quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

O Brasil faz o certo e se alinha aos países que não aceitam o programa nuclear iraniano (22/02)

Da BBC Brasil:

O Irã não atendeu a exigência do Conselho de Segurança da ONU e não suspendeu as suas atividades de enriquecimento de urânio, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O documento diz que, ao invés de suspender seu programa nuclear, como havia exigido o Conselho de Segurança da ONU, o Irã aumentou o volume de urânio que está enriquecendo. De acordo com a agência nuclear da ONU, o Irã expandiu a quantidade de urânio que enriquece de uma quantidade considerada apropriada para pesquisa para um nível industrial. A AIEA diz que mais de 300 centrífugas foram instaladas em uma usina iraniana e um total de 3 mil devem ser instaladas nos próximos meses. O prazo de 60 dias da ONU para que o Irã suspendesse suas atividades de enriquecimento de urânio terminou na última quarta-feira.(Continua...)

Ainda da BBC Brasil:

O governo brasileiro adotou nesta quinta-feira uma série de sanções contra o Irã por causa da decisão iraniana de manter seu programa de enriquecimento de urânio, apesar dos pedidos da ONU para que paralisasse suas atividades nesse campo. O decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelecendo as sanções foi divulgado no Diário Oficial da União e já está em vigor. As medidas estavam previstas na resolução 1737, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em 23 de dezembro do ano passado. Na ocasião, o Conselho deu ao Irã um prazo de 60 dias, que expirou nesta quarta-feira, para que o país paralisasse seu programa de enriquecimento de urânio.(Continua...)

A BBC Brasil traz ainda um resumo didático sobre a crise desencadeada pelo programa nuclear do Irã. Clique aqui para ler.

Há um ano, em fevereiro de 2006, escrevi o post O Itamaraty precisa dizer a que veio. A decisão de Lula de alinhar o Brasil com os países que não aceitam o programa nuclear iraniano está correta, à luz dos mais elevados interesses nacionais. Também é a mais adequada se for vista pelo ângulo de nossas responsabilidades na manutenção da estabilidade regional. É o segundo gol da diplomacia brasileira nos últimos dias (o primeiro foi o acordo com a Bolívia). Por que eu acho isso? Está no post de um ano atrás. Blog é um troço perigoso. Você escreve muito, e muito do que você escreve caduca rapidamente. Quando algo do que você rascunha sobrevive, é porque talvez fizesse algum sentido. Claro que sempre resta o recurso de você subir no muro. Não tem sido o caso deste blog.

Leia também:

Report Finds Iran in Breach of U.N. Order (The New York Times)

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

19 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon, você acha sinceramente que as instituições econômicas brasileiras saíram fortalecidas depois do fiasco boliviano? Que investidor vai colocar dinheiro aqui nesta parte do mundo se os contratos são solenemente desconsiderados?Acho que o Lula está ferrando com o contribuinte.
JV

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 23:34:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O Rio de Janeiro há muito tempo abandonou o ônus da civilização ao fazer a propaganda e a promoção de contra-valores, a exaltação do favelado, a beatificação dos teólogos da libertação, a proclamação dos direitos humanos dos bandidos e a promoção da vulgaridade como virtude balneária. Ordem, princípios, valores ou moral foram banidos do vocabulário carioca. Há muito que o Rio é “terra de ninguém”, servindo apenas de cenário para novelas de TV.

Frase que colei de outro blog só para você...diz tudo. Quem tem coragem de defender valores burgueses na imprensa nacional? Você vai ver, vai levar pouco tempo para que você mesmo seja chamado de reacionario (se é que já não foi).
JV

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 23:41:00 BRST  
Blogger Anão disse...

Eu tenho uma ponderação, Alon, sobre a questão do programa nuclear iraniano, não tão diretamente ligada ao teu post. Gostaria de saber tua opinião.

Os iranianos dizem que seu programa é para fins pacíficos. Se é realmente, não faço muita idéia. Mas abramos essa possibilidade: os caras querem desenvolvem um programa nuclear para criar, por exemplo, uma usina de energia, para seguir, sei lá, o exemplo francês.

Se esse for o caso, suponhamos, não seria um direito legítimo do governo - e do povo - iraniano? A oposição internacional não precisaria ser apenas contra um programa bélico? A pressão internacional não deveria ser pela ampla fiscalização internacional do programa, ao invés de sua erradicação?

Sei que esse é uma questão bastante complexa e que envolve uma rede de informações bem complicada. Muita coisa, infelizmente, não se divulga, e essa desinformação muitas vezes nos faz comprar gato por lebre.

Mas tem um grande nó nessa história toda, e que salta aos olhos. Não é preciso, junto com isso, ser radicalmente contra o programa nuclear bélico de todo e qualquer país? Seja ele iraniano, israelense, russo ou estadunidense? Israel, Índia e Paquistão possuem programa nuclear, não são signatários do Tratado de Não-Proliferação e não há nenhuma pressão contra eles. Ao contrário, há uma tolerância pra lá de generosa.

Os Estados Unidos continuam desenvolvendo armamento nuclear e fazem pressão pro Irã parar seu programa. Isso acaba por deslegitimar o esforço internacional do desarmamento nuclear. É muita hipocrisia. E hipocrisia só alimenta a irracionalidade. O aitolá chega e vê o Bush Jr. na TV mandando ele parar com o programa. O sujo falando do mal lavado. Aí que explode tudo mesmo, vai todo mundo pro buraco.

A saída não seria criar um grupo de países que lutam pelo desarmamento nuclear mundial completo, sem exceções? Não seria essa realmente A saída efetiva para a questão do armamento nuclear? O Brasil, que não tem porra nenhuma nuclear mesmo, não poderia ser um pioneiro nessa iniciativa?

Eu assino embaixo em sermos contra o programa nuclear iraniano, se ele desperta dúvidas quanto ao seu uso. Mas fico muito ressabiado quando a conjuntura internacional hipócrita, na verdade, acaba incentivando que ele se desenvolva e, no fim das contas, produzindo mais uma guerra sangrenta.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 01:23:00 BRST  
Anonymous trovinho disse...

Os analistas midiáticos alinhados com a arrogância imperial "esquecem" de relevar que a contrapartida dos acordos de controle de proliferação nuclear é a progressiva redução dos arsenais, apesar de os americanos ampliá-los. Esse cinismo alimenta a lógica de possuir um canivete nuclear que talvez intimide mais que as Bolsas de Valores, o receio por tragédias humanitárias e ecológicas. Será que fatalismo pega?

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 04:35:00 BRST  
Anonymous Roberto Baginski disse...

Alon,

só para provocar: Em que fronteira acaba o direito de um país desenvolver armas nucleares sem sofrer sanções?

Saudações,
Roberto

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 08:21:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Roberto, aceitando a provocação, até quando a paciência de Israel com um vizinho que promete varrê-lo do mapa assim que construir armas nucleares deve ir? Qual o momento certo de Israel intervir para assegurar sua reles sobrevivência, um imperativo de qualquer poder executivo?
JV

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 10:45:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Anônimo I, se a Argentina deu CALOTE de 80% nos credores externos e, DEPOIS DISSO, tem ranking de risco internacional menor que o nosso, não será a correta geopolítica do governo brasileiro no caso Bolívia que irá criar atritos.
Isso é pura ideologização de debate. O capital sabe muito bem quais são os calos que realmente o apertam...

Artur Araujo

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 12:21:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Vou sintetizar o que eu penso sobre armas nucleares. O mundo deveria aboli-las. O primeiro passo é não permitir que mais ninguém adquira armas nucleares. Exceções? Países estrategicamente ameaçados de conquista (ainda que parcial) por outros que têm armas nucleares (caso Paquistão-India). Por exemplo, eu sou contra que o Brasil tenha armas nucleares. Mas se um dia eu me convencer de que potências nucleares querem pegar para si um pedaço do Brasil eu serei a favor de que o Brasil desenvolva armas nucleares. No Oriente Médio a situação é muito fácil de resolver. Eu tenho a fórmula. Os países islâmicos (o Irã não é árabe) reconhecem Israel, estabelecem relações diplomáticas com o Estado Judeu e assinam todos um tratado de paz regional, com a adequação de seus efetivos militares convencionais para a nova realidade. Esse tratado seria o primeiro passo para a criação de um mercado comum que reunisse Israel, Palestina e demais países da região. Nosmoldes da União Européia. Nesse novo contexto, discutir-se ia um cronograma comum para a completa desnuclearização do Oriente Médio. Simples.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 14:56:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Simples? Simplesmente impossível, puro wishfull thinking. Alguem confia nos árabes se nem eles mesmos confiam entre si?
JV

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 16:57:00 BRST  
Blogger Anão disse...

Eu não seria a favor do Brasil desenvolver armas nucleares em hipótese alguma, mesmo se alguém quiser pegar um pedaço nosso. Há outras maneiras mais civilizadas de se defender do que ameaçar ou jogar bomba. Fico assustado quando algumas soluções propostas por este blogueiro, que muito considero, andam me soando meio anticivilizatórias.

Por essa justificativa para possuir armas nucleares, faço uma pergunta: será que você conseguiria convencer um iraniano de que o governo Bush não quer tomar conta ou roubar um pedaço do país dele? E, se conseguisse, estaria dizendo a verdade?

Mas uma grande piada mesmo foi ter lido: "No Oriente Médio a situação é muito fácil de resolver. Eu tenho a fórmula". Cuidado, Alon, pode ter gente não entendendo a ironia...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 20:25:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon. Faço uma leitura diferente. O Brasil aplicou as sanções da ONU contra o Irã em face da continuidade do programa nuclear deste pais não por não aceitar o programa nuclear iraniano, mas porque tem o princípio de respeitar as decisões multilaterais chanceladas pela ONU. Ora, se o Brasil pretende ter um acento no Conselho de Segurança da ONU tem que legitimar e respeitar as suas decisões - mesmo que não concorde com elas.

Rosan de Sousa Amaral

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 21:35:00 BRST  
Blogger Anão disse...

Alon, relendo aqui os comentários sobre o Irã, meio que me dou conta de uma coisa: o seu argumento do Brasil desenvolver armas nucleares em caso de ameaça externa não é, no fim das contas, uma defesa de uma corrida armamentista? Ou estou entendendo errado?

Esse nacionalismo é civilizatório?

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 22:52:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Apenas defendo que cada país tem o direito de se precaver contra ataques de outros países com ambições territoriais. É razoável.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 22:59:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

E aí justamente entra aquele argumento que mostra que o Irã nuclear desencadearia uma corrida armamentista (que já está ocorrendo) nos demais países da região, coisa que nem Israel, com 40 anos de bomba atômica provocou.
JV

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 23:11:00 BRST  
Blogger Anão disse...

É razoável usar armas de destruição em massa para defender território? Ou é mais civilizado perder o território a matar algumas milhões de pessoas?

O nacionalismo acima de tudo é civilizado? Para onde já nos levou a disputa acirrada entre nacionalismos, na história recente?

Posso cometer o atrevimento de recomendar para a discussão um texto reflexivo, ou uma pequena parte dele?

Uma peça de teatro: O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht.

Um abraço.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 23:30:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Absolutamente razoável, se o invasor as usar, ou ameçar usá-las. Está no Direito Internacional. Diferença entre guerras ofensivas e defensivas.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 23:44:00 BRST  
Blogger Anão disse...

Tudo bem que esteja no Direito Internacional. Somente isso não lhes dá caráter civilizatório. Não estou questionando sua legitimidade jurídica, mas sua eficácia civilizatória. Guerra defensiva também precisa ter seus limites, ou não? Quanto vale um território? Mais do que a proliferação de batalhas nucleares? Algum território vale mais que isso, em termos civilizatórios?

Em termos de petróleo, tem muito governo que acha que sim.

No caso do Irã, se eles alegarem que fazem armas nucleares por questões defensivas, estarão dizendo a verdade? Se sim, é um direito legítimo?

sábado, 24 de fevereiro de 2007 00:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Matéria de hoje do Estadão:

Sábado, 24 fevereiro de 2007

Apreensivos com Teerã, países do Golfo ampliam seus arsenais

Mas, ao mesmo tempo, esperam que EUA mantenham presença na região

Hassan M. Fattah

Em meio aos crescentes temores provocados pelo conflito entre o Irã e o Ocidente, Estados árabes do Golfo Pérsico deram início a um raro espetáculo de exibição de força, anunciando em público a compra de novas armas e discutindo abertamente suas preocupações de segurança.

Essas demonstrações são raras para os países tipicamente reservados do Golfo, que há tempos planejavam atualizar suas Forças Armadas, mas só agora falam disso abertamente. Funcionários militares dos EUA dizem que esses países, normalmente propensos ao confronto, também aumentaram a cooperação militar e abriram linhas de comunicação com as forças americanas na região.

Baterias de mísseis Patriot capazes de derrubar mísseis balísticos foram montadas em vários países do Golfo, entre eles Kuwait, Arábia Saudita e Catar, dizem analistas. E os países procuram cada vez mais destacar sua unanimidade contra as ambições nucleares do Irã.

“Sempre houve um reconhecimento dessa ameaça na região, mas a intensidade do debate está aumentando”, afirmou um funcionário dos Emirados Árabes Unidos. “Agora a mensagem é que há um diálogo em curso com o Irã, mas isso não significa que eu não pretenda me defender.” Faz tempo que as monarquias do Golfo Pérsico, na maioria pequenas e vulneráveis, contam com a proteção dos EUA. A 5.ª Frota dos EUA está destacada no Bahrein; o Comando Central dos EUA tem sua base no Catar e a Marinha usa há tempos instalações dos Emirados Árabes, que têm um dos portos de águas mais profundas da região, em Jebel Ali.

Também os EUA deram início a uma expansão significativa de suas forças no Golfo Pérsico, agora com a presença do porta-aviões John C. Stennis. A expansão armamentista ajuda a acalmar o temor dos governos do Golfo de que os EUA partam da região no futuro - mesmo que aumente a preocupação com um potencial confronto entre EUA e Irã, acidental ou intencional.

À medida que aumentam as tensões com Teerã, muitos países do Golfo Pérsico passam a se considerar os prováveis primeiros alvos de um ataque iraniano. Segundo vários analistas, alguns temem que os EUA fiquem militarmente sobrecarregados - e quase todas as monarquias, cheias de dinheiro graças aos altos preços do petróleo, buscam providenciar seu próprio fator de dissuasão militar.

“A mensagem diz, em primeiro lugar: ‘EUA, continuem envolvidos na área’. E depois diz: ‘Irã, vamos manter uma vantagem tecnológica, custe o que custar”, afirmou Emile el-Hokayem, pesquisador do Centro Henry L. Stimson, grupo de estudos de Washington. “Eles tentam consolidar a credibilidade da ameaça do uso da força.”

Funcionários militares da região compareceram nesta semana à feira comercial militar IDEX, evento semestral que se transformou no maior mercado de armas regional, atraindo quase 900 fabricantes do mundo todo. Os visitantes estavam prontos para atualizar suas capacidades militares e defesas aéreas e navais. E também traziam uma mensagem velada de resolução.

“Acreditamos que há uma necessidade de poder para proteger a paz, e pessoas fortes com a capacidade de responder são as verdadeiras protetoras da paz”, disse na exposição o xeque Khalifa bin Zayed al-Nahyan, presidente dos Emirados Árabes e governante do emirado de Abu Dabi. “É por isso que nos esforçamos para manter a eficiência de nossas Forças Armadas.” O Golfo Pérsico tem sido um mercado lucrativo para armas. Arábia Saudita, Kuwait e Omã gastam até 10% do PIB com suas Forças Armadas,o que representa, respectivamente, US$ 21 bilhões, US$ 4 bilhões e US$ 2,7 bilhões, calcula John Kenkel, diretor de Serviços de Assessoria Estratégica da revista Jane’s Defense.

Estima-se que países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Arábia Saudita gastem até US$ 60 bilhões neste ano se concluírem os negócios anunciados recentemente. O maior comprador de 2006, segundo o jornal da indústria da defesa Defense News, foi a Arábia Saudita, que concordou em adquirir 72 caças Eurofighter Typhoon por US$ 11 bilhões, além de fechar um acordo de US$ 400 milhões para modernizar 12 helicópteros Apache AH-64A.

Afirma-se que o reino também planeja comprar mísseis de cruzeiro, helicópteros de ataque e tanques por um total de US$ 50 bilhões.

sábado, 24 de fevereiro de 2007 12:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sr Anão, que história é esta de atitude "civilizatória"?
JV

sábado, 24 de fevereiro de 2007 21:34:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home