quarta-feira, 21 de março de 2007

Aumento para Lula, Mantega e Marinho (21/03)

O Congresso volta a discutir o reajuste dos vencimentos dos parlamentares. A tendência é que os subsídios sejam corrigidos pela inflação. Parece que os congressistas vão aprovar também, finalmente, um aumento para o presidente da República e os ministros, que hoje ganham pouco mais de R$ 8 mil. Como o pagamento dos deputados e senadores deve ir a pouco mais de R$ 16 mil (e já que é razoável o presidente e os ministros ganharem igual aos senadores e deputados), o certo seria dar um reajuste de quase 100% para Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro escalão do Executivo. Eu acho perfeitamente defensável. Até porque um deputado ou senador quando assume um ministério pode carregar junto o seu salário. Eu defendo que o presidente da República e os ministros ganhem R$ 16 mil reais por mês, um aumento de 100%. E só quero ver como vai ficar a cara dos ministros que se indignaram em dezembro último, quando o Congresso tentou equiparar o subsídio dos parlamentares ao dos juízes do Supremo Tribunal Federal, um reajuste que seria de 90%. Tenho uma curiosidade especial para saber a posição de dois auxiliares do presidente: Luiz Marinho, do Trabalho, e Guido Mantega, da Fazenda. Ambos pegaram -com a UNE, a CUT e o PT- uma carona na onda midiática de dezembro para atacar o Congresso e faturar uns pontinhos junto aos formadores de opinião. Mas o mundo é redondo e dá voltas. Agora, menos de três meses depois, os indignados de dezembro podem se beneficiar de um aumento até maior do que os 90% que os parlamentares propuseram para si naquela época. Nem tudo está perdido, porém. Luiz Marinho, por exemplo, pode dizer de novo o que falou lá atrás. Pode argumentar que seria um absurdo Lula e ministros receberem um aumento que nenhuma categoria conseguiu para si. E Guido Mantega poderia, quem sabe?, repetir que o Tesouro não vai colocar um tostão para aumentar salário de político. Nem que seja o salário do presidente da República. Não vivem pedindo coerência dos homens públicos? Vejam só que bela oportunidade!

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9 Comentários:

Anonymous Jura disse...

Vamos fazer melhor: que tal atrelar os salários de todos eles ao crescimento do PIB? Pode colocar no PAC.

quarta-feira, 21 de março de 2007 11:48:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
eu acho que precisa haver equilíbrio entre os Três Poderes: salários de presidente da República e de Ministros devem ser iguais aos de Ministro do STF, de Deputados e Senadores.
Mas precisamos computar tudo que ganham, verificar o que está fora e realmente se justifica (gastos com pessoal de gabinete, p. ex., se realmente estiverem sendo usados para pagar a infra-estrutura de operação do gabinete, então ficam fora).
As residências dos presidentes dos Três Poderes, e seus gastos, OK, podem ficar fora. Apartamento funcional, vamos ser generosos com quem fica apenas 3 dias em Brasília, OK, ficam fora optativamente com as passagens: ou um ou outro, já que quando foram eleitos sabiam que teriam que vir para Brasília.
Mas não deixa de ser uma boa "encantoar" esses oportunistas e falsos moralistas, que se aproveitam de uma situação em que membros de outros poderes são expostos e execrados na mídia...
Vamos cobrar deles!

quarta-feira, 21 de março de 2007 12:19:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Eu defendo que o plano de cargos e salários deveria prever que o maior salário do serviço público deveria ter o teto de 8 vezes o valor do piso (incluindo todos os benefícios pessoais - exclusive despesas a serviço - e gratificaçõs). Assim haveria uma justa distribuição de renda, e coibiria abusos da cúpula que tem poder de decisão.
Nossas autoridades são pródigas em comparar seus ganhos com os de outros países, sobretudo do 1o. mundo. Mas se esquecem, oportunamente de comparar com a renda per capta destes países.
Aumentos reais para cargos eletivos só deveriam valer para o próximo mandato. No mandato vigente, só aumentos de acordo com a inflação. Quem se candidatou, sabia o salário vigente, e aceitou-o.

quarta-feira, 21 de março de 2007 13:49:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Outra coisa que deveria acabar é o financiamento público da próxima campanha camuflado sob a forma verbas de gabinete. Uma é a verba indenizatória de 15 mil (usada para custear despesas como gasolina e aluguel de escritórios nos Estados), e o aumento de R$ 50 mil para R$ 65 mil mensais da verba destinada à contratação, sem concurso público, de funcionários lotados nos gabinetes dos deputados (porque razão, então, o parlamento têm tantos funcionários concursados, como assessores legislativos, à disposição dos parlamentares?).
Esses valores deveriam ser remanejados para financiamento público de campanha para campanhas padronizadas sob tutela dos TRE's. Do jeito que está, privilegia os atuais mandatários, contribuindo para o continuísmo via poder econômico, em detrimento da renovação.

quarta-feira, 21 de março de 2007 13:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Lembrando que não foi só nessa ocasião que Mantega, Marinho e, inclusive, Lula, fizeram esse tipo de coisa. Aliás, fizeram-se com denúncias que depois esqueceram á medida que os denunciados passaram a aliados.

quarta-feira, 21 de março de 2007 14:00:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Deixando de lado o mundo lá fora, e limitando a análise aos salários pagos pelos 3 Poderes, nota-se uma inexplicável e injustificável distorção em favor do Judiciário e do Legislativo (e também do MP, que não é Poder, mas, no que tange ao assunto, pode ser encarado como tal) em detrimento do Executivo.

Ganham mais e trabalham menos - juízes, por exemplo têm 2 meses de férias, fora os recessos que alguns Tribunais ainda praticam. Da mesma forma os membros do MP.

Ok, a função é importante, essencial à Democracia. Estamos de acordo. Mas por que um juiz no início de carreira, recém-aprovado em concurso, precisa começar ganhando 19.500 reais? Parece que os advogados (por meio das chamadas carreiras jurídicas) tomaram de assalto o Estado.

Levando-se isso em conta - a comparação com outros poderes -, é evidente que o Executivo paga mal, muito mal. Além disso, trabalha-se, nas funções com alguma relevância (1o escalação e alguns postos do 2o) bem mais no Executivo do que nos outros Poderes.

quarta-feira, 21 de março de 2007 15:22:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

O Executivo, historicamente, paga menos aos seus funcionários que o Legislativo, o Judiciário e mesmo o MP; aliás, o Executivo paga MUITO mal, particularmente nas funções de maior responsabilidade. A questão é que a recuperação do salário do Executivo já deveria estar ocorrendo; não é com aumentos paulada de 100% que o problema será resolvido.

E sempre lembrando que o presidente da República é o único trabalhador com "carteira assinada" (sei que forcei a barra, mas faltou melhor definição) do Brasil que não tem direito a férias.

quarta-feira, 21 de março de 2007 18:29:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Se é para abandonar a hipocrisia e armar o Estado com os quadros que ele necessita, há que remunerá-los - os de carreira e os de livre provimento - nas faixas correspondentes de responsabilidade no setor privado. E com salário seco, sem penduricalhos ou fringe benefits.
Quem se candidata a por o guiso no gato?

quinta-feira, 22 de março de 2007 11:07:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Os salários do executivo são praticamente líquidos, porque o presidente e ministros tem casa, comida, transporte, saúde, segurança, tudo servido pelo Estado.

Quanto aos parlamentares, não vejo mais legitimidade num Congresso onde um Deputado ganha R$ 16250,00. Esse congresso com esses salários só tem membros da mesma classe social de patrões, empresários, das elites que situam no topo da pirâmide.

O próprio modo de vida dos parlamentares com esse poder aquisitivo afasta-os completamente da realidade e das angústias do
brasileiro médio que mais necessita do Estado, e retira inconscientemente o caráter de urgência que os parlamentares enxergam dos reais problemas sociais.

O Congresso nos custa R$ 6 bilhões por ano. Nada justifica isso.

Porque não podemos ter um legislativo à Chinesa? Reúne-se
uma Assembléia Nacional uma ou duas vezes por ano, por poucos dias como se fosse um seminário, com uma pauta de assuntos de interesse nacional definida a ser discutida e votada. Os parlamentares são como delegados. Após a reunião voltam para suas vidas normais, seus empregos.

quinta-feira, 22 de março de 2007 14:15:00 BRT  

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