quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Um belo gol de Lula e do Itamaraty (15/02)

Estão derrotados os defensores do uso da linguagem das canhoneiras no contencioso com a Bolívia em torno das importações do gás natural daquele país. Saíram vitoriosos a diplomacia brasileira e os interesses nacionais. Parabéns ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Itamaraty, na pessoa do chanceler Celso Amorim. Aqui é assim: quando elogiamos, fazemos sem esconder de ninguém e sem tergiversações. A solução encontrada foi realmente de mestre: pagar pelo gás boliviano o valor de mercado. Quem teve a idéia deveria receber uma condecoração. Uma alta condecoração. Percebam como será divertido acompanhar agora a grita dos ideólogos do livre mercado contra a regulação, pelo mercado que tanto veneram, das nossas relações comerciais com a Bolívia. Saiu barato. O repasse financeiro adicional do Brasil à Bolívia vai consumir menos de 1% do lucro anual da Petrobrás [eu continuo escrevendo com acento]. E faz sentido. Se o sujeito compra um boi ele paga também o filé mignon. Ainda que só vá consumir o coxão duro. Se a Bolívia manda para o Brasil um gás rico, não faz sentido pagar pelo todo como se só houvesse a parte pobre. Evo Morales leva para La Paz uma vitória diplomática e econômica na bagagem. Ótimo. Isso vai fortalecer o governo central daquele país e ajudar a reduzir as tensões secessionistas na Bolívia. Colocar lenha na fogueira da desestabilização boliviana seria um equívoco brutal. A fragmentação do país vizinho seria um desastre para o Brasil. Infelizmente, há indícios de que a Petrobrás subestimou essa variável. Mas diplomacia não é o core business da Petrobrás. O erro estava em terceirizar para a empresa a política externa brasileira em relação a La Paz. Felizmente isso foi corrigido a tempo. A fragmentação boliviana ameça instalar mais um conflito militar em nossa fronteira (já temos um, na divisa com a Colômbia), ameaça bloquear o processo de integração regional e ameaça dividir o continente em dois blocos antagônicos. É curioso como os críticos da suposta "ideologização" da política externa brasileira se aferram (sem perceber?) apenas a critérios ideológicos, deixando de lado o interesse nacional. "Vocês fazem uma política externa ideológica. Já nós, que somos contra isso, queremos arrebentar o Evo Morales e o Hugo Chávez. Mas o fato de nos opormos ideologicamente a eles é apenas coincidência." Quem não te conhece que te compre. Ah, sim, os contratos. Qualquer empresário sabe que há uma única situação em que revisar contratos se torna imperativo: quando os termos acordados se afastam demais das condições de mercado. Não conheço empresário que se aferre a um contrato que arrebenta um fornecedor de que dependa o negócio desse empresário. Só é pena que Lula e o Itamaraty tenham demorado tanto para agir. Mas eu compreendo. Com o grau de histeria desencadeado pelo assunto na campanha eleitoral, talvez o presidente e o chanceler tenham agido com a necessária prudência. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Leia também:
Morales Breaches Lula/Petrobras Fortress

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18 Comentários:

Anonymous Jura disse...

O rio retornou ao seu leito.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007 19:44:00 BRST  
Anonymous Danilo disse...

Alon não seja desonesto. A maioria não critica o fato de pagar mais ou menos caro o gás, mas sim a quebra de contrato de maneira unilateral.

Se fosse algum contrato privado que o senhor ou qualquer outro tivesse feito e fosse quebrado assim unilateralmente, mesmo com o falacioso argumento de justiça e equiparação dos valores, apostos que muitos estariam aqui esperneando...

Princípio básico que uma economia moderna deve ter, respeito aos contratos, sejam eles bons ou ruins, se forem ruins punam, critiquem aqueles que o negociou; se for bom apenas aplaudam.

Por exemplo, as concessionárias rodoviárias á época da privatização, assinaram contratos aonde seus aumentos de preços eram baseados no IGPM (tem o câmbio em sua composição, e em 1998 já era esperado uma forte desvalorização do Real), logo se deram bem... agora recentemente tentaram renegociar os contratos pois o IGPM, que tem conta com forte peso cambial, e o Real se valorizando, não permitiu aumentos consideráveis, logo tentaram alterar o indicador, por algum mais favorável, o governo paulista vetou. Todos aplaudiram... não entendo agora porque ficam com esse papo de Madre Teresa das Américas e vamos ajudar os pobres bolivianos...

Renegociar é uma coisa, chantegear e romper unilateralmente é outra.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007 20:19:00 BRST  
Anonymous j4candido@ig.com.br disse...

Deixa o homem trabalhar...

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007 20:37:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, isto não é análise, é torcida
JV
péssimo jornalismo, pode ser uma boa num blog.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007 22:41:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Como todos estes novos Blogs do IG, este é mais um panfletário pró-Lula.

Deprimente!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 00:36:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Antes de ser Presidente, ele é sindicalista... Pfui.

E la nave va.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 07:15:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

O Brasil fez um gol, mas tomou dois da Bolívia.

Alon, o Brasil não é um país rico. Não faz sentido desperdiçar dinheiro.

E lembre-se que a Petrobras investiu na Bolivia porque o gás era barato.

Esse dinheiro que está saindo não poderia ser investido em educação no Brasil?

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 07:30:00 BRST  
Anonymous luis fernando disse...

É isso Alon. Criticar quando preciso, elogiar quando merecido. Fossemos dar ouvido a certas vozes, já teriámos invadido com armas a Bolívia para garantir nosso sagrado "direito". A diplomacia brasileira continua em seu ritmo, independente da ideologia. É uma das poucas instituições nacionais com qualidade e méritos que ultrapassam governos.
A Petrobrás descumpriu um contrato e nenhuma voz se levantou para questioná-la. A Bolívia clama seu direito a seguir seu rumo como nação e o deus mercado estrebucha.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 08:14:00 BRST  
Blogger Miguel do Rosário disse...

mandou alon, concordo. muito bem explicado. poderia ainda dizer um tanto de coisas em favor do interesse brasileiro numa bolivia forte. Os EUA não investiram na europa do pos-guerra? Nao era para criar um mercado que, como depois de viu, ajudou a enriquecer o proprio EUA? O Mercosul hoje não tem ajudado o Brasil a bater recorde de exportação? Ah, voce viu o texto que escrevi comentando um artigo seu? abraço

Vê la quand puder.
http://oleododiabo.blogspot.com/2007/02/compaixao-do.html

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 08:29:00 BRST  
Anonymous Tiago disse...

Infelizmente, não se discute o preço, que alias a corrigido a cada três meses de acordo com as cotações internacionais(informações do Presidente da PetroBRAZ, so de piada), o que não gostamos e que o Sr evo fique fazendo campanha em cima de nos e que tome conta de nosso patrimonio sem nos dar um tostão. E ainda querem que coloquemos mais dinheiro lá. Parem com isso.
Vejo muita grita, aahhh que o governo anterior vendia gas a preço de banana etc, mas ninguem leva en conta qual era o preço na época e os mecanismos de reajuste. Assim e muito facil pros Caudilios da vez ficarem falando das mazelas dos outros, e quando chegam as suas culpam os outros, veja nosso colega Chaves, sua politica economica esta levando o pais ao desastre, e ele em vez de rever os conceitos diz que é CULPA do EUA. Parem com isso.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 08:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Finalmente você elogiou o governo em alguma coisa.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 10:17:00 BRST  
Blogger rafael disse...

O Brasil investe, gasta dinheiro na Bolívia com infra-estrutura, a Petrobras é ocupada militarmente(qual era a necessidade daquilo, Alon?), Evo insinua que o Brasil é explorador(lembra do que foi dito sobre cavalo e o Acre?), e agora paga o mesmo preço que a Argentina, que não investiu nada.

Golaço da diplomacia brasileira!

Contra.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 11:55:00 BRST  
Anonymous Paulo Schmitt disse...

Alon, depois de ver o recuo da Miriam Leitão hoje no Globo eu sou obrigado a dar o braço a torcer. É por essas e outras que sou fã do seu blog.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 12:12:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Ò Evo deveria colocar o Exercito Boliviano em repouso, pois não precisa de canhoneiras para tirar o que bem quiser do Lula, rasgando contratos e dando chutes no traseiro do cumpaero sindicalista. Alon, isto não vai acabar bem, daqui a pouco teremos o Chavez invadindo a Calha Norte.....
JV

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 13:20:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

Alon,

Depois da postura inicial do governo e do chanceler, a saída foi coerente e esperada.

Mas abordar a questão de modo simplificado como vc faz ("queriam pagar apenas o preço justo de mercado...") e ignorar que fazíamos jus a esses preços camaradas justamente por havermos investido pesado e assumido riscos, é - como disse outro comentarista - desonestidade. Não cai bem em vc.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 15:34:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Frank, os bolivianos tem as suas contas, segundo as quais eles vinham fazendo um pessimo negocio, mesmo levando-se em consideracao os investimentos. Nos temos as nossas, que provavelmente indicam o oposto. E dai? Melhor do que esperar para ver quem tem razao e encontrar uma saida. Nao ha desonestidade nisso.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 15:45:00 BRST  
Blogger Ricardo disse...

Qual foi o ganho do Brasil? Não entendi, de verdade. Não foi só o reajuste, mas vamos investir num pólo gás-químico (que será invadido pelos militares bolivianos?), vamos criar uma EMBRAPA (para que os brasilianos da fronteira seja expulsos?), vamos dar tudo em troca do quê? De perder todos nossos investimentos da Petrobrás naquele país?
Foi na verdade uma bola nas costas que tomamos do companheiro sindicalista. O Brasil fica em último plano, subserviente agora a países de quinta categoria. Que involução...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 16:17:00 BRST  
Anonymous Fábio S dos Santos disse...

O Brasil agiu certo, temos que ser justos com as outras Nações, principalmente nossos vizinho. A Bolívia do jeito que estava, com todo respeito aquela Nação, nem para aliado servia. Não tenho dúvida que a Bolívia forte e democratizada torna-se-á um grande parceiro comercial do Brasil, muito mais do que ela subjugada.
Está de parabéns o Itamarati e o Presidente Lula

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 19:07:00 BRST  

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