terça-feira, 6 de março de 2007

No comando da própria sucessão (06/03)

O que há de comum nas circunstâncias da 1) derrota de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara dos Deputados, da 2) renúncia de Nelson Jobim à candidatura a presidente do PMDB e do 3) desgaste a que Luiz Inácio Lula da Silva submete Marta Suplicy? Ao ajudar a derrotar Aldo, Lula enfraqueceu no nascedouro o bloco PSB-PCdoB-PDT, que acalenta a esperança de ter um candidato competitivo à sucessão de Lula, e fortaleceu seu próprio partido, o PT, que andava meio cabisbaixo e perigosamente frágil. Ao dinamitar Jobim, desidratou no PMDB quem aposta em vôos próprios e vitaminou Geddel Vieira Lima, que ajudou Lula a derrotar o PFL da Bahia no ano passado. É improvável que Geddel não esteja de mãos dadas em 2010 com Lula e seu possível candidato ao Palácio do Planalto, o governador petista da Bahia, Jaques Wagner. Ao descarnar a ex-prefeita Marta Suplicy, Lula evitou que a eventual entrada dela no ministério (se acontecer) represente a celebração de uma forte pré-candidatura petista à Presidência da República. Ou seja, Lula vai montando o segundo governo de modo a preservar o máximo de controle possível sobre a própria sucessão. O melhor cenário para Lula é poder concorrer a um terceiro mandato em 2010, coisa difícil de passar no Congresso. Lula diz que não quer, mas opera sistematicamente para enfraquecer todos os possíveis candidatos a candidato, com a exceção de Wagner. O segundo melhor cenário para Lula é a vitória de um governista (petista) em 2010, desde que a reeleição tenha sido abolida. Para que ele, Lula, possa tentar voltar em 2014 (ou 2015, se o mandato passar a cinco anos) sem ter que entrar em guerra com um presidente do seu partido/campo. Sem ter contra si a máquina do governo. Um cenário razoável para Lula é chegar a 2014 (2015) com um presidente tucano (ou oposicionista), mas que não possa concorrer à reeleição. O cenário ruim para Lula é ter que encarar nas urnas um presidente tucano (ou oposicionista) em 2014 (2015). E o cenário péssimo para Lula é eleger em 2010 um companheiro petista (ou aliado) que possa concorrer à reeleição. Ou seja, é provável que a reforma política de Lula (na qual ele, como em outros assuntos, promete não se meter) comece exatamente pelo fim da reeleição, em todos os níveis. Vão ter que convencer os governadores e prefeitos, mas os parlamentares podem ver no fim da reeleição um mecanismo para enfraquecer possíveis adversários, nos estados e nos municípios. Bem, mas você pode discordar de mim. Pode acreditar que Lula: 1) foi emparedado pelo PT na eleição de Arlindo Chinaglia para presidente da Câmara; 2) a contragosto, teve que ceder à realidade de que Michel Temer tinha a maioria no PMDB e 3) não está conseguindo, infelizmente, entre as mais de três dezenas de ministérios, abrir uma vaga boa o suficiente para alojar a ex-prefeita Marta Suplicy (a quem ele é muito grato, por tê-lo ajudado num momento difícil da campanha presidencial). Só que essas hipóteses têm um pressuposto: Lula deve estar mesmo bem fraco, já que não emplaca umazinha sequer. E você, acha que Lula está fraco politicamente? Acha mesmo? Se acha, você poderia explicar o que fez Lula se enfraquecer tanto de outubro para cá.

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18 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Magistral.

terça-feira, 6 de março de 2007 23:17:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, suas conjecturas são ótimas, e com certeza você é bem mais informado que eu. Mas tenho algumas suspeitas diferentes:

Seu argumento para 2014 é levemente contraditório quanto à Aldo porque, se o cenário péssimo é eleger um petista em 2010, porque seria interessante fortalecer o PT elegendo Chinaglia? Não havendo reeleição, um presidente do bloco PSB-PCdoB-PDT em 2010 seria mais interessante para Lula do que um petista. Até porque significaria uma alternância ao PT, e amenizaria o efeito de "fadiga de material" no poder, que funcionaria contra sua pretensão de volta em 2014.

Como eu vejo esses acontecimentos:

1) Na disputa de Aldo e Chinaglia, acho que houve uma espécie de meritocracia da esperteza política. E Lula apenas rendeu-se ao mérito do vencedor. Chinaglia ao conseguir o apoio do PMDB virou o jogo. O que poderia fazer Lula? Usar a máquina para beneficiar a facção de Aldo que apóia o governo, e inflacionar o preço político para conseguir apoio do PMDB, PR, PP, PTB nas votações no Congresso?
Tornar-se-ia mais refém da base governista do que o presidencialismo brasileiro já o faz. Passaria o resto do governo tendo que entregar um copo de sangue por dia, para ter maioria nas votações.

2) Com Nelson Jobim minha percepção é a mesma da que descrevi acima com Aldo.

3) Marta Suplicy é a jóia da coroa da oposição, como era José Dirceu no primeiro mandato. O relacionamento de Luis Favre com Duda Mendonça é tudo o que a oposição quer, para, na hora certa, abrir sua artilharia novamente, no melhor estilo das CPI's do fim do mundo. Acredito que é desta Marta que Lula foge como o diabo da cruz.

terça-feira, 6 de março de 2007 23:31:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Lula foi reeleito muito recentemente, por boa maioria de votos. Está fortalecido politicamente, neste início de segundo mandato.

O choque de interesses na "divisão" do poder, me parece natural e parte do jogo democrático.
Daí a imaginar um terceiro mandato, já em 2010, para Lula, vai uma enorme distância.
Para tal, Lula precisaria de maioria absoluta nas duas casas do Congresso em torno deste projeto. Não é impossível, mas parece muito improvável.

Tal cenário, o da mudança constitucional para um terceiro mandato de Lula, nos deixaria mais próximos da seqüência de eventos políticos recentes da Venezuela. Tenho o Brasil em mais alta conta do que isto...

terça-feira, 6 de março de 2007 23:50:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Acho que foi o Coríntians perder do Palmeiras...

quarta-feira, 7 de março de 2007 09:43:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Engraçado é Lula ser tão "inteliente" para este tipo de tramóia enquanto é absolutamente incipiente como Presidente do Brasil. Deve ser aquela ótica do aqui-e-agora, onde o importante é garantir o seu e os outros que se virem. Lula não parece nem um pouco preocupado quando, em 2014, lhe perguntarem que importante decisão ele tomou quando das morte violentas e hediondas de 10 anos antes.

quarta-feira, 7 de março de 2007 12:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

1. O presidente não está fraco. Está jogando com as pedras dispostas no tabuleiro e ainda contando com o beneplácito da oposição, mesmo com alegações de preconceitos e outras chorumelas.
2. Um nome PSB/PCdoB/PDT só seria viável com apoio político massivo do governo.
3. Ainda está no início o governo baiano. Não dá para medir, ainda, o acerto de tal estratégia.
4. O que enfraqueceu o presidente, dentor e fora de sua base, pode estar relacionado aos acontecimentos do ano passado.
5. O que pode enfraquecer é a demora em definições cruciais.Fissuras novas podem ser abertas em soldagens antigas.
6) Em política não existe espaço vazio.
Dawran

quarta-feira, 7 de março de 2007 13:34:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Tudo bem que Ciro Gomes é telhado de vidro (graças a Deus), mas o bloco PSB-PDT-PCdoB não estaria nem um pouco fraco. E ainda faria Lula refém de apoiá-los, na falta de um candidato forte petista (que não existe, pois Marta é pato manco). O fato é que Lula é mais forte do que o PT e o PT não tem ninguém para substituí-lo.

quarta-feira, 7 de março de 2007 14:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Com Ciro Gomes ou não, o bloco pode amealhar alguma força no Congresso, dar suporte para votações de interesse e obter apoios do Governo. Mas não parece que terá chances reais de vitória nas eleições presidenciais, sem apoio político do governo e do partido do governo.
Para tanto, só com uma composição ampla, aspecto difícil.
Dawran

quarta-feira, 7 de março de 2007 16:04:00 BRT  
Blogger Cláudio de Souza disse...

Nada a retocar na análise. Lula continua fazendo seus adversários de gato e sapato. A única coisa que eu achei (um pouco) estranha no teu texto é o Jaques Wagner. Ele tá com essa bola toda?

quarta-feira, 7 de março de 2007 16:13:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Sinbá retorna aos sete mares.

quarta-feira, 7 de março de 2007 17:49:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Pressupor que Lula está "no comando da própria sucessão" é algo que pode ser perfeitamente deduzido dessa sua muito bem articulada análise. Há boa lógica no encadeamento dos fatos que você cita, nos cenários que você traça e nas conclusões que encerram o post. Não há como contestar, avaliando os fatos e os cenários, que o melhor para Lula é propor o fim da reeleição.

No entanto, quero chamar atenção para um outro fato: Lula é reconhecidamente um pragmático na política. E pragmáticos são avessos a cálculos políticos que avancem para muito além do seu aqui e agora. Pressupor que Lula está no comando da sua própria sucessão (nos termos apresentados com maestria por você) é atribuir a Lula as qualidades do estrategista políitco. Ou, ao menos, não está no comando do jeito que você expõe no post.

Em se tratando de Lula, tudo é possível. E tudo é possível exatamente porque nosso presidente sempre prefere dançar conforme a música da vez. Agora, deduzir dessa sua reconhecida capacidade de adaptação aos variados ritmos da política as qualidades do bom dançarino...

Enfim, se eu não reconhecer em Lula essas qualidades do estrategista, só posso concluir que aqui você especula sobre cenários e tira, da sua bem articulada especulação, a conclusão sobre o que melhor seria Lula fazer.

Lembro que numa resposta a um comentário sobre o "terceiro mandato" você respondeu que não afirmava, mas especulava. Entendi a resposta como um esclarecimento sobre ser a especulação um dos componentes da análise da política dos jornalistas. Sim, há quem faça mau uso estilístico da especulação. Definitivamente, não é o seu caso.

Sobre quais seriam, na prática, as qualidades do estrategista político, dou como exemplo o nosso querido blogueiro. Quem o conheceu na sua época de líder estudantil sabe bem do que estou falando.

abs.

quarta-feira, 7 de março de 2007 18:58:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Concordo com a análise do José Augusto. Somo, ainda, um imponderável que o PT adicionou ao processo político: a concessão da presidência da Câmara ao PMDB no segundo biênio (véspera da sucessão presidencial). É um fator pertubador porque o Michel não é confiável sequer ao partido (lembrem que abortou uma candidatura do PMDB com 15% de intenção de votos para apoiar reeleição do FHC). Já estão dizendo que o Lula optou para fechar parceria com o Michel Temer pedindo ainda que este barre uma hipotética candidatura do Aécio Neves pelo "partidão". Este fator PMDB (e um poderio legislativo para mudança constitucional) é que dá sustentação a lógica da tese do Alon - porém o fechamento da tese não convence. É bom lembrar que o Lula hoje está mais preocupado com a história do Brasil e a sua biografia do que com o momento do PT.

Rosan de Sousa Amaral

quarta-feira, 7 de março de 2007 19:10:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Aceito apostas:
a) Lula usa,ainda hoje, os métodos de composição política aprendidos com Paulo Vidal nos idos de 1970. Têm dado certo para si; dúvidas sobre a eficácia no mundo da grande política;
b) 2010 é ano da Bachelet tupinambá, a.k.a. Mlle. Roussef, a depender do andar do PAC;

Co-Araújo,
Eu, que já foi vítima e beneficiário, do estratega Feuerwerker assino embaixo de seu comentário sobre o próprio (rs).

quinta-feira, 8 de março de 2007 08:15:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

O Paulo Araújo falou a mesma coisa que eu, com muito mais elouqüencia e precisão. Também não creio que o Alon crie estas conjecturas com segundas intenções. Suas análises são bem objetivas... basta comparar com outros colunista (o próprio Noblat) que só chovem no molhado.

quinta-feira, 8 de março de 2007 16:28:00 BRT  
Anonymous Roberto disse...

OLha: É impossível saber ao certo se Lula quer ou não esse terceiro mandato. Creio que não, mas é óbvio que se trata apenas de mais uma opinião. Mas o que dá para saber é que dizer que ele quer o terceiro mandato consecutivo funciona como uma operação publicitária para fazer a opinião pública acreditar naqueles que tentam dizer que Lula tem o mesmo perfil de Hugo Chavez e, fazendo isso, desacreditá-lo diante dos eleitores que são diariamente bombardeados por essa propaganda que faz de Chavez uma espécie de boneco de Judas. Assim, prestemos atenção no que conjecturamos, para evitarmos fazer parte do coro do "lincha Lula".

quinta-feira, 8 de março de 2007 18:01:00 BRT  
Blogger F. Messere disse...

De tudo quanto tenho visto e ouvido nos dois últimos anos sobre Lula, concluo que algumas pessoas acreditam que a melhor maneira de atuar para desqualificar esse inevitável segundo mandato que se inicia é ignorá-lo, ou seja, fingir que estamos em março de 2010, às vésperas da campanha eleitoral, e passar os próximos quatro anos especulando acerca das maquinações imorais que certamente povoam a cabeça de todo Presidente da República ("afinal, ninguém tem caráter mesmo, por que justamente esse Presidente da República haveria de ter"). Como estratégia, é perfeita. E para tornar o discurso mais convincente, nada como lançar mão da engenharia de obras feitas, de modo a levar o leitor a incidir na seguinte falácia: "se os fatos narrados (infortúnio de Jobim, Marta e Ciro) são verdadeiros, então as especulações também são".
Muito bom o texto, ou muito ruim, sei lá, você decide.

sexta-feira, 9 de março de 2007 12:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Na Folha de São Paulo, depois de cinco dias:

Painel

Cacau

Leitores de sinais, no PT e nos partidos aliados, entendem a fritura da outrora ministra-com-certeza Marta Suplicy como sinal de que Lula, ao menos por enquanto, inclina-se por Jaques Wagner como nome petista para a eleição presidencial de 2010 (isso se as circunstâncias não lhe permitirem -quem sabe?- disputar um terceiro mandato consecutivo).
Segundo essa interpretação, pelo menos outros dois indícios, além do constrangimento público a que Marta vem sendo submetida, indicam a opção "não-paulista" de Lula: a nomeação para o ministério de Geddel Vieira Lima, fiel escudeiro do governador baiano, e o fortalecimento, no PMDB, do grupo de Michel Temer -que, por intermédio de Geddel, já teria o compromisso de apoiar Wagner daqui a três anos.

domingo, 11 de março de 2007 11:24:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

No JB de hoje:

Lula faz de 2010 uma obsessão

Helena Chagas

Brasília. Projeto Pernambuco. Esse codinome, criado pelo presidente Lula, tem freqüentado as conversas com aliados no gabinete presidencial e se refere a uma das alternativas para sua sucessão em 2010 - a de que, na falta de um acordo entre todos os partidos aliados, a base governista saia com dois candidatos e se una no segundo turno para ganhar a eleição, como ocorreu na eleição ao governo de Pernambuco em 2006, com Humberto Costa e Eduardo Campos. Pela lógica, os concorrentes seriam um petista e um candidato das outras forças de esquerda, provavelmente o ex-ministro Ciro Gomes.

Parlamentares e ministros que andaram pelo Planalto nos últimos dias atestam: por iniciativa ou não do presidente da República, a sucessão de Lula tem estado na pauta de quase todas as conversas políticas. Ainda que restem três anos a percorrer até lá, a eleição de 2010 tem pairado como uma sombra sobre as negociações da reforma ministerial e é responsável por boa parte dos desentendimentos e disputas travadas entre os partidos e dentro deles nos últimos dias.

O PMDB do Senado, por exemplo, está convencido de que tem o dedo do PT na decisão presidencial de prestigiar o deputado Michel Temer e a bancada na Câmara.

- Esse pessoal do PT só pensa em 2010. E sabe que o nosso grupo (PMDB do Senado) dificilmente apoiará um petista na sucessão de Lula. Então, quer fortalecer o PMDB da Câmara, que é caudatário do PT - diz um importante senador, pedindo para não ser identificado.

O quase ex-ministro das Relações Institucionais e futuro titular da Justiça, Tarso Genro, é o alvo das queixas desses peemedebistas. Segundo eles, Tarso - que seria um dos nomes considerados por Lula para a candidatura do PT - agiu mais como petista do que como aliado e convenceu o presidente de que o ex-ministro Nelson Jobim não tinha qualquer chance de vitória na convenção peemedebista de hoje. Com isso, estaria querendo fortalecer a ala de Michel Temer e Geddel Vieira Lima, que tendem a compor com o PT em 2010. E daí a insatisfação de Renan Calheiros, José Sarney e outros, que tendem a apoiar um candidato não petista e sonham até com a filiação de Aécio Neves ao PMDB para ocupar esse espaço.

Se o jogo é esse, Lula vai ter muito trabalho com este setor do PMDB e diversos aliados. O PSB, o PCdoB e outras forças à esquerda já estão se aglutinando em torno da candidatura Ciro Gomes, hoje o nome de presidenciável mais forte dentro da coalizão governista.

Para não correr o risco de ver sua base estraçalhada, Lula, nas conversas de bastidores, tenta convencer os aliados de que o PT poderá, sim, apoiar um nome de outro partido - no caso, Ciro - em 2010. Mas todos sabem que é muito difícil:

- Nós vamos de Ciro. Mas é possível que o governo tenha dois candidatos. No segundo turno, um deles se confrontaria com Serra, por exemplo - diz o líder do PSB na Câmara, Márcio França.

Lula tenta mostrar que está administrando as ambições dentro do PT. Seu reduzido entusiasmo com a possibilidade de levar Marta Suplicy para o ministério é atribuído ao temor de que, feita ministra, a ex-prefeita entraria já no dia seguinte em campanha para sua sucessão em 2010, despertando a ira dos demais aliados e colocando em risco a coalizão e a estabilidade política do governo. Até porque Ciro Gomes ficou de fora e haveria uma clara diferença de tratamento entre os dois principais candidatos do Planalto.

No caso do PT, a fórmula para neutralizar candidaturas fortes demais é estimular outros nomes. Alguns interlocutores do presidente, por exemplo, deixaram o Planalto convencidos, na semana passada, de que o nome preferido de Lula no PT é o do ministro Tarso Genro. Mas também correm por fora Dilma Rousseff e Jaques Wagner.

Não é que Tarso (ou Dilma, ou Wagner) seja o preferido de Lula. Mas ele quer passar a idéia de que não há em seu partido nenhuma candidatura "natural" ou consolidada - e quem vai dar as cartas é ele próprio.

- Durmo e acordo pensando em eleger meu sucessor -- disse Lula recentemente a um grupo de deputados, dando tinturas mais fortes ao que já dissera a um grupo de jornalistas em café da manhã há dez dias, quando manifestou a intenção de influir em sua sucessão.

domingo, 11 de março de 2007 23:30:00 BRT  

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