sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Reconheçamos o nosso fracasso (09/02)

Quem deseja o sucesso não deve terceirizar a responsabilidade pelos seus próprios fracassos. Se você encontrou a derrota num certo momento da vida, aprenda com ela (a derrota) em vez de buscar culpados. Esqueçam um pouco da ideologia e vamos encarar o problema. Somos uma sociedade que fracassou no combate ao crime e à violência. Somos um país em que o cidadão comum não está protegido pela Justiça. Transformamo-nos numa nação em que as leis não assustam os bandidos. Se você discorda do meu diagnóstico, fique à vontade para criticar. Mas você me ajudará mais se apresentar elementos, em vez de somente opiniões. Vejam só: em menos de 24 horas os grandes partidos chegaram a um entendimento sobre como deve ser distribuído o dinheiro do fundo partidário. Mas o debate sobre como proteger o cidadão contra o crime e a violência não sai do lugar há anos. As propostas estão engavetadas. No post anterior, registrei o argumento alheio de que mudanças na legislação relativa à segurança da sociedade não devem ser feitas sob o impacto dos acontecimentos. Acho que eu sei por que o debate não anda. É porque não há dia em que um acontecimento desses não nos impacte. Estamos sentados esperando que o além nos socorra, enquanto nossos filhos são massacrados (ou massacram) nas ruas. Chega. O Congresso Nacional tem a obrigação de incluir esse debate na pauta antes de qualquer outro. Se vai fazê-lo é outra coisa. Eu acho que não vai. Talvez tenhamos de esperar mais quatro longos anos para que um governo enfrente o problema. Mas não custa dar um grito. Nem que seja para aliviar momentaneamente a dor.

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13 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Alon, concordo sobre a inoperância do Congresso, que discute salários e fundo partidário antes de discutir problemas crônicos nacionais, mas a extensão do problema alcança o judiciário, o executivo federal, os governos estaduais, e outras instituições. Só acredito que segurança tornar-se-á prioridade nacional, quando a sociedade tiver um engajamento cívico semelhante às Diretas Já. Quando a população sair em massa no cortejo fúnebre por uma vítima como essa criança, da mesma forma que saiu no enterro de D. Lyda Monteiro (aquela secretária da OAB assassinada por uma carta bomba). Lembremos que a pressão popular política desarticulou o aparelho repressivo das polícias estaduais e federais, produziu leis (constituição) que restabeleceu o estado de direito. Da mesma forma, uma pressão popular por segurança, que coloque 500 mil pessoas nas ruas, colocará o assunto em pauto no Congresso, fará com que a corrupção policial não seja mais tolerada, que o orçamento para a segurança seja aumentado, que o judiciário seja mais rápido e rigoroso, assim como a execução penal.
Só mudar leis não adianta. De que adianta leis que dizem que criminosos devem ficar preso, se para cada 10, 20 ou 50 criminosos existem só uma vaga prisional?
Em tempo: não me refiro a passeatas "fashion" de branco pedindo paz como já houve várias, e sim pedindo guerra ao crime.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 17:23:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Assim como nas Diretas Já, vários jornais colocaram tarjas verde-amarelas abraçando a campanha, a imprensa deveria aderir com tarjas pretas, até termos "Segurança Já". Se gostar da idéia, espalhe à seus editores conhecidos.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 17:25:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Eu não sei bem o que escrever sobre o assunto.

Este episódio que originou os posts é terrível.

De minha parte, estou farto de justificativas "sociológicas" que transformam assassinos crueis em vítimas. Estou farto dessa
"antropologia" e seu relativismo justificador das mais diversas formas da perversidade humana.

Você escreveu: "Somos um país em que o CIDADÃO COMUM não está protegido pela Justiça". Concordo. Mas veja a que ponto chegamos: acabamos nos acostumando com um qualificativo que nunca poderia estar unido a esse substantivo:
"cidadão comum". O que isso significa? Penso que mesmo para nós (você, eu e tantos outros) que somos republicanos ainda subexiste, como forma mentis, essa diferença aristocrática a separar e classificar categorias de indivíduos. Não sei se me faço entender. Por que escrever
"cidadão comum" e não apenas
"cidadão"?

Que merda, Alon. Veja que mesmo nós, que acreditamos na igualdade de todos perante a lei, estamos confusos ao ponto de distinguir e aceitar como se fosse um dado da natureza diferenças entre cidadãos. Afinal, quem é esse outro do "cidadão comum"? Quem é esse outro que não é comum? No que reside a especificidade que os torna tão incomuns ao ponto de se distinguirem de outros?

Você é um cidadão comum? Não. Você é único. Você, como eu e como qualquer outro que vive numa sociedade republicana é cidadão, é indivíduo. Para além do imediato que foi a percepção do ato bárbaro e covarde daqueles indivíduos, fica o menino João que sofreu um atentado terrível e que lhe retirou aquilo que para qualquer indvíduo é o bem mais precioso: a vida.

Não sei, Alon. Acho que estou ficando cansado.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 19:35:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Quando a violência e a arbitrariedade envolvem pessoas de expressão da sociedade, há mobilização. Exemplos: o assassinato do jornalista Vlado Herzog; a anistia aos exilados políticos e sua volta à pátria; a campanha das Diretas-já (encampada em boa parte pela mídia, decepcionada com seu "protegido" Collor). Quantos abaixo-assinados assinei na pça da Sé a favor daqueles que partiram num rabo de foguete (em sua ampla maioria, filhos de família de classe média e intelectual).
Como a violência hoje está banalizada, ela só horriza quando passa dos "limites" que a cada dia se tornam mais elásticos. Se a tragédia envolver os de baixo, então, ninguém se move. Vide a tortura no centro de SP; poucos blogs se dignaram a comentar a bárbarie.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 22:05:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Procuro ter critério ao postar comentários que não são meus. Sempre que faço, eu o faço por considerar que o que li é relevante para o bom debate que travamos aqui.

O que trancrevo, foi a coisa mais lúcida que li até o momento. Há muito para se refletir ali. Tenho uma discordãncia exata ao comentário: sou contra a pena de morte.

Se você me permite:

"Com certeza está mais que na hora de se começar a debater a pena de morte, prisão perpétua e auto-custeio dos encarcerados (se não produzirem para pagar a estadia, morram de fome). Pois não é justo que os cidadãos honestos banquem a estadia dos encarcerados (apenados...). Os recursos dos cidadãos devem servir para hospitais, saúde pública, saneamento, escolas e demais investimentos de infraestrutura. Torrar recursos para mimar bandidos é uma injustiça. Cidadãos honestos em filas de atendimento hospitalar, enquanto bandidos consomem verbas que seriam melhor empregadas nos hospitais. ...e o pior de tudo, que muitos não sabem, o bandido (encarcerado) tem prioridade na fila, pois está sob os cuidados do Estado. Já aqueles cidadãos decentes que pagam para ter os serviços do Estado, e que o Estado explora sob pretexto de "cuidar deles", não é considerado sob responsabilidade estatal. ...isso é uma aberração. Afinal, no meu entender, o Estado tem muito mais responsabilidade para com o pagador de impostos do que com o bandido encarcerado, que é um parasita da sociedade e efetivamente não é um cidadão, pelo menos não deveria ser assim considerado, já que não apenas é inútil à comunidade como nocivo a ela."

O comentário foi postado no blog do prof. Tambosi. O comentarista idenfica-se como C. Mouro
http://otambosi.blogspot.com/

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 22:48:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Anonimo,
A execução de Tim Lopes deveria ser o equivalente à tortura ao Wladimir Herzog. Para uma campanha de "Segurança Já" incendiar falta só alguém riscar o fósforo. Acho que todas as condições estão reunidas. Convoque atos publicos sérios por entidades sérias, que a população irá. Falta gente como a ABI, a UNE, CNBB se engajarem.

sábado, 10 de fevereiro de 2007 01:41:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O PSDB agravou a falta de estrutura da polícia paulista: banco de digitais desatualizado e sem pessoal, carga única de balas ".40" que só permite duas semanas de treino, falta comunicação, IC sem investimentos,etc...

sábado, 10 de fevereiro de 2007 05:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Se você me permite, vou responder ao José Augusto.

A tortura e morte do jornalista Tim Lopes deveria causar a mesma indignação e revolta que causou a morte do Vlado Herzog, todavia, as duas situações são diferentes no tempo e no espaço. O Vlado foi morto pela repressão do Estado, numa época que havia menos violência social; o Tim Lopes foi assassinado por traficantes, quando o Brasil já estava mergulhado na violência social e dentro de uma democracia.
A mobilização social em relação ao Vlado aconteceu por setores, que na época, estavam muito fortalecidos, como a UNE, a cut, e a CNBB, e o PT. Hoje os ditos movimentos sociais estão desmobilizados, porque o Pt está no poder com o Lula, a UNE é aparelhada pelo partido e, por conseguinte, a sociedade civil não tem com quem contar na hora de reivindicar mudanças na sociedade.
Se o PT de antigamente deixar, por hora, de disputar cargos no governo e se voltar aos interesses da maioria da população, teríamos mais manifestações contra a violência.

sábado, 10 de fevereiro de 2007 12:58:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Anonimo,
Se o Vlado foi morto pela repressão do Estado, o Tim Lopes foi morto pela repressão advinda da falta do Estado. Uma coisa que passou seu maiores repercussões na imprensa e na sociedade (para meu espanto), é que onde os restos mortais de Tim Lopes foi encontrado queimado, havia dezenas de outros corpos desaparecidos. As causas são diferentes mas os efeitos são os mesmos: tortura, repressão, mortes e desaparecidos!
Concordo em parte com sua crítica ao PT, UNE e CUT, mas é acho que essa crítica é extensível a todos os partidos, com bem lembrou o Alon na nota: "em menos de 24 horas os grandes partidos chegaram a um entendimento sobre como deve ser distribuído o dinheiro do fundo partidário"... É extensível também à OAB, às Associações de Magistrados.

sábado, 10 de fevereiro de 2007 15:29:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Pois é, um bom desafio para a Associação Nacional de Procuradores, realizar um estudo consolidando o emaranhado de leis nas quais se batem, e debatem, nos processos que nunca terminam, e nos quais tantos se locupletam. Em lugar de defender que qualquer camorra entre um juiz do interior e um promotor possam retirar de um desafeto o direito a mandato parlamentar que o povo outorgar. As vezes fico pensando se é por isto que desisti do caminho acomodado com as decisões que tomei na militância estudantil.

domingo, 11 de fevereiro de 2007 00:31:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Quando voce diz que "somos uma sociedade que fracassou no combate ao crime e à violência", lembro-me disso:

"Brame o mar e a sua plenitude; o mundo, e os que nele habitam. Os rios batam as palmas; regozijem-se também as montanhas, perante a face do SENHOR, porque vem a julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e o povo com eqüidade." (Salmos 98:7-9)

Será que não há saída? A humanidade está condenada ao fracasso?

Ah, não pode ser! Eu acredito que uma sociedade doente pode se curar. Tenho esperança que chegaremos lá. Pelo menos tenho a esperança...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007 06:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A quem interessar possa....

Durante a leitura de todos os comentários aqui postados, apenas uma certeza ficou latente. A sociedade como um todo esta vulnerável, carente de atitudes enérgicas que tentem, pelo menos tolher o que vivemos atualmente. São pais de família, mortos por não concordarem com os desmandos, são filhos órfãos, largados a sorte e a rua, o que muitas vezes ou quase sempre produz mais um "discípulo da violência".
Não sei se a pena de morte seria a solução, pois como bem sabemos, apenas os menos favorecidos monetariamente seriam executados, os que possuírem condições de contratar ícones para defende-los terminariam saindo ileso, rindo dos que o levaram a prisão e mais ainda, debochando dos familiares da vitima, como se a vitima na verdade fosse ele.
Não entendo um direito humano que sempre briga por “atrocidades” e “atitudes arbitrarias e violentas”, assim que eles definem quando o cidadão comum, ou qualquer um perde a paciência e acerta um tapa num bandido já devidamente identificado, e, não se preocupa com a família do que morreu em decorrência da maldade e falta de amor ao próximo do tal bandido.
Ninguém fala na família de Tim Lopes ou na assistência que vem sendo dada a eles. Não estou falando em assistência financeira, assistência judicial, fraternal, emocional.
Ou sobre os adolescentes mortos gratuitamente em Recife durante o carnaval, ou nos que foram mortos em São Paulo a pouco mais de 30 dias.
Creio que precisamos rever mesmo o CP o Estatuto da Criança e outros ordenamentos em vigor aqui no Brasil que induzem a impunibilidade.

segunda-feira, 16 de julho de 2007 12:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A quem interessar possa....

Durante a leitura de todos os comentários aqui postados, apenas uma certeza ficou latente. A sociedade como um todo esta vulnerável, carente de atitudes enérgicas que tentem, pelo menos tolher o que vivemos atualmente. São pais de família, mortos por não concordarem com os desmandos, são filhos órfãos, largados a sorte e a rua, o que muitas vezes ou quase sempre produz mais um "discípulo da violência".
Não sei se a pena de morte seria a solução, pois como bem sabemos, apenas os menos favorecidos monetariamente seriam executados, os que possuírem condições de contratar ícones para defende-los terminariam saindo ileso, rindo dos que o levaram a prisão e mais ainda, debochando dos familiares da vitima, como se a vitima na verdade fosse ele.
Não entendo um direito humano que sempre briga por “atrocidades” e “atitudes arbitrarias e violentas”, assim que eles definem quando o cidadão comum, ou qualquer um perde a paciência e acerta um tapa num bandido já devidamente identificado, e, não se preocupa com a família do que morreu em decorrência da maldade e falta de amor ao próximo do tal bandido.
Ninguém fala na família de Tim Lopes ou na assistência que vem sendo dada a eles. Não estou falando em assistência financeira, assistência judicial, fraternal, emocional.
Ou sobre os adolescentes mortos gratuitamente em Recife durante o carnaval, ou nos que foram mortos em São Paulo a pouco mais de 30 dias.
Creio que precisamos rever mesmo o CP o Estatuto da Criança e outros ordenamentos em vigor aqui no Brasil que induzem a impunibilidade.

segunda-feira, 16 de julho de 2007 14:01:00 BRT  

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