terça-feira, 27 de março de 2007

Ideologia demais emburrece (27/03)

Quando Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu, muitas pessoas concluíram (corretamente) que a população brasileira não é massa passiva de manobra dos assim chamados formadores de opinião. Então, não vale dizer agora que as pessoas estão preocupadas com a violência porque os veículos de comunicação, especialmente as tevês, dão grande espaço para o assunto da insegurança pública. Abram os olhos. É o contrário. A violência é um problema real e crescente. Quando as tevês tratam do tema, elas estão buscando audiência. Está certo que a ideologia faz parte da vida. Mas quando é demais, emburrece. O sujeito passa a querer explicar as coisas a partir de um bizarro primado das idéias sobre a realidade material. Eu, que bebo do marxismo há décadas (não significa que tenha entendido muita coisa), prefiro prestar sempre mais atenção na realidade material e aprender com ela. Evita surpresas desgradáveis.

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11 Comentários:

Anonymous Marcos disse...

Será meu caro? Brisola que o diga!
Eu estou longe de ser marxista, e acho que a cobertura toda vem sendo feita afim de minar a popularidade do governo Lula.
A mega operação das policias civis, especialmente a de São Paulo, está ai para dizer que se tudo está errado, não é por falta da ação dos governos Estaduais (repetindo: especialmente o de São Paulo) e sim do incompetente governo Federal.

terça-feira, 27 de março de 2007 13:27:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Perfeito esta nota. Hoje em dia todo mundo já foi vítima de algum crime ou conhece alguém que foi. O cidadão já tem logística contra o crime: sabe horários e vias de acesso em que são mais perigosas, onde não deve parar. Carros tem cada vez mais dispositivos anti-furto. Casas, condomínios e prédios comerciais são equipados com trancas, circuito interno de TV, alarme, cercas elétricas. Qualquer comércio melhorzinho precisa pagar segurança para não ser assaltado.
Isso forma muito mais a opinião do cidadão do que qualquer noticiário.
Para completar ainda vemos ministros de Estado, e presidente do STF serem assaltados. Imagine ao que cidadãos comuns estamos expostos.
De acordo com a Constituição, os Governadores são os maiores responsáveis pela segurança pública. Mas se em todos os Estados falta segurança, então falta a liderança nacional do Presidente da República para promover um pacote de segurança, assim como houveram pacotes para debelar a inflação. Lula e o PT não podem ser omissos e precisam agir ativamente, porque a inação levará sim à ruína, assim como ocorreu com Brizola.

terça-feira, 27 de março de 2007 14:19:00 BRT  
Blogger PeterCor disse...

A violência é um dos temas que mais tocam a população. Tanto aqui como em qualquer outro lugar do mundo. Crimes brutais são ótimos roteiros para filmes e dão muita audiência.
Quem não lembra do caso O.J. Simpson?
Porém existe uma imprensa especializada para isso, a mídia séria deve ter uma conduta muito cautelosa nestes casos.
Acredito que a grande mídia, em especial das Organizações Globo, passaram um pouco do limite, transformando crimes brutais em espetáculo. Casos violentos são ótimos para roteiristas, escritores, dramaturgos e para os jornais populares.
Também acho que o governo federal deve dar uma atenção especial para este tema, mas a causa da violência generalizada é basicamente o abismo social. Quanto mais violento é uma nação, maior são suas diferenças sociais.
Acredito que Brizola fez sua parte construindo escolas e dando ênfase para as classes mais necessitadas, mas o crescimento da violência veio junto com o crescimento da desigualdade social. Brizola era um governador populista que tentou mostrar suas idéias com o propósito de governar o país.
São Paulo, apesar de ter sido governado de uma forma menos populista e mais rigorosa para com os criminosos, também sofre com a violência generalizada.
Deixo uma pergunta, se você tivesse apenas 1 bilhão para investir, qual seria sua prioridade: mais presídios ou mais escolas?

terça-feira, 27 de março de 2007 15:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

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terça-feira, 27 de março de 2007 16:14:00 BRT  
Blogger edmirfigueiredo disse...

Não entendi bem a questão ideológica por trás disso. Apesar de tentar beber na mesma fonte e talvez ter aprendido menos ainda, é fato que a violência alcançou proporções assustadoras. Não falo do filho da Zona Sul assassinado, falo da insegurança geral entre todos os setores sociais. Medidas duras tem que ser adotadas. Repressivas, mas não apenas para servir as aspirações eugênicas de alguns setores que, passam os anos, continuam a aspirar o retrocesso, e consideram todas as situações ideais para isso. A repressão a todos os crimes, do colarinho branco, pois a sensação de impunidade reinante na sociedade estimula a prática de crimes, ao tráfico, pois não é o zé da esquina o maior consumidor de drogas no Brasil e sustenta o tráfico, e por fim aos soldados do crime, que fizeram sua opção. Repressão para satisfazer a necessidade de vingança da sociedade é fachada. Polícia melhor preparada e não em maior número, científica e, na medida do possível, saneada. Acabar com o corporativismo danoso reinante nas corporações, pois o mal policial acobertado é o que leva os sinais aos criminosos e permitem a morte de outros policiais. Enfim, medidas eficazes e não propaganda política.

terça-feira, 27 de março de 2007 18:44:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Petercor,
Se eu fosse governo investiria algo em torno de 2 a 5% do gasto com presídios e entre 95 a 98% com escolas.
Se traficantes armados não forem presos, eles mandam fechar escolas na hora querem, impõem o tráfico até dentro da escola, coagem diretores e professores, retirando a autoridades disciplinadora deles.
Então, até para termos educação de qualidade nas áreas mais carentes é pré-condição termos segurança.

terça-feira, 27 de março de 2007 19:59:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
tambem andei bebericando na mesma fonte, sem muito método e provavelmente aprendendo pouco.
Concordo que a ideologização da realidade, ou tentar explicá-la sem dialogar com os fatos, leva a explicações e propostas de solução equivocadas.
Por dever de ofício, vamos dizer assim para explicar as agruras de um "foca", cobri a Delegacia de Furtos e Roubos de BH, em 1963. Já existia essa "insegurança" (assim como os métodos policiais de tortura) para a classe trabalhadora, e ela veio crescendo em direção às nossas classes médias.
A insegurança nas favelas, nos bairros pobres, era verificável mas pouca repercussão teve.
No momento que essa questão torna-se um fato político, desafiando direta e clarmente o Estado brasileiro, como registra-se há muito tempo no Rio, e mais recentemente em quase todas as maiores (e algumas menores...) cidades do país, os governantes precisam dar uma resposta à altura. O grande risco institucional é de cair na desmoralização que se observa no Rio de Janeiro, onde candidatos a postos eletivos têm que pedir licença aos chefes do tráfico para fazer campanha em favelas: se continuar assim, para entrar nelas vamos ter que tirar um "visa'"em nossos passaportes na Chancelaria do tráfico...
Ou teremos um Estado Nacional, ou o caos se implantará com diversos poderes paralelos nas cidades e nos campos.
Quanto a investimentos, faria algo como o José Augusto propôs. Mas não se trata apenas disso.
A questão, no fundo, é de Soberania sobre o território, da aplicação da legislação brasileira sobre os espaços nacionais. Vai-se implantando nos centros urbanos o que há muito acontece nas fronteiras agropecuárias de nosso país, nas fronteiras do avanço do capitalismo predador das riquezas naturais de nosso país. Recua-se, aqui, na aplicação do Estado de Direito, e isso não podemos deixar acontecer.
Acho que os agentes políticos têm que dotar o Estado de inteligência e recursos capazes de enfrentar e vencer a violência. E os governantes devem usar isso para reduzir a violência aos níveis usuais de uma sociedade como a nossa...

terça-feira, 27 de março de 2007 22:25:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Segurança também é habitação, pois quando um policial cumpre um mandado de prisão numa comunidade onde o procurado é encontrado por um relógio de luz e os moradores não têm "RG" e quando têm, o "tira" não requisita, só solicita para ver se cara é o "pedido"; isso demonstra que não houve diálogo entre o legislador+ONG's e o trabalhador-de-dedo- no-gatilho+Sociedade. Falta legislação realista, salário, efetivo, condições de trabalho, políticas educacionais e culturais( CEU's derrubaram homicídios pela metade).

quarta-feira, 28 de março de 2007 01:17:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Que tal beber do marxismo nas análises da segurança pública e da comunicação governamental também?

Até agora só o que temos são teorias de direita. E não me venha com ecletismos, antes que fiquemos todos bêbados.

quarta-feira, 28 de março de 2007 09:56:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quarta-feira, 28 de março de 2007 17:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Em tempo: onde escrevi "vinculação partidária" entendam "verticalização partidária".

Rosan de Sousa Amaral

quarta-feira, 28 de março de 2007 18:01:00 BRT  

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