sábado, 10 de março de 2007

O dilema do blogueiro (10/03)

Todo blogueiro, em algum momento, já ficou em dúvida sobre moderar (selecionar) ou não os comentários. A respeito disso, Tutty Vasques publica o seguinte post em No Mínimo (trecho):

Cala a boca, maluco!
10.03.2007 | A redação de NoMínimo vive uma discussão interna chatíssima: alguns blogueiros sugerem que a gente tome providências drásticas para coibir a ação dos bárbaros que invadem a seção ‘Comentários’ ao pé de cada nota ou artigo para avacalhar com autores, esculhambar a opinião alheia, esculachar o debate, desviar o assunto, xingar a mãe, descambar para escatologia, vomitar preconceitos, melar a brincadeira. Coisa de débil mental eletrônico! Como opera em regime de inteira liberdade de manifestação do leitor nesse espaço, NoMínimo dispõe de pelo menos duas opções de ferramentas coercitivas. A primeira é mais trabalhosa para o ‘comentarista’, que teria de se cadastrar e obter uma senha de acesso a cada blog em que quiser palpitar. A medida acaba com a prerrogativa do anonimato. Uma vez credenciado, o missivista poderá ter seu endereço eletrônico identificado a partir de um post canalha qualquer que enviar. A alternativa seria direcionar todos os comentários para uma página de moderação invisível ao leitor, ficando a cargo de cada blogueiro selecionar o que merece ser publicado. Trabalhosa para os jornalistas, a mecânica acaba com o imediatismo – e a graça – da seção. Pode-se ainda deixar a cargo de cada blogueiro escolher o sistema de conversação com o leitor ou detonar de vez essa porcaria e voltar ao tempo em que jornalista escrevia, leitor lia, o resto era papo de botequim, onde todo mundo tem direito de dizer bobagens. Cá pra nós, seria a derrota da interatividade, que encontrou na Internet o primeiro veículo vocacionado para exercê-la. O problema não é de NoMínimo nem da web, que só amplia, dá voz às barbaridades que andam dizendo por aí. O brasileiro não anda muito a fim de papo, quer falar sozinho. Todo mundo no país dispõe, se tanto, de meia dúzia de discursos indignados, oito palavrões, três ou quatro intolerâncias básicas e um neurônio anarquista meio pancadão para golfar suas idéias. Tenho visto pessoas que falam pra se aliviar. Gente que sai de um debate como alguém com dor de barriga deixa o banheiro. O país da lambança tem como uma de suas marcas registradas a inesgotável capacidade do seu povo de falar merda. Pode ser que agora mesmo eu esteja dizendo uma. (Continua...)

E você, acha o quê? Aqui no Blog do Alon os comentários são selecionados. É uma espécie de ditadura (ainda que atenuada) do blogueiro. O resultado prático é que conseguimos formar um grupo (pequeno, mas não importa) de pessoas que são capazes de dialogar na divergência. Na minha opinião, blog só tem sentido se for assim. Se for para o diálogo. A interatividade é apenas uma ferramenta. Não é um objetivo em si mesma. O objetivo é formar comunidades. Não torcidas organizadas.

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11 Comentários:

Anonymous Maurício Galinkin disse...

Caro Alon,
Acho que o blog sem moderação tem a pretensão de ser um espaço "democrático" em um falso dilema, pois trata-se de um espaço de responsabilidade (inclusive judicial) do blogueiro.
Creio que a necessidade de dar voz a tod@s, criar um espaço em que as diversas perspectivas sociais, culturais, poleiticas, etc, possam se manifestar, nada tem a ver com a existência, ou não, da moderação. Cabe ao moderador, isso sim, ser democrático e dar espaço a manifestações contraditórias, inclusive contra suas próprias opiniões ou convicções. Assim é que se cria um debate democrático e produtivo para tod@s.
Não dá para participar comentando posts nos quais existem 'torcidas" (especialmente "políticas") se digladiando sem sequer tomar conhecimento do assunto principal da matéria ou das intervenções de quem não entra nessa "disputa".
Eu, pelo menos, cansei, e só passo em determinados blogs para ler o que o blogueiro escreveu. Não perco meu tempo com comentários por lá.
Com isso, vou selecionando onde vale a pena ler e comentar, ler os comentários postados, participar de alguma forma do debate.

sábado, 10 de março de 2007 13:06:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Concordo com o Maurício Galinkin e acrescento que num blog de política me parece natural que os comentaristas vez ou outra tendam a elevar o tom. E quem deve estabelecer o limite justo só pode mesmo ser o blogueiro. Já tive comentário cortado. O último, na hora que enviei eu pensei: “esse não passa”. Não passou. Reescrevi o comentário sem alterar nada do conteúdo. Mudei somente a forma e o comentário passou. Só posso agradecer, pois a segunda versão ficou muito melhor que a primeira. Para mim o poder de veto do blogueiro é interessante na medida que me ensina escrever melhor. No dia a dia da minha atividade profissional utilizo pouco a linguagem escrita. O que quero dizer é que além da oportunidade de diálogo com pessoas afinadas com o tema da política, o blog é também um lugar para o exercício da minha escrita.

Enfim, se pensarmos que o blog é como um diário eletrônico e que o blogueiro é o seu editor chefe, podemos também pensar que ao submetermos o nosso texto ao editor é possível que escutemos dele um sonoro “isto está uma merda. Se quiser que eu publique, reescreva”. Acredito que nas redações a coisa funcione assim. Não vejo problema que funcionem desse modo também aqui. E quem não gostar dos critérios tem sempre a liberdade de não comentar ou mesmo não freqüentar o blog.

Abs.

sábado, 10 de março de 2007 13:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

sábado, 10 de março de 2007 13:52:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Idem, ibidem, tribidem. Se com moderação já o visitam trolls, o que dirá do democratismo? Abertura dos portos, já o sabia o sapientíssimo João VI, só para nações amigas, ainda que divergentes...

sábado, 10 de março de 2007 14:37:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Eu gosto do blog do Alon, justamente por causa disso. Além da qualidade analítica dos textos do blogueiro, os comentários são enriquecedores. A moderação nos induz à maior reflexão no que escrevemos.
Me lembra a diferença entre uma manifestação de rua onde se grita palavras de ordem (e o que interessa é fazer o maior barulho), e uma assembléia tendo um presidente da mesa como moderador, onde cada um pede a palavra (interessa é articular bem as palavras e idéias).

sábado, 10 de março de 2007 16:30:00 BRT  
Blogger Lucia disse...

Alon
Tem que ter moderação, senão não tem sentido ler os comentários.

sábado, 10 de março de 2007 17:08:00 BRT  
Blogger flaviojml disse...

Alon,
É evidente que os blogs tem que ter moderação, até pela segurança jurídica, como bem ressaltado acima.
O problema é que tem-se que ter cuidado, se a idéia é ter um blog aberto ao público em geral, para não descambar para a "patota", como acontece com alguns blogs famosos, onde qualquer comentarista que não seja da turminha, ainda que bissexto, e mesmo não postando comentários ofensivos a ninguém e nem individualizáveis, é censurado sistematicamente.
Exemplo notório disso é o blog do Noblat!

sábado, 10 de março de 2007 20:04:00 BRT  
Anonymous neto disse...

Ao lado da opção "comentários" crie a opção "Esculhambe". Ao clicar sobre esta opção o leitor abrirá uma janela com algumas esculhambações semi-prontas, bastando apenas escolher o sujeito e os adjetivos que julgar adequados. É prático porque o leitor a fim de esculhambar não quer pensar muito pra falar merda; 99% vão aderir ao formulário na hora. Tenha sempre um comentário falando mal do governo, qualquer governo; também é bom ter um falando mal dos políticos; no atual Fla-Flu político escale uma esculhambação para o PT e uma outra para os tucanos; não esqueça de uma esculhambação para o dono do blog; no final a opção nenhuma esculhambação acima para o leitor criar a sua própria. Pode ser que nesta última apareça alguma coisa inteligente ou engraçada que o blogueiro possa aproveitar na seção comentários.

sábado, 10 de março de 2007 21:26:00 BRT  
Blogger cid disse...

alon

1. não há como não concordar com os comentários anteriores. Sem moderação, o blog vira terra de ninguém, em que todos perdem. Como diz você, um blog só tem sentido se criar criar condições para o diálogo na divergência, comunidades interagindo e estimulando o debate;

2. já tive a oportunidade de expressar neste espaço minha satisfação e minha alegria pela forma como você enfoca temas polêmicos, falsos consensos ou certezas pré-fabricadas. Esse desafio tem sido estimulante para nós, leitores. A qualidade dos comentários, divergentes ou não, falam por si.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

sábado, 10 de março de 2007 22:36:00 BRT  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon, quero me juntar ao posicionamento geral dos comentários anteriores. Qualquer convivência social exige a contenção de impulsos agressivos, se não se pode esperar que essa contenção seja feita pelos próprios indivíduos envolvidos é necessário que alguém detenha poder coercitivo, e arbitrário em alguma medida (por mais democrático que seja). Na “blogosfera”, porém, quem julga sobre a adequação do "limite justo", para usar o termo do Paulo Araújo, é o leitor, ao escolher os blogs que freqüenta e assim definir quem tem e quem não tem audiência, blogueiros e comentadores, pois como disse a Lúcia, sem moderação "não tem sentido ler os comentários", e quem não se interessa pelo comentário de terceiros, prefere o jornal. Parabéns pelo seu trabalho Alon.

domingo, 11 de março de 2007 08:57:00 BRT  
Anonymous zeleandro disse...

Ótimo.
Há um post no blog do Weissheimer (www.rsurgente.zip.net), sobre o mesmo tema, com o título "Não Alimente os Trolls". Recomendo.
Curiosos que três blogs trataram do mesmo tema quase simultaneamente. Esse tipo de discussão é relevante porque os blogs estão cada vez mais infestados por essas 'pragas virtuais'. Como disse o flaviojml, o Noblat é um caso clássico de como essa gente consegue contaminar um determinado espaço. O problema é que, lá, parece que eles contam com a anuência do blogueiro. Falo por experiência própria.
Braços.

segunda-feira, 12 de março de 2007 15:15:00 BRT  

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