domingo, 18 de fevereiro de 2007

A Venezuela e os três tipos de jornalismo (18/02)

Um amigo meu, muito observador, elaborou uma teoria interessante. Segundo ele, os empresários de comunicação fazem três tipos de jornal (entendido aqui no sentido amplo, não apenas como impresso): para os pobres, para a classe média e para eles mesmos. O meu amigo só lê os jornais que as empresas de comunicação fazem para o consumo da elite. "Eles não vão ficar distorcendo a realidade em matérias feitas para informar a eles mesmos, não é?" Lembrei do meu amigo quando li o relatório que uma consultoria americana fez nos últimos dias para relatar aos seus clientes sobre a situação na Venezuela. Segundo o relatório, a decisão do governo de Hugo Chávez de compensar os acionistas estrangeiros majoritários das empresas nacionalizadas CANTV (telecomunicações) e EDC e Seneca (energia) reduziu os temores de que a Venezuela daria o calote total ou parcial nos proprietários de ativos em empresas estatizadas. O governo aceitou pagar US$ 572 milhões pelos 28,5% que a Verizon detinha na CANTV e US$ 739 milhões pelos 82% que a americana AES (aquela da Eletropaulo) detinha na companhia de eletricidade EDC. E assinou um acordo preliminar com a também americana CMS para comprar os 70% dela na Seneca (regional de eletricidade) por US$ 105 milhões. O mais importante: os valores correspondem ao preço de mercado dos ativos, representando uma perda "pequena e aceitável" para seus proprietários, segundo o analista (as ações sofreram alguma desvalorização com o anúncio das nacionalizações). Entenderam por que o meu amigo só aceita ler os jornais que os empresários fazem para o seu próprio consumo?

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3 Comentários:

Blogger Pedro Lamarão disse...

Que critérios o seu amigo utiliza para determiinar que uma publicação é das de "consumo próprio para a elite"?

domingo, 18 de fevereiro de 2007 14:14:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Jornalismo político e econômico concentrado em fatos e análises objetivas. Wall Street Journal, Valor Econômico, Financial Times, Gazeta Mercantil.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 16:37:00 BRST  
Blogger Luca Sarmento disse...

A relação econômica da Venezuela com os Estados Unidos tem um lado semelhante à relação Brasil - Bolívia ligada ao gás. Os Estados Unidos compram a maioria do petróleo produzido pela Venezuela. A reação Americana a um confisco costuma também ser mais veemente do que a do Brasil, lembrando o caso recente do confisco do patrimônio da Petrobras na Bolívia. Como se vê, o anti-americanismo chavista tem também seu lado pragmático.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 19:29:00 BRST  

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