sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

"Faz de novo" (09/02)

Um dos traços mais marcantes do subdesenvolvimento (mental) nacional é a importância que damos para o que se diz (ou se escreve) sobre nós "lá fora". Bobagens publicadas no The New York Times não deixam de ser bobagens só porque foram publicadas no NYT. Aliás, o jornalismo brasileiro tem muitos defeitos, mas não me lembro de um caso Jason Blair entre nós. Agora, a The Economist fez referência ao termo "chiqueiro" (ou "pocilga") numa reportagem sobre a sucessão na Câmara dos Deputados. Leia a matéria e conclua você mesmo. Ouviram-se uma ou duas fontes inevitáveis, juntaram-se alguns adjetivos e pronto. É nessas horas que me sinto no dever de dizer obrigado aos chefes e demais colegas com quem aprendi o pouco que sei da profissão. Eu sou um sujeito de sorte. Em todos os lugares onde trabalhei, um texto como esse da The Economist teria destino certo: o lixo. Ao que se seguiria a palavra didática do chefe: "está uma bosta, vai lá e faz de novo".

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6 Comentários:

Anonymous Ricardo Melo disse...

Pocilga é como podemos definir a política no Reino Unido, a subserviência da política externa desse país aos interesses dos EUA, o "alinhamento automático" com os EUA na Invasão do Iraque.
Pocilga foi como Blair manipulou e mentiu para "provar" a posse de armas de destruição em massa por Saddam Hussein.
Pocilga é ter o Blair como poodle de Bush-filho no poder.
Pocilga mesmo é uma ex-potência global não apresentar uma alternativa viável ao governo trabalhista. É sempre bom lembrar que o advesário de Blair era um "tory" de tedências claramente racistas, quase flertando com o Le Pen da França.
Pocilga é ver a decadência dos meios de comunicação britânicos.
Sorte deles é ter ainda a BBC.
Só não sei até quando.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 09:02:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

O estranho da reportagem é que o Economist costuma ser bem mais comedido nas suas reportagens. Talvez seja a influência da transformação da grande imprensa mundial em versão glorificada da imprensa marrom, aliás inventada por lá.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 10:20:00 BRST  
Anonymous carcamanol disse...

Parei na referência à Veja. Dá para imaginar o resto da matéria. O que aocntece com esses correspondentes que mandam para cá, hein?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 10:30:00 BRST  
Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

Esta matéria do Economist não deixa dúvida quem até os correpondentes estrangeiros estão sendo contaminados por parte da imprensa brasileira.
É material que grande parte da nossa imprensa adora, e a oposição que não tem projeto para o Brasil, usa para atingir o governo.
O PAC e 2010, está deixando esta gente meio louco.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 11:45:00 BRST  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Eu não li a matéria, mas tem que tomar cuidado porque "pork" em inglês tem apenas a conotação de fisiologismo, vindo de "pork barrel", uma prática antiga de dar restos de porcos aos escravos no Sul (não sei porque isto virou uma expressão para fisiologismo). No uso normal, dizer que um político, partido ou parlamento praticam uma política "pork" não tem a conotação de dizer que são todos uns porcões chafurdando no chiqueiro. A não ser que a revista tenha propositadamente passado do primeiro sentido para o segundo

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 12:28:00 BRST  
Anonymous Lau Mendes disse...

É o complexo de colônia;precisamos do aplauso do rei.Em caso de urgência aceita-se os da Globo ou os FHC,até porque não mudaria nada,continuaria sendo uma bosta.

sábado, 10 de fevereiro de 2007 02:27:00 BRST  

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