sexta-feira, 16 de março de 2007

Abaixo os especialistas (16/03)

O presidente da República admitiu ontem que não tem soluções para corrigir -para melhor- a medíocre educação brasileira. Num lance de aparente modéstia, reconheceu também que possui poucas qualificações para discutir o assunto. O presidente atrapalha e prejudica o país quando tenta tirar o corpo fora do maior problema nacional. Se ele entende pouco da coisa, deveria proceder como parece ter feito no caso do biodiesel e do etanol: sentar-se diante da papelada e estudar o tema, até aprender. Até chegar a alguma conclusão sobre o que fazer com as nossas crianças e jovens. Eu, como sempre, vou adotar uma atitude construtiva e estou disposto a dar uma contribuição ao debate. Faço este post para isso. Até porque sou completamente inocente. Diferentemente de Lula e antecessores, nada tenho a ver com o desastre educacional brasileiro. O que me dá legitimidade para opinar. Vi que agora vão reunir de novo os especialistas para tentar achar a luz no fim do túnel. É mais um erro. Eu quero distância dos especialistas, dos pedagogos, dos teóricos e sabichões em geral que nos conduziram até o atual fracasso. Parece que os sábios vão urdir um novo pacote, com uma mixaria (R$ 2 bi por ano) de dinheiro adicional, à guisa de "estímulo", e novos mecanismos de avaliação. Está na cara que vai servir para muito pouco. Sim, servirá para Lula dizer que tem um plano para a educação. Também servirá para Lula fazer uma média com os ex-ministros Cristovam Buarque e Paulo Renato -que ele cansou de espinafrar. Ou seja, vai servir para Lula dizer que fez alguma coisa e socializar as perdas políticas com os adversários. Servirá também para manter no cargo o ministro Fernando Haddad, o operador da fazeção de média e da socialização das perdas políticas de Lula. Dizem que Haddad tem apoio na área. Nada contra o ministro, mas eu preferiria que Lula colocasse na cadeira alguém sem nenhum "apoio na área", alguém para quem os especialistas torcessem o nariz. Só para ver o que acontece. Bem, daqui a quatro anos, como os resultados terão sido certamente pífios, restará a Lula lamentar-se por ter tido "só" oito anos no Planalto, muito pouco para compensar os "séculos de descaso" com a educação. A solução? Mais quatro anos, pelo menos, para Lula ou, na pior das hipóteses, para alguém do PT. Essa conversa já conhecemos. Ela pode até ser útil para o presidente e seu partido continuarem no poder, capitalizando eleitoralmente o próprio fracasso, mas estará condenando à ignorância e ao despreparo mais uma geração de brasileiros. Se quiser mesmo ser lembrado como alguém que fez algo pela educação, Lula deveria agir diferente. Deveria ouvir os leigos. Principalmente os pais das crianças e jovens que voltam para casa todo dia sem ter aprendido nada nas escolas sustentadas com o dinheiro que o governo Lula recolhe por meio dos impostos. O principal problema da educação brasileira é a falta de foco no aprendizado, é o colapso da meritocracia, substituída por um sistema de culpas coletivas paralisantes. Se o estudante vai mal nos estudos, a culpa é "da sociedade". Se o professor está despreparado, a culpa é "do estado". Se o sujeito aparece com alguma proposta para exigir (eu disse "exigir", não "estimular") desempenho de alunos e professores, é visto como um monstro insensível, supostamente interessado em perpetuar as mazelas sociais brasileiras. Mas eu, como não sou especialista no assunto e nem sou candidato a nada, posso falar à vontade no meu blog. Eis algumas das minhas propostas para a educação pública brasileira, com o objetivo de abrir um debate:

- Desvincular os reajustes dos professores da ativa e dos aposentados.

- Pagar mais aos professores que dão mais aulas.

- Pagar mais aos professores cujos alunos consigam melhor desempenho num sistema nacional de avaliação, feito para checar, anualmente e de maneira objetiva, os conhecimentos de todos os estudantes.

- Afastar imediatamente, para reciclagem, os professores cujos alunos não atinjam notas mínimas nesse sistema nacional de avaliação. Ao final da reciclagem, esses professores deverão ser submetidos a um exame nacional de conhecimentos. Se não atingirem uma certa nota, ficarão proibidos de dar aulas até novo exame. Se forem reprovados em dois exames, serão demitidos.

- Periodicamente, os professores terão que fazer cursos de atualização, ao final dos quais serão avaliados e terão seu salário ajustado, para cima ou para baixo, de acordo com o desempenho na prova.

- Será estabelecida uma tabela nacional de salários de professores. Estará garantida a correção automática dos salários pela inflação anual. Aumentos reais dependerão do sistema de desempenho descrito nos itens anteriores.

- Será pago um adicional de salário a professores que dêem aula em regiões de população mais pobre.

- Professores estarão proibidos de fazer greve.

- Serão demitidos professores que faltarem além de um limite, apertado, estabelecido em lei.

- Uma parte das vagas nas universidades públicas estará reservada aos estudantes com bom desempenho, ao longo de todo o seu histórico escolar, no sistema nacional de avaliação.

- Haverá cotas sociais e raciais na rede pública, mas de modo declinante no tempo. Leia Cotas adicionais, temporárias e declinantes.

- Haverá escolas, vagas e professores na rede pública em número suficiente para atender, em período integral, a todas as crianças desde a pré-escola até o final da 8a série.

- A maior parte dos recursos para bolsas universitárias de pesquisa e pós-graduação serão destinados para as ciências ditas exatas e ditas biológicas.

- Eliminar-se-á o sistema da progressão continuada.

E você, tem propostas? Vamos ao debate.

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32 Comentários:

Anonymous Rodrigo disse...

Concordo com tudo, mas esse negócio de revervar pos graduações para exatas e biológicas vai dar uma chiadeira...

sexta-feira, 16 de março de 2007 12:03:00 BRT  
Anonymous Daniel disse...

Boas propostas.

Eu faria o seguinte:

-Aumentar MUITO o salário dos professores.
–Incluir os professores e suas opiniões e propostas nas decisões e diretrizes, sem impor as resoluções.
-Fazer aquelas "guerrilhas" de professores que se embrenham nos mais distantes recônditos do país para ensinar TODO MUNDO a ler e escrever, como fizeram em Cuba e na Venezuela.
-Não concordo com concentrar a pesquisa em biológicas e humanas, filosofia e direito são duas coisas que fazem muita falta no ensino fundamental.

sexta-feira, 16 de março de 2007 12:30:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Concordo com 80% do que diz. Discordo do pagamento a mais para quem dá mais aula, até porque os melhores professores são aqueles que tem tempo de PREPARO de aula.
Também discordo veementemente de qualquer tipo de cota, porque vai na lógica CONTRÁRIA à própria defesa que você faz da meritocracia. Quer melhorar o ensino na periferia? Que se paguem melhores salários, que se mantenham escolas com infraestrutura adequada. Como já foi provado por a+b, há núcleos de bons resultados em locais considerados marginalizados com ações públicas adequadas, sem necessidades de cotas preconceituosas e anti-universalizadoras.

sexta-feira, 16 de março de 2007 12:42:00 BRT  
Anonymous Paulo de Carvalho disse...

meu caro Alon
além das sugestões, pertinentes, dos comentários anteriores, por que não se revê o projeto de Darcy Ribeiro implantado no Rio entre 1982 e 1986 - Os CIEPS.
É simples assim, meu caro.

sexta-feira, 16 de março de 2007 13:09:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, você que já foi diretor da UNE, sabe nos informar porque a entidade (além da UBES) não está engajada numa pauta de reivindicações concreta como a sua (ainda que com diferenças de pauta)?
(talvez eu é que esteja mal informado, de qualquer forma, se existe tal pauta, não há mobilização visível pela sociedade)

sexta-feira, 16 de março de 2007 13:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Só uma sugestãozinha de nada: deixar intacto o direito de greve de professores, funcionários e alunos, e evitar as paralisações mediante o pagamento de salários dignos. Pode crer, é bem melhor para a democracia. Com ou sem reforma política, TV Estatal, sucessão presidencial manipulada, etc.

sexta-feira, 16 de março de 2007 13:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Procurei no programa do PT e não vi essas propostas. Também procurei nas propostas das entidades que dão apoio a Lula, como UNE, UBES e etc. e naõ vi nada parecido...

sexta-feira, 16 de março de 2007 14:21:00 BRT  
Anonymous Mauricio Galinkin disse...

Alon,

Concordo e assino em baixo de quase 80%, como disse Ricardo, do que você propõe, e a sugestão do Paulo Araújo tb é pertinente, para não se reinventar a roda...mas acho que a proposta pedagógica dos CIEP's não chegou a ser concluída e, se o foi, teve pouca divulgação e debate.
Não é questão para especialistas, como você bem coloca.
Uma coisa importante é focalizar no problema, Alon, e você introduz suas perguntas com uma questão que nada tem a ver com a Educação: aposentadorias e seus custos tem a ver com Previdência. Colocar um assunto desse, que exigiria inclusive emenda constitucional, só embola o meio de campo e tira a atenção dos reais problemas.
Vamos aos outros:
- Pagar mais aos professores que dão mais aulas:
O tempo de preparo das aulas é essencial, e tem que ser remunerado para que o professor deixe de buscar outros trabalhos para poder viver.
Acho que a melhor solução é a contratação em tempo integral e dedicação exclusiva, e pagamento em valores adequados.

- Pagar mais aos professores cujos alunos consigam melhor desempenho num sistema nacional de avaliação, para avaliar anualmente, e de maneira objetiva, os conhecimentos de todos os estudantes.
Eu tenderia a estimular esses professores com bolsas para fazerem mestrados, especializações curtas (três meses, p. ex.), auxílio monetário para compra de livros, equipamentos, etc.
- Afastar imediatamente, para reciclagem, os professores cujos alunos não atinjam notas mínimas nesse sistema nacional de avaliação. Ao final da reciclagem, esses professores deverão ser submetidos a um exame nacional de conhecimentos. Se não atingirem uma nota mínima, ficarão proibidos de dar aulas até novo exame. Se forem reprovados em dois exames, serão demitidos. OK

- Periodicamente, os professores terão que fazer cursos de atualização, ao final dos quais serão avaliados e terão seu salário ajustado, para cima ou para baixo, de acordo com o desempenho na prova. OK

- Será estabelecida uma tabela nacional de salários de professores. Estará garantida a correção automática dos salários pela inflação anual. Aumentos reais dependerão do sistema de desempenho descrito nos itens anteriores.

Tem que ter um componente regional: um professor na cidade de SP tem muito mais custos que outro em Teresina. Ambos têm que viver decentemente.
- Será pago um adicional de salário a professores que dêem aula em regiões de população mais pobre.
Isso é meio complicado, pelo que lembrei acima. É importante fazer esse diferencial, mas talvez deslocando os professores que se destacarem, para irem dar aulas e capacitarem colegas nas regiões mais pobres, e assim pagar algum adicional.

- Professores estarão proibidos de fazer greve.
Não acho adequado proibir uma categoria profissional de fazer greve. Ela é, ou deveria ser, o último recurso que trabalhadores lançam mão para reivindicar mudanças (não apenas de salário), inclusive porque implicam, ou deveriam implicar, em risco de serem demitidos... O que precisam é arranjar novas formas da categoria reivindicar, sem que prejudique os alunos.
- Serão demitidos professores que faltem além de um limite, apertado, estabelecido em lei.
OK, mas sempre acabam arranjando atestados médicos e driblando essa questão...os coordenadores de curso ou diretores devem ser obrigados a cobrir essas faltas, inclusive dando o conteúdo das aulas para que os alunos não sejam prejudicados.
- Uma parte das vagas na universidades públicas estará reservada aos estudantes com bom desempenho, ao longo de todo o seu histórico escolar, no sistema nacional de avaliação.
Para estudantes oriundos das escolas públicas.
- Haverá cotas sociais e raciais na rede pública, mas de modo declinante no tempo. Leia Cotas adicionais, temporárias e declinantes.

Eu sou contra cotas, exceto por um período determinado e muito curto, pois creio que a meritocracia é indispensável em uma sociedade democrática e justa. Mas, para corrigir impossibilidades existentes, no máximo 10 anos de cotas, absolutamente improrrogáveis.
- Haverá vagas e professores na rede pública em número suficiente para atender, em período integral, a todas as crianças desde a pré-escola até o final da 8a série.
OK.
- A maior parte dos recursos para bolsas universitárias de pesquisa e pós-graduação será destinada para as ciências ditas exatas e ditas biológicas.
Não: as humanas são indispensáveis também. Ou seja, não devemos reforçar o preconceito de que apenas exatas e biológicas são ciências...
- Eliminar-se-á o sistema da progressão continuada.
OK: essa solução "mágica" parece que não deu certo. A questão não é a reprovação, mas sim o péssimo ensino...

sexta-feira, 16 de março de 2007 14:27:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, desvincular o salario dos professores da ativa e aposentados vai atrair a ira petista...se prepare. Mas vocë puxou apenas o fio da meada, que é enorme.
Há um verdadeiro roubo inter-geracional

sexta-feira, 16 de março de 2007 14:39:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Mãos ao alto!
Sinto alguma inveja dos meus pais. Da geração dos meus pais, entendam, que nasceu com o pós-guerra e cresceu num mundo próspero e ordenado. "Baby boomers", eis o termo, e com ele a certeza de uma carreira garantida, habitação barata, saúde para todos e proteção na velhice, com reformas que começavam, sei lá, por volta dos 50.

Esse mundo acabou e as gerações seguintes dificilmente irão conhecer idílio igual. Não são apenas as incertezas profissionais que definem o modo de vida dos infelizes abaixo dos 35. É também a certeza, pessoalmente dolorosa, que terei de trabalhar mais, e até mais tarde, para morrer mesmo a tempo de não desfrutar coisa alguma. Isso deprime. E, mais do que deprime, revolta. Por que raio terei eu de pagar o estilo de vida que os meus antecessores montaram com generosa ganância só para eles?

A pergunta é formulada dos dois lados do Atlântico, pela americana "Newsweek" e pela britânica "New Statesman". Difícil não concordar com ambas. O que se passa atualmente é um roubo. Um "roubo geracional", em que os mais novos sustentam os privilégios dos mais velhos, trabalhando para eles. A situação seria tolerável se houvesse a certeza, pelo menos a certeza, de que os privilégios seriam passados de geração em geração. Uma espécie de sacrifício coletivo com a promessa das 72 virgens no final. Duvidoso. Quando a minha geração chegar ao paraíso da reforma, não haverá virgens para ninguém. Papai e mamãe já comeram tudo e não deixaram nada no prato.

O problema não é apenas econômico. Começa por ser social e termina, como todos os problemas sociais, numa perigosa situação política que pode definir, e provavelmente vai definir, o futuro político do Ocidente.

Reuters

"Roubo geracional" e suas consequências: jovens protestam em Paris, em 2006

Em termos sociais, o "roubo geracional" impede uma vida adulta, que normalmente começa com o abandono do ninho paternal. Conta a "Newsweek" que, em Itália, 45% dos "jovens" entre os 30 e os 34 anos continuam a viver em casa dos pais. Em França, a cifra sobe para os 65% entre os recém-formados, ou seja, meninos e meninas por volta dos 24 anos. Não nego que viver em casa dos pais tem as suas vantagens: eu próprio, confesso, tenho momentos de certa nostalgia, sobretudo quando contemplo as sobras repulsivas do jantar.

Mas as vantagens não compensam o fosso crescente entre velhos e novos. E, para além do fosso, a conversa de surdos que rapidamente se instala entre gerações. Terminar com o "roubo geracional" implicaria terminar com os privilégios absurdos que os "baby boomers" conheceram nas últimas décadas. Mas ninguém está disposto a enterrar a fantasia porque uma fantasia é simpática por definição. Os mais velhos não desejam perder o que têm. E os mais novos desejam o que os mais velhos não desejam perder. Duas impossibilidades que se juntam em alegre desespero. E os políticos europeus?

Os políticos europeus entendem o impasse, mas é duvidoso que estejam dispostos a enfrentá-lo. Nicolas Sarkozy é um caso: o candidato presidencial ao Eliseu não se cansa de prometer uma "liberalização" séria da economia francesa, desburocratizando o monstro que devora a riqueza nacional e impede a criação de mais riqueza. Sarkozy olha para Londres e comenta, com dolorosa ironia, que a capital britânica já é a sétima cidade gaulesa. Com razão: todos os anos, 15 000 franceses atravessam o Canal da Mancha, em busca dos empregos que não encontram em casa (400 000 vivem já em Inglaterra).

Mas, cedo ou tarde, Sarkozy vai aterrar na realidade para sobreviver politicamente: o progressivo envelhecimento da população não é apenas uma realidade demográfica; como explica a "New Statesman", e com inteira razão, é também um argumento eleitoral. Acabar com o "roubo geracional" seria atingir fortemente a vasta mancha gerontófila que não está disposta a votar em quem lhe promete acabar com as férias. Que político está interessado no derradeiro suicídio?

Talvez eu esteja a ser pessimista, "comme d'habitude". Mas esta luta entre velhos e novos, que vai azedar e piorar nos anos vindouros, arrasta consigo um desconfortável e até reconhecível cheiro a revolução. Quem viver, verá. João Pereira Coutinho, 30, é colunista da Folha de S.Paulo. Reuniu seus artigos no livro "Vida Independente: 1998-2003", editado em Portugal, onde vive. Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online

sexta-feira, 16 de março de 2007 14:41:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

De acordo.

Um reparo: acho que só faria sentido punir professores em razão de baxio desempenho de seus alunos (idéia com que simpatizo) se houvesse um corte de categorias por região, perfil social, etc.

A massa de alunos é bastante heteregônea para que se imponha um critério único nacional de desempenho.

Outro reparo: cotas raciais - nem pensar. Cotas sociais: pode-se fazer, desde que, conforme vc menciona, modestamente dimensionadas e declinantes. O sistema de cotas, a despeito das razão que embassam sua defesa, tem o indesejável condão de macular a meritocracia - fundamento primeiro de um sistema de avaliação e progressão.

sexta-feira, 16 de março de 2007 14:59:00 BRT  
Anonymous Francisco Toniazzo Machiavelli disse...

alguém num comentário anterior mencionou os CIEPs. acho que eles dariam certo somente como medida pontual, reservada para algumas situaçções específicas. acho que não daria pra adotar como política geral porque seria muito caro.

sexta-feira, 16 de março de 2007 15:00:00 BRT  
Anonymous Francisco Toniazzo Machiavelli disse...

é absolutamente inconstitucional a proibição de greve de professores (alías, é até cláusula pétrea). país nenhum no mundo adota este tipo de postura. com todo o respeito que este blogueiro merece, mas acho a mera sugestão deste tipo de medida lamentável (existe diferença entre assumir posição e pisar na bola).

sexta-feira, 16 de março de 2007 15:08:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Mauricio Galinkin,

O Brasil tem excesso de gente para diagnosticar mazelas (cientistas da área de humanas) e pouca gente para solucioná-las (áreas exatas e biológicas).

Defender a maior parte dos recursos para bolsas de pesquisa e pós-graduação destinadas para as ciências exatas e biológicas, não significa eliminar recursos para ciências humanas, nem preconceito.
Significa adequar às necessidades da realidade atual, se quisermos ter de fato um projeto de nação desenvolvida.

sexta-feira, 16 de março de 2007 15:55:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Entendi que a proposta de ensino dos CIEP's está no ítem:

"Haverá vagas e professores na rede pública em número suficiente para atender, em período integral, a todas as crianças desde a pré-escola até o final da 8a série."

Pode ser que haja necessidade de alguns imóveis para comportar todas as salas de aulas em horário integral. Mas não é pré-requisito a construção daquelas escolas como projetou Oscar Niemeyer.

sexta-feira, 16 de março de 2007 16:00:00 BRT  
Anonymous LUIZ disse...

Estou de acordo com a maior parte do que você propõe. As divergências são:
- Proibição de greve de professores: bastaria uma regulamentação clara e rigorosa das normas atuais.
- Cotas: as sociais seriam admissíveis, talvez por uns 15 anos, de forma declinante e com reavaliações a cada 5 anos. Cotas raciais só em ultimo caso, se ao final dos 15 anos ficasse muito bem comprovado que ainda fossem necessárias.
- Reserva para as ciências exatas: não consigo ver a vantagem real.

Sim, a idéia de utilizar a experiência dos CIEPS não é má. Bastaria lapidar melhor o projeto.

sexta-feira, 16 de março de 2007 16:07:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Quantas escolas particulares top de linha existem no Brasil? Supondo que sejam umas 30, o MEC bem faria se mandasse pesquisadores para conhecer como se dá o processo de ensino e aprendizagem nessas escolas de elite. O diagnóstico seria rápido e barato. Depois, bastaria ao governo implementar o modelo educacional aplicado nas escolas da elite no ensino público.

Também deveríamos pesquisar como funciona o sistema educacional na Coreia do Sul.

O difícil seria enfrentar os especialistas. Muitos deles perderiam seus empregos.

sexta-feira, 16 de março de 2007 16:33:00 BRT  
Anonymous Rodrigo Ribeiro disse...

Bom!
Sou pai de duas filhas. A primeira tem 06 anos de idade. A segunda apenas 07 meses e, portanto, ainda não está na idade escolar.
Estamos atrás das lindas montanhas de Minas, vivemos em Guiricema, pequenino município de 9 mil habitantes.
Não nada mais decepcionante e revoltante do que a péssima qualidade de ensino.
Minha filha estava na chamada fase introdutória.
Todo dia a professora entrava em sala e escrevia no quadro negro:
"Hojé é (o dia da semana).
O dia está (nublado, chuvoso ou ensolarado).
Tia Aparecida.
Guiricema - MG
16 de março de 2007"
A ficha acima era transcrita no quadro negro todos os dias, com pequenas alterações no que se refere ao dia da semana e às condições do tempo.
A única tarefa das crianças até o horário do recreio era copiar a dita ficha. Isto é, em 02 horas.
Minha filha costumava copiar com 10, 15 minutos.
E o restante? Ficava à toa, esperando os colegas terminarem.
Resultado: desmotivação.
Aí surgiram com a proposta de passar minha filha para a tal da fase I, pois ela já poderia começar a ser alfabetizada. A proposta foi da supervisão escolar. Como partiu da própria escola, eu e minha esposa concordamos com a transferência.
Na fase I, a dita alfabetizadora em o hábito de escrever pérolas do tipo: "centença" e "onte".
Sem contar que passou a discriminar a criança porque causou um grande transtorno para ela que já estava introduzindo "a família do F" para a turma e agora vai ter que ter atenção especial para minha filha.
Compreensível que a "alfabetizadora" da fase I fique chateada.
Mas, onde fica a pedagogia, o profissionalismo?
Ela simplesmente, para não "perder tempo" passou a copiar para minha filha, ao invés de ensiná-la. A própria professora faz as tarefas no caderno de minha filha.
E o mais revoltante é que a iniciativa partiu da supervisão escolar.
É revoltante!
E o pior é que esta é a única escola da cidade.
Poderia eu transferi-la para uma escola particular. Sim, até temos condições financeiras para isso. Mas, vejam!
Na cidade não há escolas particulares.
Na cidade vizinha sim.
E aí, transferir para a cidade vizinha?
Isto seria um atentado à infância de minha filha.
Não temos pretensões de mudar de cidade, aliás, não podemos, por razões profissionais.
Levá-la para outra escola em outra cidade seria tirar dela o direito de fazer amigos, de conviver com seus amigos, de frequentar a casa de seus amigos, de ter seus amigos frequentando nossa casa. O convívio dela com outras crianças estaria restrito simplesmente ao horário escolar.
Nossa situação ainda é contornável. Eu e minha esposa (esta principalmente) consegue suprir as deficiências em casa. Compramos livros, almanaques, vídeos e jogos educativos.
E quem não tem condições?!
Estamos perpetuando nossas desigualdades sociais.
Em outro momento falo de minhas propostas para a educação.

sexta-feira, 16 de março de 2007 16:49:00 BRT  
Blogger Edgard Pina disse...

minha única sugestão é que o Presidente transforme todas as suas propostas em Lei amanhã mesmo!

sábado, 17 de março de 2007 00:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, voce percebeu que os comentários aqui colocados foram em sua grande maioria sobre direitos de greve, salários, bolsa de pós-graduação e etc.? E sobre a obrigação dos professores serem competentes, dos alunos terem o direito de serem ensinados para poderem competir mais tarde nesse mercado altamente concorrido? Alguem tem alguma opinião?????
Ora, me façam o favor!!!!!!!!

sábado, 17 de março de 2007 16:35:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Caros,
Acho que é importante esclarecer questões históricas, e ajudar a geração de JV a ficar menos "revoltada" e buscar caminhos para obter o direito a desfrutar de aposentadoria decente, com tempo hábil para desfrutá-la.
O "welfare state" surgiu nos países capitalistas avançados como resultado da luta dos trabalhadores, dentro do marco da democracia burguesa. Espraiou-se para setores de trabalhadores mais organizados, em países periféricos como o nosso, também em função de lutas locais.
Centenas de anos de ganhos acumulados, milhares de vidas perdidas em sangrentas greves, partindo de 16 ou 18 horas de trabalho diárias, para homens, mulheres e crianças, sem condições decentes de trabalho, sem aposentadoria, sem-tudo (ou sem-nada?)!
As lutas foram registando vitórias pequenas, alargando o espaço do trabalhador e do cidadão, enfim, daí a construção de democracias mais aperfeiçoadas (detesto qualificativos, mas acho importante usá-los como registro de um processo...), e essa "gastança" a que JV se refere.
A primeira greve de trabalhadores no Brasil ocorreu no decênio final dos 1800. Tivemos greves de alfaiates, de carroceiros, de tudo que você possa imaginar, sempre com pesados custos e riscos para os trabalhadores. Greve aqui sempre foi "caso de polícia"...
A recente etapa do capitalismo, com a revolução da informática e comunicação, a predominância do setor de serviços como maior gerador de empregos, etc e tal, trouxeram a precarização das relações de trabalho, inclusive tornando desnecessária a presença física do trabalhador nas empresas de serviços.
Esse é o quadro em que a geração JV está imersa, e nele é que ela precisa "operar" para obter melhores condições de vida e de perspectiva de futuro (estabilidade emocional, tranquilidade quanto ao futuro e a aposentadoria decente, etc).
Em que podemos, nós da geração anterior, ajudar?
Acho que, para começar, situar melhor o problema, historicamente, para que alternativas sejam discutidas de forma mais consistente, e assim poder alinhar o possível leque de soluções, se é que existam...

sábado, 17 de março de 2007 17:00:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Bem, Mauricio, eu sai a tempo da situação de ilusão quanto a aposentadoria oficial e me lancei na iniciativa privada há alguns anos (me joguei da privada, de acordo com um colega que hoje se dá conta do erro que é se iludir), de modo que minha aposentadoria faço eu mesmo.
Mas me preocupa é que o país de nossos filhos (seus netos, talvez) será mais pobre porque os aposentados de hoje drenam os recursos que seriam necessários para o desenvolvimento. Creio que as pessoas podem ser julgadas pela herança que deixam.

sábado, 17 de março de 2007 18:40:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

JV,
Quem drena os recursos do país é o setor financeiro, não são os aposentados...

Na medida em que não se consegue focalizar o verdadeiro problema, é impossível equacioná-lo e discutir alternativas e encaminar soluções.

Não tenha dúvida de que, hoje, na atual situação, eu procuraria separar recursos mensalmente e aplicá-los no longo prazo, para garantir a possibilidade de uma aposentadoria decente e o mais independente possível de decisões governamentais.
E a maior herança,na realidade, que se pode deixar para as próximas gerações, é o tema que estamos discutindo aqui, a EDUCAÇÃO de qualidade.
Foi a que meu pai me deixou e a que deixo para minha filha.

sábado, 17 de março de 2007 21:24:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

JV
Quando uma civilização está em guerra, à medida que a vitória se consolida, seus cidadãos são desonerados dos sacrifícios: os soldados podem descansar, os civis podem ir retornando às suas atividades normais.

Nas sociedades nacionais, a medida em que a guerra econômica para produzir alimentos, abrigo, saúde, educação, etc, é vencida com menor esforço humano, pelas conquistas tecnológicas, os cidadãos deveriam ser desonerados dos sacrifícios excedentes do esforço produtivo, sem perder o direito a usufruir dos bens da produção.

Isso aconteceu na vida doméstica. Hoje reduziu-se muito sua jornada de trabalho doméstica, com máquinas de lavar, fornos de microondas, congelados, etc.

No entanto, não é isso que acontece nas relações econômicas. O que acontece, é que aqueles que dominam os meios de produção com menos gente, simplesmente acumulam capital (não estão vilanizando, apenas constatando que os valores vigentes são estes), e um grande contingente ficam alijados dos meios produtivos, como excedentes (desempregados ou sub-empregados).

A organização social e política ainda não acompanhou as conquistas tecnológicas do século XX, e não sabe ainda como fazer alcançar os benefícios destas conquistas entre os cidadãos atingidos. Deveria haver redução da jornada de trabalho ganhando o mesmo salário.
O início da vida profissional deveria ser retardado com melhor formação educacional, remunerada na forma de bolsas (filhos da classe média, costumam fazer isso).
Mães deveriam ter direito à licença do trabalho enquanto o filho não atingisse idade escolar.
Aposentadorias deveriam ser mais cedo, e não mais tarde, como os cálculos atuários exigem, afinal qual a razão de um idoso trabalhar, enquanto um jovem de 25 a 40 anos fica desempregado por falta de vaga? Olhando o sistema social como um todo faz mais sentido esse jovem produzir para si e para manter a aposentadoria do mais idoso, usando o arsenal tecnológico produtivo existente.
A aposentadoria não precisa ser vista como ócio, é sim como uma desobrigação ao trabalho compromissado, que libera a pessoa para fazer outras atividades que não tinha tempo, como escrever livros, pintar, estudar, participar de atividades sociais sem fins lucrativos.
Além disso, aposentados, se não tivessem dependentes econômicos, realimentariam a economia e empregos de mais jovens, sobretudo no setor do turismo e do entretenimento, ao terem mais tempo livre.

sábado, 17 de março de 2007 21:36:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Perfeito, José Augusto.
É um comentário que eu gostaria de ter escrito.
Abs,

sábado, 17 de março de 2007 23:29:00 BRT  
Anonymous Jailsom disse...

Sugiro que as avaliações deixem de ser elaboradas pessoalmente pelos professores que ministraram as aulas. Elas viriam prontas e teriam caráter nacional ou regional. Isso obrigaria os professores a cumprir o programa e eliminaria o faz de conta, segundo o qual o professor pouco ensina e pouco avalia, aplicando provas que apenas repetem o mínimo dado em sala de aula, ocultando, para a sociedade, que muitos professores não fazem o seu serviço.
Dessa forma, as provas avaliariam não só o aluno mas, também, o professor e a escola.

domingo, 18 de março de 2007 12:13:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Mauricio e Jose, você ficam falando em coisas que "deveriam ser", que as politicas sociais "deveriam acompanhar as evoluções tecnológicas", puro auto-engano. As coisas não funcionam assim. Nada tenho contra o ócio, mas ócio às custas do trabalho de outro tem nome: escravidão.
Culpar o sistema financeiro pela divida brasileira equivale a culpar o mensageiro pelas más notícias. Se o governo gasta mais do que arrecada (e como arrecada), depende do sistema financeiro para existir. Se o sistema financeiro desaparecesse do dia para a noite, o governo deixaria de gastar demais? Alguém acredita nisto?
Em tempos que até os dinossauros comunistas chineses e soviéticos se dão conta da furada em que meteram-se, vocês ainda esperam um welfare state?

domingo, 18 de março de 2007 12:33:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

JV
Não faz sentido falar em ócio às custas do trabalho alheio, se você enxergar o trabalho organizado em sociedade como uma corrida de revezamento em que se passa bastões, onde cada atleta corre 100 metros e faz o melhor que pode nesses 100 metros, passando o bastão ao outro. Ou seja, numa corrida de 400 metros, cada um ficou ocioso 300 metros e só correu 100. No entanto todos foram fundamentais para atingir o objetivo coletivo da corrida.

Na vida, o ócio na infância e na velhice é caso semelhante. A vida economicamente produtiva de cada cidadão corresponde aos 100 metros do atleta na corrida de revezamento.

E, atualmente, o trabalho duro é cada vez mais mecanizado, desde o trator no campo, o robô na fábrica, ao banco em casa via internet. Por isso a rotina de trabalho humano no seculo XXI é cada vez menor, o que justifica a redução da jornada e do tempo para aposentadoria.

Hoje, os países verdadeiramente mais socialistas (mais igualitários, medidos pelo índice econômico GINI) não são os de regime comunista, e sim os escandinavos. São países onde há mais estado de bem estar social. Nem por isso deixaram de ser competitivos. A China já tem índices GINI semelhantes aos EUA, é bem mais desigual do que a França, UK, e, principalmente os escandinavos.

O capitalismo é expansionista por natureza, o objetivo das empresas é sempre vender mais. Daí, em vez de estabilizar a produção em setores que já atendem a plena demanda e redistribuir os benefícios desta produção em forma de qualidade de vida, criam culturas de desejo de consumo via propaganda, algumas muito justificáveis pela inovação, mas outras simplesmente reduzem a vida útil de produtos (descartáveis é exemplo mais radical), alargam a boca do tubo da pasta de dente para acabar mais rápido e vender mais. Aos olhos da engenharia, isso é piorar produtos, é um contrasenso, na contramão de qualquer civilidade. Aos olhos do marketing, é o sucesso da conquista de novas fatias de mercado, o que garante belos balanços, e contenta aos acionistas.

Se você observar bem, quem escraviza hoje o homem é a sociedade capitalista, que produz mais repressão do que ela própria (a sociedade) necessita, ao impor trabalho desnecessário.

Trabalhamos alienadamente mais do que precisamos para auferir renda, para termos a mesma coisa que teríamos se os produtos fossem subordinados aos conceitos da melhor engenharia, e concebidos para o consumidor minimizar recursos consumidos para usufruir da mesma coisa (note que isso - reduzir o consumo dos produtos via técnica - é uma verdadeira heresia para se apresentar em qualquer empresa privada, não interessa o quanto isso seja bom para a sociedade como um todo).

Não tem sentido usarmos a mesma jornada de 8 horas de trabalho conquistada há 70 anos atrás (estou usando como marco a CLT no Brasil), nem prorrogar o tempo de aposentadoria (fechando vagas no mercado de trabalho aos mais jovens), depois das conquistas tecnológicas nesses 70 anos, que permitem produzir muito mais, com muito menos esforço.

É claro que essa mudanças tem que ser globalizadas, porque senão empresas de um país tornam-se menos competitivas do que em outras (o que já está acontecendo, e mais cedo ou mais tarde, os novos excluídos do primeiro mundo irão exigir essas padronizações trabalhistas, nem é por questão ideológica, é por questão de sobrevivência).

Dizer simplesmente que as coisas não funcionam assim, e aceitar que continuem como está, é mais do que conservadorismo, é comodismo. É abdicar ao progresso, que também deve ser expresso em qualidade de vida, e não apenas em acúmulo de tesouros (capital).

domingo, 18 de março de 2007 14:53:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Me desculpe, mas sua ingenuidade é muito grande. A analogia com corrida de revezamento é boa, mas no Brasil o segundo corredor saiu da pista com o bastão na mão, e os últimos 2 estão atrás dele até hoje. Você é utópico (considere como uma ofensa ao seu intelecto).

domingo, 18 de março de 2007 16:54:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

JV,
A educação é essencial para o progresso da humanidade e para o convívio social. Digo isso porque esse Post do Alon trata basicamente da questão educacional, e estamos apenas bordejando o assunto.
Posso dizer tudo que penso, e sempre o faço, sem precisar ofender ninguém.
Respeito todos os pontos de vista expressos pelas pessoas, pois só assim conseguirei compreender o que as leva a tal percepção, quaisquer que sejam as formas que utilizem para torná-los conhecidos por terceiros.

Há uma grande diferença entre "ócio" e "aposentadoria": enquanto a primeira independe de qualquer coisa, exceto a capacidade de manter-se vivo, alimentado, etc, a segunda é o resultado de um período de trabalho previamente acertado, durante o qual houve uma contribuição para um fundo cujos resultados garantiriam uma renda futura. Isso se dá seja através de padrões sociais, seja por acertos corporativos. Este é o reconhecimento que o trabalhador cumpriu sua função econômica e social, e tem direito de dispor de sobrevivência assegurada pelo resto de seus dias como resultado de sua aplicação de recursos durante aquele período de contribuição.
(Não cabe aqui discutir as opções entre "repartição simples" e "fundo previdenciário": fica para outra hora)
As convenções da sociedade no que se refere às aposentadorias são determinadas, geralmente, pelos legisladores, com a assessoria de atuários, mas sempre há influência do embate das diversas categorias de trabalhadores com seus patrões, em busca de melhores condições de vida.
Várias leis esparsas que tratavam das condições de trabalho, obtidas pela luta de diversas categorias de trabalhadores brasileiros no começo do século XX, foram consolidadas por Getúlio Vargas na década de 1930, surgindo a histórica CLT. Diversos Institutos de Previdência foram então criados, todos por categorias profissionais (IAPI - industriários, IAPETEC, etc), para tratar das respectivas previdências e aposentadorias.
A ditadura de 1964 os unificou no INSS.
Em 1986/8, as pressões sociais durante processo constituinte resultaram na concessão de diversos benefícios, alguns mascarados como aposentadorias, quando na realidade nada têm a ver com esse conceito. Sem contribuição prévia, não é aposentadoria. Os valores que a Constituinte determina que a sociedade tem que pagar aos "aposentados rurais" é o reconhecimento que eles precisam de um amparo para sobreviverem e a busca de correção de uma falha grave, que foi a não implantação da CLT nas relações trabalhistas rurais (impedidas politicamente, é claro, pelos ruralistas).
De forma simples, isso significa que a sociedade brasileira, como um todo, está arcando com os custos que os fazendeiros deveriam ter pago - desde a década de 1930 - e sempre se recusaram politicamente a sequer admitir sua existência!

Isso está ficando muito longo.
O que posso sugerir, JV, é que procure se informar melhor para argumentar com bases mais sólidas, não apenas com revolta.
Um abraço,
Maurício

domingo, 18 de março de 2007 19:43:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Bela teoria, mas a verdade é que a fórmula quebrou o caixa da previdencia de todos países que a adotaram. Eu? Estou fora, da minha aposentadoria cuido eu. Boa sorte, mas temo que você vai acabar revoltado.

domingo, 18 de março de 2007 21:31:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Esse "post", com menos de uma semana já ficou velho e abandonado...
Só para não deixar passar em branco:
JV,
em momento algum falei de teoria, onde você achou isso? não precisa responder, pois não há resposta mesmo...
Faço votos que sua aposentadoria seja muito boa e segura. Afinal, você não vai poder culpar ninguém se ela não der certo e acabar dependendo do INSS no final da vida. Pois isso será, certamente, muito triste.

quarta-feira, 21 de março de 2007 22:39:00 BRT  

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