quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Condomínio fechado (07/02)

Se você é dos que gostam de estar informado antes de dar a sua opinião, leia no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a notícia sobre a redistribuição do dinheiro do fundo partidário. Veja também a íntegra do voto do ministro Cesar Asfor Rocha. Depois, fique à vontade para deleitar-se com a gritaria dos grandes partidos e de seus porta-vozes. Tem gente que acha que a solução para a democracia brasileira é transformá-la num condomínio fechado. Já escrevi sobre o assunto em O STF decepou uma pata do monstro quadrúpede. Os tribunais interpretam as leis, e as leis brasileiras, a começar da Constituição Federal, garantem o Estado de Direito e o pluripartidarismo. Querem mudar isso, que mudem a Carta Magna. Por essas e outras é que não dá para levar a sério os liberais brasileiros (ou pelo menos os que aparecem mais). Criticam o suposto "chavismo" na Venezuela mas querem impor ao Brasil um sistema político fechado, em que cúpulas partidárias eternas (a lei brasileira não impõe aos partidos que sejam democráticos), alimentadas por dinheiro público (o fundo partidário e o tempo grátis de televisão), definem a composição da Câmara dos Deputados (a lista fechada) e fecham a porteira para o surgimento de novos partidos (a cláusula de desempenho). Parabéns ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao TSE, que zelam pela democracia. Quanto tempo resistirão, é outra história.

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2 Comentários:

Anonymous Jura disse...

Você nos diz que dessa vez o TSE acertou. Mas eu não vejo nada de democrático num tribunal com tantos superpoderes. Tribunal é apelido, porque não se limita a julgar. Regula e controla toda a vida política da nação - dos políticos e dos eleitores - embora não tenha nenhuma competência em contabilidade, como ficou demonstrado pelas confissões de caixa 2 em vários partidos. Possui um departamento de informática que não pode ser contestado - nem fiscalizado - por ninguém. Estabelece padrões de software e encomenda produtos de informatíca sem a devida competência e administra toda a operação e logistica desses equipamentos. E no final de tudo isso, se alguém se sentir prejudicado, terá que se contentar com as decisões do próprio tribunal. Algo assim como ser julgado pelo dono do banco numa ação contra ele. É o que está ocorrendo em Alagoas neste momento. Alguém acha que o TSE irá se autocondenar algum dia? Irá permitir a análise do Registro Digital do Voto que o TRE-AL já ordenou mas o TSE descumpriu? Registro esse que foi estipulado por essa mesma corte como substituto ao voto digital impresso e conferido pelo eleitor? O governador da Flórida - atenção, eu disse Flórida, onde houve um monte de suspeitas de fraude eleitoral desde que as urnas como as nossas foram adotadas nos EUA sob os aupícios do bushismo - acaba de declarar que quer acabar com elas e susbstitui-las por leitoras óticas de votos impressos preenchidos e depositados pelo eleitor. "Até caixa eletrônico e posto de gasolina emite recibo. Sem isso, não dá para recontar nada se for preciso", declarou o governador Charlie Crist ao NY Times. É o primeiro político que eu conheço que não confia nas urnas que o elegeram. Até aqui só reclamava quem perdia.
http://www.nytimes.com/2007/02/02/us/02voting.html?th&emc=th

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007 18:46:00 BRST  
Anonymous Caetano disse...

Está bem, temos de incentivar partidos pequenos, mas... espere um pouco, 140 mil reais por mês para um partido de 20 ou 30 mil votos??? Soa mais a meio de vida para alguns líderes de partido e boquinha para seus "companheiros"...

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007 22:03:00 BRST  

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