sábado, 17 de fevereiro de 2007

Um argumento que não pára de pé (17/02)

Comentei ontem uma passagem do discurso feito por Luiz Inácio Lula da Silva algumas horas antes em São Paulo. Escrevi com base nas reportagens sobre a marquetagem presidencial no lançamento de um call center da Telefônica (Foto Agência Brasil: Ricardo Stuckert/PR). A oposição não reparou que o presidente da República apresentou uma companhia privatizada, uma estatal vendida aos espanhóis, como exemplo de empresa que se dedica a criar empregos para os jovens em nosso país. E não faz nem meio ano que Lula se reelegeu numa campanha em que o centro de seu marketing foi a demonização das privatizações. Mas a oposição deve andar muito ocupada para prestar atenção nessas bobagens. Soube outro dia que eles vão fazer até seminários para tentar descobrir no que exatamente discordam do governo.

Hoje pela manhã li no Globo Online a íntegra do discurso do presidente. Lula criticou os que propõem a redução da idade em que o sujeito se torna penalmente responsável pelos seus próprios atos. Entendi que o cerne da argumentação do presidente está neste trecho:

"E fiquei pensando nos milhões e milhões de jovens da idade de vocês que moram nesta cidade, neste estado e neste país e que por uma razão qualquer não tiveram o bom encaminhamento na vida que vocês tiveram. Certamente, menos por culpa desse próprio jovem mas, quem sabe, por culpa de erros cometidos pelo Estado brasileiro ao longo da sua história de não dar à juventude brasileira a atenção necessária para que ela pudesse significar definitivamente o futuro da nação. É importante lembrar, é muito importante lembrar, que faz mais de 26 anos que a economia deste País não cresce o suficiente para gerar a quantidade de empregos e a distribuição de renda que nós precisamos. E muitos desses jovens que hoje estão presos são jovens de 24 anos de idade, de 20 anos de idade, que na época do 'milagre brasileiro' não tinham nascido ainda, mas que na década de 80 já tinham três, quatro anos de idade. Eles são, na verdade, o resultado de um momento longo, de quase 25 anos, em que o Estado brasileiro não cumpriu com as suas funções para com a grande parte do seu povo. Então, eu fico me perguntando se seria justo punir apenas quem cometeu a barbaridade e esquecer de fazer a punição a quem é culpado por esses jovens terem chegado a essa situação. Porque são milhões de jovens que levantam de manhã, que moram mal, que foram desestimulados por qualquer razão a parar de estudar, que não têm perspectiva do emprego."

Em síntese, segundo Luiz Inácio Lula da Silva, a criminalidade juvenil cresce entre nós porque não criamos empregos no ritmo que seria necessário para absorver os jovens que entram no mercado de trabalho. Faz sentido? Para responder a essa indagação, só há um caminho. Que tal verificar o que acontece com a criminalidade e a delinqüência juvenis no país que mais cresce no mundo? Na nação que mais cria empregos no planeta? Claro que estou falando da China. Aí eu sentei na frente do notebook e dei uma sapeada no Google. Vejam o que achei no Diário do Povo, voz oficial dos comunistas chineses, partido no poder:

"Jovens entre 14 e 25 anos respondem por 44% do número total de pessoas que cometeram crimes na primeira metade de 2005, um aumento de 1,6% sobre o mesmo período no ano anterior. (...) Jovens envolvidos em crimes violentos representam 70% do total de pessoas que cometeram esse tipo de crime. (...) 'A taxa de delinqüência juvenil está crescendo. Os pais precisam enfrentar esse problema', afirmou Wu Heping, porta-voz do Ministério da Segurança Pública."

Está em More juveniles involved in crimes in China (Mais jovens envolvidos em crimes na China), no People's Daily Online de 16.08.2005.

Procurando um pouco mais, encontrei esta outra preciosa informação:

"Estatísticas colhidas pela polícia chinesa mostram que entre 2000 e 2003 a participação de delinqüentes juvenis no total de suspeitos de cometerem crimes foi de 11,8% em 2000, 12% em 2001, 13,4% em 2002 e 18,9% em 2003. Os números foram revelados por Huang Jingjun, membro do Comitê Nacional da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês (National Committee of the Chinese People's Political Consultative Conference - CPPCC), durante a quarta reunião plenária da sessão anual do comitê."

Está em China faces rising rate of juvenile delinquency (China enfrenta taxa crescente de delinqüência juvenil), no People's Daily Online de 11.03.2005.

Como se vê, há algo que não fecha na teoria de Lula. Ela (a teoria) pode servir para tentar justificar a inação do governo federal no combate à criminalidade entre os jovens. Mas não tem qualquer elo com a realidade. A China cresce, há três décadas, a taxas médias de quase dois dígitos. E o envolvimento dos jovens com o crime é cada vez maior, segundo o governo chinês. Nenhum país oferece aos jovens tantas oportunidades como a China. E os chineses estão às voltas com uma crescente e preocupante delinqüência juvenil. Os chineses estão às voltas com cada vez mais crimes cometidos pelos jovens. Ou seja, o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva é bonito, até emociona, mas infelizmente não pára de pé. E daí? Bem, isso seria apenas uma lacuna intelectual, não fosse por certo detalhe: os números chineses talvez indiquem que a criminalidade juvenil pode, ao contrário do que diz Lula, guardar correlação não com a falta de prosperidade, mas com a forma que ela adquire em cada país. Pode haver relação com o crescimento da população urbana, com o enfraquecimento (ou mesmo dissolução) dos laços familiares, com o maior número de alternativas de lazer e consumo à disposição dos jovens [hedonismo, segundo o Houaiss: cada uma das doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral, embora se afastem no momento de explicitar o conteúdo e as características da plena fruição, assim como os meios para obtê-la]. O problema é que, aparentemente, o nosso governo federal não tem a mais remota idéia de como lidar com essa nova realidade. E o crime come solto nas ruas. Tomara que o próximo ministro da Justiça -quando Lula decidir nomear um- encare esse desafio e nos diga o que fazer. Pois de gente que nos explica o que não deve ser feito já estamos bem servidos.

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22 Comentários:

Anonymous Lau Mendes disse...

Alon se voce considera escravidão trabalho...Porque não ir ao obvio.Qdo Presidente Lula ou qualquer outro cidadão fala em crescimento econômico visando emprego da mão-de-obra brasileira esta invariavelmente falando de desenvolvimento social.Se junto a esta conclusão for apresentada a evolução social(IDH/Cinha x Brasil),aí é que a descamba.Penso que voce foi infeliz no paralelo com a China.Abração.

sábado, 17 de fevereiro de 2007 20:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Deixa eu entender o que disse o comentário anterior. Pelo que li do que disse a Lau Mendes, o Brasil é um país que oferece melhores oportunidades para os jovens na comparação com a China. Nem o mais fanático petista assinaria embaixo de uma afirmação como essa. O Alon está certo. Lula não sabe do que está falando.

sábado, 17 de fevereiro de 2007 20:38:00 BRST  
Anonymous Lau Mendes disse...

É o contrario sr."anônimo do Alon".As oportunidades são péssimas ,e a muito tempo.O afirmo é que a China não serve de parâmetro para nem um outro país quando se fala em desenvolvimento social.Não adianta nada o país ter um PIB considerável se usa mão-de-obra quase escrava.Quanto ao crime no RJ,não há nome que defina àquela barbárie.Mas não acredito que pena de morte resolva insanidade,mesmo que tenha sido provocada pelos descaminhos do sociail.Qto. ao Presidente Lula saber ou não o que fala,isto é problema seu,e para mim o problema seu é só seu.
ass. o Lau Mendes

sábado, 17 de fevereiro de 2007 21:14:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

Ah, então Lula parece ver com simpatia a privatização - bom, ao menos a aludida na matéria.

Entendi.

Vejamos:
1) Lula se elegeu em 2002 bradando contra o modelo macroeconômico excludente.
2) Após eleito, manteve o modelo e não se deu ao trabalho de dar nenhuma satisfação acerca de sua repentina conversão (por favor, a tal da "Carta aos Brasileiros" não conta, pois não alcançou o grosso do seu eleitorado).
3) Lula elege-se em 2006 por pregar, entre outras coisas, o mantra anti-privatizações.
4) Uma vez eleito, Lula parece não achar a tal da privatização tão ruim - se esta servir de palanque, ao menos.

E tem gente que ainda leva o cara a sério...

sábado, 17 de fevereiro de 2007 21:49:00 BRST  
Blogger Correio da Amazonia disse...

O discurso do Lula é hipócrita. Ele se contradiz compactuando com esta extorsão de 8% do PIB sob pretexto da estabilidade da moeda, que, só é real, se houver aumento da oferta, e não a redução do meio circulante mediante emissão de títulos públicos que não estão financiando nada, pagando taxas absurdas com o dinheiro dos impostos. Apenas mantendo privilégios de quem já é rico.
Mas, nesta questão da maioridade penal ele não está errado, e o deputado Gabeira já apontou o rumo que o Congresso deve seguir, em entrevista ao Alexandre Garcia, com o presidente da Comissão de Segurança da Câmara, ontem. A idéia é ampliar a medida sócioeducativa para até 10 anos. Quando nada, vão possibilitar que os adolescentes com personalidade psicopática, que cometem crimes, tenha oportunidade de viver em sociedade como os outros que não cometem crimes porque vivem em outras circunstâncias. Isto, depois que seus cérebros estejam inteiramente formados, já na idade da razão. Bom, se sairem dos estabelecimentos nos quais sejam intenados com porfissão definida, seria mais fácil a reinserção social.
Pedro Paulo

sábado, 17 de fevereiro de 2007 22:13:00 BRST  
Anonymous Pri Silva disse...

Meu respeito e minha admiracao por voce. Mesmo sabendo de sua preferencia por Lula, é admirável sua honestidade intelectual. Você não tem posições pré-definidas. Você analisa a fundo cada caso e busca argumentos. E quem quiser discordar que também tenha argumentos. Meus parabéns.

sábado, 17 de fevereiro de 2007 22:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sra. Lau Mendes, a sra. acha mesmo que o jovem brasileiro médio tem uma qualidade de vida melhor do que a do chinês médio? Se a sra. estiver certa somos um dos melhores países do mundo!

sábado, 17 de fevereiro de 2007 22:21:00 BRST  
Anonymous Marcio disse...

É bastante complicado comparar culturas diferentes a partir de dados como estes. O que sabemos da China é que tem muita gente lá. Mesmo com esse almento de criminalidade, em termos percentuais, isso é comparado ao Brasil em assacinatos por abitante? e outra, tem a questão cultural, sabemos que la na china não se tem muita liberdade de expressão. Nas conversas que tive com chineses amigos meus, eles me falaram que na China não tinha nem de longe a violencia que nos conhecemos por aqui. Mas talvez eles tenham mentido e você com seus dados esteja certo. Sinceramente não vejo como esses dados podem invalidar a teoria do Lula.
tè mais
Marcio

domingo, 18 de fevereiro de 2007 03:26:00 BRST  
Anonymous trovinho disse...

A indiferença pelas dores e náuseas não podem custar tão pouco, faz cair na lógica da perversão acenar com pífia punição e é disfuncional em inibir outros moedores de carne (inclusive de colarinho branco)

domingo, 18 de fevereiro de 2007 05:00:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O Lula é o 'bon sauvage". E a proto-intelectualidade esquerdista brasileira baba em cima de todas as besteiras que ele fala.

É por isso que o país só anda prá trás. Não tem elite e quem poderia ser elite faz questão de rastejar no analfabetismo auto-imposto.

C'est pas un pays serieux.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 09:10:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sabe qual é o problema, Alon? É que nós, de esquerda, passamos a vida achando que todas as mazelas da sociedade se devem à distribuição desigual da renda. E quando surge um problema complexo como este a esquerda não sabe o que fazer. Continue na sua luta para desmascarar os falsos profetas do "social" como panacéia. É o que você disse num post lá atrás: o crime não é de esquerda. Eu acrescentaria: não é uma expressão legítima da luta de classes. Pois só falta o Lula dizer isso. É o que, no fundo, no fundo, ele acha.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 11:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon

Voce não reparou que sem querer voce deu razão ao raciocinio do presidente, pois se um pais que não é o nosso, e esbanja emprego aos jovens também está começando a enfrentar problemas com violencia juvenil, imagine no nosso onde o jovem não tem emprego, e as alternativas de lazer são grandes, porém não estão ao alcance da maioria dos jovens brasileiros, o resultado só pode ser um a explosão da violencia.

Paulo Cesar Guzzo
pcguzzo@ig.com.br

domingo, 18 de fevereiro de 2007 13:11:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

As pessoas pedem paz, fazem passeatas e campanhas pelo desarmamento. Mas não existe mais ilusões possíveis. A paz só virá depois de um declaração de guerra à criminalidade.
O Presidente e os governadores estão na difícil missão de qualquer chefe de Estado que precisa decidir uma declaração guerra. Guerra ao crime. Haverá custos políticos e financeiros, mas serão tanto menores, quanto mais cedo agir. Haverá custo em vidas (do crime e das polícias), mas no balanço geral, salvará mais vidas, ao reduzir a criminalidade e o armamento ilegal.
É decisão para Estadista. Um governador que tomar essa decisão na frente arrastará fichas para 2010 (talvez Sérgio Cabral esteja saindo na frente, talvez Serra, que herdou a melhor infra-estrutura de presídios, possa chegar na frente). Se Lula não tomar essa decisão, sua liderança política se esvaziará como esvaziou-se a liderança de Brizola, vitimado pela inação na segurança quando foi governador do Rio. Lula chamou responsabilidade para si na segurança pública em seu discurso de posse. Está devendo transformar as palavras em ações.
Guerra ao crime significa significa desarmar os criminosos (naturalmente à força), cumprir mandatos de prisões em massa. Fazer varreduras e blitz para prisões de criminosos. Todas medidas de força. E precisará construir presídios em massa para abrigar essa massa de criminosos que hoje agem nas ruas, e não cabem na rede de presídios existentes.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 14:29:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Se o problema é emprego, Lula não precisa ir ao Maracanã, como sugerido em post anterior, mas precisa conversar com os garçons, porteiros, telefonistas, camareiras e taxistas dos hotéis onde hospeda.
O ministro do turismo Mares Guia fez há tempos um estudo do impacto que a exigência de vistos de turistas norte-americano provoca em empregos e crescimento econômico no setor, recomendando revogá-la pragmaticamente. Venceu a tese ideológica da reciprocidade "burra" do Itamaraty. Inteligente seria exigir vistos apenas para trabalho, e eliminar os vistos de turismo.
Lula está cedendo ao lobbie da fila de brasileiros nos consulados americanos que vão à Disney ou New York, em detrimento dos brasileiros da fila do desemprego. Não está se dando conta que deixa sua política de vistos pautada pelo governo dos EUA, em vez de fazer sua própria política pragmática visando o interesse nacional brasileiro.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 14:52:00 BRST  
Blogger Pedro Lamarão disse...

Não, Anônimo. Não é isso que ele acha. O que ele acha é que a quantidade de crimonosos hoje ser maior do que foi um dia é resultado de um complexo conjunto de forças sociais que se desenvolveram nas últimas décadas.

O que ele acha é que criar momentum para uma solução penal do problema é ruim e que criar momentum para uma solução social do problema é bom.

Se a responsabilidade executiva da solução do problema é sua se torna irrelevante pra você a discussão moral sobre este ou aquele indivíduo criminoso. Você deve decidir sobre o que fazer com uma multidão.

Então para onde nós vamos levar o ânimo da multidão? Vamos dizer para a multidão que a partir de agora o que se deve fazer é meter ainda mais porrada na bandidagem? Rio de Janeiro e São Paulo precisam de uma guinada de proporções históricas para resolver o problema da criminalidade; é esta a força histórica que nós realmente queremos alimentar?

Acredito que este seja o problema, em toda a sua magnitude, que ocorre ao nosso Presidente.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 15:10:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não, caro Guzzo, é o contrário. Não se elege um presidente para fazer constatações ou teses acadêmicas. Presidente é para governar. Quando Lula coloca o foco de sua atenção em causas erradas, ou secundárias, ele erra. Lula dizer que é preciso dar emprego aos jovens não significa nada. Quem é contra dar mais empregos aos jovens? O problema começa quando Lula usa esse tipo de generalidade para escapar das obrigações dele, Lula. Um abraço.

domingo, 18 de fevereiro de 2007 16:22:00 BRST  
Anonymous Vinícius Tavares disse...

Caro Alon, tenho dúvidas se o exemplo chinês pode ser aplicado ao Brasil. Não me parece cientificamente adequado comparar duas realidades diferentes. O mais correto seria comparar o caso brasileiro com o de outro país que tenha saído de um descalabro social semelhante ao nosso para uma realidade onde haja melhoria dos níveis de emprego, renda e educação.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 01:23:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon

O senhor agora está dando uma de cabeça de planilhas do Nassif.O senhor levantou uma tese e eu digo que sua tese apenas corroborou a fala do presidente.
Agora o senhor desdiz tudo, a tese não serve e o presidente não pode fazer constatações, mas apenas governar. Diga-me como governar sem primeiro constatar realmente quais são os fatos, sem equacionar corretamente o problema, não se esqueça que ao falar o presidente pode não estar falando sómente por ele mas por toda uma equipe de assessores.
Querendo ou não a elite endinheirada do Brasil, as TFP's,tem uma divida muito grande para com a imensa maioria do povo brasileiro e que precisa ser sanada.

At,

Paulo Guzzo

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 11:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sr Pedro Lamarão

Miséria e favelização agora tem outro nome: complexo conjunto de forças sociais.
Sr Pedro quem comete crime por estar enfastiado com sua vida social é jovem de classe média alta e rico. Pobre entra no crime por falta de perspectiva de vida, pobre em sua imensa maioria rouba para comer.
Não confunda as coisas.
Quem precisa de saneamento básico, emprego, saúde e segurança é o pobre e não os "pobres" ricos do Brasil.
At,
Paulo Guzzo

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 11:15:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Guzzo:
Em primeiro lugar, obrigado por freqüentar o meu blog. Em segundo, vejo que você considera a apresentação de números como um defeito da argumentação("cabeça de planilha"). É um direito seu. Mas eu discordo da sua posição. Se o presidente diz que o principal motor da criminalidade juvenil é a falta de empregos, e se eu mostro que no país do mundo que mais cria empregos a criminalidade juvenil está em alta, temos uma contradição. Por mais que a pessoa goste do Lula, não é prudente ficar cego à realidade. E os números ajudam a entender a realidade. Dizer que toda quantificação é coisa de "cabeça de planilha" pode levar a um irracionalismo perigoso. Algo assim como "para que a realidade, se eu já tenho as minhas idéias?". E sobre seu parágrafo final, penso que devemos ter cuidado. Você diz: "Querendo ou não a elite endinheirada do Brasil, as TFP's,tem uma divida muito grande para com a imensa maioria do povo brasileiro e que precisa ser sanada". Cuidado para não chegar a uma conclusão monstruosa. A de que no crime que levou a vida do menino João os culpados são os pais dele (a elite) e as vítimas, os bandidos que o trucidaram. Um abraço.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 11:20:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon

O jovem chines tem emprego e uma percentagem dele enveredou pelo crime. O jovem brasileiro ainda carece de emprego e uma percentagem dele também énveredou pelo crime. Não precisa de estatistica chinesa para saber que falta emprego no Brasil, agora o que voce levantou não diz quem está cometendo crimes na China: o jovem que conseguiu emprego ou quem ainda não conseguiu. Pelo que sei da China as pessoas trabalham de 14 a 16 horas por dia de segunda a segunda, acho que não sobra muito tempo para cometer crimes.
Meu caro Alon a sua teoria chinesa é que não se sustenta e eu conheço as estatisticas feitas pelo IBGE, razão pela qual reitero que o problema é falta de emprego para o jovem brasileiro.
Quanto a TFP se voce não entendeu minha colocação posso detalhar para voce.
Quanto ao crime do menino, eu sei quem são os culpados e não são os pais do menino, mas sim quem participou do roubo do carro.
At, Paulo Guzzo

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 11:46:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Alon disse:

"Pode haver relação com o crescimento da população urbana, com o enfraquecimento (ou mesmo dissolução) dos laços familiares, com o maior número de alternativas de lazer e consumo à disposição dos jovens (na China)"

Melhor, bem melhor! Sem falar nas razões patológicas do Dr. Caligari, que existem até na China, claro, em proporções também chinesas, obviamente.

Em suma, lá como cá, as razões são várias e cada vez mais variadas. Faltou a menção proporcional à população chinesa por faixa etária e domicílio. Os criminosos na China vêm aumentando proporcionalmente à população de quais idades e em quais locais? O tráfico de drogas continua tendo a importância que já teve nas história da China? Como anda o comércio do ópio, vis-a-vis o da cocaína no Brasil? Há desmanches na China controlados pela polícia local?

E, finalmente, os chineses acreditam que a pena de morte (que lá já existe) e a redução da maioridade contribuam para a redução da criminalidade?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007 18:10:00 BRST  

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