quinta-feira, 8 de março de 2007

Mais democracia na comunicação (08/03)

Boa notícia para quem está preocupado em democratizar a comunicação no Brasil:

Telefônica obtém licença para lançar empresa de TV paga

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters, Quarta-feira 7 de Março, 2007 8:45 GMT138) - A Telefônica obteve nesta quarta-feira uma muito aguardada licença nacional que permitirá ao grupo espanhol lançar no Brasil uma operação própria de TV por assinatura em um momento de forte convergência tecnológica no mercado local. A Telefônica aguardava desde maio a autorização concedida nesta tarde pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a nova empresa que prestará o serviço de TV paga com a tecnologia por satélite, conhecida como DTH. O novo presidente do grupo, Antônio Carlos Valente, esclareceu que a operadora de telefonia fixa de São Paulo, a Telesp, terá uma subsidiária para este fim, que pode ou não ser a atual A Telecom, que obteve a licença nacional de DTH. "Estamos bastante otimistas para contribuir com o desenvolvimento do mercado e oferecer mais opções aos consumidores", afirmou Valente à Reuters, por telefone. (Continua...)

Toda novidade que possa representar algum grau de desoligopolização das comunicações no Brasil ajuda a luta por uma comunicação mais democrática. A Anatel acaba de prestar um serviço ao país. É matemático: quanto mais veículos competindo entre si, melhor para o produtor de informação e melhor para o consumidor de informação. Há, claro, a preocupação sobre o tamanho do mercado. Haverá mercado para todos? Bem, talvez esteja na hora de os propagandistas do liberalismo acostumarem-se à idéia de que eles próprios precisarão concorrer, aperfeiçoar produtos e prestar serviços cada vez melhores ao consumidor, se quiserem sobreviver. Finalmente, o capitalismo brasileiro parece estar começando a penetrar num dos últimos cinturões de resistência à sua expansão.

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10 Comentários:

Blogger Lyreta disse...

Não sei como é nos outros locai, mas no Brasil para se fazer uma assinatura de tv paga, você tem de aceitar os canais de música e outros sem uso. Isto torna mais caro o acesso, acho que este o grande motivo porque o número de assinantes ainda é baixo em relação a população.
A reformulação da oferta aos consumidores, dentro do seu perfil, seria vital para o crescimento da tv paga no Brasil.

quinta-feira, 8 de março de 2007 11:05:00 BRT  
Anonymous dra disse...

Alon:
a notícia é boa, tudo bem.
mas democratização, de verdade, só virá com a expansão de rádios e TVs comunitárias...
abs,

quinta-feira, 8 de março de 2007 12:51:00 BRT  
Blogger cid disse...

alon

Acostumados ao bem bom da falta de concorrência, nosso capitalismo de araque vai ter que começar a enfrentar sua "meia hora de sereno".

Espero, como você e a maioria dos freqüentadores deste blog, que isso possa se traduzir em melhores serviços e melhores preços para os consumidores. Toc toc...

cid cancer
mogi das cruzes - sp

quinta-feira, 8 de março de 2007 12:59:00 BRT  
Anonymous Lucas disse...

Sou pessimista, bem pessimista sobre esse assunto. Primeiro é TV paga. Segundo, compra um, compra todos. Terceiro, acho brabo que haja a possibilidade de se fazer uma programação educativa ou de mínima qualidade que fuja aos padrões estéticos do mass media.
O próprio moço ali fala "consumidores"...
A saída pra democratização da mídia é: quanto menor, melhor. O país deveria era pipocar de rádios comunitárias e tvs regionais públicas feitas e geridas por população local. Aí sim teríamos algo. Achar que a terrível Telecom terá alguma preocupação sócioeducativa é ingênuo.
Como diria o falecido Baudrillard, "o Brasil é singularíssimo".

quinta-feira, 8 de março de 2007 13:23:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Eu também acho que maior concorrência sempre é bem vinda.

Apenas observo que isso retorna ao quadro de alguns anos atrás quando tínhamos SKY e DirectTV competindo. Como o mercado de TV por assinatura não cresceu o esperado, as duas fundiram-se, para não ficarem deficitárias.

Daí concluo, que a telefônica não deve estar pensando apenas em abocanhar parte do mercado existente das outras (o que seria inviável economicamente como era para SKY e DirectTV). Deve estar visando o crescimento de mercado, que só pode acontecer de 2 formas: oferecendo preços mais acessíveis às classes C para aumentar a base de consumo, ou apostando no crescimento da renda do brasileiro. Qualquer dos 2 cenários, se confirmar, é bom.

quinta-feira, 8 de março de 2007 15:24:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Outra coisa que me intriga: Na cidade do Rio de Janeiro existem livres 4 canais abertos VHF: 4, 8, 10 e 12.
Nunca entendi porque esses canais nunca são ocupados. Só pode ser lobbie de quem interessa por não ter mais concorrência.

quinta-feira, 8 de março de 2007 15:34:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

A TelefÓnica já é "parceira" da TVA e oferece serviços telefônicos a seus assinantes. Eles se associaram à empresa de TV paga da Abril para fazer frente à NET, da Globo, que compete com ambas em revistas e telefonia IP...

Nesse caso a concentração está aumentando, e não diminuindo.

"Parceria" é uma palavra-coringa. Tem mil e uma utilidades. Eles são mesmo é sócios. O negócio ainda depende de aprovação da Anatel mas o produto já está à venda.

http://www.tva.com.br/comunicado/comunicado.shtml

quinta-feira, 8 de março de 2007 18:58:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Ao José Augusto: Não são canais livres. O espaço entre canais é necessário por motivos de sobreposição de frequências (a numeração reflete isso, e não uma quantidade de canais). É a mesma coisa nas rádios. Portanto, questão puramente técnica. Isso não existirá na TV Digital.

Quanto ao tamanho do mercado a cabo, o problema no Brasil chama-se Rede Globo, neste caso. Não interessa à Globo desenvolver MUITO a TV paga, porque retiraria muito dinheiro da TV aberta, que é sua mina de ouro. Ou você acha que ela não abre um canal de novelas 24 horas na TV a cabo porque ela não entende de público popular?
A DirecTV e a TVA sofrem igualmente por conta deste monopólio: a Globo não permite a transmissão de seus canais nas concorrentes.
Portanto, a telefônica pode até entrar no jogo, mas enquanto não houver o unbundling de "transmissores" e "conteúdo/canais", como lá fora, não adiantará nada. O CADE até acertou agora, ao obrigar a Globo a ceder os dedos do Esporte para não perder a mão inteira, mas ainda é pouco.

quinta-feira, 8 de março de 2007 19:17:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

As novas tecnologias na área de Internet deverão criar nos próximos 5 anos, forte concorrência para as TVs e radiodifusão, conforme conhecemos hoje. Assim foi a apresentação do Bill Gates em Davos, recentemente.

Se estas previsões se confirmarem, toda a regulamentação deste mercado poderá ficar obsoleta. A concorrência que decorre já deve estar tirando o sono de muitos que vivem de concessões de radiodifusão em todo o mundo.

quinta-feira, 8 de março de 2007 19:54:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Ricardo,
Os canais são realmente livres do ponto de vista técnico. No espectro de frequências VHF há 12 canais (2 ao 13, porém quase ninguém usa o canal 3) de frequências diferentes ocupando 6Mhz de largura de faixa cada. Na frequência que termina um canal, começa outro. Portanto, cada número de canal corresponde à uma faixa própria de frequência, que não sobrepõe à outra (tanto que existem canais 5-Globo,6-RedeTV e 7 -Band ativos).
O que não entendo é que existem concessões de canais abertos UHF (outras faixas de frequência mais altas), como canais religiosos, públicos (TV Câmara, Senado), Rede 21, Mix, MTV e outros. Mas a audiência de UHF é menor, porque existem menos lares com antenas apropriadas instaladas. Por isso acredito que só pode ser lobbie o fato de haver 4 canais VHF ainda desocupados, ou então algum "laranja" consegue a concessão e não ocupa de propósito para bloquear a concorrência. Pois não há sentido em quem consegue um canal UHF, não ter pleiteado um VHF com muito maior potencial de audiência.

sexta-feira, 9 de março de 2007 10:49:00 BRT  

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