sábado, 10 de fevereiro de 2007

Cada macaco no seu galho (10/02)

Não venho tratando aqui neste blog das pressões do PT pela saída do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Posso estar errado, mas penso que esse assunto tem mais a ver com a luta interna do PT do que com os rumos da política econômica. Tem gente que deseja pôr o Campo Majoritário na defensiva na véspera do congresso do partido, hora em que se aproxima o momento de renovar a direção do PT. Para esse fim, tentam colocar no centro do debate partidário as acusações de corrupção feitas contra dirigentes petistas nos últimos dois anos. Personalidades do Campo reagem propondo a unificação do PT contra a política monetária. Manobras primárias. Não dou muita pelota para essa disputa porque a decisão sobre os rumos do BC é só do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E Lula sabe que a inflação baixa proporcionada pelos falcões da ortodoxia com assento no Copom foi o fator decisivo para que ele obtivesse mais quatro anos na cadeira de presidente. Lula deve à inflação baixa, buscada obsessivamente por Meirelles, o fato de a oposição não ter conseguido colocar na rua nem meia dúzia de gatos pingados em defesa do impeachment no auge da crise desencadeada pelas acusações de Roberto Jefferson. Aliás, todos os petistas que se elegeram em outubro surfaram na onda da inflação baixa do doutor Meirelles. Lula só vai mandar Meirelles embora se tiver perdido o juízo. Era só o que faltava: a taxa de juros deixar de ser decidida pelo Copom e passar a ser determinada pelo diretório nacional do PT. Melhor continuar do jeito que está, com cada macaco no seu galho.

Leia também:
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3 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Por mais que eu também deteste juros altos (pelo que suga de impostos retirados dos serviços públicos), assino embaixo desse seu comentário, Alon.

sábado, 10 de fevereiro de 2007 15:47:00 BRST  
Blogger Correio da Amazonia disse...

A lembrança do martírio vivido na permanente consulta aos preços nas prateleiras dos mercados reelegeu FHC e Lula, obliterando questões éticas, mas, o que se vê agora, é a preocupação com o desemprego dos filhos, irmãos, ou mesmo o próprio. E isto não se resolve com a destinação de 8% do PIB para a remuneração do capital inerte. Praticamente 16% da arrecadação tributária. É preciso gastar o dinheiro dos impostos em investimentos e serviços públicos, e por este capital retido pelo BC para trabalhar, produzir, gerando empregos, mudando a ótica do controle da inflação pela redução do meio circulante, para o aumento da oferta. Já tá passando da hora. E penso que o Lula também sabe disto.

domingo, 11 de fevereiro de 2007 00:19:00 BRST  
Anonymous Moacyr disse...

Lula tem juízo e tirará, se não o sr. Meireles, ao menos o xiíta Beviláqua.

domingo, 11 de fevereiro de 2007 11:12:00 BRST  

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