domingo, 25 de fevereiro de 2007

É fácil: paguem mais (25/02)

A Folha de S.Paulo traz hoje reportagem contando que:

"Por medo de perder benefícios sociais pagos pelo governo, ou na esperança de conquistá-los, trabalhadores rurais no Nordeste estão se recusando a aceitar empregos com a carteira de trabalho assinada. A recusa ocorre tanto entre beneficiários do Bolsa Família quanto entre os que querem entrar no programa. Também entre os que pretendem se aposentar mais cedo, pelo regime especial da Previdência -aos 55 anos no caso das mulheres e 60 anos no dos homens." (Continua, para assinantes...)

Fácil de resolver. Mole. Simplesmente ofereçam salários maiores. Até que o trabalhador considere vantajoso trabalhar com carteira assinada.

Leia também:

Equívocos eclesiásticos e a dívida com Pombal, de novembro

Ninguém é idiota por ser pobre, de agosto

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57 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Essa história está mal contada pela Folha. O empregador pode e deve simplesmente exigir a legalidade da carteira assinada, senão não contrata (até para não ficar exposto à multas e processos trabalhistas).
Isso está com "forte cheiro" de conchavo proposto por patrões a empregados (devem ser humildes e desorganizados), para pagar "por fora", usando a perda (ou a inclusão) no Bolsa família como argumento de benefício indireto, para se livrarem de encargos sobre a folha de pagamento.
Além de sair menos dinheiro de seus bolsos para os encargos, ainda contam com parte do salário bancado pelo Bolsa família.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 19:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sinto dizer, mas sua proposta é cretina Alon. O que ocorre é a inviabilidade e a decadência econômica da região. Funciona como a doença holandesa (pesquise) , quando um excesso de riqueza de um produto quebra as demais industrias de um local. Além de moralmente negativo - você para ganhar mais dinheiro não trabalha mais, simplesmente deixa de trabalhar, é a médio prazo um suicidio, já que quem sustenta o subsidio é o lucro de empresas lucrativas que deixarão de existir.
JV

Você deveria estudar um pouquinho de economia.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 19:56:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Admitindo-se a verossimilhança da informação veiculada na matéria, resta comprovado um dos problemas de se oferecer um auxílio em dinheiro (bolsa família) sem a exigência de absolutamente nenhuma contrapartida.

O sujeito ou fica acomodado e nada mais faz. Ou (o que é mais provável) faz escondido – escapando, assim, ao crivo do Poder Público. É batata. Como 2 e 2 ...4.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 20:27:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro, o nordeste é a região que mais cresce no Brasil. Cresce em ritmo chinês. E se a minha proposta é cretina, ela é tão cretina quanto, por exemplo, o seguro-desemprego europeu. Estabelece um piso. Isso é ruim? Acho que não. E eu não acredito nesse negócio de doença holandesa. O Brasil não está se desindustrializando. Mas você tem razão, todos temos de aprender economia. Se todos estudassem mais, todos falariam menos bobagens.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 20:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Numa região não desenvolvida como o nordeste, você quer implementar seguro-desemprego europeu....
A Samello vai fechar.
JV

domingo, 25 de fevereiro de 2007 20:47:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Não sou assinante da Folha/UOL, por isso não tinha visto a íntegra da notícia quando fiz o 1o. comentário, mas pelo que fiquei sabendo trata-se de empregos temporários de 3 meses por causa da safra, e não empregos permanentes.

Vamos analisar sobre a ótica da economia de mercado:
Se o trabalhador recusa o salário mínimo por um trabalho de 3 meses, é porque o custo-benefício deste salário está baixo.
Vejamos: 3 meses X R$ 350 = R$ 1050,00 por ano. Quanto ao bolsa família: R$ 95 (no máximo) X 12 meses = R$ 1140,00 por ano.

Solução de mercado: aumentar o salário para além do mínimo até o valor atrativo.

Porquê o Brasil teria que retroagir socialmente (culpando o Bolsa Família), e não evoluir (e dentro do capitalismo) pagando salários melhores como R$ 400, R$ 450 ou R$ 500 neste caso citado?

domingo, 25 de fevereiro de 2007 21:10:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Bem, então talvez sua sugestão seja a seguinte: irmos reduzindo o valor da bolsa até que o beneficiário tope trabalhar pelo que lhe oferecem.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 21:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Já é um caminho, reconhecer a malignidade de tal bolsa, mas tenha certeza, sempre que o governo interfere na economia para arrumar um problema (real ou irreal)ele cria 5 outros.
JV

domingo, 25 de fevereiro de 2007 21:14:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Não é tão mole assim. Estou mais com o José Augusto. Da parte do empregador, o melhor é pagar por fora para fugir dos encargos, que são altos. Da parte do trabalhor, o bolsa é um plus. E não adianta pagar mais. Quanto maior o salário, maior o custo para o empregador. Do mesmo modo, quanto maior o salário, para o empregado, o bolsa ainda será um plus. É o cachorro correndo atrás do rabo.

Quem vai pagar a conta no futuro seremos nós, os que pagam impostos e não contam com previdência privada ou fundo de pensão subsidiado pelo Estado. Esse "almoço grátis" serve a interesses políticos de particulares, todos sabemos.

abs.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 21:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ele trabalha, amigo. Só que sem carteira, dando cano no INSS e quebrando o sistema.
As mulheres do NE estão tendo filhos às pencas para receber benefício social.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 21:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

exatamente os tais problemas que eu falei que o governo criaria...bolsa familia é incentivo fiscal a colocar nenenzinhos no mundo para viver às custas deles.....tão velho, tão conhecido, e os brasileiros caem no mesmo conto-do-vigário....cambada de trouxas somos nós.
JV

domingo, 25 de fevereiro de 2007 22:05:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Dei uma olhada na matéria, Alon.

Vê-se mesmo que você nunca foi empregador de mão de obra.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 22:13:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Pô, José Augusto. Só agora li o segundo comentário. Neste assunto, divergimos.

abs,

domingo, 25 de fevereiro de 2007 22:16:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Então compreendi. A proposta de vocês é abolir o Bolsa Família para estimular a busca de emprego no nordeste e, assim, desenvolver a economia local. Admiro o senso de realidade de vocês.

domingo, 25 de fevereiro de 2007 23:23:00 BRT  
Blogger Anão disse...

A sugestão que alguns leitores - e a Folha - sempre dão é essa: o trabalhador que se dane e que aceite sempre trabalhar pelo mínimo possível. Quem mandou nascer pobre e trabalhador?

Se a grandessíssima fortuna que é o Bolsa-Família os faz não querer carteira assinada, corte-se o Bolsa Família. Aí os trabalhadores vão ter que aprender o que é ganhar dinheiro justo. A velha história de que os lucros das empresas é que sustentam o trabalhador. Portanto, mais lucro para a empresa, mais ganhos para o trabalhador!

Isso não chega nem a ser economia. Chama-se ideologia mesmo (Opa! Estou usando um conceito de gente pobre!).

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 00:02:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Meu senso de realidade indica que o bolsa está trazendo um efeito não previsto (ou oculto) na sua origem. Qual seja: a recusa pelos beneficiários em abrir mão do que, em tese, seria um benefício passageiro para amenizar a falta de oportunidade no mercado de trabalho. Do jeito que vai, logo aparece alguém sugerindo que o benefício vire direito adquirido.

Meu senso de realidade diz também que se os salários fossem aumentados duvideodó que os beneficiários abririam mão. Sabe por que? Porque pobre não é idiota. Idiota é quem pensa que pobre é idiota. Uma pergunta: você, em situação semelhante, abriria mão do recurso extra?

Por que obrigar o pobre a ser mais desprendido e honesto? Meu caro, nesta terra do "homem cordial" e de "brandos costumes" o que impera é a Lei do Gérson. O fato é que o benefício virou moeda política no melhor estilo do "é dando que se recebe".

A personificação do homem pobre como ente imune à doença do "egoísmo burguês" é uma representação imaginária esquerdista velha conhecida nossa, Alon.

Não estou sendo cínico. Apenas refletindo sobre um comportamento que nós brasileiros aceitamos como ético: levar vantagem em tudo. Isso tem, no nosso país, raízes históricas muito profundas.

abs.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 00:09:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Paulo Araújo, realmente divergimos. Meu primeiro comentário critica esse patronato que espertamente acabou dando um jeito de apropriar-se de um "naco" no orçamento da União usando até o Bolsa família como complemento salarial para a sua mão-de-obra, e de quebra, conseguiu a cumplicidade do trabalhador para cometer o ilícito de burlar os encargos sociais. Esse viés da notícia é que a Folha de SP omite.

Meu 2o. comentário endossa o do Alon. É tão natural o empresário reclamar de pagar mais na folha de pagamento (salário + encargos), quanto é natural o trabalhador reinvindicar mais (nós apenas não estamos acostumados a ver trabalhadores rurais fazerem isso, ao não estarem mais desesperados). O empresário, pragmaticamente, só aceitará pagar mais, se não conseguir mão de obra equivalente por menos. Em geral, pagar mais, significa reduzir um pouco a margem de lucro, assim como quando o preço do adubo ou do frete sobe. Raramente significa inviabilizar negócios.

Por coerência, para acabar com o Bolsa Família, deveria acabar com a renúncia fiscal no imposto de renda dada por dependente de famílias mais abastadas. É uma ajuda social também, tal qual o Bolsa família.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 00:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

o bolsa familia é que nem remédio bom, demais vicia e perde o efeito. Cadê a porta de saída? Rápido.
JV

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 00:36:00 BRT  
Anonymous pol pot disse...

Não, a proposta não é essa. Na China, por exemplo, os marxistas cortam a cabeça da segunda criança. Não façamos como os esquerdistas "bonzinhos". Apenas dê o incentivo assim:
1 criança: bolsa total,
2 crianças: meia bolsa;
3 crianças: sem incentivo.

Como você disse, pobre não é idiota. Rapidinho, o planejamento familiar vai acontecer.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 07:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Você e o Anão estão cobertos de razão: a Natureza é pródiga e faz chover néctar e ambrosia. Uma classe malévola, chamada "os capitalistas" se apropria do que a mãe-natureza generosamente concede a todos. Devemos usar, portanto, o Estado para obrigá-los a dividir o néctar e a ambrosia entre todos. O bolsa-família, afinal, não é uma política para cobrir a falta de emprego: ela é um suplemento na renda das famílias que se empregam no mercado informal. Por que nos preocuparmos com o déficit na Previdência?
O Lula deveria dizer isso claramente: o Bolsa-família é um complemento permanente na renda de quem trabalha e um incentivo à informalidade no mercado de trabalho.
Mas a esquerda é especialista em tergiversar. O único esquerdista sincero da patota governamental é o Alon.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 08:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Esquerdista sincero" me parece uma contradição em termos.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 08:18:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Dizer que o Nordeste cresce a taxas chinesas é wishful thinking. O NE pode ter um crescimeto do CONSUMO a taxas chinesas. São duas coisas bem diferentes. Para tanto, basta injetar muita renda e fazer aumentar a demanda. A rede de comércio local cresce. Outra coisa são os investimentos produtivos.
Comparar o crescimento do NE com o da China não cai bem para um marxista. Lembre-se da obsessão do velho com os "economistas vulgares", Alon.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 08:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Sincero da patota governamental" também é uma contradição em termos.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 09:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alguem percebe que a bolsa familia condena os que a recebem à miséria eterna?
JV

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 09:43:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Ah, tá ok! Entã ganhar 100 reais por mês vai me fazer querer ficar miserável pra sempre. Gênio...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 10:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Esse Rodrigo deve ser marxista: é infenso como todos eles ao empirismo. Pergunte ao IBGE qual é a taxa de natalidade no sertão da Bahia em função do auxílio natalidade. E depois veja quem é o gênio nessa história.
O que vocês querem é muito voto dos ignaros para o Coronel Lulão.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 10:47:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Finalmente encontrei. Do blog Pérolas:

"Mais uma vez...
China faz da América Latina um negócio da China
Em 2004, Lula esteve na China. Na seqüência, Hu Jintao, o presidente chinês retribuiu a visita. Do Brasil, esticou até a Argentina e o Chile. Jintao soou generoso. Prometeu que Pequim financiaria obras bilionárias na região. Em troca, levou para casa o reconhecimento da China comunista como uma economia de mercado, feita por Brasil e Argentina.
Pois bem, decorridos dois anos e meio, os investimentos chineses viraram conversa para ocidental dormir. Em 2005, Pequim enterrou na América Latina uma ninharia: R$ 2,8 bilhões (US$ 134,5 milhões no Brasil). É menos de 6% de todas as inversões que o mundo fez na China: US$ 47 bilhões.
De resto, os chineses comem os mercados latinos pelas beiradas. Em 2007, depois de colecionar uma seqüência de vistosos superávits comerciais nas suas relações com a China, Brasil, Argentina e Chile vão amargar déficits. Ou seja, vão comprar mais do que serão capazes de vender.
No espaço de um mandato (2003-2006), a vantagem que brasileiros, argentinos e chilenos mantinham no troca-troca comercial com os chineses sofreu uma lipoaspiração. As exportações de Pequim para as três praças anotaram um extraordinário aumento de 340% no período. Daí o infortúnio.
Em 2003, o Brasil obteve um saldo comercial positivo com a China de US$ 2,2 bilhões. Desde então, a vantagem foi emagrecendo. Fechou 2006 em US$ 410 milhões. Deu-se coisa semelhante na Argentina –US$ 1,8 bilhão em 2003, queda atrás de queda, e US$ 523 milhões em 2006.
No momento, a China olha para seus parceiros latinos tendo em mente uma máxima atribuída a Nikita Krushev: “Quando se esfola um cliente, deve-se deixar que alguma pele cresça no lugar, para que se possa esfolá-lo de novo.”
Blog do Josias de Souza

Grande negócio reconhecer a China como economia de mercado. Quantos empregos perdemos aqui com a entrada dos produtos chineses?

Sobre os déficts, a matéria remete a um artigo do Valor. Não sou assinante: http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/AL+acumula+deficits+e+decepcoes

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 10:54:00 BRT  
Anonymous Marco Bahé disse...

Alon,

Na verdade o Bolsa Família tem servido como elemento regulador da remuneração aviltante no interior do Nordeste.

Quem critica não sabe que um cortador de cana em Pernambuco ganha R$ 1,50 (isso mesmo um real e meio) por tonelada de cana cortada. Ele tem que cortar 10 toneladas/dia, de segunda a sábado, para chegar ao piso de R$ 355 da categoria - piso apenas de referência, pois a remuneração é paga por produtividade.

Segundo estudo do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um trabalhador que corta hoje 12 toneladas de cana em média por dia de trabalho (absolutamente normal no setor) realiza as seguintes atividades ao final do expediente de até 12 horas:

1. Caminha 8.800 metros;
2. Despende 366.300 golpes de foice;
3. Carrega 12 toneladas de cana em montes de 15 Kg em média cada um. São 800 trajetos levando 15 Kg nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros;
4. Faz aproximadamente 36.630 flexões de perna para golpear a cana;
5. Perde, em média, 8 litros de água por dia, por realizar toda esta atividade sob sol forte, sujeito aos efeitos da poeira, da fuligem expelida pela cana queimada, trajando uma indumentária que o protege da cana, mas aumenta a temperatura corporal.

Escrevi sobre isso no meu blog (http://acertodecontas.blog.br/), no qual digo que a matéria da Folha é preconceituosa e na verdade esconde a insatisfação das elites brasileiras com a transfência ao andar de baixo de quase R$ 9 bilhões, ano passado, pelo Bolsa Família - que não é essas coisas todas, mas é o melhor que temos.

Abs.

Marco Bahé

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 11:26:00 BRT  
Blogger Francisco disse...

A excessiva preocupação com a aparência do texto, leva-nos a alguma "pavonice" ou pura e simplesmente à masturbação intelectual. Quantos aqui escrevem estão (ou já estiveram) no Nordeste? Dos que não tiveram a oportunidade, é bom que se tire da cabeça a idéia de homogeneidade da miséria. (Têm, sim, taxas de crescimento que surpreendem aos desinformados.) Nesse particular, a reportagem em foco trata de um problema em Brejões (BA). Não vá concluir que todo nordestino tem seu cadastro no Bolsa Família e, por não ter qualificação (todos), vive pendurado no benefício, e recusa emprego com carteira assinada. Dizendo de outra maneira: qual o percentual, tomando-se a base de dados do Bolsa-Família, dos trabalhadores nessa situação, digamos, em todo país, que justificaria a mudança ou extinção do programa? A reportagem não tem o dado. Apenas, no final registra: "A secretária Rosani Cunha, do Ministério de Desenvolvimento Social, diz que as "distorções" ocorrem por "desinformação"." Como o repórter não foi em Brejões (BA) para esclarecer, ficamos sem saber qual a desinformação que distorce o sistema.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 11:27:00 BRT  
Anonymous taq disse...

Essa questão é complexa, inicialmente devesse verificar que se trata de trabalho temporario, portanta não existem tantos custos como comentam acima, segundo por ser atividade rural o INSS e pago sobre a produção e não sobre os salarios, o que existe e apenas uma relação de oferta e procura, sempre se pagou isso e o pessoal aceitava, agora nao aceita mais, consequentemente vai acabar aumentando o salario. Com relação ao Bolsa Familia, tb concordo que ele pode trazer a acomodação, visto que o custo de vida na região e menor muitas familias que viviam com pouco agora tem um pouco mais acabam deixando a situação, por isso devia existir outras situações como contra-partidas, (escola, frentes de trabalho, etc) e o governo tb deveria impor limites e auxiliar no planejamento familiar. No plano economico, devia ja estar atuando de forma e desenvolver produção local de forma criar a porta de saida. Bem como se ve o que fazer e facil, o como e que são os outros quinhentos, mas ele foi eleito pra isso que de um jeito.
O BF precisa de reparos urgentes e açoes complementares.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 11:29:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Marco Bahé

Você escreveu: "Na verdade o Bolsa Família tem servido como elemento regulador da remuneração aviltante no interior do Nordeste."

Políticas públicas de inclusão social não têm como objetivo servir de elemento regulador da remuneração do trabalho.

E o que a matéria indica e faz pensar é que o homem pobre, que não é ididota, parece estar tornando-se um forte adepto da informalidade. Vivemos na terra do "jeitinho", lembra?

As empresas que não cedem ao "jeitinho", seja porque temem a fiscalizão trabalhista, seja porque não pactuam com
"jeitinhos", acabam sofrendo concorrência desleal de outros empresários cúmplices desses trabalhadores.

O bolsa tráz benefícios? Claro que tráz. No entanto, isso não é razão suficiente, pelo menos para mim, para que eu me ajoelhe ao programa por razões ideológicas. O que a matéria indica é que há um lado muito perverso nessa distribuição de benefícios. Ou seja, o fato existe.

A questão é: vamos desqualificar ideologicamente a reportagem ou exercitar nosso pensamento sobre essa novidade?

abs.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 12:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Marcos Bahe, vou e contar um segredo. Om problema náo é a baixa remuneração do cortador de cana. É o fato do cara não saber fazer outra coisa. O empresario que dá de comer a estes miseráveis é um santo, pois para ele seria muito mais negócio comprar máquinas colheitadeiras.
Dia desses eu estava in loco vendo um sistema GPS para pulverização de lavouras (venenos tóxicos para caramba), que dispensam o bandeirinha- aquele cara que fica com uma bandeira marcando a faixa que já foi pulverizada e respira veneno (para caramba).
Conversa vai e conversa vem, a peaozada chiou? menos um emprego no campo...(ai, ai, ai...)
JV

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 12:30:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
Na veia. Curto e grosso.
A ser vera a "constatação econômico-sociológica" da FSP, bene trovata é a conclusão de seu post, mesmo se adendada do "jeitinho" identificado pelo José Augusto.
Mas, bom mesmo, é assistir os "neoindustriais da seca" negando as taxas de desenvolvimento do NE - em boa parte por força de políticas públicas - e seu asco visceral e ideologizado por qualquer rede de proteção.
O dia em que o capitalismo - o verdadeiro, que inclui risco nos investimentos e medidas de welfare para sua própria defesa - chegar às nossas praias piscosas e verdes matas assistiremos passeatas da FIESP e dos visitantes da Casa das Garças, aposto...

Artur Araújo

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 14:06:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Pela mesma lógica, deveríamos também acabar com o abatimento por dependente na tabela do IR, vejamos as vantagens:
1) Incentivaria os jovens dependentes a procurarem emprego mais cedo.
Qual a idade limite para deixarem de ser dependente? Reduzir de 24 anos para 18, 16 ou 14 anos?
2) Incentivaria o planejamento familiar: 1 criança poderia entrar como dependente; 2 crianças: 1/2 dependente; 3 crianças: nenhum dependente.

Só no pensamento conservador Brasileiro, que alguém pode pensar em condenar o bolsa família (para quem precisa), e aceitar abatimentos no IR para dependentes de famílias abastadas de até 24 anos (para quem não precisa).

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 14:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

José Augusto, se cair a aliquata, tanto faz abatimentos por filhos. O que acontece é o seguinte, como ao pa[is interessa mais que pais que podem criar os filhos sem favores estatais, este abatimento serve de estimulo para que as familias com posses medianas tenham filhos. Se elas não tiverem filhos, o pais será preenchido de filhotes que dependem do estado.
Mas por mim, corta tudo se a aliquota for mais baixa para todo mundo
JV

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 16:07:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

Realmente, o título é muito engraçado! Dá a impressão que os patrões estão correndo que nem loucos atrás dos empregados, agitando as carteiras, desesperados pela "fuga" em massa. Parece que os trabalhadores vêem o diabo encarnado naquela caderneta verde....

É o fim. Como em qualquer caso, acharia muito boa uma discussão séria sobre os efeitos positivos e negativos do Bolsa-Família. Mas esta crítica besta de que "forma uma geração de vagabundos" é por demais ridícula para ser levada a sério.

O problema é simples. Quem pode, sonega seus impostos. Há gente que chega a defender a sonegação como um ato de desobediência civil! Os impostos são aviltantes, então eu dou um jeitinho. Quando quem está dando um jeitinho são "OS OUTROS", então vira um absurdo, um caso de polícia, uma cambada de vagabundos.

Primeiro, quase qualquer patrão dá graças a deus quando algum funcionário prefere não assinar a carteira.

Além disso, os mesmos que criticam o cara lá do Nordeste que ganha uma merreca para fazer um trabalho monstruoso são os que dão aquela "ajeitadinha" no seu IR, vendem sem nota e TAMBÉM adoram ter um funcionário - nem que seja a empregada doméstica - sem carteira.

É claro que isso não deve ser tomado como uma defesa do "jeitinho". É claro que se existem problemas, temos que resolvê-lo. Mas só vamos começar a resolver quando a Folha começar a escrever manchetes assim: "80% das PF colocam despesas falsas no IR", "60% das empresas vendem sem nota", "70% das empresas contratam sem carteira".

E não me venham DEFENDER estas atitudes. Ainda que possam ser entendidas, não aceito que quem quer matar a pau o cara que deixa de perder um benefício por um emprego temporário abaixo da linha da humanidade, venha tentar defender suas próprias malandragens!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 16:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

LH, o estado rouba dos cidadáos 50% do que eles produzem e você acha certo? Você, que provavelmente ganha menos que eu e relativamente paga mais imposto que eu, acha certo? Você é muito dócil.
JV

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 18:55:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Artur Araújo (notei que você retornou aos comentários. Adoro provocá-lo. Você, como diz aqui um comentarista sobre o Alon, é o meu comentarista esquerdista preferido. Hehe)

Você escreveu:

"A ser vera a "constatação econômico-sociológica" da FSP, bene trovata é a conclusão de seu post, mesmo se adendada do "jeitinho" "

Então ficamos assim: os trabalhadores dão um jeitinho de não perder renda, os empresários dão um jeitinho de não registrar seus empregados e o governo dá um jeitinho de compor uma gorda e faminta "base aliada". Sim, e a "oposição" dá um jeitinho de se dar bem.

E, como escreveu Ferreira Gullar em sua coluna na FSP, os esquerdistas dão um jeitinho de continuar em paz com as suas consciências:

"seu eleitorado (o do PT) é, agora, preponderantemente dos grotões; e mesmo o eleitor mais consciente, que ainda votou neles, também mudou, passou a exigir menos. É como se dissesse: "ANTES A ESQUERDA POPULISTA DO QUE NENHUMA". Dá para entender, pois é muito difícil abrir mão de um sonho generoso que nos deixa em paz com nossa consciência."

Abs

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 19:34:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

JV,

Acho que a questão de quem ganha mais não faz parte da argumentação, certo?

O que é importante é desmascarar essa gentinha duas caras que ganha bem, mas acha certo sonegar (que é uma maneira de ficar irregularmente com dinheiro público) e critica quem ganha mal, mas não assina carteira para receber o Bolsa-Família (que é outra maneira de fazer EXATAMENTE a mesma coisa).

Não acho a estrutura tributária do país minimamente justa, como também não é justa a distribuição de renda. Mas que é ridículo vermos estes grandes pensadores usando pesos e medidas tão diferentes, escolhendo a balança conforme o lado do chicote em que estão, isso é.

Abraço.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 19:58:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

PS: JV, quando você escrever um comentário, você pode escolher a opção "Outro" embaixo de "escolher uma identidade" e preencher seu nome, sem necessidade de senha. Assim, não é necessário ficar "anônimo".

Abraço.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 20:00:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Pronto, saí do anonimato. Olhem, a carga tributária está tão alta, que é um tiro no pé. No meu caso, como autônomo, eu simplesmente paro de trabalhar quando o imposto é excessivo, para um empresário a mesma coisa, ele vai levar o capital dele para outro lugar. A falsa impressão de que o Brasil é bom lugar para investir só se explica pelas altas taxas de juros pagas pelo governo, taxas de agiota, e assim que estas acabam, o governo vai ter que rebolar para convencer investidores a ficarem aqui.
Já contei a história, o que eu pago de imposto o governo devolvia em juros de dinheiro que eu emprestava para ele (agora ficou mais difícil esta conta porque os juros baixaram).
E eu acho sim, que imposto não teria este nome se fosse coisa boa. Só pode ser coisa ruim, imposta de cima para baixo à força. O estado brasileiro é grande demais para a economia brasileira, os benefícios que o estado deveria trazer à sociedade e à economia são pífios.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 21:35:00 BRT  
Anonymous Caetano disse...

Como empresário, estou cansado de receber candidatos que estão recebendo auxílio-desemprego, e não querem ser registrados durante esse período. Todos ouvem meu comentário de estupefação: " Não entendi direito... o auxílio- desemprego não é para quem está desempregado?"
É o exemplo típico de boa idéia que vicia e é contraproducente.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 22:07:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

Sim, JV, mas o post não é sobre carga tributária. Nem o meu comentário foi sobre isso. Foi sobre a hipocrisia de se justificar a falsificação de documentos (declaração de IR, notas fiscais, etc) para reter, ilegalmente, dinheiro público (legalmente, o imposto sonegado é dinheiro público), enquanto se critica quem faz exatamente o mesmo: falsificar um documento (o registro de contrato de trabalho) para ficar com dinheiro público (o Bolsa-Família).

Você deve achar que as duas coisas são MUUUUUUUIIIITTO diferentes... Suponho... Mas o curioso é que certamente as diferenças são aquelas que justificam o lado que é mais próximo de você (não o estou chamando de sonegador, mas, evidentemente, você pertence a uma classe que tem mais sonegadores que bóias-frias) enquanto condenam o outro lado...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 22:15:00 BRT  
Anonymous Marco Bahé disse...

Caro Paulo Araújo,

Discordo frontalmente de você quanto às políticas públicas não servirem como elemento regulador, seja na remuneração pelo trabalho seja na oferta de produtos essenciais à população (vide estoques reguladores do governo). Devem servir, sim.

A reportagem da Folha é pura invencionisse. Não há um só dado científico de que isso (fuga dos empregos formais) seja realmente um fenômeno.

A reportagem só dá a palavra ao patronato, ao governo e a dois ou três do que chamamos no jornalismo de personagens - pobres coitados que emprestam sua credibilidade, sua imagem e suas palavras à tese do jornalista e que provavelmente nunca verão o jornal fruto de sua colaboração.

Pelo amor de Deus! A matéria é preconceituosa e tem perfil ideológico claro.

Não sou petista e nem Lulista - coisas absolutamente distintas, recentemente.

Sou nordestino, apenas. E vejo nas estradas do interior gente esperando desde às 3 horas da manhã pelos "gatos" - aliciadores que oferecem um trabalho qualquer e sob qualquer remuneração.

Paulo, responda com sinceridade. Se você tivesse direito a um auxílio público que lhe garantisse a sobrevivência da sua família, você trocaria isso por R$ 1,50 pra cortar uma tonelada de cana? Preste atenção, um real e meio por uma tonelada de cana...

Sabe o que acontece na Europa? A depender do país, o trabalhador tem seguro-desemprego de 12 meses, 24 meses ou ad infinitum. E só vai aceitar outro trabalho que achar condizente com sua dignidade. Enquanto não aparecer, fica recebendo o benefício público, sim.

Quer dizer que esse cidadão sueco ou norueguês é preguiçoso? É um aproveitador dos benefícios sociais?

O seguro-desemprego nesses países não agem como elemento regulador da remuneração?

Pense bem! Aguardo sua resposta.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 01:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Meu Deus,

Já estão comparando o Brasil com a Noruega. No dia em que tivermos estoque de capital da Noruega e da Suécia, inclusive social, aí vocês façam essas ilações malucas.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 08:47:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

A discussão continua engraçada. Agora, o Brasil só pode ter programas sociais quando tiver o nível da Noruega e da Suécia! Enquanto PRECISAR de programas sociais, não pode não, viu?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 09:24:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Marco

Eu não condeno o trabalhador que dá um jeitinho para aumentar sua renda. Eu também não sou idiota.

Tenho plena consciência do país em que vivemos. Não sou ingênuo ou hipócrita ao ponto de condenar a atúcia de sobrevivência do homem pobre trabalhador. Para quem vive nesse limite o que importa é o presente. É claro que se estivesse no lugar desse trabalhador meu primeiro compromisso seria com a sobrevivência da minha família. Seguramente agiria de forma idêntica. No entanto, penso que isso não é solução nem de curto, médio ou longo prazos. O que me espanta é a naturalidade com gente que se diz de esquerda (não todos. Há gente muito boa que se reivindica desse campo, que na minha opinião é repleto de equívocos, e que eu respeito. Tenho, sim, uma profunda antipatia pelo esquerdismo arrivista) sai por ai proclamando que o Bolsa é a qintessência das políticas públicas no Brasil. No meu entendimento, o BF é a nova forma que o nosso velho
"assistencialismo" politiqueiro assumiu "nestepaíz". Sua função primeira é atuar como moeda política pelos que hoje estão no poder. Antes, os "coroneis do nordeste" precisavam, ao menos, dispender algum do bolso próprio para garantir a integridade das cercas dos currais. Agora há quem faça por eles o que os franceses chamam de sale boulot.

Não vejo diferença entre as antigas e as atuais oligarquias e os nossos recem chegados ao topo da pirâmide social. Dou risada quando escuto o blábláblá ideológico que dá piruetas para justificar sua aliança estratégica (há quem diga que é tática. Eu dou risada) com o capital financeiro e as nossas oligarquias. Quer saber? Desprezo essa gente.

Veja, não condeno o trabalhador. Critico governantes que, idenpendente da sua coloração política, sobrevivem da exploração da nossa miséria. Neste aspecto, sou profundamente conservador. Era assim quando jovem. Sou assim agora.

abs.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 10:10:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Co-Araújo,
Grato pelo elogio(?), dispenso o "esquerdista" (em leninês isso é ofensa séria) e peço leitura mais atenta: não defendi o jeitinho, só disse que a tese do Alon não se perdia nem se aceitássemos o adendo do J. Augusto.
Reforço os 2 pontos de meu comentário: a) matéria da FSP não é base científica empírica para afirmar ou negar a tal correlação Bolsa-Família/informalidade do emprego; b) o grosso das reações que leio - inclusa a "matéria" - tem viés ideologizado pobre=vagabundo=picareta; Estado=ladrão=populista=ineficaz=estimulador da indústria da miséria.
Isso é sociologia de botequim ou economia de casa-grande.
abs

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 12:04:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

Toda política pública influencia as eleições e a manutenção do poder, é claro. Seria ridículo que alguém propusesse QUALQUER política e, se ela desse certo, não pudesse ser premiado com uma enxurrada de votos na eleição seguinte.

A crítica que se faz ao Bolsa Família de que seria eleitoreiro é ridícula. Seria como dizer que um governante não deve se preocupar com a vontade da maioria da população e sim apenas com o que considerasse "certo" a partir suas análises iluminadas.

Isto não impede que se discuta a eficiência do programa. Um programa pode render votos, mas não ser realmente eficiente. Aí entramos na questão importante. Mas apenas batizar de eleitoreiro é uma bobeira sem tamanho.

Quanto à eficiência do programa, não creio ter dados suficientes para concluir, mas tenho sim algumas opiniões a compartilhar.

Ninguém tem dúvida de que, como gostam de bradar os conservadores, "é melhor ensinar a pescar que dar o peixe". O problema é a falácia que existe numa frase tão simples quanto essa. Transportando para a realidade do país, isso é usado para dizer que nenhuma política puramente assistencialista é aceitável, apenas as medidas que "ensinem a pescar".

Seria bom que quem advoga esta tese desse bons exemplos disso e tentasse explicar como isso funcionaria na escala continental que tem o Brasil. "Ensinar a pescar" necessita investimento e desenvolvimento econômico. Não é tarefa para poucos anos na escala brasileira.

Então, alguém poderia explicar o que fazemos com este monte de gente vivendo na linha da miséria ou abaixo dela, sem emprego, sem capacitação, sem condições básicas de higiene e saúde e até sem a maioria dos serviços públicos? Tudo bem, temos que apostar em desenvolvimento econômico, claro. Mas, o que fazer com esta gente enquanto eternamente esperamos este desenvolvimento?

As políticas assistencialistas são tão necessárias que até países avançados economicamente as possuem, e de forma institucionalizada. Bom, eles tem dinheiro para isso e não faz muita diferença, né? Errado. Nenhuma política pública nos Estados Unidos ou na Europa é aprovada sem que haja um mínimo consenso sobre a sua importância. A diferença entre ter ou não capital para bancar a política é importante, mas é por isso que no Brasil a tão criticada Bolsa Família não chega a distribuir 50 dólares!

Agora, tem um lado que muita gente esquece quando fala da Bolsa Família. Que é que ela mesma traz algum tipo de desenvolvimento econômico local. Há cidades pequenas no Brasil nas quais a economia praticamente se movimenta em torno das aposentadorias, pensões e pagamentos sociais. Além de minimizar o efeito da pobreza para quem recebe, ainda permite que empreendedores locais criem ou aumentem seus estabelecimentos, gerem empregos e tudo o mais. É claro que apenas isto não justificaria o programa, mas é um benefício a mais normalmente esquecido pelos seus detratores.

Por fim, não há dúvida de que o Bolsa Familia não é a solução mágica eterna e não deve ser tomado desta forma. E também há que se analisar para entender os possíveis efeitos negativos que tenha. Mas quem o critica deve responder nua e cruamente o que pretende fazer no curto prazo para minorar o estado de miséria em grande camadas da população se encontram. "Ensinar a pescar" daqui a 20 anos é condenar a morrer sem o peixe.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 12:26:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

O Bolsa família (máximo de R$ 95 por família) é extinguível automaticamente: basta a renda média de cada pessoa da família beneficiada ser maior do que R$ 120,00 (cerca de US$ 1,9 por dia).

Esse é o desafio implícito lançado à iniciativa privada: ser capaz de produzir emprego e renda acima dessa faixa. Quanto mais eficiente for essa capacidade da iniciativa privada, menos haverá bolsa família.
Será quem é mais comodista: o pobre que recebe o bolsa família? O governo que paga? Ou o empresariado que está acomodado a produzir com mão de obra excessivamente barata, abaixo da linha de pobreza?

Um patrão poderia dar um bônus mensal voluntariamente ao trabalhador de R$ 15, além do salário mínimo, para aqueles que mantivessem seus filhos na escola, elevando a renda. Poderia dar um bônus anual para filhos que passassem de ano. Nunca fizeram isso, mesmo com os salários baixíssimos. Foi preciso o governo fazer, para tentar construirmos uma sociedade mais qualificada, mais civilizada.

Para não perdermos o foco das críticas, o Bolsa família é assim:
Família sem crianças (0 a 15 anos): ganham no máximo R$50 por família, se cada adulto ganha até R$ 60 per capta.
Família com crianças: ganha no mínimo R$ 15 (família com 1 criança e e renda per capta maior de R$ 60 e menor que R$ 120). E ganha no máximo R$ 95 (família com 3 crianças e renda per capta até R$ 60).

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 12:54:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Artur

Desculpe a falha. Digamos então que você continua sendo o meu comentarista comunista preferido.

abs.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 14:18:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Luis Hamilton, falsificar documentos não é hipocrisia, é crime, se você sabe de um caso concreto, prove e denuncie, e daí a gente volta ao assunto se impostos são morais, principalmente nestes níveis. E olhe que do jeito que tá para mim não é ruim.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 14:43:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

JV,
Francamente não entendi. Qual o critério para julgar-se a "moralidade" da tributação, seja em que país ou época que for? Algo na linha tomista do "lucro justo, juro justo, guerra justa, IR justo"?
Quanto a sonegação/falsificação de informações ao fisco, parece-me que vc e a finada velhinha de Taubaté devem ser os únicos brasileiros que desconhecem(iam) "fenômenos" como recibos de profissionais sem consulta correspondente, nota fiscal "espelhada", pagamento de honorários "por fora", "fringe benefits" da física lançados a despesas da jurídica e por aí vai.
E não me peça que atue qual Elliot Ness tupinambá; a Receita já tem muitos auditores fiscais para isso, devidamente (muito) bem pagos com seu/meu/nosso dinheirinho dos tributos...

Co-Araújo

Rs. Tenha uma boa tarde.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 16:20:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Já em Goiás...
"A retidão dos pobres
Na segunda-feira, 19, em pleno Carnaval, o Pop publicou uma excelente reportagem, assinada por Vinicius Jorge Sassine, na qual mostra que, 'na contramão de famílias que recebem indevidamente benefícios sociais, pobres que melhoram a renda abrem mão de ajuda' dos programas dos governos. Até o título, 'Os honestos contra-atacam', é bom. Mesmo pequena, a amostragem indica que, quando melhoram de vida — e uma melhoria apenas relativa —, os pobres preferem devolver o cartão de benefícios.
Na sexta-feira, 23, Sassine denunciou que mulheres de quatro vereadores goianos recebem dinheiro da Bolsa Família."
publicado na coluna Imprensa do Jornal Opção (www.jornalopção.com.br), semanário goiano. O "Pop" citado é o jornal O Popular, das Organizações Jayme Câmara, detentores da Globo local e vários outros veículos.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 18:22:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Você muito tolerante com criminosos e infratores..os chama de hipócritas.
Cinquenta por cento de carga tributária é imoral e não tem explicação para quem não entende.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 22:45:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

JV,

A questão do post não é carga tributária. Nem chamei os sonegadores somente de hipócritas.

A questão é que você vê imoralidade numa tributação elevada e não vê imoralidade na condição sub-humana de se ganhar meia duzia de moedas por dia de um trabalho escorchante.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007 15:58:00 BRT  
Anonymous JV disse...

você já leu a ética da pobreza de São Vicente de Paulo? Não há nada errado na pobreza, segundo o autor.

quinta-feira, 1 de março de 2007 23:50:00 BRT  

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