sexta-feira, 9 de março de 2007

Álcool, reforma agrária e meio-ambiente (09/03)

O post sobre a visita de George W. Bush rendeu-me alguns emails com a dúvida sobre o que fazer. Deve ser rejeitada a oportunidade de alavancar a produção de etanol? Não, claro que não. É ótimo que o Brasil amplie sua participação no mercado mundial de energia. Mas isso precisa ser feito com parâmetros sociais e ambientais definidos. Você sente mobilização política, no governo e na sociedade, para ligar os temas álcool e reforma agrária? Ou álcool e meio-ambiente? Será que o novo ciclo do álcool vai ser uma reedição dos diversos ciclos monocultores? Ou vai haver espaço para o agricultor familiar, ainda que organizado em cooperativas? O novo ciclo do álcool vai ser construído sobre a mesma estrutura fundiária injusta que suporta o possante agronegócio brasileiro? Ou vai inovar, ajudando a democratizar a terra? Será que a ocupação de novas terras pela cana de açúcar não deveria ser precedida de estudos de impacto ambiental? Até agora, nada disso está na pauta. O que se vê é só oba-oba.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

13 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon,
Nem todos estão calados diante dessa nova onde de uso das terras brasileiras para a produção visando a exportação. A Articulação Soja -Brasil, cuja coordenação executiva é composta pelas organizações ECOA (de MS), ICV (de MT), Fórum Carajás (de MA), Fetraf -Sul (de SC), Fundação CEBRAC (do DF) e Greenpeace (sede em SP), divugou ontem um manifesto expondo sua posição a respeito do problema, cujo texto segue abaixo.
Maurício Galinkin
Bio-combustíveis a partir de Monocultivos Afetam População e Natureza
Articulação Soja –Brasil (*)

Os membros da Articulação Soja –Brasil, baseados em sua experiência e análise dos fatos que vêm ocorrendo nas últimas décadas com a expansão do agronegócio, em especial da soja, tanto no Brasil quanto nos países vizinhos, expressam aqui sua preocupação com relação aos impactos ambientais, sociais e culturais que serão provocados pela aceleração do plantio de vegetais para a produção de combustíveis.
Em primeiro lugar, queremos lembrar os altos custos ambientais e sociais resultante dos extensos monocultivos utilizados para a produção de matérias primas agrícolas em escala industrial. Não é possível considerar apenas os benefícios que o uso desses bio-combustíveis trarão à redução do efeito estufa. A devastação provocada no meio ambiente e nas populações dos países produtores, para sua produção, deve ser contabilizada previamente, para que seja evitada, pois ela resultará em aumento tanto do efeito estufa quanto da exclusão social e econômica a que essas populações são submetidas pelo avanço do capital no campo.
A produção de agro-combustíveis não pode reduzir as áreas plantadas para o abastecimento da população com gêneros alimentícios, pois a segurança alimentar deve ser a primeira prioridade de qualquer governo. Então, é essencial que o avanço dessa nova fronteira agrícola seja dirigida para locais já desmatados, em terras que estejam sem uso ou degradadas, o que pressupõe a realização de um ordenamento territorial emergencial e destinação de financiamento para a sua recuperação. Não podemos admitir que a produção de agro-combustíveis avance em terras que produzem alimentos e em áreas com cobertura vegetal natural.
As características de produção e comercialização desses combustíveis certamente seguirão o padrão atual de altíssima concentração, em poucas corporações. No Brasil e na América Latina, por sua capacidade de organização e de logística, além dos recursos técnicos e financeiros, a Petrobrás pode assumir um papel importante no mercado de combustíveis. Sendo uma empresa que pertence ao povo brasileiro, sua atuação deve se basear em padrões éticos e de responsabilidade, não podendo contribuir para a destruição do meio ambiente e das populações da região.
A redução do efeito estufa deve-se dar pela mudança nos padrões de consumo de toda população mundial com níveis de renda mais elevados, especialmente daquelas dos países mais ricos. Há que privilegiar e investir no transporte público ao invés de prosseguir estimulando o uso e produção de automóveis, quaisquer que sejam os combustíveis utilizados.
É preciso reduzir, também, o consumo excessivo de carnes entre as camadas mais ricas da população de todos países, que já registram uma epidemia de obesidade objeto de campanha da Organização Mundial de Saúde. Essa demanda é que tem impulsionado o agronegócio, em especial o da soja, e provocado grandes impactos ambientais e sociais na região.
É preocupante a contradição de um governo que fala de cuidado com o meio ambiente e ao mesmo tempo estimula a destruição da Amazônia e do Cerrado através do agronegócio, da mineração e da exportação de madeiras a granel, tudo em busca de um crescimento econômico excludente e concentrador de riquezas e de renda.
O Brasil e suas empresas podem aproveitar, sim, a oportunidade para produzir combustíveis de base agrícola, mas de forma consciente acerca dos impactos ambientais e sociais desse processo, respeitando as populações locais e conservando o meio ambiente na região.
A monocultura da cana no Nordeste e Sudeste/Sul, se tem sido excelente para donos de engenhos e usinas de açúcar e etanol, tem sido nociva aos trabalhadores e ao meio ambiente. Isso se repete em outras regiões como o Cerrado e a Amazônia, com monoculturas de dendê, soja e milho, e se ampliará com a demanda de seu uso para produção de combustíveis.
É preciso não deixar se seduzir por delírios grandiloqüentes, por participar na formações de cartéis mundiais, pois esse “novo” negócio prosseguirá nas mãos das poucas empresas que já controlam o mercado de commodities.
Finalmente, enfatizamos que é preciso adotar políticas e processos que façam com que a exploração de nossos recursos naturais beneficiem efetivamente as populações do Brasil e dos países da região, com respeito ao meio ambiente o que, na verdade, significa nos preocuparmos também com aqueles que ainda estão por vir.

(*) Articulação Soja –Brasil
Coordenação: ECOA, Fetraf-Sul, Fórum Carajás, Fundação CEBRAC, Greenpeace, ICV.
Secretaria Executiva: Fundação CEBRAC
Contatos: Andréa Lobo: 61 3327-8085
Maurício Galinkin: 61 8407-8262

sexta-feira, 9 de março de 2007 10:20:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Alon,
Concordando com quase todas as suas premissas, mas não com a do "oba-oba", não será, também, o caso de introduzir outras perguntas, como:
a) há economicidade na cultura de cana em pequena escala e sem mecanização?
b) não deve ser considerado o complexo etanol (cana + celulose) e biodiesel (metanol + oleaginosas), em associação com o complexo gás natural, em uma visão de conjunto?
c) não será o caso de trazer o foco do debate do campo da mera agricultura para o negócio de energia?
d) não é possível pensar em um novo "zoneamento" progressista do campo brasileiro, um "aggiornamento" de agenda, que rompa a histórica e ineficaz disjuntiva latifúndio arcaico/reforma agrária autárquica?
O que sei é que abre-se, para o Brasil, no campo da energia, a tão propalada janela de oportunidade e, infelizmente, sinto um certo "2 pesos e 2 medidas" em seus posts sobre este tema, uma dessintonia com seu combate anterior à ecochatice, à camisa-de-força verde, aos neo-luddismos e neo-malthusianismos.
Por enquanto preferi classificá-los no campo da ironia estilística, mas parecem resvalar para a agenda partidarizada.

abs,

Artur

sexta-feira, 9 de março de 2007 10:30:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Tranquilize-se, caríssimo. Releia os textos anteriorer e vc verá que não há antagonismos. O que se defende aqui é o crescimento sustentável. Sustentabilidade? Sim, mas com crescimento. O ambientalismo com viés nacional supõe a crítica ao estagnacionismo de raiz ecoxiita. Mas aponta para um modelo democrático de desenvolvimento. Lembre-se do post sobre a Cammanha da Fraterindade. E quanto ao partidarismo, tampouco há motivos para intranqüilidade. Só pode haver partidarismo quando há partido definido. O que, você há de convir, está longe de ser o caso deste blog. E uma curiosidade, para concluir. Como se organiza a produção de cana de açúcar em Cuba? Latifúndio? Minifúndio? Cooperativa? Um abraço.

sexta-feira, 9 de março de 2007 10:41:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Dar terra a uma pessoa que não é do ramo, não tem capital nem know-how, e obrigá-la a tirar seu sustento de trabalho manual, é o mesmo que enterrá-la sob 7 palmos.
Nos tempos do Jango, um velho "cumpaero"apareceu para pedir um empréstimo para comprar umas terrinhas. Jango o recebeu e disse:
-Passa na Caixa e pega o empréstimo que eu libero tudo....
Uns meses depois reencontra o tipo e pergunta:
_como é que está a propriedade?
-Vai bem, mas ando descapitaliozado precisando deuma grana para o plantio..
-Passa lá na Caixa que eu resolvo..
Passados mais alguns meses, de novo o encontro.
-Bem, diz o Jango, agora a coisa está indo, certo?
- Vai, vai, mas eu precisava de um trator novo e implementos para a colheita...
-Passa lá na Caixa que eu libero...
Mais alguns meses, e o Jango encontra quem? O próprio.
-E agora, que cara é essa, como foi a colheita? Não vai me dizer que deu errado"?
-Não, deu certo, mas eu estava pensando, será que vocë não conhece um casal de japoneses para tocar a propriedade?

sexta-feira, 9 de março de 2007 12:15:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Há 30 anos houve o pro-álcool. A agenda de preocupações que você levanta, eram as mesmas de hoje: monocultura, concentração de renda e capital na mão de usineiros, desmatamento, etc. Ou seja, tudo já deveria estar discutido, legislado nestes 30 anos, ou as preocupações foram demasiadas na época.
O que estamos assistindo hoje é a globalização do pró-álcool, que não acontece subitamente, como parece pelo noticiário, mas será gradual, ano a ano, e já vem acontecendo nos anos anteriores (o Brasil já exporta álcool em quantidade), já havia acordos em andamento com outros países como o Japão.

O que vejo, é que as empresas de agro-negócios (grandes produtores e usinas) sabem muito bem onde quer chegar na economia da cana. O governo parece saber o que quer desde a gestão passada, afinal biocombustíveis foi tema da campanha eleitoral e eu vejo diretrizes sociais e ambientais no governo (podem não ser as ideais, mas existem: combate ao trabalho escravo, fiscalização do trabalho rural, aumento do salário mínimo, reforma agrária, incentivo ao cooperativismo, programa de segurança alimentar, legislação ambiental).
Os movimentos sociais é que não se preparam ainda para esse quadro. Parece que não apostavam muito nisso, e foram pegos de surpresa, quando sua agenda era outra. Pois bem, está na hora de se engajarem (os movimentos sociais) e incluir a economia do álcool prioritariamente na agenda. Além da reforma agrária em si, os sindicatos de trabalhadores rurais devem tornar-se mais atuantes e pressionarem por melhor renda, participação nos lucros, lutarem para receber participações nas ações das usinas de capital aberto. Enfim, exercer o velho trabalhismo, que é o que é viável hoje no sistema político e econômico vigente no Brasil.

sexta-feira, 9 de março de 2007 12:21:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

Alon,

Não sou especialista no assunto, mas no começo do ano passado fiz um pequeno estudo sobre o tema.

A cana-de-açucar em pequenas propriedades é anti-econômica. No início do Pró-Álcool, em cada hectare de terra cultivada se produzia cana suficiente para extrair cerca de 700 litros de álcool. Hoje, no mesmo espaço, devido à avanços técnológicos em diversas áreas, se produz mais de 5000 litros.

O problema ecólogico é significativo, porque só temos a cana como fonte para a produção e esta é uma cultura que acaba com a terra. Após algumas décadas, o que sobra mal dá para um pasto.

A melhor solução para o Brasil é o biodiesel. Já temos tecnologia para produzí-lo a partir de diversas fontes vegetais (e até animais). A produção por hectare das plantas mais fáceis de cultivar (mamona, girassol, soja) é ainda baixa (500 - 700 litros), mas existem outras (babaçu, dendê), com maturação em 4 a 5 anos que permitem, após este período, uma produção de cerca de 4000 litros por hectare/ano, bastante competitivo.

E com a vantagem que, devido a características de diversas destas fontes, é possível inserir o agricultor familiar na sua produção. Bem como cooperativas que poderiam não apenas fornecer as sementes, como ter sua própria pequena usina, para produzir combustível para uso próprio (nos caminhões, tratores, etc), acrescendo economicidade ao processo.

Outra grande vantagem do biodiesel é que praticamente não custa nada alterar um veículo que hoje trabalha com diesel para poder usá-lo. Já o álcool, a partir de certo percentual, não pode ser usado em motores a gasolina sem adaptação.

Não ponho a situação como uma disputa entre álcool e biodiesel. Se Mr. Bush quer o álcool agora, vendamos álcool! Mas é importante que o governo crie políticas que permitam que os excedentes do álcool sirvam não apenas para aumentar sua produção, mas também para auxiliar no desenvolvimento dos outros combustíveis alternativos, que tem uma relação economica ainda um pouco pior, mas com vantagens de longo prazo muito maiores.

sexta-feira, 9 de março de 2007 12:39:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

A propósito do tema sugiro atenta leitura da coluna de Maria Cristina Fernandes no Valor Econômico de hoje - "O piso salarial do Etanol" - discorrendo sobre o mundo do trabalho nos canaviais paulistas e seu rebatimento na economia sucroalcooleira.

sexta-feira, 9 de março de 2007 14:28:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Alon,
Como é sexta-feira e meu humor está ótimo vou deixar passar, em parte, a provocação liliputiana e sugerir que vc dirija a indagação sucro-caribenha à embaixada da Ilha em Brasilha.
Não sem antes dizer que agora estou convicto do viés: por que vc assume como "premissa oculta" que um eventual programa de "energia verde" do governo federal petista dar-se-á, obrigatoriamente, ao arrepio da sustentabilidade ambiental - e de um modelo progressista das relações de propriedade e trabalho no campo - e que qualquer outro desenho que sofra a eventual oposição de ONG's e verdes é por "natureza" anti-desenvolvimentista?
Creio, de verdade, que a discussão pode e deve retornar a um trilho produtivo: qual(is) modelos permitem um círculo virtuoso de produtividade, lucratividade, posicionamento estratégico nos mercados de energia e commodities agrícolas, segurança alimentar e evolução acelerada da renda e das condições de trabalho no campo?

abs

sexta-feira, 9 de março de 2007 14:40:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Artur:

Perguntei a vc sobre Cuba porque acho que você é das pessoas que talvez tenham informação útil sobre o assunto. Eu conheço pouquíssimo sobre Cuba, e tenho curiosidade sobre as formas de propriedade e exploração da terra que embasam a indústria açucareira local. Só isso. Insisto que você nos traga informações sobre o tema. A respeito do viés, lamento mas não há viés. Procurei detidamente e não econtrei nada que eu tenha escrito que justifique sua afirmação, atribuída a mim, de que "qualquer outro desenho que sofra a eventual oposição de ONG's e verdes é por 'natureza' anti-desenvolvimentista". Talvez a ênfase e a ironia em alguns posts tenham levado você a essa conclusão. Ela está errada. Assim como outra frase, também atribuída a mim: "vc assume como 'premissa oculta' que um eventual programa de 'energia verde' do governo federal petista dar-se-á, obrigatoriamente, ao arrepio da sustentabilidade ambiental - e de um modelo progressista das relações de propriedade e trabalho no campo". Também não disse isso, em lugar nenhum. Apenas apontei riscos. Há riscos ou não há? Há, e são grandes. O histórico da indústria sucro-alcooleira no Brasil é dos piores. É o paradigma da via prussiana (nós, dinossauros, sabemos o que é isso). Mas não se ouve um pio do PT sobre esses riscos. Se o governo federal fosse do PSDB e assinasse um acordo como o de hoje com Bush, o PT estaria na ruas dizendo o seguinte:

1) Terras ocupadas pela agricultura familiar serão invadidas pela cana.

2) Famílias serão expulsas de suas terras e irão engrossar o contingente de desempregados na periferias das grandes cidades.

3) A monocultura da cana destrói os ecossistemas originais e afeta a biodiversidade.

4) Sacrificar o progresso social e o meio ambiente para ajudar os Estados Unidos a reduzirem sua dependência do petróleo é um movimento que vai, objetivamente, contra o interesse dos povos latino-americanos e representa um passo no sentido de viabilizar a ALCA.

Ou você tem alguma dúvida a esse respeito? Alguma dúvida de que seria assim? Um abraço e obrigado pela sua participação no blog.

sexta-feira, 9 de março de 2007 16:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Alon acertou na mosca. Se o PT fosse da oposição o discurso dele seria esse:

Chávez diz que difundir etanol é substituir produção de alimento para seres vivos por alimento para automóveis

Agência Brasil/Telam

Brasília - Em visita oficial à Argentina, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, faz, desde ontem (8), uma série de críticas à visita do presidente norte-americano, George W. Bush, à América Latina. Para Chávez, o plano dos Estados Unidos de difundir a produção de etanol é "irracional e antiético".
"Pretender substituir a produção de alimentos para animais e seres humanos pela produção de alimentos para veículos para dar sustentação ao american style of life é uma coisa de loucos", disse ele. Com esse objetivo, segundo o venezuelano, "Bush anda buscando países com grandes extensões agrícolas e com água, como Argentina, Brasil, Índia e China."
Para Chávez, Bush mereceria uma "medalha" por sua "hipocrisia". "O cavalheiro do norte descobriu a pobreza na América Latina", ironizou ele, em alusão a uma das justificativas que vêm sendo dadas por Bush para seu plano de difundir o etanol. "Eu creio que é preciso dar ao presidente dos Estados Unidos a medalha da hipocrisia por ter dito que está preocupado com a pobreza na América Latina."
"Eu lhe diria 'gringo go home', se estivesse cara a cara com ele", disse Chávez. "Parece Colombo, está descobrindo a pobreza. A culpa fundamental é do império, os modelos econômicos, os golpes de Estado. E agora vem para nos falar de democracia. Com que moral?"
Chávez e o presidente argentino, Néstor Kirchner, assinaram hoje uma série de acordos. Os documentos incluem cooperação nas áreas tecnológica, econômica e energética, além do compromisso de continuidade de projetos conjuntos como o Banco do Sul (uma instituição que envolveria vários países da América do Sul) e o Gasoduto do Sul, ligando os poços de extração venezuelanos e a Argentina, com ramificações para vários países, inclusive o Brasil.
Na tarde de hoje, Chávez será uma das principais atrações de um ato público em repúdio à visita de Bush. O norte-americano não vai à Argentina, mas segue, no fim do dia para o Uruguai, país vizinho. As capitais Buenos Aires e Montevidéu são separadas pela foz do Rio da Prata.

sexta-feira, 9 de março de 2007 17:14:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,

A política ambiental desse governo só se preocupa realmente com a Amazônia (devido à pressão internacional, que está de olho no que acontece na floresta) e o seu forte é a criação de áreas protegidas, ações que não sofrem qualquer oposição do agronegócio ou dos grandes agentes econômicos e financeiros do país.
Outros biomas, como Cerrado e Caatinga, têm ações e políticas residuais, marginais, com quase nenhum efeito prático. O Cerrado tem menos de 5% de seu território em áreas protegidas, e estudos sérios indicam que esse bioma perdeu 60% de sua cobertura vegetal natural praticamente nos últimos 30 anos, com o avanço da soja e pastos plantados. Uma média anual da ordem de 30.000km2 !! e ninguém se importa com isso.
A contribuição do Cerrado para a retenção de carbono da atmosfera é semelhante à da floresta Amazônica, de acordo com estudos feitos na UnB.
Não sei como alguém pode imaginar que haverá alguma modificação no comportamento do governo, passando a se preocupar um pouco mais com as questões ambientais e sociais provocadas pelos grandes monocultivos no Cerrado.
Só mudará se houver pressão das ONGs, da sociedade brasileira e de grandes compradores internacionais.
E você está inteiramente correto quando coloca como se comportariam os petistas se o governo fosse tucano e estivesse nessa "intimidade" com o Bush.
Maurício Galinkin

sexta-feira, 9 de março de 2007 19:31:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Alon,
Parece-me que se perdeu meu último comentário. Vou tentar reproduzí-lo sinteticamente:
a) mea culpa e da Internet - texto seco na tela leva a sérios erros de interpretação. Li provocação no que, diz vc, era proposta de uso de minha mais-valia de pesquisador, já que entendo de agricultura cubana tanto quanto de mineração de titânio em Burkina Faso. Se cumprir a missão delegada, aviso;
b)Insisto: cercado de todos os devidos cuidados, o ingresso do campo brasileiro no ciclo virtuoso de produção de bioenergia, associada à produção de alimentos para o mercado interno e para exportação, pode ser a rota de sua redenção secular tão reclamada. É estratégico para o projeto nacional-popular esse ingresso;
c)Falo com algum conhecimento de causa: tenho me dedicado, profissionalmente, ao estudo de um dos "concorrentes" do etanol, a matriz do biodiesel (gás natural / metanol / oleaginosas);
d) sim, a via prussiana tem seus senões, mas o que dizer da masturbação infinda a que a mão invisível tem nos condenado? Não vale o risco?

abs,

sábado, 10 de março de 2007 09:25:00 BRT  
Anonymous José Abilio Silveira Cosentino disse...

Prezado Alon

Seus poucos questionamentos, sem dúvida, cercam o problema da expansão do álcool por quase todos os lados quando se analisa dentro dos parâmetros políticos, economicos e sociais.
Temos que considerar que o setor canavieiro durante séculos tem sido um fator de progresso e de geração de emprego e renda neste país, e muitas vezes injustamente criticado. Sua expansão um tanto desordenada deve-se hoje, à uma conjuntura energética que se impôs com características emergenciais e de oportunidades a nível mundial.É também verdade que dentro das oportunidades existentes na geração de riqueza nas últimas décadas, faz-se mister haver uma melhor divisão desses recursos agregados à atividade economica com toda a sua estrutura produtiva, e ainda mais, possibilitar que as atividades periféricas à esses setores também sejam beneficiadas, como por exemplo a agricultura familiar, pequenos produtores, o trabalhador, etc.
Isto na realidade, na sua grande maioria não se faz com leis e decretos, mas sim utilizando-se tecnologia e fatores inerentes à própria atividade econômica.
Temos visto ultimamente artigos dos mais variados, muitos do quais querendo remodelar totalmente o setor canavieiro, colocando-lhe "peias" como se ele fosse o maior vilão do país e onde o dinheiro jorra como as águas numa grande cachoeira.Não é bem assim, os recursos também nesse setor são escassos e devem ser utilizados dentro das possibilidades e do bom senso e, convém lembrar que todo esse desenvolvimento atual foi conseguido com dificuldades e aprendizado através de inúmeros anos de esforços, fazendo-a ímpar hoje a nível mundial.
Existem hoje nela, como em toda atividade, distorções que podem e devem ser mudadas, e acho que é isto, de uma maneira racional, que devemos nos propor a fazer em benefício de toda a sociedade em que vivemos.
A tecnologia tem-nos dado a cada vez mais respostas rápidas e precisas aos problemas que antes eram postergados dando margem a incríveis desperdícios.
Assim gostaria de lhe transcrever um trabalho a seguir que abrange grande parte de seus questionamentos, e pode estar certo que se os instrumentos de política economico-social e, principalmente de "vontade política" forem bem utilizados, a atividade canavieira poderá vir a ser um fator preponderante na reintegração do homem ao campo e em especial, pode restaurar a dignidade dos pequenos produtores. tão sofridos e sempre relegados ao esquecimento e ao ostracismo neste país, apesar de serem os pilares mestres da sobrevivência da nossa sociedade.

FORRAGEM PRODUZIDA A PARTIR DA PALHA DA CANA-DE-AÇÚCAR
A HUMANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE CANA

José Abílio Silveira Cosentino & José Luiz Guimarães de Souza




A euforia do setor sucroalcooleiro e a rapidez na expansão da cultura da cana-de-açúcar são recebidas com apreensão e receio por outros setores produtivos, principalmente os consumidores, pela possibilidade de escassez dos grãos, elevação do preço dos mesmos e agravamento das condições sociais e ambientais.

Entretanto, diversos artigos têm sido publicados no sentido de tranqüilizar a todos, mostrando tecnologias para intensificação da produção e ou ganhos em produtividade, como por exemplo, maior utilização da cana-de-açúcar e seus subprodutos na produção de carne nos confinamentos. Por outro lado, intensificam-se as pressões dos órgãos governamentais e não governamentais sobre o setor, no que diz respeito aos aspectos sócio ambientais de interesse aos produtores, trabalhadores e a sociedade em geral, que é representada pelos consumidores.

A integração entre as duas atividades é de extremo interesse para o Brasil pelo peso que representam na sua balança comercial. E é nessa linha de raciocínio, que vamos apresentar as considerações a seguir para justificar o título deste artigo, usando como exemplo o Estado de São Paulo.

Dados do Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento mostram que a área de pastagens é de 9,7 milhões de hectares (apesar da redução sofrida entre 2005 e 2006, ser de 3,06%), e o rebanho é de 12,65 milhões de cabeças (segundo levantamento de novembro de 2006). Portanto, mesmo com a explosão da ocupação canavieira, a pecuária paulista continua forte. (João Sampaio em artigo no Suplemento Agrícola do jornal “O Estado de São Paulo, em 02 de maio de 2007”).

A cana-de-açúcar ocupa 4,3 milhões de hectares conforme estimativa de safra da Secretaria da Agricultura, e deverá ocupar dentro de cinco anos, uma área de 6 milhões de hectares.

Segundo Rípoli, T.C.C.et al (2004) e Lamonica, H.M. (2005), cada hectare de cana-de-açúcar produz de 9 a 14% de palha (base na Matéria Sêca - MS), que representa aproximadamente 10 toneladas/hectare. Portanto 4,3 milhões de hectares produzem 43 milhões de toneladas de palha, das quais, parte é queimada e parte permanece sobre o solo. Porém, em cinco anos serão 6 milhões de hectares ou 60 milhões de toneladas de palha.

No caso do Estado de São Paulo, para a engorda de bovinos em confinamento, durante 100 dias (para facilitar os cálculos, apenas), utilizando-se 43 milhões de toneladas de palha, seria possível compor a dieta como volumoso, de cerca de 86.000.000 cabeças/ano, ou seja, um número aproximadamente 6,8 vezes maior que o atual rebanho bovino paulista.

Pode parecer exagero, mas vejamos: cada boi magro confinado vai consumir, por exemplo, dieta composta por volumoso (50%) e concentrado (50%), perfazendo um total de 10 kg de MS/dia. Portanto, 5 kg de MS serão fornecidos pela palha da cana, e os restantes 5 kg de MS serão provenientes do concentrado (grãos, farelos, vitaminas e minerais).
Na prática serão aproximadamente, 600 kg de palha e 560 kg de concentrado/boi, em 100 dias de confinamento, considerando a palha com 85% de MS e o concentrado com 90%.

É isso mesmo, 43 milhões de toneladas de palha da cana-de-açúcar, são suficientes para atender às necessidades de 86.000.000 cabeças quanto ao volumoso. Por outro lado, seriam necessárias outras 43.000.000 toneladas de concentrados (base MS), para o balanceamento da dieta desses animais, durante o período do confinamento, de 100 dias.

Podemos facilmente imaginar o que esses números significam do ponto de vista sócio econômico para o Estado de São Paulo, na geração de novos empregos, serviços, comércio de insumos e na maior distribuição de renda, além dos ganhos em produtividade e rentabilidade das propriedades envolvidas. Não podemos deixar de ressaltar, ainda, os ganhos e benefícios proporcionados quanto aos aspectos ambientais.

A integração cana-pecuária, aliada à gestão das propriedades e análise de riscos futuros, pode promover a verticalização da produção de carnes, com qualidade “tipo exportação” ou do tipo da que é produzida nos países do “primeiro mundo”.

São Paulo pode servir de exemplo para o mundo, pois além de ganhar em produtividade e agregação de valor, proporcionará melhor qualidade de vida e maior distribuição da renda aos milhares de produtores rurais que compõem as suas diferentes regiões, muitas delas com forte tradição na pecuária, como é o caso do Oeste Paulista.

Também estará contribuindo para a fixação das famílias na zona rural e atendendo aos princípios da Agroecologia, ou sejam: “produção de alimentos com o aproveitamento de resíduos, evitando desperdícios, promovendo o desenvolvimento auto-sustentável, socialmente justo e ecologicamente correto”.
Os valores apresentados acima, correspondem a 100% do recolhimento da palha da cana-de-açúcar, porém, basta que apenas uma parte seja efetivamente recolhida para compor a alimentação de bovinos, como por exemplo, 50% e ainda assim o resultado é “espetacular”, ou seja: 43.000.000 cabeças/ano, que representa mais de 3 vezes o rebanho paulista e mais de 100% do abate anual de bovinos hoje no país. E isso, utilizando-se apenas metade da palha da cana produzida no Estado de São Paulo.

Usando a tecnologia denominada de “forragem verde hidropônica” ou FVH como é também conhecida, de forma muito rápida (15 – 24 dias) e com baixa necessidade de água, a palha da cana-de-açúcar pode ser transformada em alimento volumoso de qualidade, além de poder ser produzida ao longo de todo o ano.

O restante dessa palha poderá ter outros usos, quais sejam: na cobertura do solo, na Floricultura, Horticultura, Silvicultura, Avicultura, Artesanato, Decoração e na produção de compósitos para uso na construção civil ou outros setores, que serão tema de outros artigos.

Desta forma, milhares de empregos serão criados, colaborando para fixação e manutenção do homem no campo, além de, tornar economicamente viáveis as pequenas propriedades, promover a valorização do produtor rural através da reciclagem de conhecimentos e novas tecnologias e, acima de tudo, contribuir com o setor sucroalcooleiro no sentido do ambientalmente correto e socialmente justo.

Novas áreas, hoje ocupadas pela pecuária de corte ou leite, poderão ser disponibilizadas para produção da cana-de-açúcar ou outras culturas de interesse regional, estadual ou nacional, como: seringueira, reflorestamento com essências nativas, frutas em geral ou eucalipto, entre outras.


O QUE É “FORRAGEM VERDE HIDROPÔNICA” OU “FVH”

A “FVH” ou forragem verde hidropônica é uma tecnologia moderna, “avançada” para nossos sistemas produtivos tradicionais, como a pecuária extensiva, intensiva e até mesmo a agricultura. É chamada de hidropônica, porque é um processo de produção sem uso do solo, e no presente caso, tem a palha da cana-de-açúcar como substrato.

No substrato, é realizada a semeadura utilizando-se 1,0 – 2,0 kg /m², com sementes de milho ou outro tipo, como por exemplo, milho, aveia, soja, cevada, trigo, triguilho, milheto, labe-labe, feijão guandu (tradicional ou o tipo anão), e após 15 - 20 dias já pode ser colhida (substrato+folhas+raízes+grãos não germinados+resíduos dos grãos germinados) e fornecida aos animais ruminantes ou não ruminantes.

A necessidade de água se resume a 4-6 litros/m²/dia, muito inferior a outros sistemas de irrigação tradicionalmente usados. Pode ser feito com regadores ou micro aspersores.

Desta forma, podemos colher o mesmo m² por 18 - 24 vezes/ano, fato esse jamais conseguido nos sistemas produtivos tradicionais, quer sejam, extensivos, semi-intensivos ou mesmo intensivos.

A “FVH” pode ser fornecida “fresca” ou então, ser armazenada na forma de silagem ou na de pré-secado. Os tipos de silos podem ser de superfície, trincheira, “bunker”, ou ainda, “cincho”, todos eles dimensionados conforme a capacidade produtiva de cada propriedade.

Não há praticamente, necessidade de máquinas de grande porte, do tipo das forrageiras “automotrizes” para colheita de 4 ou 6 linhas de milho para confecção de silagem, ou das enormes semeadoras e colhedoras, vagões forrageiros, vagões misturadores, e outras tantas como estamos acostumados a ver na nossa agropecuária e nos confinamentos super dimensionados.

Bastariam algumas máquinas pequenas, como por exemplo, tratores (10 a 30 CV); ancinho enleirador AF 320/8; transportador/cortador de fardos AGRO FORN; mini enfardadeira de câmara fixa AF-60; mini empacotadeira automática AF3, que poderão ser vistas em demonstração no site www.agroforn.com.br . Todas estas máquinas têm custo muito menor que o das máquinas maiores, destinadas ao uso nas grandes áreas.

Os sistemas de produção estariam espalhados pelos milhares de produtores rurais, que já possuem instalações para manejo dos animais, curral, cocho para alimentação e para sal mineral, bebedouros. A produção de animais confinados estaria distribuída por todo o Estado de São Paulo entre os produtores, que forneceriam aos frigoríficos com regularidade, quantidades de animais com qualidade e dentro dos padrões exigidos atualmente.

Frigoríficos, como por exemplo, BERTIN, FRIBOI, MARFRIG, INDEPENDENCIA, MATABOI, todos de grande porte e inúmeros outros de menor porte, ANGELELI, FRIGOL, MONDELI, etc., poderiam ser abastecidos regularmente com animais desse tipo, ou sejam de alta qualidade.

Por outro lado, olhando-se do ponto de vista do conforto animal e das certificadoras, esses animais seriam terminados próximos aos frigoríficos e aos grandes centros consumidores (SP, RJ, PR, MG), com distâncias abaixo de 400 km. Na sua maioria, seriam transportados pelos caminhões boiadeiros nas boas estradas, asfaltadas e bem conservadas, como é o caso de São Paulo, reduzindo o estresse e outros tipos de danos nos animais.

A aquisição desses animais pelos produtores de São Paulo, seria realizada mediante parcerias pré-estabelecidas junto a produtores paulistas e dos estados vizinhos como MG, MS, GO, MT.

A simplicidade na produção e a difícil ocorrência de perdas, aliada à sua alta produtividade, qualidade constante ao longo do ano, baixo custo de produção por unidade de MS, NDT e PB, fazem da “FVH” uma excelente tecnologia para a verticalização da produção de carnes e de leite.

Esta moderna tecnologia proporciona ainda outras vantagens, que passamos a citar abaixo:

Do ponto de vista tecnológico:

• Maior produção por unidade de área e por unidade de tempo;
• Maior número de ciclos produtivos/ano (18 a 24 colheitas/ano na mesma área);
• Produz forragem de elevado valor nutritivo, boa palatabilidade e boa digestibilidade;
• Fácil manipulação do valor nutritivo da FVH com o uso de diferentes tipos de sementes e
ou de substrato;
• Produção constante qualitativa e quantitativa, na maior parte do país, independente das
alterações climáticas;
• Devido à sua qualidade, a FVH é componente facilitador na composição das dietas dos
animais;
• Não necessita de máquinas pesadas ou grande porte, para sua produção;


• Pode ser utilizados no trato de bovinos de corte, leite, ovinos, caprinos, suínos, coelhos,
aves;
• Pode complementar a pecuária extensiva nas adversidades (sêca, geada, pragas),devido
seu ciclo curto de produção (15 a 20 dias);
• Proporciona a produção concentrada de esterco, que poderia ser reaproveitado como
adubo, substrato, ou geração de energia (biogás / biodigestores);
• Proporciona menor gasto de energia pelo animal, pois elimina os deslocamentos dos
mesmos na busca por alimentos e água;
• Sistema de produção da FVH atende às normas da segurança alimentar em todo o
processo;
• Promove a liberação de áreas para outras culturas de interesse da região ou da
comunidade (fruticultura, horticultura, reflorestamentos, etc.);
• Apresenta simplicidade na produção e dificilmente ocorrem perdas;

Do ponto de vista econômico, social e humano:

• Promove o desenvolvimento econômico, social e combate a pobreza e a miséria no
campo;
• Baixo custo por unidade de MS, NDT e PB;
• Possibilita o desenvolvimento auto sustentável e preservação do meio ambiente;
• Permite a inclusão de todos os familiares no sistema de produção, inclusive os mais
idosos;
• Facilita a participação das pessoas com disponibilidade parcial de tempo, como esposa,
filhos, portadores de deficiências, e outros;
• Proporciona maior valorização do homem do campo;
• Colabora na fixação do homem no campo, protegendo-o nas adversidades climáticas;
• Aumenta a produção de alimentos, quer para os animais como para o homem;
• Promove a exploração integrada de atividades mais rentáveis, elevando a renda gerada;
• Permite a produção com regularidade e de forma concentrada, facilitando o
desenvolvimento de associações, cooperativas e ou micro empresas rurais;
• Possibilita a manutenção da produção de alimentos de origem animal, próxima aos
grandes centros consumidores, sem agravá-la de problemas ambientais;


Do ponto de vista político, educacional e ambiental:

• Possibilita o uso mais democrático da terra;
• Auxilia na viabilização dos assentamentos e vilas rurais em todas as regiões do território
nacional;
• Colabora na redução das desigualdades sociais;
• Promove a educação através da capacitação profissional, difusão e implementação das
novas tecnologias e boas práticas de produção, da gestão dos recursos e
desenvolvimento do comércio justo e solidário, com a participação de todos;
• Promove a concentração das pessoas no campo, facilitando desenvolvimento de
Políticas educacionais, de segurança, saúde, habitação, transporte, esportiva e turismo
rural;
• Promove a cidadania e a valorização profissional do homem do campo;
• Preserva o meio ambiente e os recursos hídricos devido ao baixo consumo de água para
sua produção, além de não necessitar do tratamento das sementes, utilização de adubos,
defensivos e ou agrotóxicos;
• Promove o aproveitamento de resíduos, na redução dos desperdícios de energia e
trabalho com transportes, devido a maior concentração da produção;
• Atende aos princípios da Agroecologia: produção de alimentos, auto sustentabilidade,
aproveitamento dos resíduos e redução no desperdício de alimentos;
• Possibilita a produção de biodíesel a partir dos resíduos dos frigoríficos, resultantes do
incremento no número de animais abatidos;
• Proporciona melhor qualidade de vida, respeitando o meio ambiente;
• Colabora para a não queima da palha da cana, reduz a poluição, melhora a qualidade do
ar, reduz os efeitos nocivos das emissões aos sistemas respiratório e cardiovascular dos
seres humanos expostos às queimadas (CANÇADO, J.E., médico pneumologista,
(Jornal de Piracicaba, 2 de maio de 2007, p. A-5);
• Elimina os efeitos da queimada da palha da cana-de-açúcar no aquecimento global.
Segundo estudos do Professor Carlos Cerri, pesquisador do CENA (Centro de Energia
Nuclear na Agricultura-ESALQ-USP ), cada hectare de cana-de-açúcar não queimado
evita que 1,1 tonelada de carbono seja lançada à atmosfera (Jornal de Piracicaba, 2 de
maio de 2007, p.A-5).

Concluindo, a utilização da FVH ou forragem verde hidropônica, só pode resultar em benefícios para todos aqueles que se inserem no setor sucroalcooleiro, do pequeno produtor ao usineiro, bastando para isso mudar o foco. Em vez de pensar e agir em prol da utilização da palha da cana-de-açúcar unicamente quanto ao aspecto da geração de energia, vamos pensar na utilização dessa mesma palha sob o aspecto “não energético”, usando-a em benefício de todos, produtores rurais ou não, pois quando acontecem as queimadas da palha da cana-de-açúcar, os efeitos nocivos atingem a todos, sem distinção de raça, cor, religião, idade ou classe social.

O mundo exige uma mudança radical na postura de cada cidadão! Façamos a nossa parte! Vamos lutar para que o tanque do nosso veículo se mantenha cheio, mas também a comida na nossa mesa seja farta!

Gostaríamos de terminar com uma frase de Lester Brown:

“ Nós não recebemos a terra como herança de nossos ancestrais,
nós a tomamos emprestada dos nossos filhos!”


Piracicaba, 16 de maio de 2007


www.ecocana.org

sábado, 1 de setembro de 2007 15:40:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home