terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Querem capitalismo? Então virem-se (23/01)

Do célebre discurso de Mario Covas na tribuna do Senado, em 28 de junho de 1989:

"Mas o Brasil não precisa apenas de um choque fiscal. Precisa também de um choque de capitalismo, um choque de livre iniciativa, sujeita a riscos e não apenas a prêmios."

Ficou famoso esse trecho do pronunciamento de Covas, então candidato do PSDB à presidência da República. Compromisso com a democracia, a justiça e o desenvolvimento pode ser lido clicando aqui. Vejam como é a política. No período entre 1987 e 1988 (ou seja, um ano antes do discurso que viraria a marca registrada de sua campanha presidencial), Covas havia liderado a bancada do PMDB na Constituinte. O partido tinha 3 em cada 5 constituintes. É razoável concluir, portanto, que o então PMDB (do qual o PSDB é hoje um dos herdeiros), Covas à frente, foi o principal patrono de uma Carta que 5 em cada 5 liberais consideram anticapitalista. Vê-se que o PT teve bons professores na disciplina de flexibilidade tática. Mas voltemos ao choque de capitalismo. Lembrei do discurso do então candidato tucano quando passei hoje na frente do busto dele, perto da entrada do Anexo 2 da Câmara dos Deputados. Eu vinha do Salão Verde, caminhando para o Anexo 4, matutando sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), quando me deparei pela enésima vez com o busto do Covas. Ele lá está, olhando para quem entra na Casa, restaurado depois de ter sido destruído na confusão armada ali ano passado pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra, o MLST. Por que essa conversa sobre Mario Covas [na foto de Sergio Andrade, de 1994, o então candidato do PSDB ao governo de São Paulo recebe o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno]? Porque talvez o PAC seja uma nova tentativa de aplicar o tal choque de capitalismo. Já pensaram nisso? Eu, um otimista incurável, pensei hoje quando passei na frente do Covas. O Estado dá uns empurrõezinhos. Se tiver habilidade e competência, pode desencadear uma aceleração da economia de dimensões razoáveis, por estimular os empresários a investirem. É como a ressonância na Física. Ressonância é a tendência de um sistema oscilar com grande amplitude quando excitado numa certa freqüência (chamada de freqüência natural de vibração do sistema) por uma energia externa -ainda que relativamente moderada. Os exemplos estão no dia-a-dia de todos nós. É a criança que vai lá em cima com o balanço, após uns empurrões dados sem tanta força assim. É o estádio que balança ao ritmo da dança de uma torcida organizada. Como eu disse no post anterior, não sei se o PAC vai funcionar como imagina o governo, perto da freqüência ótima para desencadear um novo ciclo de crescimento. Isso veremos. O que eu estranho é os apologistas do capitalismo reclamarem quando um plano de aceleração econômica delega aos capitalistas privados a responsabilidade principal pelos investimentos. Virem-se. Descubram fontes de financiamento [aproveitem para exigir do governo que dê um calor nos bancos; vocês são tigres para criticar o Banco Central, mas viram gatinhos quando o assunto é o cheque especial]. Não querem fazer novas dívidas? Arranjem sócios, abram o capital. Mas, para variar, em vez de colocar esse dinheiro novo no bolso, invistam na expansão dos seus negócios. Claro que vocês podem optar por uma atitude cautelosa. Afinal, o plano pode fracassar. Mas se vocês exagerarem na dose de pessimismo vão ficar atrás da concorrência, nacional e internacional. Com o Real valorizado, lembrem-se sempre de que importar é um bom negócio -e portanto vocês não estão sozinhos no mercado. Lamento, amigos, mas é o risco. Sei que vocês preferem o capitalismo sem risco. No lugar de vocês eu também preferiria. Só que as coisas na vida não acontecem exatamente do jeito que a gente quer. A consciência desse limite é uma das linhas que separa o adulto da criança. Vamos lá, aproveitem a janela de oportunidade. Talvez o governo Lula seja uma das últimas chances de o Brasil virar um país capitalista. Não é isso que vocês vivem pedindo?

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21 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Desisto Alon, você é incurável.
JV

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 01:01:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não desista. Faça como eu, que não desisto de você. Argumente.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 01:08:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

amanhã, entonces.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 01:26:00 BRST  
Anonymous Rodrigo disse...

É Alon, capitalismo é risco. O que não falta é "liberal" que diz que tem horror a estado, mas não consegue viver sem mamar nas tatas do governo.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 08:36:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, veja só, o que os capitalistas com acesso ao Planalto querem é justamente o capitalismo de estado, o capitalismo sem risco, onde o capital vem de juros subsidiados. Como é de praxe. Como sempre foi no Brasil. É muita ingenuidade querer que os industriais estabecidos não se dediquem a usar o estado para conseguir vantagens, assim como uma multitude de grupos de pressão que tentam cada um levar o estado para o seu lado.

O estado é isso, meu amigo: uma estrutura que legitimiza botar a mão no bolso de João para entregar para Pedro. Saímos de um estado mercantil, que favorecia a tal 'elite' que as esquerdas falam, para um estado que favorece os mesmos MAIS as novas redes de clientes que um partido de esquerda traz consigo. Haja impostos para saciar os velhos e os novos parasitas. Coitado do João.

Esse novo plano nacional (coisa cafona) nada mais faz que agradar certos grupos contemplados, e dá mais um passo pra trás, em direção ao familiar capitalismo de estado. Bem diferente da economia de mercado moderna que desejamos para o Brasil, que passaria pela completa retirada do estado na economia, corte de impostos PARA TODOS, fim da TJLP e o uso de uma única taxa referencial, como o resto do mundo faz, corte fiscal com transferência automática de recursos para consumidores e empresários.

Veja a diferença: ao invés do estado escolher o plano de ação, seria o próprio mercado. Mas aí, é claro, os políticos não conseguiriam agradar grupos de pressão com isso.

Como é mais fácil repetir o passado, lá vamos nós cada vez mais de volta ao planejamento estatal do tempo dos milicos, dessa vez pelas mãos do PT.

Um abraço

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 08:48:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Os nossos capitalistas não são tão ingênuos a ponto de acreditar nos seus argumentos, Alon, que são totalmente lógicos no mundo utópico dos ideais. Desculpando-me pelos menos ralos conhecimentos econômicos, acredito que se o governo tivesse mesmo a intenção de destravar nossa economia para inaugurar o capitalismo no Brasil, o PAC já viria com uma ampla reforma tributária e trabalhista, desonerando os custos da produção, principalmente para os pequenos empresários. E já teria anunciado uma queda drástica na taxa básica de juros. Poxa, Alon, você é amigo dos caras, sabem que eles fizeram todo esse lançamento pomposo só para camuflar o que interessa: a DRU e a prorrogação da CPMF. Você acha que os nossos capitalistas nasceram ontem, Alon?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 09:35:00 BRST  
Blogger cid disse...

Alon

Bem lembrado esse capitalismo de araque a que os chamados capitalistas tupiniquins estão acostumados. Ou melhor, no qual foram formados. Quando o calo aperta, quando a bola está quicando dentro da área e é preciso ter coragem para chutar a gol, quando é preciso tomar decisões e as palavras devem virar atos concretos, aí, meu filho, poucos se animam.

No Estadão de ontem a manchete dizia que o PAC dependia do setor privado. Claro. Quanto dinheiro essa gente tem no exterior? Traga. Quanto dinheiro essa gente tem aplicado no Brasil, ganhando sem produzir nada? Invista, e corra os riscos.

No Estadão de hoje, 24, a manchete fala que o PAC pressiona para a queda dos juros. Ótimo. Ganham as finanças nacionais, perdem os parasitas do sistema financeiro. Perde o discurso dos que só sabem raciocinar em termos de cortes na área social, na previdência, no salário dos aposentados (que garante a economia e a vida de muita gente, e impede que isto daqui exploda de vez), nas leis trabalhistas, etc.

Num país como o Brasil, com este capitalismo chinfrim, e estes capitalistazinhos meia-boca, o Estado ainda precisa dar um empurrãozinho (ou empurrãozão) para a coisa andar. Quem ousar (arriscar), pode sair na frente. O que, como você mesmo disse, pode ser a útima chance deste país se tornar capitalista de verdade, protagonista da economia mundial. Se não, estaremos todos condenados a virar mais um dos entrepostos da periferia, para gáudio dos que se contentam ou se sujeitam em ser apenas os sócios menores da exploração das economias hegemônicas.

Alon, mais uma vez, seu comentário foi "bola na rede".

cid cancer
mogi das cruzes - sp

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 09:35:00 BRST  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
Quem quer que esse país se torne capitalista pra valer?
Só nós, que não somos capitalistas nem detentores de grande soma de recursos financeiros e do controle de empresas. Digo assim porque não dá para chamar esses caras aqui do Brasil de capitalistas: são rentistas, apaniguados, mamam nas tetas do Estado, ou que mais poderíamos descrever, menos pessoas que aplicam Capital - no verdadeiro sentido que a isso dá o capitalismo, inclusive quanto ao risco.
Se resolvêssemos reproduzir o estudo de Lênin aqui, e contar a história do capitalismo no Brasil, certamente choveriam centenas de ações judiciais para impedir sua publicação ou exigindo a retirada das histórias das famílias desse pessoal...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 10:20:00 BRST  
Anonymous Tiago disse...

Bom dia Alon, concordo com você, querem capitalismo que arrisquem, alias isso é o que fazem milhares de brasileiros, inclusive os rentistas, apenas se mede o nivel de risco que você quer assumir. Outro dia li um artigo que comentava que no Brasil ter lucro parece crime, uma vez que setores sociais utilizam estes dados como forma de pressão e de prova da desigualdade social. O que se pede e que o estado seja o indultor, coordenador das politicas de desenvolvimento e que definitivamente traga melhorias para todos os setores, coisa que não vemos hoje. Este PAC por exemplo como indicador da vontade concordo com vc é um passo, embora já tenhamos tido algo assim (Avança Brasil FHC), mas cade as novidades, o PAC é uma juntada de projetos ja existentes e alguns novos, mas a maioria já existente. Outro fato o SuperSimples, aqueles que já leram a legislação toda sabem que ele é pior que o Simples anterior e acrescenta muito pouco de novidade, alem de deixar de ser simples.
Bem como brasileiro só me resta torcer para dar certo.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 11:18:00 BRST  
Blogger Ricardo disse...

Exceto que o PAC vai na direção CONTRÁRIA de sua análise, o resto está certo.
O PAC trata setores com diferenças, acentua a participação estatal no cresciemnto, não desburocratiza nada, cria entes intermediários para cuidar de recursos da sociedade em nome do "novo porvir" (sim, falo da tungada no FGTS, que será "gerido" - vulgo dirigido - pelo BNDES (Metrô de Caracas) e pela CEF (Mensalão)) - em suma: reforça o capitalismo sem risco do país.
Querem choque de capitalismo? Que tal começar pelo desmonte dos cargos de confiança, pelas políticas não-universalistas, pela reforma tributária que mude de origem para destino, que acabe com mamatas tipo ProUni e Bolsa-Faz-Filho e Justiça do Trabalho, por uma clara separação dos regimes de previdência, que separe a assistência social dos recursos de previdência, e da formalização da mão-de-obra nacional?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 11:25:00 BRST  
Anonymous Ricardo Melo disse...

Será que os capitalistas brasileiros terão coragem para arriscar?
Será que os nossos industriais vão tomar a coragem de colocar o Mercado Financeiro à disposição da economia nacional?
Ou vão continuar acomodados à supremacia da Globalização Financeira?
Até o momento, a nossa Elite só mostrou ter "coragem" para desalojar os sem-teto de invasões -com a ajuda da PM (que pertence ao Estado).

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 13:19:00 BRST  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon, gostei de ver que você ainda pode reconsiderar a idéia de que o PAC veio apenas para justificar a renovação da DRU e da CPMF, ainda que o ceticismo com esses “planos” seja fácil de entender. A idéia de que Estado deveria planejar sua intervenção de modo a funcionar como indutor dos investimentos privados e do desenvolvimento está no cerne do pensamento econômico “de esquerda” que se desenvolveu na América Latina a partir da CEPAL. Mas na prática esse planejamento governamental tem deteriorado em rotinas burocráticas repetitivas e inúteis. Excluindo-se o Plano de Metas de Juscelino e o II PND de Geisel, nenhum deixou lembranças, sequer os exercícios de avaliação de seus resultados – fundamental em se tratando de atividade de planejamento, justamente para a identificação de deficiências e problemas a serem enfrentados nas formulações futuras – foram realizados.

Para exemplificar a que ponto chegou a degeneração da atuação estatal, repare que os projetos de investimento prioritários, além de não poderem ser contingenciados para a obtenção de resultado fiscal, ganham cada um executivo próprio, que atua fora da máquina pública existente, para evitar que sejam paralisados pela burocracia. Não espanta que se entendam esses planos como simples propaganda.

Mesmo assim, o PAC me parece possuir alguns objetivos importantes para o segundo governo Lula: trata-se de aproveitar o curto espaço de tempo em que poderá contar com maioria no Congresso para passar um conjunto de medidas que, mesmo tímidas, poderão significar um segundo mandato algo melhor no que diz respeito a crescimento econômico. Daí tentar aprovar as medidas do PAC antes ou simultaneamente a nomeação do ministério. Veja Alon, que o governo possui reduzidíssima margem de ação, imprensado entre as dificuldades de equilibrar uma coalizão periclitante no congresso de um lado e fazer a máquina pública funcionar de outro. Sequer uma guinada radical em direção ao mercado, como pedem alguns comentários acima, me parece politicamente viável.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 14:57:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Confesso que estou com dificuldades de entender os argumentos (falta de idéias) da oposição.
Sempre críticas genéricas baseadas no ideário neoliberal (algumas até de boa-fé, outras meramente lobistas): reduzir o tamanho do estado, desonerar a produção, reforma tributária, trabalhista e da previdência. Mas cadê o PAC da oposição, para explicar com números como implementar isso tudo?
Por coerência a oposição deveria defender uma Moratória técnica, pois se o modelo de estado está falido, a forma de liquidar uma massa falida seria liquidar os ativos para pagar o que é possível aos credores e ponto final, em vez de privatizar e continuar devendo.
Por coerência deveria defender a transferência de Previdência Social pública para a gestão das seguradoras privadas (ativos, passivos e patrimônios) e deixar os beneficiários e gestores se entenderem em livre negociação, mesmo que isso reduzisse a aposentadoria de muitos, para o equilíbrio atuário (resolvam também o que fazer com a sobrevida além dos cálculos atuários, e quando isso implicar em falência de uma seguradora, o que fazer com os idosos segurados).
Por coerência deveria defender que a verba do Ministério da Saúde (e secretarias estaduais e municipais) fosse totalmente repassada para os planos de saúde, e a rede de atendimento também, em seguida o Ministério seria extinto, os impostos reduzidos na proporção da extinção destas verbas, e os consumidores pagariam diretamente aos planos de saúde.
Por coerência, a mesma coisa deveria ser feita com o Ministério da Educação (e secretarias estaduais e municipais), repassando todas as verbas e rede de ensino para escolas privadas.
Ah... as polícias também deveriam ser transferidas para as empresas de vigilância privadas.
As políticas de universalização como ficariam? Seriam extintas, e quem não tivesse renda ficaria fora da escola e fora do sistema de saúde? Ou caberia ao Estado recolher impostos de quem tem renda para subsidiar bolsas a quem não tem renda, previdência e atendimento à saúde? E neste último caso os impostos seriam menores? Gostaria que a oposição apresentasse a sua conta.
Sejamos francos, o modelo neoliberal foi pensado para Estados do 1o. mundo, com problemas resolvidos e com políticas de universalização já existentes. Jamias foi concebido para situações de carência e racionamento. O próprio FHC disse que cortar impostos no 3o. mundo muitas vezes é escolher aumentar a mortalidade infantil. O Estado é a forma menos ruim de organizar a parte coletiva do viver em sociedade. Renunciar a isto, renunciar a políticas universalizantes de educação, saúde, segurança, previdência, trabalho, onde há carências disso tudo é renunciar à civilização, e deixar a barbárie desde miséria do sertão ao narcotráfico nas favelas acontecer, de braços cruzados. O primeiro maior problema de governança brasileiro é aplicar a receita dos impostos na atividade fim: retornar à população em forma de serviços públicos. O resto só pode vir a seguir.
Por fim, gostaria que me explicassem porque as refinarias de petróleo de Manguinhos (privada, sob controle da Repsol) fechou sua produção, a Ipiranga estava no mesmo caminho (alguém sabe se parou?), e a Petrobrás continua lucrativa. Porque nenhuma empresa petroleira privada compete com a Petrobrás se o mercado já está aberto há muito tempo?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 15:33:00 BRST  
Anonymous jura disse...

Eureka! É isso, Alon! Descobri!

Desde o seu post anterior sobre o PAC como peça de marketing do governo, eu passei a desconfiar que a culpa era dos marqueteiros. Não que eu seja contra o marketing - absolutamente, eu compro tudinho que eles mandam no supermercado, regularmente, e pago com meu cartão de crédito, que me dá bônus, que eu gasto em milhas aéreas, que... bom, por enquanto chega.

É que os bons marqueteiros não gostam de trabalhar para o governo - porque é um cliente chato, não entende nada do assunto, paga mal e você sempre pode acabar preso com uma mala suspeita que nem é sua e ir parar na reportagem policial. Então só sobra para o governo os maus marqueteiros.

Por isso, o marketing do governo sempre acaba dando errado. O correto seria que o PAC fosse PACTO: Proposta Acelerada para Converter Tudo em Oportunidades.

Pronto, resolvido. Perto dos outros, até que é um errinho perdoável!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 15:57:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

só para começar, querer capitalismo como, se a moeda está artificialmente forte (os salários estão altos em relação a sua produtividade comparados como resto do mundo- a China resolveu entrar de cabeça na competição capitalista desvalorizandoa moeda a ponto dos americanos chiarem e os salários lá são REALMENTE de fome), e a carga tributária está em 50% (consome toda poupança privada nacional-poupança estatal não existe, desde muito tempo o estado pega emprestado com qualquer agiota para pagar sua folha).
De modo que, se vocês querem brinar de capitalismo, tem uma longa estrada pela frente.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 22:14:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Uma sociedade que tira metade da produção da população economicamente ativa para sustentar a outra metade cria alguns problemas interessantes.
Primeiro há uma divisão, entre consumidores líquidos de impostos e pagadores líquidos de impostos. E o mais engraçado, é que uma vez esta divisão estabelecida, as pessoas se acostumam a ela. Mas tanto se acostumam que vemos em cada lado situações análogas e opostas. Os que recebem impostos se julgam cada vez mais no direito de receber quantias cada vez maiores (cultura da vitimização, o coitadismo oficial,a vagabundagem pura e simples) enquanto os que pagam impostos começam a trabalhar cada vez mais para, sempre que puderem, compensar a elevação do imposto e manter seu rendimento constante. Só isto já dá um nó psicológico na população, um lado se vê moralmente credor e outro é pressionado a acreditar que é devedor (a famosa "dívida social").
Se nos adultos isto é importante, nas crianças é uma tragédia. Não é a toa que cada vez mais vemos adolescentes de 32 anos de idade, há uma desmaturização da população, que, sem perspectivas, cai num marasmo completo. jv

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 23:08:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Enquanto uma parte da população trata a outra como aquele burro da piada, que sobrevivendo com cada vez mais comida, acaba morrendo, para lpatima de seu dono, que achava que o burro morreu bem na hora que se encontrava "econômico".
Alguns políticos espertalhões, que plantam pobreza para colher votos de 4 em 4 anos, tentam propagar sua idéia que a luta é dos pobres contra os ricos, que a pobreza de uns é causada pela riqueza de outros (nunca esqueço o diálogo do filme o Nome da Rosa, onde o James Bond explica ao seu Adso que os tais cátaros confundiram o amor aos pobres com o ódio a riqueza), ou pior que a riqueza causa pobreza, que os altos salários de uns provocam os baixos salários de outros, o fazem para dissimular a verdade, que consiste no seguinte: a luta é entre os que pagam impostos e os que recebem o dinheiro dos impostos. Sim, meu caro Alon, há empresários, milionarios, artistas, deputados, juizes, gente do jet-set, que vivem de impostos; e a maioria dos que pagam impostos, são pobres ou remediados. No Brasil, você sabe, grande parte dos impostos vem de impostos indiretos, ocultos nos preços que o povo paga para seus frugais hábitos diários.
Sabendo disso, minha surpresa, junto com Thomas Sowell (e roubando dele a fase), como é que pode ser chamado de progressista um partido, um grupo de políticos, ou até de jornalistas, que defendem a manutenção de privilégios de uns (escondidos como direitos)sustentados com dinheiro arrecadado do esforço produtivo de outros? Como? COMO, Alon? Progressivo ou regressivo?jv

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 23:19:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Bem, mas como de boas intenções o inferno está cheio (you know babe, sometime the devil comes as a man of peace--Bob Dylan), e o povo brasileiro é crédulo, ingenuo e beira as vezes as raias da idiotia, este processo de aumento da carga tributária avança. E qualquer estatística mostra que no Brasil isto foi e é um fato. Mas como acaba, passa de 100%? Sim, de algum modo vamos consumir 110% da renda nacional até ficarmos pastando. Na verdade não acaba nada bem, e coitado do político que for presidente quando esta pirâmide (sim, se compara a uma piramide daquelas que as pessoas acham que vão ficar ricas) estourar. As aposentadorias não serão cumpridas, os aumentos prometidos não virão, ou pior, se vierem, será com papel moeda impresso sem lastro, inflação galopante que só depreciará o valor real (você sabe, Miterrand ensinou, inflação é um imposto que só atinge os pobres e sem instrução). Dá para perceber que as promessas de "uma vida melhor" são uma fantasia maligna preparada pelos consumidores de impostos que posam de bonzinhos para ludibriar os pagadores líquidos de impostos trouxas que dão ouvidos a esta sereia?
Pode você, sabendo disso, achar que qualquer transferencia de renda sem o esforço produtivo devido é maligna ( e aí incluo os juros que recebo e as bolsas familia) e prejudicial, sendo um fator de desagregação social? jv

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 23:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Por isso Alon, que eu digo, o Brasil é um condominio onde os funcionários do prédio tem direito a voto nas assembleias, e o síndico, para se manter no poder contrata cada vez mais funcionários e os trata com mimos, aumentos e vida mansa. Quanto tempo duraria um edifício administrado nestes termos? A inadimplencia não seria total depois de 3 meses, e haveria uma convulsão?
Esta caricatura mostra bem porque o welfare state sempre acaba mal, uns mais rapidamente que outros, aqueles que tem gordura para queimar duram mais, mas se empobrecem e se esvaziam.
Aquela tua ideia de arrumar um "perene bem estar a população" é uma fantasia perigosíssima, porque inexequível e porque venenosa, aditiva como cocaína, nada mais que masturbação mental. Logo, como no trecho do livro John Galt que eu mostrei o link, as pessoas começam a competir para se sentirem com "menos bem estar" que as outras, e a elas escravizar.
Na verdade, estes estados começam a falir porque os melhores cérebros fogem para lugares onde eles podem trabalhar e progredir magterialmente sem ter que carregar preguiçosos, burros, feios mentais, maus e maléficos, nas costas. Porque todo médico inglês se muda para os EUA a ponto de brasileiros serem chamados para o serviço de saude inglês? Porque os cientistas suecos vão para os EUA? Por ganância ou para se livrarem de impostos escorchantes?jv

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 23:41:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Agora como é que você quer que o programa do Lula (ops, Lula é passado, agora é Luis Inacio)atraia algum capital produtivo? Neste país, onde 20% do PIB é para pagar funcionarios, outros 20 e tantos para sustentar a máquina do "perene bem estar do povo", alguem vai colocar dinheiro de risco? Nem a pau, acordem, wake up little Suzie.
E tem mais, além de tudo, as contas não fecham, no fim do ano, Lula ainda tem que pedir dinheiro emprestado para fechar as contas.
Já te disse, qual empresario vai investir para ganhar 6-7 % ao ano, se empresta para o governo e ganha 11-12%. Tem que ser muito burro, e empresario burro se extingue em alguns meses, de modo que não existem empresários burros. Existem burros que se acham empresarios e morrem em meses.
Vou eu contratar pessoal, gerar emprego, ou emprestar para este governo perdulario que tem uma mina (o territorio nacional) para explorar? A informalidade aumenta e o ciclo vicoso se perpetua.
O PT , e Lula se deu conta disso e já falou em privatizar entre 4 paredes, é o partido que pretende proteger o velho em detrimento do novo, o idoso em detrimento da criança, o burro em detrimento do inteligente, o preguiçoso em detrimento do operoso, a vela em detrimento da lâmpada, a bicicleta em detrimento dos aviões, a lenha em detrimento da energia atômica, e o mais importante, o empregado em detrimento do desempregado.
O jovem atrás do emprego não consegue porque a aposentadoria de seus pais e avós é excessiva e precoce, deu para notar? Os velhos tem que sustentar os filhos e netos até os 35 anos de idade, deu para notar?jv (cansei)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 23:52:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Empresários que bancaram a reforma do Alvorada não querem saber da reforma do Planalto: a obra custou mais que o previsto, foram mal tratados e nem puderam levar seus convidados à inauguração, muito mal divulgada.


JV- empresario burro ou fica esperto ou morre. Mas este deveria estar querendo favores, então, danem-se os 2 lados. Se merecem.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007 00:08:00 BRST  

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