segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Uma dúvida histórico-filosófica e o passaporte iraquiano de Lula (01/01)

Vou dizer a vocês qual é a minha dificuldade para emitir um juízo definitivo sobre a pena de morte. Em relação a ela, ou você é absolutamente contra ou a aceita em determinadas circunstâncias. Não tem coluna do meio. Teórica e filosofiamente, é razoável o sujeito ficar contra a pena de morte e ponto final. É também simpático e valente. Aquela valentia covarde de quem não precisa tomar decisões nos limites da civilização. A valentia covarde de quem, por exemplo, gasta a vida comentando confortavelmente realidades sobre as quais jamais influirá. Mas, voltemos às malditas circunstâncias, sempre elas. Confesso que não tenho como fazer um juízo negativo sobre a execução dos líderes nazistas condenados à pena capital pelo Tribunal de Nuremberg depois da Segunda Guerra Mundial. Se eu fosse absolutamente contra a pena de morte, concluiria que os criminosos em Nuremberg sentavam-se não apenas no banco dos réus, mas também na cadeira dos juízes. E essa conclusão seria, com certeza, um absurdo monstruoso. Então, sempre que começa uma discussão sobre a pena de morte eu prefiro ficar quieto. Agora, Saddam Hussein acaba de ser executado na forca (foto). Um tribunal iraquiano o condenou por crimes contra a humanidade. Como diria James Carville, é a política, estúpido! À semelhança dos nazistas e dos militaristas japoneses em meados do século 20, Saddam Hussein arranjou para si mais e melhores inimigos do que poderia enfrentar com alguma chance de sucesso. O resultado foi que acabou pendurado pelo pescoço numa corda. Sua morte foi saudada, ao mesmo tempo, por Israel e pelo Irã. Entenderam? O que eu não entendi foi a declaração de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caso. Disse o presidente que "enquanto houver gente [de fora] dando palpite no problema do Iraque, ele não vai dar certo". Em seguida, ele próprio deu o seu palpite. "Não sei se foi um julgamento ou uma vingança. De qualquer forma, acho que não resolve o problema do Iraque. Acho que a violência vai continuar." Olha aí a novidade. Ninguém sabia que Lula tem passaporte iraquiano. Porque se não tem, a segunda metade da sua fala nao se encaixa na primeira. Coisas do Lula.

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14 Comentários:

Blogger Daniel Lopes disse...

Sou contra a pena de morte!
Seja onde for!

Concordo que o problema de Saddam foi político. Mas não é só isso. E o petróleo? Se fosse meramente político, Bush já teria atacado Cuba. Precisamos entender o recado dos nossos "amigos" estadunidenses.


Ontem eles matavam para deter o avanço comunista, hoje é o petróleo, amanhã poderá ser a água. E no Brasil é que está a maior reserva de água potável do mundo, na Amazonia.

Eles irão assassinar friamente quem ameaçar seus objetivos imperialistas. Chavez tem a vantagem de estar na América com conjuntura política favorável dos países fronteiriços.
Pensemos...

Ademais, parabenizo peo blog!


www.bahcaroco.blogspot.com

domingo, 31 de dezembro de 2006 14:55:00 BRST  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

O Irã (um Estado de maioria xiita) aplaudiu porque desde que Saddam Hussein (um sunita) foi deposto, a maioria xiita do Iraque está indo à forra; veja que a limpeza étnica dos xiitas contra os sunitas está comendo solta. Fora que os EUA atacaram os dois inimigos iranianos (Saddam e o Talibã); agora, finalmente, a Revolução Islâmica pode ser exportada sem grandes problemas. Bush concretizou o sonho de Khomeini.

Israel aplaudiu porque disputa com a Inglaterra para ver quem é mais alinhado automaticamente com os EUA.

Para o resto do mundo, foi uma ruim, porque agora os Estados sunitas, liderados pela vizinha Arábia Saudita, estão com as mãos livres para financiarem ainda mais as milícias sunitas a esticarem a guerra civil iraquiana até que os EUA sejam obrigados a reconhecer que o destino do Iraque pós-Saddam é ou virar uma Iugoslávia ou virar um Estado tributário do Irã.
Para quem queria montar uma democracia-modelo no Iraque, um cadáver como a única vitória é um pouco decepcionante.

domingo, 31 de dezembro de 2006 15:06:00 BRST  
Anonymous José Pires disse...

Não devemos esquecer que tudo isso começou com uma invasão militar em revelia à decisão do Conselho de Segurança da ONU. Uma invasão cujo pretexto (armas de destruição em massa de posse de Saddam Hussein) mostrou-se falso, uma mentira do governo americano.

Tinha que acabar desse jeito. O governo de George W. Bush encerra 2006 com este “espetáculo civilizatório”. Um tipo de civilização onde a vingança é base essencial. E vingança gera vingança, numa sucessão interminável de erros e atrocidades. Quem viver, verá. E quem vive no Iraque verá com o coração destroçado.

Mesmo dentro da lógica desumana da pena capital, preceitos básicos de humanidade foram desrespeitados. Vídeo liberado recentemente mostra os carrascos discutindo com o condenado, algo que seria inadmissível, por exemplo, nas execuções no estado de Bush.

Criou-se um mártir quando devia ser desmascarado um tirano. E pior, os vídeos que mostram a execução revelam um Saddam Hussein indo ao encontro da execução com dignidade e equilíbrio. Sua carta de despedida também é um documento importante, um texto que mostra temperança, bem diferente do Saddam pintado pelos americanos. Indiferente do que pensamos do ditador, o que esses gestos finais mostram é a força de um líder. No final, Saddam eliminou a desoladora imagem mostrada pelos americanos com a sua suposta captura em um buraco. Com estas derradeiras ações, Saddam Hussein criou emblemas de um novo mito.

E já que estamos falando de “guerreiros”, creio que cabe perguntar qual seria a reação de George W. Bush se estivesse na mesma situação de Saddam Hussein. É difícil saber a resposta completa, mas temos uma boa referência sobre seu comportamento nesta hipotética situação lembrando a perplexidade e o pânico de que foi tomado quando em 11 de setembro um assessor lhe deu a notícia do atentado no World Trade Center.

domingo, 31 de dezembro de 2006 15:34:00 BRST  
Blogger Emanoel disse...

Não acho correto analizarmos os fatos a partir da versão dos vitoriosos assim como ponho um pé ante o outro quando leio alguém com descendência judáica fazer referência às atrocidades cometidas pela alemanha nazista limitando-as apenas ao massacre dos judeus.
Qualquer ser medianamente culto é sabedor que ciganos, minorias e, principalmente, russos foram impiedosamente massacrados pelo regime nazista mas a história contada pelos ocidentais não menciona estes povos.
Sobre o enforcamento de Saddam Hussein considero ser mais um capítulo na extensa novela de submissão e humilhação do povo árabe.

domingo, 31 de dezembro de 2006 17:46:00 BRST  
Anonymous Péricles Sylva disse...

Quem disse que o Alon falou de judeus. Ele não falou de judeus, falou das vítimas do nazismo em geral.

domingo, 31 de dezembro de 2006 18:38:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Apenas acho que se Sadam tivesse sido capturado pelos adversários xiitas ou curdos, eu não teria nada a declarar sobre sua sentença, a não ser o mau gosto do circo dos horrores medieval. Seja Vingança ou não, sua execução seria produto do que semeou.
Do momento que foi capturado por forças estrangeiras (dos EUA), deveria ser entregue a um tribunal internacional para julgamento e não a seus algozes.
Quanto a Lula, Alon, eu lhe pergunto: será que você com sua experiência jornalística ainda não aprendeu a traduzir o que Lula diz para o que ele quer dizer? (compreenda o humor que estou querendo expressar e não crítica).
Você mesmo traduziu parte com a inclusão do "[de fora]".
Quando Lula diz "enquanto houver gente [de fora] dando palpite ...", está querendo dizer, no lugar de palpite, intervenção.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007 03:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A cada dia que passa nessa minha ainda breve existência me sinto mais inseguro. Saddan, independente dos crimes que cometeu, e que talvez meressece a morte no cadafalso como ocorreu. Porem foi mais uma vitima da intolerância; aquilo que eu chamo de ditadura mundial da democracia, por pura ironia. Saddan foi sacrificado impiedosa mente, com a simples presunção de que o Iraque será outro após sua morte. Ledo engano desses bárbaros que vão do ocidente para o oriente como abutres em buscas de suas carnificinas. Sejam através das armas ou do dinheiro procuram impor suas vontade e suas formas de governo, formas que de algum modo vão lhes beneficiar. Vi o vídeo em que o Saddan é executado de maneira desrespeitosa e indigna com um ser humano em seus últimos momentos. Por mais vil que tenha sido a criatura merece respeito honroso. Criatura que foi traída pelo seu criador (EUA). Depois se negaram a entregar o corpo a seus familiares, numa demonstração de desrespeito, a uma situação que praticamente é inalienável a condição humana, que é o direito de velar e dar um destino aos seus entes queridos. Infelizmente esse é o segundo episódio que acontece (que eu me lembre) na historia moderna. Quem não lembra de Manoel Noriega, ditador do Panamá, que foi violado na sua soberania, somente para captura-lo e depois ser transportado, julgado, condenado e aprisionado nos EUA. Não entro na culpabilidade desses cidadãos. Mas esse não é mais ou nunca foi um mundo seguro pra se viver.

Quanto ao Lula vc não entendeu direito, ele fez um comentario, não deu opinião pow! rs

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007 10:30:00 BRST  
Anonymous Antonio Lyra disse...

O maior criminoso do momento, encontra-se solto e matando mais gente, George Bush, até quando?
A morte de Bush seria comemorada por mais da metade da população do mundo.
Este bandido deverá ter a sua vez, aguardem.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007 13:59:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Quanto a confusão que o senhor Lula fez no comentário sobre a execução de SADDAM HUSSEIN é mais um absurdo gerado na mente daquele senhor - que desconhece, entre outras coisas, o sentido da coerencia.

Quando a execução de SADDAM é pacífico que SADDAM merecia a pena capital. Mas se o objetivo era condená-lo em um Tribunal, realizar um julgamento justo e não apenas deixar a impressão (aos ingênuos) de que houve justiça, o julgamento deveria ter sido realizado nos moldes do que foi concedido a SLOBODAN MILOSEVIC - acusado de crimes iguais ou piores do que os cometidos por SADDAM - que teve direito a ser julgado por um TRIBUNAL INTERNACIONAL, situado em território NEUTRO. O julgamento de SADDAM foi apenas uma VINGANÇA realizada por um governo TÍTERE do Bush e que nada somou em termos de Justiça e/ou pacificação do Iraque. Não posso deixar de registrar, e mesmo ENALTECER, a DIGNIDADE com que SADDAM HUSSEIN enfrentou seus carrascos, meros capachos dos EUA. Apesar dos bárbaros delitos que cometeu, SADDAM demonstrou grande coragem, o que lhe conferiu dignidade e certamente não encontra par entre os que arquitetaram a farsa do seu julgamento.

Silvio Roberto

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007 15:19:00 BRST  
Anonymous Rodrigo disse...

Considero que o "palpipe" americano é ligeiramente maior que o palpite do nosso presidente

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 08:49:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Isso tudo lembra um filme brasileiro: "Os Herdeiros Somos Nós", com Grande Otelo. Ou a peça teatral: "E agora Falamos Nós", de Tereza Santos. Ou como diz um gozador: "Nós, Eles e os Outros", de Anônimo Cínico. Ele acrescenta: o "Eu" ficou de fora, pois, não sendo comigo, a corda passando vários kms longe de meu pescoço, tudo é refresco.
Arnaldo Silva

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 11:21:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Sílvio Roberto

Você escreveu:

"Não posso deixar de registrar, e mesmo ENALTECER, a DIGNIDADE com que SADDAM HUSSEIN enfrentou seus carrascos, meros capachos dos EUA. APESAR (o que devo entender nessa lógica? Que a "coragem demosntrada" é um atenuante para os crimes que cometeu?) dos bárbaros delitos que cometeu, SADDAM demonstrou grande coragem, o que lhe CONFERIU (grifo meu) dignidade e certamente não encontra par entre os que arquitetaram a farsa do seu julgamento."

Eu jamais reconheceria nesse genocida coragem ou dignidade. Foi um covarde assasino em vida. Sua história é a de um ser abjeto que mostra não ter nenhum apreço por valores como coragem e dignidade.

Enaltecer assassinos é uma forma de se solidarizar com as suas barbaridades.

Reflita a respeito e observe como a sua ideologia antiamericana está lhe causando um grande mal.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 22:27:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, Feliz 2007 a vocês e a nós colaboradores. Como brinde de início de ano vou tentar desobstruir o seu pensamento quanto a pena de morte: para aquele nazista de verdade (general ou formulador das idéias de supressão de uma raça) a pena de morte é leve - muito mais justa e punitiva seria a prisão perpétua (lá, o moço sobe nas paredes de costas e com as unhas). Quanto aos palpites de Lula e do George, não precisa de opinião pública para concluir que a maioria da população do planeta está com o primeiro e ele tem que externar a opinião em nome da nação brasileira. Repetindo o que é notório: o fato de Sadam ter contas a acertar com os direitos humanos não legitima o julgamento realizado por um tribunal de ficção instalado e operado em plena guerra civil iraquiana, por capricho de um imperador que tem demonstrado despreparo para liderar o mundo.

Rosan de Sousa Amaral

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 11:50:00 BRST  
Blogger rafael disse...

Sua condescendência com Lula chega às raias do nonsense, Alon. Imagino se fosse outro político falando isso, seria uma tolice, uma bobagem, você estaria dando uma reprimenda considerável. Sendo Lula, "é coisa dele, ele é assim mesmo".

Doçura que turva a análise, pena.

Abs,

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 15:02:00 BRST  

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