segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Os chacais (19/02)

A cada nova informação que aparece, fica claro que os pilotos americanos do Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, foram os responsáveis pelo choque aéreo que provocou a tragédia com o avião da Gol, dias antes do primeiro turno da eleição presidencial ano passado. A revista Veja já havia publicado reportagem que apontava nesse sentido. Agora, é Folha de S.Paulo quem traz mais dados para consolidar a conclusão. Escrevi sobre o assunto um mês atrás, em Envergonhem-se. Está valendo. Os americanos viajavam com o transponder desligado. Esse erro subordina todos os demais possíveis erros. Além disso, O Estado de S.Paulo de hoje demonstra que os pilotos americanos mostraram total despreparo para pilotar o Legacy. Nenhuma dessas descobertas trará de volta os 154 mortos do Boeing da Gol. Mas talvez intimide os chacais que se atiraram sobre os cadáveres em busca de atingir objetivos nem sempre confessáveis, pelo menos abertamente. Estão temporariamente derrotados os lobistas da privatização da Infraero e os articuladores do esvaziamento da Força Aérea Brasileira (FAB). Desmoralizaram-se os colonizados de sempre ("eles são americanos, logo devem estar com a razão"). Não é garantia de que não voltem a levantar a cabeça, até porque parecem contar com sólido apoio político interno. Mas que foi uma derrota e tanto, isso foi.

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9 Comentários:

Anonymous Danilo disse...

Então o fato de a culpa do acidente ser de estrangeiros apaga, ameniza, desaparece com todas as mazelas, por omissão estatal, do sistema aéreo brasileiro ?

Genial seu argumento Alon... vamos esperar então, um acidente aonde os responsáveis sejam os órgãos estatais, perderemos algumas dezenas de vidas somente... mas até lá fica como esta, com nossa maravilhosa infraestrutura nos aeroportos e sistema aéreo...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 20:04:00 BRST  
Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon, há uma afirmação recorrente na área de tecnologia de informação que os dois sistemas civis mais críticos em termos de seguração são o da aviação comercial e dos hospitais. Não sei como um avião levanta vôo,muito menos como eles vão ao solo. Por outro lado, conheço bem hospital. Um erro de grande magnitude somente ocorre quando mais de três ou quatro postos de alerta falham em série. Por exemplo, laboratório, enfermeiro, médico cirurgião, médico anestesista e médico intensivista não notam um valor de risco (potássio elevado, como exemplo) que é letal.
Por isso acho que há vários pilotos como os descritos voando em todo o mundo, mas há controles avisando os demais da presença do "barbeiro aéreo" e, obrigando-o a fazer o correto. Lembre do acidente dos Mamomas quando o controle de São Paulo berrou o tempo todo para o piloto inverter a rota errada.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 20:13:00 BRST  
Blogger Luca Sarmento disse...

Joe Sharkkey, colunista do The New York Times, que estava a bordo do Legacy, declarou ontem, comentando a matéria da Folha, que jornalistas Brasileiros tentam "pegar como bodes expiatórios dois pilotos americanos enquanto acobertam as falhas evidentes do controle de tráfego aéreo brasileiro".
Como se vê, há controvérsias sobre quantos e quais são os responsaveis por esta tragédia.
Responsabilisar apenas os pilotos Americanos, além de pouco convincente, não resolve o problema.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 22:54:00 BRST  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Ué, tudo que eu li na Folha, Estado e Veja mostra claramente que os controladores colocaram os dois aviões em rota de colisão. Quanto ao transponder, não li em nenhum lugar que me lembre que os dois americanos desligaram-no propositadamente. As dúvidas sobre possível defeito no transponder, ao que saiba, não foram esclarecidas. Não entendi de onde você tirou suas conclusões. E será que é o caso de tratar uma questão altamente técnica como um desastre aéreo como uma briga entre colonizados e colonizadores?

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 01:15:00 BRST  
Anonymous Boges Pinto disse...

Luca, e daí que o cara é do The New York Times? O que as reportagens indicam é que a culpa foi dos pilotos. Pouco convincente? Só para quem está louco para politizar a questão.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 01:43:00 BRST  
Anonymous trovinho disse...

Verificar transponder deve fazer parte de "check list", portanto desconfiava que estavam em missão de inteligência de sinais sondando procedimentos da FAB com a desculpa que apenas testavam desempenho do Legacy com mudanças de rota sobre a área da base de Cachimbo; usando um "jeitinho", desligariam o transponder para não receberem um "rádio ita" da torre como punição. Mas isso não aconteceu pois eles não se arriscariam tanto à colisão...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 04:55:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A reportagem da Folha de S. Paulo, omite o fato do transponder estar desligado como causa imediata da colisão. Os fatos (transcrições) foram narrados e editados pela colunista/jornalista Eliane Catanheda (acho que escreve assim) que em coluna no final do ano passado apressou em desqualificar as conclusões da PF no sentido da responsabilidade principal ser dos pilotos americanos. Logo após, a própria justiça americana aceitou ação responsabilizando a empresa que adquiriu o Legacy e empregadora dos pilotos. O jornalista americano que estava no Legacy afirmou que constatou que o transponder estava desligado no momento que adentrou na cabine após a colisão - fato divulgado à época do acidente. Concordo que há falhas em série, mas se o transponder estivesse ligado seria impossível o acidente.

Rosan de Sousa Amaral

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 20:05:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Eliane Cantanhêde e a Folha de São Paulo - que capitanearam um campanha pela absolvição e liberação antecipada dos pilotos do Legacy - fazem agora uma mudança de rota de 180 graus. Fingem que nunca embarcaram numa campanha eleitoral, usando o acidente para atacar o governo.

Ninguém mais do que a Folha, portanto, precisa se envergonhar a este respeito

Joe Sharkey até hoje não explicou para quem estava trabalhando no momento do acidente. A única coisa que ele enalteceu do Brasil, no relato que publicou no NY Times, foi o desempenho do Legacy - Colliding With Death at 37,000 Feet, and Living - NYT, 03/10/2006.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007 17:11:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,vamos supor que eles tenham desligado propositalmente o transponder. Como é que os controladores continuaram a "ver" o avião deles no radar? E se não viram, como é que não concluiram que ele tinha caído(desde o instante que o transponder foi desligado)? Alto lá, se culpados, à forca, mas tem que explicar isto antes.
JV

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007 18:06:00 BRST  

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