quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

A realidade bate à porta do Hamas (11/01)

Quando coloco posts sobre o Oriente Médio, costumam aparecer comentários lembrando de minha origem judaica. É bom mesmo que as pessoas saibam quem é o blogueiro, para poderem fazer o seu próprio juízo sobre o que ele escreve. Seria ótimo também que esse critério fosse aplicado aos jornalistas, analistas e intelectuais de ascendência árabe. Seria excelente que eles fossem também duramente fiscalizados em suas intervenções públicas. Isso é a democracia. Você que acompanha este blog conhece minha opinião: só haverá paz entre israelenses e palestinos quando ambos aceitarem a existência do outro. É terrivelmente simples. Ontem, o Hamas avançou mais um passo no reconhecimento de Israel. A "embaixada" do grupo fundamentalista palestino em Damasco (Síria) admitiu que Israel é uma realidade e deu sinais de que o grupo aceitará reconhecer o Estado Judeu quando houver também um Estado Palestino. A declaração de Khaled Meshal deve ser lida no contexto da quase guerra civil que opõe o Hamas à Fatah, facções em luta pelo poder na Palestina. O Hamas venceu as últimas eleições parlamentares, formou o governo, mas sua recusa em reconhecer Israel provocou um boicote financeiro internacional às autoridades palestinas. Era só uma questão de tempo: naturalmente, a Palestina mergulhou numa grave crise econômica e política, que hoje toma a forma de uma luta sem quartel entre os fundamentalistas do Hamas e os laicos da Fatah, herdeiros de Yasser Arafat e seguidores do presidente palestino, Mahmous Abbas (a Palestina é parlamentarista). Pouco a pouco, a "rua" palestina vai percebendo que o sonho delirante de destruir Israel só aprofundará a tragédia dos palestinos. O escritório do Hamas em Damasco concentra as correntes mais radicais da organização. E também costuma ser influenciado pelos movimentos da diplomacia síria. Por isso a importância dessa manifestação. Ao final da última guerra entre Israel e o Hezbollah, opinei aqui que considerava precipitadas as avaliações de que os israelenses haviam sido derrotados. Os últimos desdobramentos políticos e diplomáticos regionais são significativos. A Síria passou a emitir sinais de que pode aceitar negociações de paz, incondicionalmente. Até agora, impunha como precondição que Israel devolvesse as Colinas do Golan, tomadas de Damasco na Guerra de 1967. Agora, é o escritório sírio do Hamas que emite sinais de moderação. Sabem o que eu acho? Que o presidente da Síria, Bashar Assad, pode estar procurando diminuir o risco de uma confrontação militar imediata, provavelmente após avaliar que a relação de forças bélicas lhe é desfavorável. Ainda mais porque parece estar falhando seu plano de, em aliança com o Hezbollah, derrubar o atual governo libanês, pró-ocidental.

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1 Comentários:

Blogger Julio Neves disse...

"Quando eu os tornar a trazer de entre os povos, e os houver ajuntado das terras de seus inimigos, e eu for santificado neles aos olhos de muitas nações, então saberão que eu sou o SENHOR seu Deus, vendo que eu os fiz ir em cativeiro entre os gentios, e os ajuntarei para voltarem a sua terra, e não mais deixarei lá nenhum deles." (Ezequiel 39)

sábado, 13 de janeiro de 2007 05:14:00 BRST  

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