noite, e respeito as críticas e discórdias que porventura surgirem.

domingo, 8 de janeiro de 2012 20:14:00 BRST  

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