quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

A vantagem de Lula sobre FHC e a dúvida para 2010 (28/02)

O Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) cresceu fraquinhos 2,9% ano passado. A média do crescimento do PIB no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva foi 2,6%, a mesma taxa do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Aliás, o primeiro quadriênio de Lula foi mesmo bem parecido com o primeiro de FHC. Também por isso me divirto com o clima de fim dos tempos que caracteriza qualquer debate entre tucanos e petistas. Como FHC entre 1994 e 98, Lula colocou nos últimos quatro anos o foco no combate à inflação e nos programas sociais. A vantagem de Lula foi ter feito uma política fiscal rigorosa no seu primeiro período. FHC só conseguiu implantar superávits primários e a responsabilidade fiscal no segundo governo, e por isso chegou ao fim dos seus oito anos com a língua de fora. Lula não. Seu segundo mandato dificilmente será brilhante, mas não é improvável que ele feche 2007-2010 com um crescimento do PIB 1,5 ponto percentual acima, cerca de 4% ao ano em média. A consultoria Tendências, por exemplo, projeta que o crescimento da formação bruta de capital fixo vai fechar 2007 em 6,2% e 2008 em 7,2%. O da construção civil, 5,8% em 2007 e 6,9% em 2008. O da absorção doméstica de máquinas e equipamentos, 8,0% em 2007 e 8,8% em 2008. A projeção consolidada é que o investimento represente cerca de 22% do PIB no fim do ano que vem. É pouco perto do que o Brasil precisaria para crescer 5% ano ano (investimentos de 25% do PIB). Mas é pelo menos dois pontos percentuais acima dos 20% com que convivemos hoje. Ou seja, vai melhorar um pouquinho. Resta saber se será suficiente para Lula realizar o seu projeto para 2010: caso não consiga disputar um terceiro mandato, eleger alguém do PT para sucedê-lo, já com a reeleição abolida. Para tentar ele próprio voltar em 2014.

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8 Comentários:

Blogger Vera disse...

É um preciosismo, mas a média de crescimento do Pib no governo FHC foi de 2,2%.

quinta-feira, 1 de março de 2007 01:28:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Vera, se você está se referindo ao crescimento de 2,2% pelos 8 anos de FHC, talvez o motivo da discrepância seja que no texto do Alon ele compara com o primeiro mandato (os 4 primeiros anos apenas).

quinta-feira, 1 de março de 2007 15:07:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Estes números (FHC e Lula) tomam um outro significado se comparados com os números do crescimento mundial na era FHC e na era Lula. Ou seja, enquanto a economia mundial cresce na era Lula a nossa estaciona e, consequentemente, cresce menos. Se olhados, digamos, internamente os numeros são parecidos. Quando relacionados ao crescimento mundial os números da era Lula são, até agora, inferiores ao da era FHC. No entanto, a era Lula não terminou. Para concluir este assunto, teremos que esperar mais três anos.

PS: ótima frase essa sua: "Também por isso me divirto com o clima de fim dos tempos que caracteriza qualquer debate entre tucanos e petistas."

abs.

quinta-feira, 1 de março de 2007 19:18:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

A comparação da era FHC com a era Lula, do ponto de vista do crescimento econômico, tem um ponto em comum, qualquer que seja o ângulo que se analise. Nos dois governos o crescimento Brasileiro foi pífio, se olharmos o que ocorreu na maioria do resto do mundo no mesmo período. O Brasil caiu no "ranking" mundial, tanto na era FHC, quanto na era Lula.

É hora de se olhar o que há de errado com o Brasil, que nos leva a ficar tão abaixo do crescimento vivido pela maioria das outras nações no mesmo período.

São os juros altos? Se fosse só isto a solução seria simples. Não duvido da inteligência dos economistas tucanos ou petistas.

Os nossos impostos são baixos? Não parece provável, já que a nossa carga tributária total é uma das maiores do mundo, desde antes da era FHC.

É o tamanho do Governo? Se for, a solução é muito mais complicada. Os governos, não geram riquezas, apenas a redistribuem. Isto é, o Governo arrecada de uns para pagar o seu próprio custo e repassar o que sobra entre segmentos da sociedade. É bom que se pense com cuidado nesta idéia singela.

Gosto da proposta de alguns de se reduzir 3 Deputados e um senador para cada estado. Poderia vir junto com uma redução de, digamos 10 %, no número atual de vereadores e deputados estaduais em todo o país. Por que não estender este corte ao número de cargos de confiança de toda a máquina pública nos 3 níveis de governo? Já pensaram quanta grana vai sobrar para investir ou redistribuir entre os mais necessitados?

Quem chegar propostas com deste tipo, conseguir se eleger, e ao ao chegar lá cumprir o que prometeu, respeitando a democracia, vai entrar para a história como o melhor governo que este país já teve. Quem se candidata?

quinta-feira, 1 de março de 2007 23:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Lula x FHC
Como o presidente Lula gosta, eis uma comparação entre o seu primeiro governo (2003/06) e o primeiro mandato de FHC (1995/98). Ambos apresentaram a mesma taxa média de crescimento do PIB, 2,6% ao ano.
Mas os períodos são muito diferentes. No de FHC, o cenário internacional foi desastroso. Vários países emergentes importantes quebraram. Houve a crise do México de 95, a crise da Coréia de 97, que levou quase todos os países asiáticos, e depois a crise da Rússia, de 98. E ainda em 98 teve a quebradeira dos fundos de investimento em Nova York – tudo isso causando instabilidade, falta de investimentos e juros muito elevados no mercado internacional.
Em contrapartida, a partir de 2003 – que é o início do governo Lula – a economia mundial entrou no melhor momento em décadas. Para falar a verdade, o cenário mundial está simplesmente brilhante: todas as regiões crescendo, muito investimento, muitos negócios, dinheiro sobrando, juros baixos no mundo inteiro.
No governo Fernando Henrique, foi remar contra o vento. Além do cenário externo desfavorável, o ambiente interno era difícil. A estabilidade estava sendo construída, não tinha Lei de Responsabilidade Fiscal, não tinha sido feito o saneamento dos bancos, não havia regime de metas de inflação, nem superávit primário – tudo que Lula então criticava e que agora sustenta como seu.

sexta-feira, 2 de março de 2007 06:28:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Luca

Há outra questão para ser considerada: o executivo federal concentra em suas mãos uma imensa parte da arrecadação tributária. Isso enfraquece os estados e, principalmene, os municípios. Todos estão à mercê da "boa vontade" do executivo da ocasião. Creio que dessa distorção histórica (vide a instituição do poder moderador no Império) decorrem as nossas mazelas. Pense bem: o que está na origem do mensalão?

Prefeitos precisam de deputados com bom trânsito nos corredores do poder, já que vivem à míngua e sem a possibilidade de acesso direto aos recursos públicos que seus municipios necessitam. Até para comprar ambulâncias eles dependem de liberação de recursos federais! Governadores, idem.

Então, e simplificando, dá nisso: um monte de gente que não faz o que deveria fazer (legislar) para conseguir liberar algum do governo federal (que controla com mão de ferro as liberações orçamentárias) para obras e benfeitorias nos seus respectivos redutos eleitorais. O deputado bom é o que consegue ambulância, ponte, asfalto, hospital, açude, centro esportivo, jogo de camisa de time de futebol, dentadura, etc.

Talvez um caminho mais fácil que o sugerido por você seria promover uma reforma tributária que possibiliatsse aos municípios o acesso direto a mais recursos e, também, mais autonomia de gestão desses recursos. Se o dinheiro dos impostos fluísse mais diretamente aos municìpios (afinal, é onde estão e moram e vivem os contribuintes), ou seja, sem a necessidade da intermediação de deputados e governadores, acredito que loguinho perceberíamos a inutilidade de tanto partido e tanto deputado e, finalmente, poderíamos então falar em uma reforma política que reralmente atendesse aos interesses dos contribuintes. Quem sabe assim os deputados começassem a fazer aquilo que é atribuição dos deputados fazer na República: legislar. Hoje, e isso vem desde o Império, quem mais legisla é o executivo, não é?

Enfim, estou cético quanto à eficácia de uma reforma política que não seja precedida de uma reforma tributária que aumente o repasse de recursos aos municípios. Você, Alon e tantos outros são pessoas bem informadas. Então me digam: quanto da discussão atual da reforma política contempla a questão municipal? Até onde sei, ninguém fala disso.

Veja o absurdo da distrbuição da escorchante carga de impostos brasileira:

"Em relação ao PIB, os tributos federais representaram 27,12%, os estaduais 10,08% e os municipais, 1,6%. Do total da arrecadação, os federais são responsáveis por 69,91%, os estaduais 25,97% e, os municipais 4,12%."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u114848.shtml

abs

sexta-feira, 2 de março de 2007 12:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Como um antigo slogan dos anos 70: este é um País que vai para a frente. Depois dos Planos Cruzado 1986), Verão (1989), Collor I e II (1990/1991) e Real (1994), seis moedas (Cruzeiro, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real e Real), ainda agora discute-se em quantos milésimos de porcento um governante foi melhor que outro. O que salta aos olhos é o retorno de discussões antigas sobre o mesmo tema: estabilizada a economia como fazer para demarrar? A não ser que a decantada estabilização não gere tanta confiança assim.
Dawran

sexta-feira, 2 de março de 2007 14:05:00 BRT  
Blogger Amilton Aquino disse...

Compararar os números do Governo Lula com os do FHC é como comparar um carro do ano com o de uma década atrás. Existe todo um contexto que precisa ser considerado. A história seria bem diferente se Lula tivesse sido eleito em 1998, pois este teria enfrentado quatro grandes crises, talvez não tivesse privatizado a Vale, nem as teles. Ou seja, hoje não teríamos a 2ª maior mineradora do mundo, nem teríamos recebido 120 bilhões em investimento nas teles. Ou seja, o governo atual teria menos dinheiro em caixa. Certamente FHC votaria em 2002 e aproveitaria os sete anos de bonança da economia mundial que Lula pegou. Aí ele seria então mais popular que o Lula é hoje. Para fazer uma comparação justa, observem o contexto histórico e econômico dos últimos anos, desde o final do governo Collor. Sugiro que leiam o seguinte artigo (http://amiltonaquino.blogspot.com/2009/07/contextualizando-os-numeros-do-governo.html).

terça-feira, 21 de julho de 2009 23:26:00 BRT  

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