segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

A advertência do professor Jaguaribe vai cair no vazio (19/02)

O professor Hélio Jaguaribe escreve artigo hoje na Folha de S.Paulo sobre o avanço dos interesses internacionais na Amazônia. Transcrevo um trecho:

"É absolutamente evidente que o Brasil está perdendo o controle da Amazônia. É urgentíssima uma apropriada intervenção federal. Os principais aspectos em jogo dizem respeito a formas eficazes de vigilância da região e de sua exploração racional e colonização. O Grupo de Trabalho da Amazônia, coordenado pela Abin, já dispõe de um importante acervo de dados, contidos em relatórios a que as autoridades superiores, entretanto, não vêm dando a menor atenção. É indispensável tomar o devido conhecimento dos relatórios. Sem prejuízo das medidas neles sugeridas e de levantamentos complementares, é indiscutível a necessidade de uma ampla revisão da política de gigantescas concessões territoriais a ínfimas populações indígenas, no âmbito das quais, principalmente sob pretextos religiosos, se infiltram as penetrações estrangeiras. Enquanto a Igreja Católica atua como ingênua protetora dos indígenas, facilitando, indiretamente, indesejáveis penetrações estrangeiras, igrejas protestantes, nas quais pastores improvisados são, concomitantemente, empresários por conta própria ou a serviço de grandes companhias, atuam diretamente com finalidades mercantis e propósitos alienantes. O objetivo que se tem em vista é o de criar condições para a formação de 'nações indígenas' e proclamar, subseqüentemente, sua independência -com o apoio americano. (continua...)"

Professor Jaguaribe, nada vai mudar. Pelo menos enquanto o poder no Brasil estiver em mãos comandadas por ouvidos muito preocupados com as opiniões vindas de Paris e de Washington. E pouco preocupados com o clamor dos que insistem em ser brasileiros, mesmo habitando territórios de que o Brasil parece querer se livrar, como se fossem um estorvo.

Leia também:

1) Culpa coletiva, cidadão planetário e um partido emparedado

2) Nós, o aquecimento global e as falhas do Relatório Stern

3) O ambientalismo num só país


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5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon

Concordo com a opinião do sr Jaguaribe e com seu comentário a respeito.
Devemos e precisamos agir a respeito. A Amazonia eve ser encarada como propriedade do povo brasileiro e não pode ser entregue a exploração de poucos, em minha opinião é preciso:
1)delimitar a fronteira agricola brasileira excetuando-se a Amazonia.
2) criar a firma Amazonia S/A nos mesmos moldes da Petrobras, para prospectar, explora, comercializar, desenvolver e conservar a floresta amazonica. Com 50% + uma das ações do governo e o restante negociados exclusivamente na Bolsa de São Paulo.
At,
Paulo Guzzo

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 11:59:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Enquanto não descobrirem Petróleo na Amazônia Brasileira (ou se só descobrirem tarde demais), não deve haver maiores pressões separatistas estrangeiras. Nem descobrirem outra riqueza exclusiva que ainda não conhecemos.
O Panamá separou-se da Colômbia, quando seu movimento separatista ganhou apoio dos EUA para obter do novo país a concessão do canal do Panamá (a forma mais econômica de ligar as Costas Leste e Oeste dos EUA), que a Colômbia havia concedido à França. Não há atrativo geográfico semelhante na Amazônia que desperte cobiça.
A influência estrangeira nas aldeias indígenas é nefasta porque interfere nos usos, costumes e tradições tribais. E podem realmente, em função disto, despertar nestas tribos movimentos separatistas internos, sobretudo quando vêem suas reservas invadidas por garimpeiros e madeireiros.
A pressão externa que tenho visto é mais por dar à Amazônia algum tipo de autonomia, tornar patrimônio da humanidade sob proteção internacional (o que reduz ou elimina nossa soberania).
O Governo precisa de fato manter sob controle da Funai e das Forças Armadas, a entrada de estrangeiros nestas tribos, e fazê-los cumprir as leis brasileiras.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 13:59:00 BRST  
Blogger Correio da Amazonia disse...

Olha, o Brasil deve desistir da Amazônia. É melhor pra quem vive aqui. O Brasil não tem competência. Moro em Rondônia há quase 30 anos, e até hoje o governo federal não conseguiur regularizar as atividades econômicas que dependem da utilização dos recursos naturais que ele controla. As pessoas ganham o pão sem que suas atividades estejam regularizadas. Estão marginalizadas, embora as previsões legais para a regularização de garimpos; extração madeireira; propriedade da terra; e regularização ambiental das propriedades rurais. Melhor para quem vive na região, que o governo do Brasil - formado com a maçonaria do vale do Parnaíba no império, que anexou o Vice-Reino do Grão Pará matando milhares de pessoas -, entregue logo a região para o G7, ou os Estados Unidos. Aí, teremos mais oportunidades, vamos nós mesmo negociar com os patrões, sem estes intermediários caros que moram em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, a exemplo este cara que quer criar a Amazônia S/A com ações na bolsa de São Paulo. Melhor em Nova Yorque, ou Tokio.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 16:32:00 BRST  
Blogger cariú disse...

olha nao concordo com tudo o que escreveu o prof. jaguaribe. acho que ele mistura alhos e bugalhos. Claro que a biopirataria é um acinte fantastico aos interesses do país. Mas isso não tem nada a ver com a desnacionalização da Amazonia. tem a ver sim é com o descaso e o ralaxamento do governo federal em utilizar-se do SIVAM e dos istemas de monitoramento em tempo real para previnir crimes de toda espécie, desde a entrada de aviões de traficantes até desmatamento ilegal. O governo fedearl é que faz corpo mole. Quanto às terras indigenas, também é balela essa historis de que há algumas controladas por americanos. Mais uma vez confundem as coisas: o direito á demarcação de terras indigenas é líquido e certo por parte das populaççoes indígenas secularmente expoliadas de sua terra e cultura. Mas dizer que lá mandam estrangeiros é não conhecer nada da Amazônia. Recentemente passei pela terra indigena Tenharim no Amazonas e nossa pickup pagou pedagio aos indios - isso por umq questoa de identidade e sentimento de que aquela terra lhes pertence. Quanto a Rondonia ai do nosso amigo do outro comentário, mais uma vez tem a ver com o ambiente politico nacional. Absurdo dizer que venham os estrangeiros que nossos interesses vão ser respeitados. isso é coisa de fazendeiro irritado com a lie de crimes ambientais.Eu conheço bem a Amazonia e mitos como este do prof. helio tem que ser esclarecidos.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 21:49:00 BRST  
Anonymous Paulo Cesar Guzzo disse...

O correio da amazonia e o cariu estão rezando por cartilha própria, preservando seus interesses. O problema é:
O Brasil até agora (governo central e estadual e sociedade) não conseguiu mostrar que é capaz de preservar a amazonia, a floresta não o estado.Falta estratégia, falta objetivo, falta principalmente dinheiro e falta engajamento da sociedade na questão.
A minha sugestão é montarmos a mesma mobilização de 57 anos atrás da campanha " O Petróleo é Nosso" encabeçada pelo grande brasileiro Monteiro Lobato e fazermos campanha identica agora intitulada "A Amazonia é Nossa". Devemos sim lutar para a criação de uma sociedade anonima nos moldes da Petrobrás com a finalidade de preservar,defender,prospectar, explorar,desnvolver e comercializar os produtos amazonicos. Precisamos de algo real para defender o que é nosso e nada mais real e brasileiro do que uma empresa constituida por lei brasileira para este fim.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007 15:57:00 BRST  

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