quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Na Estônia, eleição pela internet (22/02)

Você sabia que o Skype foi desenvolvido na ex-república soviética da Estônia (se quer saber onde é o país, clique no mapa)? Eu não sabia. Agora, veja a notícia que o José Augusto Duarte manda para este blog:

Estônia marca primeira eleição mundial pela Internet

Quarta-feira 21 de Fevereiro, 2007 7:11 GMT15

Por David Mardiste

TALLINN (Reuters) - A Estônia pretende se tornar o primeiro pais do mundo a permitir a votação pela Internet, na eleição parlamentar de 4 de março. O país báltico, que investiu fortemente em tecnologia desde que se desligou da União Soviética, em 1991, já havia permitido a votação pela Internet de forma limitada numa eleição local em 2005. Nesta semana, houve um teste nacional, com dez animais sendo candidatos a "rei da floresta". "É difícil dizer quantas pessoas poderiam votar (pela Internet), mas 3.925 pessoas usaram o sistema na semana passada, quando usamos diferentes cenários eleitorais para escolher o rei da floresta", disse Arne Koitmae, da comissão eleitoral. Os estonianos têm tradição na Internet. Eles ajudaram a desenvolver o sistema de telefonia Skype, que tem na Estônia uma importante base européia das suas operações. (Continua...)

Uma boa idéia. Por que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não manda alguém para a Estônia, para estudar a possibilidade de implantar aqui a votação pela internet?

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14 Comentários:

Blogger Anão disse...

Não gosto da idéia.

Particularmente, acho o maior barato um dia de eleições aqui no Brasil (Rio de Janeiro). As ruas ganham uma configuração toda especial, há uma mobilização nas cidades, nas praças.

Eleições pela internet só contribuiriam para deixá-las mais frias e desinteressantes. Talvez seja adequado para o frio da Estônia...

Ir às urnas é um momento de felicidade. Colocar o voto junto com o voto de outros cidadãos, em espaço público.

Isso faz muita diferença.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 15:04:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Você pede para a raposa continuar tomando conta do galinheiro novamente, Alon. O TSE não consegue garantir a invulnerabilidade de urnas isoladas - como já ficou demonstrado várias vezes. Nem permite a fiscalização dos sistemas pelos partidos, como está na Lei. Não entregou ainda os registros digitais de voto de Alagoas, que o juiz local mandou entregar. Coloque o TSE para gerir as eleições na Estônia para ver só o que vai acontecer com os "recursos não contabilizados"!

O TSE, Alon, faz parte do sistema judicial brasileiro. Sistema que produz de tudo, menos Justiça. Justiça que o primeiro ouvidor-geral foi encarregado de implantar na colônia, "que dela muito carecia" (cf. Eduardo Bueno, A Coroa, a Cruz e a Espada), mas a torcida inteira do Maracanã não viu até hoje.

Ou você considera justo que um país em que o Estado possui a maior dívida judicial acumulada (precatórios) e se nega a pagá-la -sob a passividade de todo o Judiciário?

Nossa justiça só produz vingança. A torcida pediu Justiça, é bom lembrar disso sempre.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 15:20:00 BRST  
Anonymous Hudson Lacerda disse...

``Excelente idéia'', que será muito bem aceita pelos fraudadores eleitorais de plantão! :-P

O fato é que voto eletrônico descontrolado (como realizado aqui no Brasil) é uma péssima idéia.

Visite:
http://geocities.yahoo.com.br/hfmlacerda/softwarelivre/voto-e.html
http://www.votoseguro.org/
http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/index.html
http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/adesao.html

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 16:00:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Eis aqui a delegação brasileira que deverá visitar a Estônia:

http://alertatotal.blogspot.com/2007/02/manifesto-pela-honestidade-eleitoral.html

É bom os estonianos conhecerem quem irão receber.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 16:27:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Uma vez li que um brasileiro (não me lembro quem escreveu a história, talvez seja Márcio Moreira Alves, mas não tenho certeza) estava na Suíça com um amigo num dia de eleição, e viu seu amigo votar simplesmente apertando uns botões numa máquina fixada em um poste sem maiores controles. O brasileiro, intrigado, perguntou:
- Mas você simplesmente apertou o número do candidato. Alguém poderia votar quantas vezes quisesse, fraudando a eleição...
Ao que o suíço respondeu:
- É verdade. Nunca havia pensado nisso... Mas quem seria capaz de fazer uma coisa dessas?

Moral da história: cada país precisa de um sistema de votação adequado ao perfil moral mínimo de seus eleitores e de suas autoridades.

Mais cedo ou mais tarde, todos votaremos pela Internet. No Brasil, acho que mais tarde, porque senão a compra de votos será uma tentação irresistível para muitos. De acordo com Relatório de pesquisa feita pelo IBOPE para a Transparência Brasil e a União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle, as ofertas de compra de votos atingiram níveis alarmantes nas eleições de 2006. Mais de
8,3 milhões de eleitores foram instados a vender seu voto. É cerca de 8% do eleitorado (em 2002 foi cerca de 3%).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 17:21:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Tem uma notícia interessante sobre o assunto em http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/europe/4343374.stm (em inglês). Observe que a situação na Estônia é muito especial: é um país pequeno, com menos eleitores que o DF, e usa carteira de identidade com smartcard e PIN para acessar. Apesar disso tudo, eles têm uma série de precauções, entre elas a supremacia do voto em papel.

De qualquer maneira, voto pela internet, como voto eletrônico em geral, trazem novos problemas, que ninguém resolveu satisfatoriamente. O pior deles é a auditabilidade (o 'papelzinho' que Brizola tanto falava, e que o TSE se recusa a permitir) e o mais bizarro deles é a segurança das urnas (sem entrar no mérito do escândalo das urnas Diebold nos EUA, basta ver o vídeo da violação da urna brasileira no Paraguai e da urna holandesa).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 17:36:00 BRST  
Anonymous zeleandro disse...

Pelamordedeus! Se nem a urna eletrônica é segura, imagina votar pela Internet...
Por favor, eu quero mesmo é voltar às cédulas. Além do caso de Alagoas, que 'ninguém' (mídia oficial) comenta, desconfio seriamente do resultado da eleição no RS. Sério.
Braços.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 17:36:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

No Rio Grande do Sul, a participação na eleição para governador(a) é relativamente inútil. Trata-se apenas de escolher quem aumentará no futuro a remuneração do Ministério Público, Poder Judiciário e Tribunal de Contas. Aos outros eleitores, a eleição não interessa.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 18:01:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Concordo com os comentários.

Aos amigos da tecnologia, algo que vi no youtube, através do blog do prof.Orlando Tambosi: http://www.youtube.com/watch?v=6gmP4nk0EOE&eurl=

Faltou-me inglês em certos momentos. Sobretudo nos rápidos. Mas foi possível entender tudinho.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 18:04:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Sim, não esqueçam de ligar o som

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 18:06:00 BRST  
Anonymous Paulo Lotufo disse...

Alon, como você que fala húngaro, sabe somente três países falam um língua complicada com o húngaro: o finlandês e o estoniano. Estive na Finlândia por três semanas em 1993 e, conheci vários estonianos que passaram a estudar e desenvolver projetos de cooperação. Na época, os finlandeses estavam iniciando um pequena empresa, chamada....Nokia.
Ao que tudo indica os estonianos foram espertos em aprender em uma sociedade mais desenvolvida. Com certeza já estão falando inglês como os finlandeses.
Quanto à eleição por internet, ela já é comum em sociedades de especialista como a cardiologia.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 19:37:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Há mais 388 videos sobre voto eletrônico no YouTube. Quem gosta de filme de terror pode escolher:

http://youtube.com/results?search_query=voting+machine&search=Search

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 11:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Você sabia que o Skype foi fundado na ultra-liberal Estônia por empresários suecos? Algo para vocês digerirem e pensarem porque.

Considero essa eleição pela internet um mero truque publicitário para botar o país nas notícias, da mesma maneira que a outra notícia que saiu um tempo atrás dizendo que iriam levar as estátuas de Lenin para o cemitério (lugar merecido :) ).

A Estônia, de todos os países desmembrados da URSS, é o que de mais perto tenta seguir o modelo Irlandês, mas ainda há problemas, como a dificuldade de conceder vistos para profissionais estrangeiros.

Um abraço

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 15:15:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Palavra de um ex-juiz eleitoral, do alto de uma larga experiência vivida.

22/02/2007
FACETAS DA JUSTIÇA ELEITORAL
http://dellandrea.zip.net/arch2007-02-16_2007-02-28.html

>>>"A Justiça Eleitoral é um ente peculiar do Poder Judiciário que detesta dar explicações sobre seus próprios atos ou reconhecer erros, passados ou atuais. Funciona com efetividade em época de eleições e no resto do tempo suas funções são administrativas, principalmente a confecção de títulos e a expedição de certidões.

É uma máquina gigantesca que, a meu ver, não se justifica. Já disse isto aqui antes, em 01/11/2004, em crônica que reproduzi em 17/09/2006.

Os juízes eleitorais, pelo menos nas ocasiões em que o fui em Iraí, Espumoso, Novo Hamburgo e Porto Alegre, fora da época de eleições vão ao Cartório uma vez por semana. Nem haveria necessidade para tanto porque o serviço é mínimo. No interior os cartórios situam-se nos prédios dos fóruns e os próprios escrivães levam o expediente diário uma vez por mês aos juízes."<<<

De resto, o blog Jus Sperneandi, do Juiz Ilton Dell'Andrea, retrata muito bem o que é a justiça - ou melhor, vingança - brasileira:

24/01/2007
URNA ELETRÔNICA: DEPOIS DA TRAMPA, A TRANCA!
http://dellandrea.zip.net/arch2007-01-16_2007-01-31.html

Ontem, ao voltar de Santa Catarina, deparei com a Veja de hoje e a chamada de capa: TSE apura se houve crime em falha de urnas eletrônicas.

A matéria se baseia em laudo do Instituto Tecnológico da Aeronáutica que conclui que as urnas de Alagoas apresentaram resultados suspeitos..

No início da reportagem uma afirmativa estapafúrdia: Não passa pela cabeça de ninguém questionar a lisura do sistema. Veja quer ter o privilégio da exclusividade? Então os editores não lêem meu blog? Certo. Seria exigir demais. Mas nunca ouviram falar do Voto Seguro (que publica ampla matéria sobre o mesmo caso e transcreve parte do relatório do ITA) nem do livro Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico, de Amílcar Brunazo Filho e Maria Aparecida Cortiz? Daí já é demais. Veja quer informar sem estar informada?

Por ora o encanto da urna se quebrou apenas em Alagoas, embora no final a reportagem refira também o caso de Rondônia, sob investigação da PF, envolvendo técnicos do Tribunal Regional Eleitoral de lá.

No dia do primeiro turno das eleições o jornal O Sul, de Porto Alegre, publicou artigo meu sobre a urna eletrônica. À noite, pela TV Guaíba, o Diretor Geral do TRE afirmou que, ao contrário do que se dizia, as urnas eram absolutamente seguras. Assim também na entrevista que concedi à Rádio Câmara em 20/09/2006: o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho, disse o mesmo. Eles continuarão firmes nas suas posições desmentidas?

Acompanhei as apurações no Rio Grande Sul. Não lembro se foi no primeiro ou no segundo turno, mas em um deles a rádio Guaíba noticiou atraso na apuração face a problemas da transmissão de dados de uma Zona Eleitoral (114 ou 154). A totalização dos votos só veio de madrugada, depois das 4,00 horas, mas sobre o assunto ninguém mais comentou. Fez-se boca pequena. Ninguém explicou a origem, a compleição e a natureza dos problemas muito menos a solução encontrada...

Agora o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, determinou que seja feita uma rigorosa investigação sobre o caso.

Estou muito curioso para saber quem fará a tal investigação. O próprio TSE? Mas então aquele que investiga será o mesmo que vai julgar? O que fará o TSE se as fraudes forem comprovadas? Realizará novas eleições? Quando? E os eleitos virtualmente, que tomaram posse, serão despejados de seus cargos? E os eleitos realmente, tomarão posse? Por quanto tempo? Eles foram eleitos para quatro anos mas daqui a quatro anos ocorrerá outra eleição e o tempo é inexorável: eles terão os seus mandatos podados por metade, ou mais, ou menos? Como se restabelecerá a Justiça e a justeza?

Pelos precedentes que conheço, tudo vai acabar num estrondoso nada.

Mas espero que isto tenha, pelo menos, servido de lição e que, por isto, nas próximas eleições retornemos à Idade do Papel com a impressão do voto do eleitor para eventualmente ser cotejado com o conteúdo da urna. Ou que deixemos de megalomania e voltemos à antiga e confiável cédula comum, quando as fraudes eram pontuais e não setoriais, como hoje: agora se pode, muito facilmente, comprometer uma secção eleitoral inteira; antes, apenas votos de uma secção.

É preciso sair da Idade das Trevas das Urnas Eletrônicas, que podem esconder verdades que jamais serão descobertas.

Nem sempre progresso é sinônimo de evolução. A urna eletrônica, como usada no Brasil, é apenas um aparato técnico acelerador de contagem e dissimulador de processos de conferência, mais nada.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007 15:19:00 BRST  

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