terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Uma pechincha (27/02)

Em O Estado de S.Paulo de hoje:

Mais vagas federais custam R$ 2,75 bi

Este é o valor que teria de ser investido ao longo de 3 anos para igualar matrículas diurnas e noturnas, como quer o MEC

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA

As universidades federais vão apresentar uma conta alta para tentar cumprir a meta de igualar o número de matrículas nos cursos diurnos e noturnos, como quer o Ministério da Educação (MEC). Um estudo feito pela Universidade Federal de Goiás (UFG) aponta para a necessidade de R$ 2,75 bilhões nos próximos três anos para que as instituições consigam fazer a ampliação desejada pelo governo. Serão pouco mais de R$ 900 milhões por ano - somados, ainda, a mais R$ 360 milhões anuais para investimentos em pesquisa gerenciados pelas próprias universidades. (Continua...)

"Conta alta"? Não acho. É uma pequena quantidade de dinheiro para ajudar na solução de um grande problema. O Prouni é um bom programa, mas muito melhor seria expandir maciçamente as vagas nas universidades públicas. Especialmente vagas noturnas, para atender ao jovem que trabalha. Já que o governo não acha necessário fazer nada mesmo na área da criminalidade juvenil, pelo menos poderia seguir esse belo conselho do ministro da Educação. Para aliviar, no futuro, as acusações de omissão.

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18 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon,

você poderia dizer em que o Prouni é um bom programa?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 08:48:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Devolvo a sua pergunta: o que há de errado em o governo dar bolsas de estudo para jovens em universidades particulares?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 09:46:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, também penso como você. Só acrescento ao debate:
Se o governo subsidia bolsas em escolas particulares a alunos necessitados, via Prouni, porquê subsidia também alunos abastados nas Universidades Federais, ao não cobrar mensalidades destes?
Não estou defendendo a privatização. Defendo que as Federais continuem tendo seu orçamento financiado pelo Tesouro com é hoje. Não defendo que tornem-se dependentes de ter uma quantidade de alunos pagantes para viabilizarem-se. Defendo que o dinheiro das mensalidades vá para um Fundo de Educação, para investimentos de médio prazo, e não para usá-lo em despesas correntes.
Em tempo: na teoria, sou a favor da universalização do ensino público e gratuíto, inclusive universitário, mas na realidade brasileira, onde há carência de verbas, isso acaba prestando um deserviço à justiça social.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 10:46:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Sobre as vantagens do ProUni, o Min. da Educação, estima que, em 2007, o governo deve deixar de receber, em impostos, R$ 126,05 milhões com a concessão de 301.321 bolsas. Isso significa que cada bolsa custa ao governo R$ 34,86 por mês, em renúncia fiscal. Ou seja um excelente custo-benefício: abriu 300 mil vagas no ensino superior imediatamente ao custo de R$ 35 por mês.
Tenho visto muitas críticas infundadas a programas sociais por desconhecimento de como funcionam de verdade. No ProUni, para concorrer a uma bolsa de estudo integral, o candidato deve comprovar renda familiar de até R$ 525 por pessoa. Para uma bolsa parcial (50% de desconto), o candidato precisa comprovar renda familiar de até R$ 1.050 por pessoa.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 10:55:00 BRT  
Anonymous rodrigo disse...

Incrivel como acham pagar 3 bilhoes caro para educação e ainda defendem o pagamento dos juros mais caros do planeta

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 12:48:00 BRT  
Anonymous Paulo Freire disse...

Essa é uma forma bastante interessante de fazer análise custo-benefício.
O PT e adjacências - e suas correias de transmissão (ANDES E UNE) - destruíram os critérios de avaliação da universidades (a esquerda é congenitamente contrária à meritocracia).
As escolas particulares enchem suas salas com bolsistas, com custo marginal zero por aluno adicional e recebem isenção.
Qual a qualidade do ensino e quais os cursos em que se oferecem as vagas?
Peguemos o exemplo do curso de Direito. Como se sabe, é um curso que só exige "giz e cuspe". O investimento marginal por aluno é zero, uma vez instalada uma sala de aula. A média de reprovação em São Paulo no teste da OAB é de 85%!
Comparar o custo por vaga, sem se preocupar se o curso é de turismo ou se é de medicina na USP apenas demonstra onde foi parar a esquerda no Brasil.
Fico por aqui.
Sem dúvida nenhuma, Lula é a esquerda com que a burguesia sempre sonhou.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 13:52:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Paulo Freire,
Qual a outra alternativa rápida? O Min. Educ. quer quase 3 bi no orçamento para abrir 300 mil vagas em 4 anos, para essas vagas qualificadas que você diz.
As 300 mil vagas atuais no ProUni custam R$ 126 milhões. Ainda que o custo seja zero para o dono da Faculdade, a política é boa para o aluno beneficiário, e o custo para o governo também é marginal, porque está "comprando" a capacidade ociosa da rede privada.
Quanto a qualidade dos cursos a discussão deve ser outra. Não sei a quantas anda essas avaliações, mas faculdades que recebiam notas 'E' no provão, por alguns anos consecutivos, teriam seus cursos fechados pelo Min. Educ. Ou seja, abaixo de determinados padrões de qualidade, sequer devem existir.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 16:21:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

José Augusto

Você é um leitor atento. Mas acho que deixou escapar uma informação importante: Quem propõe investimentos desse porte nas Federais são as Federais, via a de Goiás. Pelo que li, não se sabe ainda qual a posição do MEC relativamente a proposta.
Não é líquido e certo que o governo vai aceitar o que pedem as federais.

Há, ainda, uma proposta do reitor da Federal da Bahia que fala em Universidade Nova. Li a entrevista outro dia. Se achar o link, eu mando.

Aqui vai um sobre um seminário a respeito. Não li:
http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=12825

Não conheço a fundo as propostas. O que sei é que se ficarmos apenas na discussão do aumento do número de vagas na graduação corremos sério risco de deixar de lado a questão da pesquisa de ponta. A pouca, mas importantatíssima, ciência que se faz no Brasil vem das Universidades. Sobre isso, quase ninguém fala ou escreve.

Outro dia vi o ranking das 200 primeiras universidades no mundo. O Brasil não aparece (não só o Brasil). Enfim, no séc. que começa ciência e tecnologia serão o divisor entre países. Compare-se o que a China, por exemplo, investe em pesquisa de ponta.

Infelizmente, o investimento público em ciêcia e tecnologia no Brasil é ridículo. Foi assim na era FHC e está sendo assim na era Lula.

abs.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 18:21:00 BRT  
Anonymous Paulo Freire disse...

Você entrega algo que vale zero pela pechincha de 126 milhões. Isso é bom negócio para quem?

Existe algo chamado assimetria de informação. Por que você acha que o ensino deva ser regulado? Porque o aluno não sabe o que está aprendendo e se está aprendendo.
Se, em direito, os caras estão sendo reprovados à taxa de 85%, supondo que as boas estaduais, federais e católicas sejam responsáveis pelos 15% que passsam, o valor das particulares "Prouni" é zero, zero meu chapa.
Mas o Prouni dá voto para o Coronel Lulão. E é isso que interessa para o Alon, para a Marilena Chauí e para os petistas em geral.
Antigamente eles viviam falando: Ensino público, gratuito (equívoco) e de qualidade.

É por isso que eu digo: a esquerda é risível.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 18:32:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Dúvida genética: sou comunista e fervoroso defensor da meritocracia. Onde falhou meu DNA? Ou onde falhou a "lógica" do co-comentador Paulo Freire? Ou será que o ectoplasma do finado educador contra-materializou-se? (rs)
ET: esse tipo de apriorismo rotulatório me faz lembrar do que li em outro comentário no post sobre jazidas, algo na linha "os índios vão desperdiçar o que receberem de royalties". Na fronteira do racismo...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 18:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon
Há que abrir nas áreas mais pobres cursos de boa qualidade, tanto diurnos quanto noturnos, privados ou públicos. O essencial á a qualidade. A maioria dos estudantes de baixa renda do Rio de Janeiro, por exemplo, que estudam na PUC com bolsas do PROUNI ou conseguiram passar para as melhores universidades federais e estaduais do Rio, as quais ficam longe de suas casas, enfrentam longas horas em transporte público até chegar á PUC ou UFF ou UFRJ, tempo precioso, que podiam passar em bibliotecas, se tivessem uma boa universidade perto de suas casas. É muito injusto uma aluna da PUC que mora na Gávea, como a minha filha, por exemplo, estar a dois passos da Universidade e outra, que more em São João de Meriti, por exemplo, ter de gastar duas horas no trem ou metrô e ônibus, tanto na ida quanto na volta. A expansão de bolsas ou vagas teria de estar condicionada á qualidade, senão esses alunos vão continuar a preferir estudar na PUC ou UFRJ, ainda que com sacrifício enorme, a cursar maus cursos perto de suas casas, ainda que com bolsas. Cursos noturnos de boa qualidade dependem de bons cursos diurnos nas mesmas universidades. Senão serão apenas fábricas de diplomas e os alunos ali formados não poderão competir por bons empregos pois já têm menos tempo para estudar, chegam cansados ás aulas e têm menos dinheiro para livros. Há, nas regiões com menos renda, um grande número de alunos que completaram o ensino médio e não encontram escolas de bom nível, nem diurnas, nem noturnas, nem públicas nem privadas, perto de onde moram. Muitos querem competir por bons empregos e então saiem de trem ou passam horas num ônibus até chegarem ás federais ou estaduais ou ás privadas de melhor qualidade (recusando as bolsas do PROUNI em péssimas faculdades privadas perto de suas casas, pois sabem que nunca terão ali o mesmo ensino que nas escolas de melhor nível.) A maior parte dos alunos está desempregada e é uma falácia achar que a preferência é pela noite. Muitos alunos de baixa renda querem estudar de dia. Mas a tendência oficial é :para pobres cursos noturnos de pior qualidade; para os outros, os melhores professores, pesquisadores de bom nível, iniciação científica e estágio. Começar por fazer cursos noturnos para pobres é condená-los de antemão ao ostracismo no mercado de trabalho ou a empregos menores. Por essas razões defendo que a expansão de vagas federais e de bolsas a cursos privados, do tipo PROUNI se dê com o objetivo de igualar os desiguais e não aumentar a desigualdade e que os alunos mais pobres tenham o mesmo nível de curso que os outros, com acesso á pesquisa, estágios, monitorias, bibliotecas e não apenas fábricas de diplomas, noturnos, em estruturas precárias. Infelizmente, na maior parte das vezes é o que acontece.
abraço
Inês

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 19:25:00 BRT  
Anonymous Paulo Freire disse...

Fantástico. Vamos preservar a cultura indígena. Vamos dar a eles celulares, faxes, computadores, caminhonetes, vôos internacionais, reservas exclusivas, direitos de exploração e o escambau. Digamos, assim, um neolítico high-tech.
Assim como pobre não é trouxa, "índio" também não é. Trouxa são os antropólogos que defendem esse estado de coisas ridículo. Para mim, quem fala ao celular, se articula em Brasília, tem computador não é mais índio.
Simples assim.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 20:02:00 BRT  
Anonymous Paulo Lotufo disse...

O Pro Uni, para variar, é cópia de projeto do governo Alckmin de bolsa de estudo em escolas particulares. Trata-se de negócio muito estranho, mesmo, muito estranho como um governo que se nega a "privatizar", de imediato repassa uma quantidade dessa para entidades sem gabarito?
Alon, discordo do curso noturno são ruins para alunos e, principalmente para os professores e deveriam ser limitados. O mais adequado são bolsas de estudo não reembolsáveis para que o aluno possa estudar em horário decente.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 20:58:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Paulo Araújo,
Você tem razão, os valores do estudo são da U.F. Goiás, mas a ampliação das vagas é meta do MEC, ainda não aprovada. Certamente haverá outras propostas como você disse, incluindo o Ensino à Distância. Eu não sou especiliasta no assunto, opino como cidadão com a convivência que tenho.

Hoje em dia, do meio para cima da pirâmide social, a grande maioria dos jovens cursam nível superior, exceto as "ovelhas negras" das famílias.
Do meio para baixo da pirâmide, há mais demanda do que oferta por curso superior. Parte por falta de acesso financeiro, parte por falta de acesso físico (morar em região que não existe curso, ou não consegue horário). Então se existe essa carência, também é função de governo atender às estas demandas da população, que votou para isso.

É claro que em qualquer orçamento há concorrência por verbas, mas não acho que atender essa demanda acima seja excludente aos investimentos em pesquisas. E, se não me engano, a maior parte do orçamento público para pesquisa está situado no Ministério da Ciência e Tecnologia. No Min. da Defesa tem verbas para pesquisa no programa espacial. No da Agricultura tem verbas para a EMBRAPA. Além disso o governo aprovou leis da inovoção e de incentivo à pesquisa em Universidades para empresas financiarem via renúncia fiscal. Faz o mesmo pela ciência e tecnologia que a Lei Raounet faz pela cultura.

Sobre o ranking que você viu, se for o mesmo que vi, existem mais de 10 Univ. Australianas que acredito serem inferiores a muitas brasileiras. O motivo (pelo que li nos critérios de avaliação) é que até o fato do ensino ser ministrado em idioma inglês as eleva no ranking. Outro critério de avaliação que também é muito empregado e diz pouco a respeito da real qualidade, é o salário dos ex-alunos. É claro que beneficia universidades de países mais ricos.
-x-x-

Paulo Freire, você está sendo catastrofista, e Subestimando a capacidade intelectual de um estudante de Direito pobre e inteligente que trabalha de dia e estuda de noite em faculdade particular com bolsa do ProUni.

Uma família que ganha acima de R$ 3500 (por exemplo) paga R$ 500,00 pela mesma vaga que o Prouni está pagando R$ 35. Então esta vaga tem valor, sim, para o bolsista, logo, como política de governo também, mesmo que custe zero para a faculdade.
Não tenho números do perfil de distribuição por cursos no ProUni, mas mesmo que as vagas sejam preponderantemente em cursos ditos menos "nobres" (como cursos de 3 ou 4 anos), quem se forma Fisioterapeuta, Enfermeiro (superior), Contador (superior), Educação Física, Licenciatura, Tecnólogo, Agrônomo, Veterinário, Administrador, etc, todos ficam melhor posicionados no mercado de trabalho, do que estariam sem o curso.
Se não resolve problemas de qualidade na educação, no mínimo resolve o problema do trabalhador qualificado para o serviço, para não ser eliminado naquela vaga onde está escrito: exige-se formação superior em...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 21:05:00 BRT  
Anonymous Paulo Freire disse...

Há certas coisas em economia que dá certo cansaço de discutir, mas, vá lá:

Se uma dondoca resolve dar 5 mil reais numa bolsa Louis Vuitton, isso não significa que essa bolsa deve ser comprada pelo governo pela pechincha de 300 para distribuir para os pobres.
Se famílias resolvem colocar seus filhos em espeluncas com seu próprio dinheiro, o problema é delas. (É claro que o governo deveria reprimir, e não incentivar o charlatanismo das pagou-passou, mas isso seria exigir muito no Brasil). Contentemo-nos, apenas, com a possibilidade de o governo não ser mais um comprador desse bonde.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 22:53:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Os mais pobres sofrem nas mãos de intelectuais pouco afeitos a conhecerem a realidade extra-gabinete e extra-academia (ainda bem que o governo não está agindo predominantemente assim).
O aluno de 18 a 24 anos hoje, teria que esperar até 30, 35 anos para que até lá o ensino esteja adequado para ele, segundo um plano superior elaborado por uma elite intelectual de gabinete.
De acordo com o destino de vida traçado pela elite intelectual até que o ensino esteja perfeito, os mais pobres devem disputar o mercado de trabalho municiado do ensino médio, com os mais ricos municiados do ensino superior (com diplomas bem aceitos pelo mercado), ainda que conquistados em "espeluncas".

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007 05:24:00 BRT  
Anonymous Paulo Freire, o educador disse...

Caramba, José Augusto
Baixou o anti-intelectualismo no terreiro? Isso seria irônico, exatamente em um post que trata de...educação!
Mas, como vocês gostam de dizer: a vida é DIALÉTICA, não é mesmo? Fazer o quê?
E já que o post é sobre educação, vou tentar ser didático. Parece-me que você está muito preocupado com canudo. O conhecimento em si, não é objeto de suas mais agudas aflições, pelo visto. Nisso parece que você concorda com o Lula, com o Ministro Haddad e com o Alon. As aparências venceram no Reino de Duda Mendonça.
Eu tenho más notícias para vocês. Com um diploma na mão e nenhum conhecimento na cabeça, o estudante enganado egresso da espelunca não vai entrar no mercado de trabalho. Sabe por quê? Porque não vai conseguir a carteirinha da OAB. Cruel, não?
Digamos, por hipótese, que ele estude três anos seguidos depois de formado, supere a barreira da OAB e passe raspando no teste. Você acha que algum escritório vai contratá-lo? Digo mais, alguém está precisando tanto assim de advogados no mercado?
Pense bem, amigo.
Já que estou paciente hoje, vou responder também ao outro marxista que lê pouco do próprio ídolo. O Sr. ARTHUR se diz marxista e pró-meritocracia. Ele, certamente, não sabe o que é comunismo ou meritocracia. A síntese do programa político comunista é a seguinte: a cada um de acordo com sua necessidade; de cada um de acordo com sua capacidade. Decorre daí que a recompensa individual não guarda QUALQUER relação com o mérito em um regime comunista, o que é o mesmo que dizer que o comunismo é a antítese da meritocracia. Não é por acaso que, não havendo a pressão da competição de mercado (meritocrática), as economias comunistas entram em colapso e degenerescência (vide Coréia do Norte e Cuba ou a ex-URSS), pois não há incentivo ao aumento da produtividade.
Dado esse esclarecimento ao nobre comunista pouco afeito à leitura do Capital ou do Manifesto Comunista, espero ter contribuído minimamente para o progresso da educação no País.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007 08:40:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Insigne Educador PF,
Ler pela rama - ou nas orelhas - é mau caminho. A divisão social do excedente da produção nos termos descritos por vc - " a cada um na medida de suas necessidades, de cada um na medida de suas capacidades" - refere-se, tão somente, ao exposto e dito, ou seja, à repartição do excedente não em termos de mais-valia apropriada, lucro privado, reprodução do capital;refere-se à sua distribuição socialista, em contraposição ao supra sumo da anti-meritocracia que é a divisão pelo critério de propriedade, no mais das vezes por herança (em seu jargão eufemisticamente batizada de 'pressão de mercado').
Coisa totalmente distinta é a meritocracia na alocação dos recursos humanos na organização social e como critério de divisão de trabalho, princípio que, para usar um exemplo fácil que o fará horrorizar-se, está na raiz da teoria leninista de Estado e Partido.
Seu sofisma é fraco e sua leitura dos clássicos marxistas, parece-me, deu-se pela súmula do Reader's Digest.
ET: minha paciência é chinesa.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007 22:04:00 BRT  

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