sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Patriotismo (26/01)

Depois que vítimas de tortura no regime militar recorreram à Justiça para carimbar como torturadores os seus algozes, agora são ex-militares que pensam em ir aos tribunais para rotular como terroristas os seus então adversários. Estão, ambos os lados, em seu legítimo direito. Mas este post não é sobre direitos individuais, sagrados. É sobre patriotismo. Eu encaro o período da luta armada contra a ditadura como uma época de guerra. No plano estritamente militar, a direita ganhou. No político, não foi bem assim que a coisa aconteceu. Sobre esse assunto, meu pensamento chega a ser simplório. A guerra acabou. O Brasil está em paz. Esquerda e direita disputam democraticamente as eleições, e quem ganha governa. Há muitas coisas de que desgosto no Brasil. Mas eu reconheço no meu país as saudáveis marcas -espero que irremovíveis- da luta democrática da minha geração (leiam Medo e Liberdade, na revista Teoria e Debate de setembro de 1997). Para o meu gosto, está bom assim. Que os historiadores se debrucem sobre aquele período e façam cada um o seu julgamento. Até para o conhecimento das futuras gerações. Repito: todos que desejam resgatar alguma dívida do passado estão em seu sagrado direito. Mas espero, sinceramente, que consigamos superar esta fase e deixar para os nossos filhos um país completamente pacificado.

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18 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon,
Não concordo que houve uma guerra entre brasileiros de direita e de esquerda. Os detentores do poder massacraram a oposição. Mas a revisão da lei da anistia _ com respeito aos que sofreram tortura _ só vai reacender antigos ódios, feridas ainda abertas no país.´
Vários personagens daqueles anos turbulentos, hoje estão no poder, e como será o reencontro dos dois lados num hipotético tribunal?

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 18:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Concordo Alon, mesmo porque, juridicamente, Gabeira e Zé Dirceu (e muitos outros) teriam muito a perder se a anistia fosse suspensa. Não esqueça que a Anistia foi uma luta da esquerda para voltar ao país e terem seus direito políticos restaurados.
Mas gostaria que você fosse sincero e me explicasse 2 coisas.
1. como a guerrilha comunista iniciou em 1962, pretendendo derrubar um governo eleito, que caráter democrático teria ela?
2. de acordo com Daniel Aarão Reis, a guerrilha pretendia instalar algo como o socilaismo chinês ou cubano, o que tem de democráticos estes regimes da época?
Havia cisões, eu sei, mas qual sua idéia deste período, e onde você estava?
JV
-dei minhas explicações em outros tópicos, gostaria das suas explicações. 1ab

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 19:29:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Minhas respostas: 1. Não conheço registro de guerrilha em 1962. Gostaria de conhecer. 2. Entrei no PCdoB no começo de 1977. Saí no começo de 1981, quando me convenci do valor universal da democracia e fui para o PCB. Fiquei no PCB até o partido acabar, no começo dos anos 90, mas deixei de militar na prática depois de 1986. Minhas idéias sobre o período acho que estão espalhadas pelo blog, mas um dia vou me estender mais sobre ele.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 19:41:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

estava entretido neste texto, e o coloco apenas para seu conhecimento

http://www.anpuh.uepg.br/xxiii-simposio/anais/textos/PL%C3%8DNIO%20FERREIRA%20GUIMAR%C3%83ES.pdf

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 19:58:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Ou seja,não havia guerrilha. Havia discussões sobre guerrilha. São duas coisas bem diferentes.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 20:01:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

trechos do livro de Denise Rollemberg

“Após 1964, a esquerda tendeu, e tende ainda, a construir a memória da sua luta, sobretudo, como de resistência ao autoritarismo do novo regime... No entanto, a interpretação da luta armada como essencialmente de resistência deixa à sombra aspectos centrais da experiência nos embates travados pelos movimentos sociais de esquerda no período anterior a 1964.”

“após a experiência frustrada das Ligas (1961), e já instaurada a ditadura civil-militar, Cuba redefiniu a maneira de apoiar a revolução no Brasil”.

Se Cuba redefiniu é porque tinha algo definido antes, não me lembro de ter havido interesse do Brasil na situação cubana, porque Cuba estaria tão interessada no Brasil antes de 64? Como justificar o interesse cubano no Brasil antes de 64, se o regime militar não existia? O que veio antes?

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 20:07:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, você viu o filme Diamantes de Sangue (com o Di Caprio)? Pois se não viu, vá ver. A descrição que recebi de um amigo Colombiano, QUE FOI da FARC e fugiu para o Brasil, em confidência, é perfeitamente mostrada na maneira como é feita a "seleção" de guerrilheiros entre os jovens das aldeias e povoados mais distantes dos grandes centros.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 20:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0804200114.htm

tem este link para assinantes da folha

Até agora, os historiadores acreditaram que o suporte do regime nascido com a Revolução Cubana de 1959 a esquerdistas brasileiros começou durante o governo João Goulart (61-64), intensificando-se após o movimento militar de 64. Na verdade, o apoio veio de antes.
Em maio de 1961, o dirigente do PCB (Partido Comunista Brasileiro) Jover Telles escreveu quatro páginas intituladas ""Relatório à Comissão Executiva sobre minhas atividades em Cuba".
No documento, endereçado ao núcleo supremo do CC (Comitê Central) do partido, ele detalhou o dia-a-dia da sua missão. Telles chegou a Havana em 30 de abril de 1961. Deixou a cidade em 23 de maio. No item 12 do relatório, Telles escreveu: ""Curso político-militar: levantei a questão. Estão dispostos a fazer. Mandar nomes, biografia e aguardar a ordem de embarque".

Pedido de armas.....

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 20:27:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, essa questão é para lá de complicada, mas olhar no retrovisor é como coçar, não dá para parar. A rigor, todos deveriam ser julgados dentro de uma estrutura legal e legítima que não poderiam ser as emendas do AI-1 e AI-2, nem a constituição de 1967. Restaria a Constituição de 1946, na forma como promulgada pela então Assembléia Constituinte. Ficaria esquisito,não? Mas, na Argentina, foi mais ou menos assim que se passou no governo Alfonsin e, causou muita confusão.

Quanto à proposta de luta armada, pré-64, o PC do B já apresentava essa alternativa em 62. Mas, sem a ruptura de 64, as propostas de guerrilha urbana teriam apelo muito menor e, a guerrilha rural nem existiria. O PCB não se esfacelaria e junto com o PTB fariam uma grande coalizão em 65 a favor de Brizola, mas JK, levaria novamente. Em 70 Lacerda e Brizola disputariam voto a voto, com a vitória do último e, o surgimento do governo da unidade popular. Bem, melhor parar por aqui....

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 22:37:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Então está claro que esta conversa de guerrilha , ou luta armada pela democratização do país é PARA BOI DORMIR. Todos que pegaram em armas queriam instalar no Brasil um regime chines (Mao Tse) ou cubano (Castro), e o resto é dissimulação.
JV

sábado, 27 de janeiro de 2007 16:15:00 BRST  
Anonymous Luiz disse...

Só por curiosidade:
O Jover Telles, citado em um comentário anterior como dirigente do PCB, seria o mesmo que, alguns anos depois e já como militante do PC do B, teria traído o partido e dado aos órgãos de repressão as informações que resultaram na Chacina da Lapa ?

sábado, 27 de janeiro de 2007 20:39:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

JV, eu não emitiria juízo absoluto, pois devia haver um contingente apreciável de "idiotas úteis" - sem ofensa, faltou-me expressão melhor - na estruturação / apoio / logísitca desses movimentos. Mas pegando em armas, de fato, é difícil crer que não soubessem dos objetivos dos lidéres - esses sim, pode-se dizer com boa dose de certeza, interessados em implantar regimes que poderiam parecer com tudo, menos com democracia.

sábado, 27 de janeiro de 2007 21:13:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

JV e Frank:
Está fartamente documentado e publicado na imprensa, livros, etc, que nos anos 60 e 70, haviam diversas correntes, e sobre luta armada podemos dizer:
1) Haviam defensores da luta armada para implantar uma ditadura do proletariado, com ou sem regime democrático (como havia até na Itália Democrática, com as Brigadas Vermelhas, e nem por isso na Itália reabilitaram o fascismo para combatê-la).
2) Haviam defensores da chegada ao poder pela via democrática para implantar reformas. Eram as diversas correntes de esquerda que fizeram oposição institucional via partidária dentro do MDB ou através da sociedade civil. Exemplo de chegada ao poder por via democrática foi no Chile com Salvador Allende. O próprio PCB, a partir de determinado momento (acho que ainda nos anos 60) adotou a tese de abandonar a luta armada. O endurecimento do regime, fechando partidos, sindicatos, UNE, revogando a constituição, cassando mandatos, é que levou muita gente que comungava destas idéias por via constitucional, sobretudo estudantes e outros jovens, a aderir à luta armada, por não enxergar outra alternativa. Qualquer tentativa de fazer política de esquerda levada à prisão, publicações eram censuradas.
3) No item 2 acima havia os que enxergavam na democracia mero acesso ao poder, para depois implantar as mudanças que levassem a um regime nos moldes do comunismo soviético. Haviam outros que pensavam em socialismo mais brando. E haviam aqueles que aceitavam plenamente a vigência da democracia, com multi-partidarismo, alternância no poder, etc. Acreditavam que quando estivessem no poder exerceriam sua influência de pensamento para modificar a sociedade rumo à social democracia ou socialismo democrático. Esse último grupo é praticamente hegemônico na representatividade do pensamento de esquerda hoje.
Mesmo com a repressão, os partidos comunistas do mundo todo, nos anos 70 e 80, sofreram cissão entre aqueles que adotaram a tese de que a democracia política, com liberdade de pensamento, é um valor universal que deve ser respeitado, e outros que continuavam a defender o pensamento clássico marxista de que a democracia verdadeira se daria pela socialização das riquezas, e não da pela liberdade de individual de não socializar as riquezas. Havia até o termo "eurocomunismo", referindo aos diversos partidos comunistas europeus que passaram a defender o caminho do socialismo democrático.

domingo, 28 de janeiro de 2007 14:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sim, sim, certo, mas estamos nos referindo aos movimentos que pegaram em armas nos anos 60, os guerrilheiros. Queriam estes o que, exatamente?
Por exemplo, as FARCs querem o que, exatamente?
Uma vez que estes movimentos eram esquerda "linha dura", não pretendiam uma redemocratização do país, e sim a instalação de uma ditadura muito mais "braba" no estilo chinês, a reação se justifica.
JV

domingo, 28 de janeiro de 2007 22:06:00 BRST  
Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon, acho melhor "deixar prá trás" e chamar o artista. Canta Gil, embalado em Marley:
Observando hipócritas disfarçados rondando ao redor
Amigos presos, amigos sumindo assim, prá nunca mais
Nas recordações retratos do mal em si, melhor é deixar prá trás
Não, Não chores mais
Não, Não chores mais

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007 20:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Jover Telles em 1961 era membro do PCB, depois fundou o PCBR, mas quase de imediato passou para o PC do B onde entraria tristemente para história dos comunistas brasileiros.
Essa informação de 1961 mostra que dentro do PCB já havia a proposta de luta armada, mas totalmente minoritária. Somente depois de 64, a ALN e o PCBR conseguiram adeptos suficiente para a aventura guerrilheira. A ALN foi um fenõmeno paulista e o PCBR pernambucano, ambos com um pouco de inserção no Rio de Janeiro, não mais do que isso.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007 20:35:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Proposta de luta armada, sempre houve nos partidos comunistas do mundo todo. A própria intentona comunista de 1935 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Intentona_Comunista) foi uma forma de luta armada (não guerrilha, mas tentativa de golpe via levante militar). Mesmo assim haviam divisões entre os comunistas que eram a favor e contra tal levante.
Guerrilha de fato (não na teoria, teses, propostas, planos, etc), eu nunca vi nenhum historiador, nem reportagem que mostre ou defenda sua existência antes de 64.
Não há dúvida de que um dos catalisadores que levaram muita gente à guerrilha foi o fechamento dos canais de expressão e organização social e política, como sindicatos, UNE, partidos de esquerda, etc.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007 14:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

acho que um dos grandes catalisadores do movimento de 64 foram os movimentos da esquerda comunista e não comunista em plena guerra fria, inclusive o apoio cubano aas ligas camponesas.
JV

terça-feira, 30 de janeiro de 2007 18:45:00 BRST  

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