quinta-feira, 22 de março de 2007

Para você comentar a crise aérea (22/03)

Da coluna de Eliane Cantanhêde hoje na Folha de S.Paulo:

PS - Houve pane no Cindacta-1 (DF) em 5/12 e no Cindacta-2 (Curitiba), em 11/12. A nova pane no DF foi no domingo, e a de Curitiba, ontem. Mera coincidência...

Também hoje n'O Estado de S.Paulo:

Prisão de controlador de vôo, em Salvador, agrava crise

Associação diz que em 5 meses o governo ‘nada
mudou’ e que problemas no setor ‘podem se repetir’

Tiago Décimo e Tânia Monteiro

O clima é de apreensão entre os controladores de vôo do Aeroporto Internacional de Salvador, depois que um controlador teve a prisão administrativa decretada no sábado, acusado de transgredir o código disciplinar militar. Outros fatores colaboram com a crise, como o afastamento de outro controlador, que é membro da associação dos profissionais da área, o ambiente de trabalho hostil e a falta de qualificação de alguns dos trabalhadores do setor. “Os passageiros estão correndo riscos”, disse o controlador afastado, que não quis se identificar. (...) Em Brasília, os representantes das Associações dos Controladores de Tráfego Aéreo do País estão preocupados com a demora do governo federal em apresentar solução para os problemas técnicos do setor e as respostas para as reivindicações da categoria, que defende a desmilitarização. A falta de soluções e explicações “subiu a temperatura” entre os militares e civis que trabalham no tráfego aéreo. Um dos representantes, ouvido pelo Estado, falou da revolta da categoria. “(...) A possibilidade de outro acontecimento, de surgimento de um outro problema grave, infelizmente, é muito grande”, advertiu. (...) As associações de controladores vão pedir às associações de pilotos que passem a relatar também os problemas que enfrentam durante os vôos, particularmente as dificuldades de comunicações. Mas ouviram dos comandantes que eles evitam fazê-lo pois temem represálias da Aeronáutica.


Clique aqui para ler a íntegra da reportagem do Estadão.

Tenho deletado comentários sobre a crise aérea. Alguns, por serem apenas provocações. Outros, por se destinarem a posts que nada têm a ver com o assunto. Mas essa junção de materiais da Folha e do Estado resolve o problema. Agora temos um post em que vocês podem comentar. O que vocês acham? Haverá algum tipo de sabotagem por trás do agravamento da crise aérea?

Leiam os textos anteriores publicados sobre o assunto:

À espera dos americanos (09/03)

Vitória da FAB e do Brasil (01/03)

Envergonhem-se (21/01)

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14 Comentários:

Anonymous Paulo Henrique disse...

Eu acho que existe, sim, sabotagem. É muita coincidência essa pane no Cindacta 1 (do último domingo)exatamente na semana em que ia ser votado o recurso que impede a criação da CPI do Apagão Aéreo.
A mídia conservadora, orquestrada pela oposição, insiste na criação dessa CPI. O mesmo não fez com a crise do apagão do período FHC. Por quê?

quinta-feira, 22 de março de 2007 16:28:00 BRT  
Anonymous Wlade disse...

O problema dos controladores está mais do que na hora de ser considerado como grave, e está a exigir uma participação mais efetiva do Presidente Lula nessa situação. O risco em vidas é muito alto para assistirmos à inépcia do ministro Pires, no trato com a categoria. Acredito que a complexidade no treinamento desse pessoal,enseja solução que contemple em primeiro lugar a qualidade,depois quantidade e remuneraçâo do pessaol existente, para em seguida iniciar-se uma discussâo sobre a desmilitarização dos setor. Com a situação controlada, poderá se discutir o melhor caminho a seguir, com a participação de toda a sociedade e , sem a pressão dos eventos traumáticos que tem ocorrido com frequência desastrosa.

quinta-feira, 22 de março de 2007 16:38:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

DAC caixa-preta militar ---> ANAC civil = crise;
crise + gestão pífia = apagão.
Simples assim

quinta-feira, 22 de março de 2007 17:46:00 BRT  
Anonymous Paulo Henrique disse...

Resposta ao Wlade:

Que risco de morte os passageiros estão correndo? Não caia nessa, me caro. O que está havendo é uma tentativa dissimulada de se associar o acidente do boeing da Gol aos problemas dos controladores de vôo, quando já foi provado que o acidente ocorreu porque os pilotos do legacy desligaram o transponder. Há entre o céu e a terra mais que avião de carreira". hehehe

quinta-feira, 22 de março de 2007 17:48:00 BRT  
Anonymous Danilo disse...

Realmente PH nenhum risco de morte... controladores superlotados com mais obrigações que deveriam ter, sistemas em pane em diversas regiões, informações erradas e desencontradas, problemas de manutenção técnica nos aeroportos, etc...

Risco de morte aonde ????????? Que isso... risco de acidente só se o piloto pular de paraquedas, e o avião em chamas, com um motor parada, sem uma asa, com um buraco na fuselagem e mergulhando em espiral em direção a uma cratera de lava vulcânica... aí simmmmmmmmmm talvez, eu disse talvez, possamos considerar risco de morte... o resto é balela...

quinta-feira, 22 de março de 2007 19:02:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Eu não tenho mais nada a dizer. Mas quem quiser pode ver o que diz a Federação Internacional dos Controladores de Vôo, com sede em Montreal. Com a ressalva de que eles foram um dos primeiros a exigir a liberação imediata de dois dos três patetas: os pilotos Joe Lepore e Jan Paladino, do Legacy. O terceiro é o passageiro jornalista americano Joe Sharkey.

A Federação acaba de dedicar o último número de sua revista à "colisão brasileira". Mas só uma reportagem de 1981 sobre a situação dos controladores naquela época está disponível no site:
http://www.the-controller.net/documents/Brasil1981.pdf

Interessante também a recomendação da entidade, em abril de 2006, para melhorar o inglês do pessoal:
http://www.ifatca.org/press/300406.pdf
O Yázigi agradece.

Enfim, os dados e as opiniões da Federação Internacional merecem ser pelo menos conhecidos:
www.ifatca.org

quinta-feira, 22 de março de 2007 20:02:00 BRT  
Anonymous Luiz Lozer disse...

10 anos voando, e nunca vi o centro Brasília (CINDACTA 1) falhar uma única vez.

foi só acabar o DAC e entrar a ANAC que o troço degringolou

A anac ta fazendo um monte de cagadas, ta todo mundo dizendo que em pouco tempo vai faltar pilotos, dados os custos proibitivos para se renovar as carteiras, escolas de aviação estão fechando (os aeroclubes)

Ta todo mundo reclamando

Os cindactas funcionaram durante 20 anos sem dar pau, a tecnologia é antiga mas é sem frescura. Os controladores querem aproveitar o momento (fim do DAC inicio da ANAC) para virarem civis, funcionários públicos federais, ganhando R$12.000, e que a função de controlador vire “função de estado” (é assim que se fala?)

Se tem sacanagem ai vão os suspeitos:

controladores querendo mostrar poder.
militares não querendo perder o controle sobre os maravilhosos contratos multimilionários.
ou nenhuma das duas, os equipamentos ficaram velhos e começaram a dar pau, e com o aumento do volume de trafico, simplesmente deu chabu.

Mas era muito bom chamar Brasília e Brasília responder:

papa tango qualquer coisa, prossiga.

Isso sim era diálogo, o resto é papo furado : )

sexta-feira, 23 de março de 2007 10:09:00 BRT  
Anonymous Taq disse...

Como disse um comentario, equipamentos de 20 anos e dose, mesmo com manutenção boa, não da, uma hora pifa,

sexta-feira, 23 de março de 2007 10:52:00 BRT  
Anonymous Paulo Henrique disse...

Danilo,

o risco de morte é onipresente. Com isto, quero repetir aquela obviedade: pra morrer, basta estar vivo.
O que quis dizer foi o seguinte: o tal "caos aéreo" está causando os atrasos dos vôos. Isso é fato, embora acredite que as causas de todo esse transtorno vão além disso.
Houve o acidente com o boeing, mas já foi provado que os pilotos do legacy estavam com o transponder desligado. Está esclarecido também que o piltotos não deram a mínima para o plano de vôo. No entanto, querem creditar a morte dos 154 passageiros à crise do setor aéreo e, por tabela, ao governo do Lula. Não percebes aí um estratagema da oposiçãodos mais rasteir

sexta-feira, 23 de março de 2007 10:52:00 BRT  
Blogger Paulo disse...

O engraçado é que o tal "apagão aéreo", por afetar eminentemente os tais "formadores de opinião" (gente como jornalistas, políticos, modelos e atrizes, colunáveis em geral etc), acabou virando, na mídia, um desastre nacional.

Assim o "apagão" eterno dos sistemas de transporte público, da saúde, da educação, continuam esquecidos em prol da campanha por uma CPI que permita infernizar o governo. E ficamos condenados a ouvir eternamente a porcentagem de voos atrasados em Confins e o atraso médio de meia hora em Salvador.

Mais grave, ouvir o mesmo jornalista que quando morreu o menino João criticava a morosidade da Justiça criticar a dotação orçamentária do Judiciário comparando com (surpresa!) a verba dedicada ao controle aéreo no orçamento da União.

Não que eu ache o problema inexistente - está claro que existem problemas que vão desde o subdimensionamento atual do sistema de controle até as vaidades pessoais de chefes civis e militares. Mas após o caos do final de 2005 (causado em boa parte pela irresponsabilidade de uma única companhia aérea) o problema foi ao menos mitigado, mas não na imprensa. Esta se comporta como se um atraso de uma hora no vôo do jornalista fosse o fim do mundo, o caos, a volta à barbárie. Como se a maioria do povo realmente se importasse e fosse afetada pelo ir e vir da elite nos aviões. Ou se um cachorro parou Congonhas. Ou se um boto invadiu a pista em Manaus.

Perdeu-se, de novo, a noção da proporção. E, no caso da oposição no Congresso, perdida como cego em tiroteio, já há muito perdeu-se a noção do ridículo.

sexta-feira, 23 de março de 2007 11:10:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Palpite de quem atua no turismo - ergo, vítima da aviação civil brasileira - desde 1982: com o nada saudoso DAC podem ir-se muitas, infindas prebendas. O resto é conseqüência, ruído, dissimulação, oposição fácil.

sexta-feira, 23 de março de 2007 19:28:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Para colocar mais lenha na fogueira, vejam o que o diz o presidente do Clube da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro Ivan Frota:

" ...Neste momento, a forjada crise do controle de tráfego aéreo (apenas em Brasília!?), urdida nos porões do CINDACTA I, configura verdadeira traição nacional, covardemente desencadeada por alguns controladores civis, sindicalistas retrógrados, infiltrados no meio dos controladores militares, estes sérios, os quais representam a indiscutível maioria desses profissionais.
...Os controladores de tráfego aéreo representam somente a "ponta do iceberg" nesse imenso e delicado sistema...
...Não são esses poucos controladores os que mais trabalham, nem dos quais se exige maior cultura técnico-profissional, porém, como simples "apertadores de botões" nos "videogames" em que atuam (que são mantidos
por outros), podem interromper ou retardar o funcionamento dos beneficiários do sua atividade fim.
Muito mais cultos tecnologicamente e indispensáveis são os mantenedores dos radares, dos meios de comunicação, dos laboratórios de inspeção em vôo, dos meios de cartografia e geodésia...
...Quando se analisa, com equilíbrio, o inopinado em que se instalaram os conflitos e os atrasos de aeronaves, em contrapartida com a presteza com que tudo foi restabelecido, surge uma verdade cristalina - nunca houve excesso de tráfego aéreo, nem carência de controladores. O que houve foi falta de espírito público e sobra de permissividade institucional na baderna praticada por uns poucos.
...Estes, para sua justa, mas inoportuna, reivindicação salarial, não hesitaram em envergonhar o Brasil perante o mundo, nem em induzir a opinião pública internacional a admitir a culpabilidade do serviço nacional de proteção ao vôo (um dos melhores do mundo), no lamentável recente choque de duas aeronaves no ar.
...Enquanto demagogos, irresponsáveis e ignorantes preconizam a desmilitarização dos controladores de vôo, surge, insofismável, a certeza de que, não só resta imprescindível sua permanência sob a tutela da Aeronáutica, como também se faz
indispensável a expansão dessa militarização para o restante do que tenha sido subtraído do sistema, antes inteiro."

A íntegra do artigo está em http://www.clubemilitar.com.br/page/revista/423/militarizacao.pdf

sexta-feira, 23 de março de 2007 19:52:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

1.Sobre o caso do avião da Gol quem melhor e certamente comentou foi o PauloLotufo:
Paulo Lotufo disse...
Alon, há uma afirmação recorrente na área de tecnologia de informação que os dois sistemas civis mais críticos em termos de seguração são o da aviação comercial e dos hospitais. Não sei como um avião levanta vôo,muito menos como eles vão ao solo. Por outro lado, conheço bem hospital. Um erro de grande magnitude somente ocorre quando mais de três ou quatro postos de alerta falham em série. Por exemplo, laboratório, enfermeiro, médico cirurgião, médico anestesista e médico intensivista não notam um valor de risco (potássio elevado, como exemplo) que é letal.
Por isso acho que há vários pilotos como os descritos voando em todo o mundo, mas há controles avisando os demais da presença do "barbeiro aéreo" e, obrigando-o a fazer o correto. Lembre do acidente dos Mamomas quando o controle de São Paulo berrou o tempo todo para o piloto inverter a rota errada.
Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007 20h13min00s BRST
Obs.: aproveite para corrigir. Este comentário está no post “Os chacais” (19/02), mas no post ele é linkado com o título “Vitória da FAB e do Brasil (01/03)

2.Sobre a disputa que corre em segredo, isto é, não vem a público, entre os que defendem o controle pela Aeronáutica e os que defendem a desmilitarização (quem defende? A quais interesses ela atende?). Desconheço quem venha a público defender a desmilitarização. Desconheço se a imprensa ou os blogs estão dando a devida atenção ao assunto. Me parece óbvio que o controle do tráfego aéreo nacional deva estar sob controle da Aeronáutica. Também estranho muito o silêncio obsequioso da Aeronáutica que não sai francamente em defesa do controle como sua atribuição. Estranho também as reportagens que lançam o foco alarmista e vitimizante sobre o operador que foi preso pela Aeronáutica por insubordinação.

3. Sobre a responsabilidade do governo ela é inquestionável. Sobre a incapacidade do governo dar solução para o problema ela é inquestionável. Estranho que a Aeronáutica não se manifeste com veemência sobre os fatos. Estranho que a Aeronáutica não venha a público para dizer que o governo deliberadamente não repassou os recursos orçamentários que estavam destinados ao setor. Estranho mais ainda quando fico sabendo que a Infraero não sofreu o mesmo constrangimento.

4. Lembrando um comentário que coloquei no blog sobre a história do Hegel e sua velhinha desonesta e o caso dos ovos podres ou não podres (Quem você pensa que é para dizer que meus ovos estão podres?), digo que apenas sofismam os que fazem a defesa da irrelevância da crise no contraste (sempre um preto e branco) com as “verdadeiras” necessidades do “povo brasileiro”. Inevitáveis, portanto, as conseqüentes falas justificadoras do tipo “só elite anda de avião” ou “isso é coisa das elites para desestabilizar o governo Lula". Para que fique bem claro, digo que neles falta razão e sobram sofismas. Sofistas são assim: como não gostam ou não sabem enfrentar a objetividade dos fatos partem sempre num contra ataque típico e já bastante conhecido: atiram contra os seus adversários suas grandiloquentes subjetividades. Mas são como tiros de festim. Apenas fazem barulho e atrapalham o debate dos que sabem que, não por acaso, a natureza nos deu duas orelhas e uma língua.

PS: Ainda não havia lido o comentário oportuno do José Augusto. Enfim, temos uma opinião que não se escuda com sofismas. Este debate é necessário.

sexta-feira, 23 de março de 2007 20:10:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Co-Araújo, o Brig.(R1) Frota só avaliza meu "palpite" anterior. Não há boas velhinhas nesse debate. São os ricos ovos podres do DAC que teimam em não falecer. Neles habitam serpentes miliardárias.
Não creia, não creia mesmo, que há um republicano debate sobre controles civis ou militares. Muito menos "luta de classes" ou "interesses" da pátria, do povo, das classes dominantes.
Trata-se, tão somente, de butim.

sábado, 24 de março de 2007 00:36:00 BRT  

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