domingo, 4 de fevereiro de 2007

Lutas internas - ATUALIZADO (04/02)

Os jornais estão tomados por notícias sobre a luta interna nos grandes partidos. No PT, o Campo Majoritário está sendo desafiado por uma potencial aliança entre a esquerda e o centro. No noticiário, a coisa aparece como uma rixa entre José Dirceu e Tarso Genro -com Marta Suplicy entrando em algumas cenas como fiel da balança. Jornalismo é isso aí. Jornalista não descreve a realidade, ele a traduz. Ele simplifica e organiza, para que o consumidor se interesse e compreenda mais facilmente. Nessa tarefa, o jornalista usa seus conhecimentos e sua experiência. Por isso é que não existe jornalismo sem viés, não existe 100% de objetividade. O material jornalístico está sempre "contaminado" por ideologia. A utopia da objetividade pode ser perseguida, por meio da multiplicação das subjetividades. Mas nunca será alcançada, como o próprio nome já diz. A disputa em estado bruto entre as correntes do PT só teria interesse para o público se alguma delas estivesse propondo algo de substancialmente diferente das demais. Como nenhuma corrente (com capacidade hegemônica) do petismo propõe a estatização dos meios de produção ou a ditadura do proletariado (atenção petistas: isso é uma caricatura), e nem a adesão às teses liberais, a luta interna do PT só será inteligível para o distinto público se for apresentada como uma luta de personalidades. O que tampouco deixa de ser verdade, ao menos em parte. No PSDB, a luta interna está um pouco mais confusa. Há a disputa dos governadores contra a cúpula partidária e há a luta política dos governadores uns contra os outros. Aqui e ali aparecem menções a diferenças programáticas dentro do PSDB, mas esse debate se dá, até o momento, nas sombras. Na imprensa, o assunto é tratado como uma luta que envolve Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati, José Serra e Aécio Neves - não necessariamente nessa ordem de importância. E no PMDB? Dois grupos rivais buscam aliados fora do partido (dentro do governo) para ganhar o comando da legenda. De um lado, Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho. Do outro, Michel Temer, Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha. Vou sentar e assistir à confusão que vem por aí. Lutas internas. Elas são o que há de mais importante na política brasileira. Só se chega ao poder por meio de partidos. Políticos até se conformam quando perdem cargos públicos. Mas a luta pelo poder partidário é vital. É vida ou morte.

Participei sexta-feira do programa Comitê de Imprensa, da TV Câmara. Se você quiser assistir, passa hoje, às 18h30 e 23h30, e amanhã, às 8h30 e às 11h. Discutimos a relação entre governo e imprensa.


ATUALIZAÇÃO (05/02, às 23h30) - Clique nos links abaixo para ver o programa:

TV Câmara - Comitê de Imprensa - João Domingos e Alon Feuerwerker (bloco 1)

TV Câmara - Comitê de Imprensa - João Domingos e Alon Feuerwerker (bloco 2)

TV Câmara - Comitê de Imprensa - João Domingos e Alon Feuerwerker (bloco 3)

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4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

chamar um gato de cachorro não faz dele um cachorro. Subjetividade coisa nenhuma. Uma coisa é narrar os fatos, outra dar opinião.

domingo, 4 de fevereiro de 2007 15:53:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Genro e Dirceu. Todos contra a "grande" mídia. Por que brigam?

Serra e Aécio sei que sonham com 2010.

Assisti ao programa na TV Câmara. Pensei que o entrevistado fosse o Palocci.

Brincadeira, hehehe!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007 07:35:00 BRST  
Blogger cid disse...

alon

No PT, a briga é por espaço no governo e pela possibilidade de ter um nome próprio para 2010. No PSDB, para ver quem domina a máquina e a indicação para 2010. No PMDB, para ver quem ocupa mais espaço no governo e, no limite, se cacifa para ter um candidato viável para 2010 (mesmo que seja um cristão novo).

Você lembra que as lutas partidárias "são o que há de mais importante na política brasileira". Elas e as eleições para presidente, arrisco. E quem ganha com isso é o presidente Lula, assistindo de camarote.

- Carinha de sorte, diriam alguns, o que não deixa de ser verdade. Porém, diz a sabedoria popular, sorte é para quem merece.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007 12:11:00 BRST  
Blogger JD disse...

Alon, parabéns pela entrevista. As Quanto às opiniões de seu interlocutor, apenas reforçam o porquê não leio o Estadão, nem de graça pela Internet. Abraços, João David - Florianópolis, SC.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007 10:35:00 BRST  

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