sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Rachada, mas não cindida (02/02)

Muita conversa sobre como vai ficar a base do governo. Não sou dos que apostam no apocalipse. Mas tampouco vou enganar você, leitor, e dizer, como Luiz Inácio Lula da Silva, que um mercúrio (cromo?) resolve. A base do governo rachou, mas não quebrou. Ela vai ficar ali, rachada, meio mambembe, mas de pé. O que mudou? Antes havia o PT, que negociava individualmente com satélites. Agora continua havendo o PT, que entretanto tem de conviver com um PMDB vitaminado (falo disso depois) e com um bloco da esquerda não petista. E com um bloco de aliados menores (PP, PR, PTB), que se arriscam ficar no segundo plano. Vai ser como a história do caminhão carregado de melancias, que vão se ajeitando conforme os solavancos causados pelos buracos na estrada. O problema é 2010. Ou Luiz Inácio Lula da Silva dá um jeito de poder disputar a eleição, ou a rachadura pode virar fratura ali em torno das eleições municipais, daqui a menos de dois anos.

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6 Comentários:

Anonymous Tiago disse...

Alon, nçao dira que a base rachou, na hora H, os partidos de esquerda vão com lula, quem vai faltar será aquela parte do pmdb, pr, ptb´s da vida que sempre faltaram. Com relação a reeleição indeterminada que você menciona no texto, vc é a favor ou contra ? Desde já aviso que sou a favor de diversas reeleições, se o cara for bom (ou enganar a maioria, que eu acho que é a situação atual) que fique.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 09:29:00 BRST  
Blogger cid disse...

alon

A perspectiva de problemas na primeira curva - as eleições de 2008 - existiriam mesmo que não houvesse a cisão provocada pela disputa na Câmara. A novidade é que agora o PT ficou mais guloso, e mais forte.

Por outro lado, temos esse bloco não-petista que pode construir uma alternativa para 2010, provavelmente com Ciro. Quanto à possibilidade de um Lula 3, não acredito. Não há clima nem o próprio se disporia a isso. Com esse quadro partidário tão frágil, seria uma temeridade expor o país a essa alternativa.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 10:27:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Deixando de lado as simpatias, o governo Lula precisa do PMDB para ter maioria parlamentar. O PMDB tem grandes bancadas na Câmara e no Senado. Os aliados (incluindo o PT) não tem votos suficientes para dar suporte parlamentar ao governo Lula. Vamos ser sinceros: Lula tentou governar no primeiro mandato privilegiando o PT, PCdoB, PSB, sem o PMDB, e o resultado foi aquela engenharia política que ficou conhecida como "mensalão". Repetir a mesma fórmula seria caminhar para o mesmo cadafalso (do qual conseguiu escapar da primeira vez). Vejo como positivo o governo estar sustentado em quatro blocos de apoio bem definidos: PT, PMDB, PSB-PCdoB-PDT, e PP-PR-PTB. Acabou tornando o quadro partidário no congresso mais politizado. Está bem mais fácil montar um ministério com base na representatividade parlamentar de cada bloco (difícil será estes blocos se comportarem homegenicamente, mas vamos aceitar um passo de cada vez). Quanto ao PT e PMDB escolherem-se mutuamente como sócios preferenciais é natural por serem os maiores, assim é a natureza da ambição política. Quanto a 2010, será que haveria qualquer arranjo capaz de garantir harmonia? Por fim, não acredito nessa história de terceiro mandato de Lula em 2010, por mais que pudesse ser interessante para o PT e PMDB. Uma reeleição mataria este seu segundo mandato, sugando todos os esforços de governo para a força-tarefa da reeleição, como aconteceu com FHC. Se fosse brigar por mudanças seria mais interessante para Lula, acabar com a reeleição, para ficar mais fácil voltar em 2014 ou 2015. Lula ainda teria idade para isso.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 13:33:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Você escreveu:

"Ou Luiz Inácio Lula da Silva dá um jeito de poder disputar a eleição"

Eu pergunto, qual jeito?

Ainda pergunto com alguma perplexidade: Essa é uma hipótese com a qual você conta? Quero dizer, ela está no teu horizonte de analista político? Haveria possibilidade de você apoiar um terceiro mandato de Lula para 2010?

Se a resposta for sim, como fica um teu comentário em um post que não deve ter mais que dois meses, no qual você deu a entender ser contrário à mudanças constitucionais para permitir a Lula candidatar-se em 2010? Se a resposta for sim, poderia nos apresentar os teus argumentos?

Enfim, você está apostando na hipótese da terceira candidatura como alternativa para evitar a fratura na base aliada? Se estiver, esse não será um preço muito alto que a República terá que pagar pela continuidade de um projeto particular de poder? Pensa mesmo que o Brasil mereceria isso?

abs

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 16:37:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não aposto. Não apóio. Apenas especulo.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 18:11:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Os verbos conjugados na foma negativa são precisos.

O verbo especular instiga, bem ao espírito do blog.

Consultei o http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx

Especular:

"v. tr. e int.,
ver, olhar atentamente, vigiar;

observar;

inquirir;

estudar;

meditar sobre qualquer matéria e fazer dela estudo teórico;

meter-se em negócios com a mira de lucros exagerados; (eu observo: não é o caso)

traficar; (idem)

agenciar; (idem)

tirar proveito, abusando da boa fé ou da credulidade de outrem; (IDEM)

adj. 2 gén.,
diz-se de certos minerais compostos de lâminas brilhantes; (bela metáfora)

relativo a espelho; (essa é boa; imagem especular, central no pensamento de Marx)

diáfano

Seguindo o dicionário, vem do Gr. diaphanés

adj., que deixa parcialmente passar a luz; (outra boa metáfora)

transparente;

translúcido;

límpido;

fig.,
magro, delgado. (essa remete à quela foto da Coreia)


abs.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 22:13:00 BRST  

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