quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Os financiadores do terror (03/01)

Estava na cara que isso ia acontecer. Luiz Inácio Lula da Silva constatou (tardiamente, diga-se) que o crime organizado entre nós mudou de patamar. Disse que a coisa adquiriu contornos de terrorismo e que isso exige uma nova atitude das autoridades. Aí aquelas pessoas que precisam, patologicamente, ficar contra tudo o que o presidente diz já começaram a pôr defeito. Aliás, um parêntese. Teve gente que se incomodou porque eu escrevi neste blog que não há correlação rígida entre crime e pobreza. Se houvesse, a região mais violenta do Brasil seria o sertão nordestino. Claro que não é assim. O crime está presente em todo o território nacional, mas é mais agudo e mais violento nas regiões metropolitanas. Na sua configuração atual, o crime está indexado ao tráfico de drogas. E só se traficam drogas onde existe mercado. Então, para combater o crime na sua versão mais moderna (a criminalidade terrorista), o melhor a fazer é achar um jeito de travar a guerra total ao tráfico de drogas. Aí aparece um problema: não há como combater radicalmente o tráfico de drogas sem atacar o mercado de consumo da droga. O terreno para que prosperem o crime e o terrorismo no Brasil vem sendo adubado pela tolerância ao consumo das drogas. Você, que além de desfilar de branco pedindo paz também gosta de consumir sua droga na intimidade, é o principal financiador da barbárie que ameaça os seus entes queridos.

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32 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

O período de maior criminalidade na história americana foi justamente o da proibição do alcool, lei seca. A solução que resolveu com o problema foi acabar com a proibição.

Muito mais fácil do que continuar com essa inútil guerra contra as drogas é acabar com essa hipocrisia e regulamentar algum modelo de comercio legal de drogas acoplado com uma política de dissuação como a contra o fumo.

É muito cômodo acusar usuários de drogas de financiarem a criminalidade quando eles são obrigados pela legislação puritana e americanizada que proíbe que comprem seu fumo na tabacaria da esquina ou outras drogas em uma drogaria ou coisa que o valha.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 11:52:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Endosso a opinião anterior. Com relação à nossa dependência das políticas americanas falidas - que nos obrigaram entre outras a adquirir o malfadado sistema de controle de tráfego aéreo da Amazônia - relembro uma matéria publicada por IstoÉ que fiz na Bolívia em nossos tempos de estudante, numa viagem promovida pelo então professor de jornalismo internacional Bernardo Kucinski.
Enquanto os EUA promoviam a erradicação da coca naquele país e sua substituição por abacaxi (!), obtive na biblioteca do consulado dos EUA aqui em São Paulo mesmo (naquele tempo não havia internet) os números da DEA que comprovavam que o preço da coca aumentava dez vezes ao cruzar a fronteira americana.
Ou seja: os produtores de coca não se importavam de cultivar abacaxi desde que os americanos pagassem o mesmo preço da coca. Os consumidores americanos é que não estavam a fim de pagar o mesmo por suco de abacaxi...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 12:55:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 13:03:00 BRST  
Anonymous Rodrigo disse...

Eu acho que deveriam se legalizar as drogas e o governo deveria ser o fornecerdor. Ia sair muito mais barato.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 14:41:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 14:44:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Independentemente da posição com relação a descriminalização das drogas, ou se descriminaliza também o tráfico, ou ao descriminalizar o consumo, o consumidor invariavelmente estará financiando o crime.
Mesmo quem defende a liberação deveria ter um posicionamento civil de não comprar de fornecedores armados, nem que promovam conflitos violentos. Afinal, o freguês, desde que pague, sempre tem razão.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 14:50:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Esqueci de dizer também, que ainda insisto no déficit no sistema prisional.
Ainda qu todos os consumidores resolvessem parar de financiar o tráfico, e aderissem uma súbita abstinência, quem está no crime, não entraria na fila o SINE (sistema nacional de empregos), iria continar praticando outros crimes: roubos, assaltos, sequestros, etc. Esses crimes aumentariam e muito. Aliás, o fenômeno já foi detectado nas estatísticas no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 14:53:00 BRST  
Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon, não foi somente Lula que está atrasado. A sociedade como um todo viu passar, a epidemia de homicídios e, agora quando ela está declinante.
Agora, casos escabrososos com queimar um ônibus da Itapemirim repercutem mais do que os massacres em bares e bocas de fumo que ocorriam quase todo dia e, eram pouco noticiados.
As taxas de homicídio na cidade de São Paulo no primeiro semestre de 2006 foram as menores desde há dez anos, mesmo com os atentados de maio. Apesar das redução das taxas, ainda estamos longe dos valores de 1980 e, das taxas observadas em outros países.
A compreensão do fenômeno "declínio de homicídios" encontra-se em quatro publicações técnicas muito bem elaboradas por acadêmicos contratados pela Secretaria de Segurança Pública (http//:ssp.sp.gov.br/estatisticas)
A causa da redução não fica clara, da mesma forma que não foi possível entender o aumento dos assassinatos nos anos 80. Uma somatória de ações preventivas, repressivas e demográficas seria a explicação mais desejável. A conclusão indesejada (de minha autoria) seria que o crime realmente tornou-se organizado e, reduziu a violência para garantir os negócios ilegais. Outra publicação de acesso livre é de pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz onde há uma descrição da violência fatal nas capitais de estados brasileiros em 2003. Esse artigo mostra que o homicídio não é característica de Rio de Janeiro e São Paulo, cidades onde as sedes das redes de televisão tornam tudo muito mais visível. Recife, Maceió, Vitória, Porto Velho e Belo Horizonte tiveram taxas mais elevadas do que Rio e São Paulo.
O texto de Edinilsa Ramos de Souza e Maria Luiza Carvalho de Lima, The panorama of urban violence in Brazil and its capitals Ciênc. saúde coletiva vol.11 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2006 está acesso livre em http://www.scielo.br/csc.

Por fim, lembro que "pobreza" e "desigualdade" não são sinônimos, da mesma forma que "fome" e "pobreza" ou "fome" e "desigualdade" não guardam sinonímia. Elas são categorias independentes com uma rede de associação complexa e variável no tempo e no espaço.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 15:10:00 BRST  
Blogger Sergio Leo disse...

Esse é o discurso avançadinho da elite que financia o tráfico: o problema não é a droga, é sua proibição. Libera geral que a coisa se resolve. Não se resolve, até porque os atuais traficantes, que têm os canais de fornecimento e distribuição continuariam vendendo mais barato que a droga legalizada, pagante de (provavelmente muito) imposto para financiar as consequencias de saúde pública que traz. É um discurso falho, mas serve de justificativa para que a turma continue queimando seu bagulhinho enquanto se hororriza com a escalada da violência do tráfico.

Quanto à relação pobreza/desigualdade, também concordo contigo, Alon. É claro que a pobreza pode dispor o sujeito para o crime, mas se há serviços públicos de alguma qualidade, educação especialmente, se as instituições do estado atendem às necessidades dos mais pobres _ inclusive de Justiça _ e a economia oferece oportunidades de ascensao social, é menor a propoensão para se desviar da lei. Também seria interessante uma grande discussão política e edicacional sobre os valores transmitidos pelos meios de comunicação de massa e por certos círculos sociais, que reduzem o papel de cidadão ao de consumidor, e o das relações sociais ás forças de mercado...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 15:40:00 BRST  
Anonymous Luiz Lozer disse...

Olha, fui à Bolívia, o país mais pobre da América Latina e também o mais seguro. Acho eu que só pobreza não explica a violência, mas a pobreza é um dos combustíveis que alimenta o fogo da violência, certamente nem é o mais importante deles.

Legalizar as drogas? Acho que podia começar com a maconha, ver o que acontece, com cautela, acho que nos surpreenderíamos com o resultado.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 16:25:00 BRST  
Blogger marilia disse...

Sobre a legalização, alguns pontos pra debate:

Portugal e Espanha já discriminalizaram quase tudo, e está dando certo;
é na Espanha onde acontecem hoje as pesquisas e terapias mais avançadas com substâncias psicoativas...

e no Brasil, a última lei "antidrogas" sancionada há poucos meses já inicia o processo de não punir o usuário nem o cultivador para o próprio consumo...

O modelo francês (e americano, etc) é o da hipocrisia. Proíbem a maconha e afirmam que se liberarem, os filhos vão atrás de coisa mais forte só pra contestar a autoridade paterna.

MVBill, em entrevista, respondeu ser a favor da legalização da maconha só se for monopólio da favela...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 18:18:00 BRST  
Blogger Paulo disse...

Devagar com o andor...
Esse negócio de combate ao tráfico de drogas geralmente começa e acaba com chacina de jovens negros (excluídos socialmente) nas favelas, os tais que não conseguem seu lugar no famoso "mercado".
Vamos legalizar logo esta merda, tirá-la das mãos do crime organizado, aquele que usa roupas de grife, mora em prédios de luxo, e pratica a mais valia sobre os jovens favelados.
Parafrasenado aquele sujeito que você gosta de citar, podemos dizer: "É o capitalismo, meu irmão..."

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 18:47:00 BRST  
Anonymous Marcus disse...

Esse papo de que o usuário financia a violência é o discurso mais caricato da direita.

Igualmente essa tentativa de negar o óbvio, que a desigualdade influencia sim, e muito, a violência. É exatamente nas regiões metropolitanas que a desigualdade está mais estampada na cara.

Você está cada vez mais direitista, Alon. Decepcionante.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 20:07:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Sergio Leo, fosse correta sua afirmativa os EUA estariam dominados pelos traficantes de Marlboro, Wild Turkey e Miller's Lite. Já por aqui, Fernandinho BM amealharia fortunas "passando" Schincariol...
Artur Araujo

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 22:33:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, parece que você pisou no calo de muita gente.
Para quê admitir a participação do consumidor na cadeia produtiva do tráfico, se é tão mais fácil colocar a culpa nos outros?
Quem pratica a mais valia sobre os jovens favelados são os próprios jovens favelados que atingem o topo, sobre os demais que estão na base da pirâmide de classes sociais que existe também na favela (e não é só com o tráfico, também há mais valia quando é cobrado pedágio sobre botijão de gás, transporte de Vans, mototaxi, net-cat, gato de Tv a cabo, etc.). O negócio é tão bom, que os políciais do Comando Azul que levavam um beirada para não ver o tráfico, resolveram ficar com a fatia do leão em vez das migalhas. Daí prosperam as milícias, que expulsam os traficantes, no Rio.
Os moradores de prédios de luxo, entram na cadeia produtiva do tráfico, lavando dinheiro também, mas a maior contribuição mesmo é como clientes consumidores, a razão de ser do negócio.
Vamos deixar de ilusões: quem consome está nessa para se divertir. Mas quem vende não está nem aí para proporcionar diversão alheia. Está traficando e carregando fuzis, trocando tiros, invadindo morros inimigos, por causa do dinheiro. Não fosse rentável e estariam praticando outros crimes.
E desde quando defender o consumo de drogas, um prazer individual, pequeno burguês, é ser de esquerda?
Por fim, dizer que aos jovens-pretos-favelados o papel que lhes cabe na sociedade é suprí-la com drogas, depois de legalizadas, me parece um projeto de cidadania excludente demais.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 23:05:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Frases "legalize já:

"Legalizar as drogas? Acho que podia começar com a maconha, ver o que acontece, com cautela, acho que nos surpreenderíamos com o resultado."

"Muito mais fácil do que continuar com essa inútil guerra contra as drogas é acabar com essa hipocrisia e regulamentar algum modelo de comercio legal de drogas acoplado com uma política de dissuação como a contra o fumo."

"seja: os produtores de coca não se importavam de cultivar abacaxi desde que os americanos pagassem o mesmo preço da coca."

"É muito cômodo acusar usuários de drogas de financiarem a criminalidade quando eles são obrigados pela legislação puritana e americanizada que proíbe que comprem seu fumo "

"Eu acho que deveriam se legalizar as drogas e o governo deveria ser o fornecerdor. Ia sair muito mais barato."

"Quando uma criança/adolescente favelado de uma metrópole vê a baixa recompensa no valor do trabalho legal, e a alta recompensa no valor do tráfico, é tentado a correr os riscos e desafios da criminalidade. "

"Mesmo quem defende a liberação deveria ter um posicionamento civil de não comprar de fornecedores armados, nem que promovam conflitos violentos. Afinal, o freguês, desde que pague, sempre tem razão."

"Sobre a legalização, alguns pontos pra debate:
Portugal e Espanha já discriminalizaram quase tudo, e está dando certo;
é na Espanha onde acontecem hoje as pesquisas e terapias mais avançadas com substâncias psicoativas...
MVBill, em entrevista, respondeu ser a favor da legalização da maconha só se for monopólio da favela..."

"Vamos legalizar logo esta merda, tirá-la das mãos do crime organizado, aquele que usa roupas de grife, mora em prédios de luxo, e pratica a mais valia sobre os jovens favelados.
Parafrasenado aquele sujeito que você gosta de citar, podemos dizer: "É o capitalismo, meu irmão..."

9 em 14 comentaristas, Alon.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007 23:42:00 BRST  
Blogger jose roberto disse...

Vai com calma, velho, nessa tese aí que mistura consumo com tráfico, já que o primeiro é bem mais complexo do que o segundo, inclusive porque envolve uma larga faixa de dependência crônica, além de fatores culturais e o diabo-a-quatro. Além disso, corre-se o risco de "jogar a culpa" no consumidor e isso nunca deu certo no combato ao tráfico, nem ao consumo. Resvala-se num raciocínio simplista, como aquele que associa criminalidade e violência apenas à pobreza.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 08:29:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caros co-comentaristas, honestamente não vejo nenhuma dicotomia esquerda-direita na discussão dos métodos mais eficazes para enfrentar-se 2 problemas objetivos: saúde (dependência química) e segurança públicas.
Parece-me querer forçar muito a barra - e ideologizar artificialmente o debate - sacar-se até de avaliações de apropriações relativas de mais-valia...
Não identifico NENHUMA diferença de substância no trato que se deve aplicar às drogas hoje ilegais que não seja o já provadamente mais eficaz - ou menos danoso, se preferirem - em relação a tabaco, álcool, rapé ou Herbalife.

Artur Araujo

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 11:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 11:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 11:28:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

paulo araújo
Você contabalizou 2 frases minhas, que no contexto total do comentário, não me inclui no seu placar de 9 x 14 pelo legalize já. No máximo eu poderia me incluir no legalize, mas não no já.
Ideologicamente concordo com a legalização, seria problema individual de cada um, desde que uma decisão de adulto, tanto quanto o álcool que é uma droga legal. Mas tenho sério receio de que haja uma verdadeira epidemia de dependência química, pior do que a AIDS na África. Outro problema é que a legalização seria para maiores, como o álcool, mas cada vez mais o consumo de drogas inicia mais cedo (inclusive do álcool). Então continuaria havendo tráfico para menores e muito rentável. Além disso concordo com Sérgio Léo, que devido aos custos dos impostos (para financiar as campanhas educativas, tratamento de dependentes químicos, delegacias de proteção à mulher e às crianças que são vitimadas com lesões corporais por estados de consciência alterados provocados pela droga), haveria o tráfico de drogas contrabandeada (lembrem-se que existem cigarros contrabandeados do Paraguai para fugir dos impostos). Combater a violência do tráfico com a legalização me parece uma premissa bastante falsa. O tema legalização deve ser discutido em outro contexto (mais do lado das liberdades individuais e da saúde), mas não como antídoto para a violência do tráfico.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 14:33:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O advento das milícias nas favelas do Rio de Janeiro, expulsando os traficantes, mostra o quanto de equívocos existe na política de combate à violência do tráfico. O problema sempre foi tratado como algo insolúvel, que exige um amplo trabalho de inteligência, união de esforços etc. Daí surgem as milícias paramilitares e resolvem tudo na bala. É preciso parar com a hipocrisia no trato do problema, a começar pelo absurdo de querer responsabilizar o usuário pela existência do tráfico. É quase como culpar Newton pela queda dos aviões, por causa da Lei da Gravidade. A Humanidade sempre se drogou, desde os primórdios de sua existência. O tráfico surge exatamente e simultaneamente com o advento das primeiras leis proibindo o consumo. Os grande apologistas do uso de substâncias alteradoras de consciência, como Timothy Leary, Aldous Huxley, Ricard Alpert etc, previram exatamente que a proibição levaria ao tráfico. Hoje, a indústria da venda de drogas existe porque muita gente ganha dinheiro nisso, autoridades, juízes, advogados, policiais, promotores, políticos e não somente o traficante.
Note-se que, se não fosse a lei burra, seria apenas uma relação comercial: o trafica venderia e o usuário compraria e fim de papo.
No que cabe usuário, acredito que a grande maioria é formada por pessoas que pagam impostos, trabalham, estudam, geram cultura etc. E que na intimidade ou em pequenos grupos fazem o uso das substâncias proibidas. É o cúmulo do absurdo, por exemplo, você plantar maconha em casa - para escapar do traficante - e ser preso caso seu vizinho resolva denunciá-lo. Nunca vai existir uma lei controladora da venda de drogas que funcione enquanto as autoridades não levarem em conta a necessidade das pessoas de quebrarem a rotina, praticando esportes, lendo, indo ao cinema ou usando drogas. Nenhuma lei que controle hábitos pessoais e morais pode dar certo. Pedir que o usuário desista de usar drogas é como vender o sofá para se livrar do Ricardão ou como pedir para que alguém não seja homossexual. Não conheço nenhum usuário de droga que sinta prazer em comparecer a uma boca de fumo no alto de uma favela.
O que se precisa é reformar a lei, descriminalizando o usuário de qualquer tipo de droga ,e gradativamente, dar início a uma política de liberalização de algumas drogas para saber qual seria a reação dos usuários. Já para o combate ao tráfico nos morros cariocas basta o Estado fazer o que as milícias estão fazendo:ocupar o espaço tomado pelos traficantes. O resto é blá-blá-blá político, seja á direita ou à esquerda. Aliás, é interessante como nossos pensadores de esquerda se apropriaram do termo "elite" para rotular qualquer um que não concorde com eles. Eu sou de classe média baixa, trabalho pra caramba, estudo, pago impostos e gosto de puxar um baseado no fim de semana. E agora, por isso, eu sou da elite. Quanta hipocrisia.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 16:19:00 BRST  
Blogger Richard disse...

Pô Alon, vc deveria falar mais com o José Augusto! O comentário dele foi na veia!!! Quanto ao "legalize djá", bem... eu não fumo, mas numa festa me interessei pela cocaina oferecida. Só que na hora H me veio outro pensamento: pra que é que eu vou me meter com um negócio destes se posso, a qq hora, entrar em qq boteco e pedir qq bebida alcoólica sem ser incomodado?!!?!? Desde então nunca mais senti vontade de experimentar nada ilegal... nem lança-perfume!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 16:38:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

José Augusto

Como diz o Alon, isso aqui é um boteco. E o que atrai no boteco? É o lugar de escape da dura realidade. Eu, que não sou de ferro, viajo neste e noutros botecos.

Minha contabilidade (9X14) foi uma provocação ao post do Alon

Quem eu acho que melhor comentou foi o anônimo (Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007 16h19min00s BRST):

"Nunca vai existir uma lei controladora da venda de drogas que funcione enquanto as autoridades não levarem em conta a necessidade das pessoas de quebrarem a rotina, praticando esportes, lendo, indo ao cinema ou usando drogas. Nenhuma lei que controle hábitos pessoais e morais pode dar certo. Pedir que o usuário desista de usar drogas é como vender o sofá para se livrar do Ricardão ou como pedir para que alguém não seja homossexual. (...)

Já para o combate ao tráfico nos morros cariocas basta o Estado fazer o que as milícias estão fazendo: ocupar o espaço tomado pelos traficantes. O resto é blá-blá-blá político, seja à direita ou à esquerda. Aliás, é interessante como nossos pensadores de esquerda se apropriaram do termo "elite" para rotular qualquer um que não concorde com eles. Eu sou de classe média baixa, trabalho pra caramba, estudo, pago impostos e gosto de puxar um baseado no fim de semana. E agora, por isso, eu sou da elite. Quanta hipocrisia."

Há duas coisas que eu gosto muito no blog: os posts do dono do blog e os comentários. Claro, não necessariamente nessa ordem.

abs

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007 00:53:00 BRST  
Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon,
Antes que alguém venha a público mostrar que as ações arquitetadas pelo governo do Rio de Janeiro e o federal (em janeiro de 2007) levaram a diminuição dos homicídios (em 2004), segue uma análise feita com os dados do Ministério da Saúde na página http://www.datasus.gov.br . Verifiquei as taxas brutas de homicídio para o sexo masculino entre 10 e 79 anos de idade no período de 1996 até 2004 (último ano disponível).
Alguns pontos:
(1) a cidade do Rio de Janeiro nesse período nunca foi a capital com as maiores taxas de homicídios;
(2) há um declínio discreto na cidade do Rio de Janeiro, mas consistente das taxas morte por agressões desde 2003;
(3) em São Paulo, onde aqueda dos homicídios foi a mais notável de todas as capitais e, esse declínio passou a ser relevante (2004) cinco anos depois do pico (1999). Se o mesmo comportamento se repetir no RJ, valores bem evidentes ocorrerão em 2008-09 na capital carioca. O mesmo fenômeno observou-se para Recife que foi a cidade com as piores taxas e, agora está apresentando declínio acentuado.
Outras informações estão em
http://paulolotufo.blogspot.com.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007 02:17:00 BRST  
Blogger marilia disse...

a globo denunciou nesta noite as lutas livres nos morros como chamarisco para a classe média comprar drogas...

nos bares e casas noturnas legais daqui de baixo também se compram drogas, e não apenas as anunciadas farta e impunemente no horário nobre...
(capitalismo, estúpido!)

e será que a chegada das tropas especiais vai fazer abrir as mentalidades, como dizem ter ocorrido com nossos soldados negros na Guerra do Paraguai?

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007 02:24:00 BRST  
Anonymous Alan Souza disse...

Alon, um dos comentários mais lúcidos que já vi! Agora, sr. Anônimo, entendo que é muito romantismo querer liberar as drogas (consumo sem traficante, é isso que querem?) e achar que isso vai resolver o problema. Vai dizer que ninguém joga no bicho, já que existem as loterias da Caixa?

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007 11:29:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Gostei do comentário do anônimo, no que diz respeito aos direitos individuais e ao direito de quem planta para consumir,e por tentar não tratar a legalização como antídoto para a violência.
Talvez a melhor forma de liberar seria a seguinte: Primeiro liberar maconha e não liberar as demais, não funciona. Leva o "charme da rebeldia" da clandestinidade para as drogas mais pesadas. Liberar com altos impostos também não funciona, porque o tráfico atuaria no contrabando, e a atual situação persistiria.
Eu admitiria a criação de multas elevadas para quem consome drogas em público à vista de menores. Poderia ser isento recintos fechados ou não como praças ou zonas de praia (como existem as de nudismo) próprios para maiores e avisos na entrada. Multas também para quem comete violência doméstica, dirige veículos drogado ou outros atos anti-sociais para financiar as consequencias (a multa seria agravante às outras penalidades inerentes a cada caso).
Desta forma cada um poderia alienar-se como bem entender (eu sempre preferi o álcool como o Richard, porque a vida já tem complicações demais para ficar arranjando outras desnecessárias) em casa ou no seu clube fechado e os capitalistas poderiam abastecer os consumidores usufruindo do livre mercado. Propagandas seriam proibidas e embalagens industrializadas nos moldes dos cigarros. Vou para o sacrifício, e aceito que as regas deveriam valer também para o álcool.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007 13:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Ô José Augusto você mandou bem. Eu sou usuário de maconha e me relaciono muito bem com ela e acredito que não seja preciso uma estatística científica para saber que o mesmo acontece com 95% do usuários de outros tipos de droga. Basta comparar o gigantesco número de pessoas que se admitem usuários com o número de ocorrências ligadas diretamente ao consumo (crimes, acidentes de trânsito, roubos, furtos etc). Vejam bem, estou falando de casos onde o crime é cometido pelo efeito que a droga teve no organismo da pessoa e não do tráfico em si, que é um efeito colateral da lei que proíbe o consumo. Qualquer juiz de Direito sabe que o grande causador de crimes de todo tipo é o álcool, ironicamente, uma das drogas liberadas. A iniciativa holandesa de permitir a venda e consumo em locais fechados deu excelentes resultados. O mesmo poderia ser feito em relação a outras drogas, vendidas sob supervisão médica, com fiscalização das autoridades sanitárias etc e com fortes restrições ao uso em público, como o José Augusto detalhou no post dele. Na verdade, isso já deveria acontecer com a venda do álcool, mas não acontece por razões de poder econômico. Essa mudança poderia corrigir uma das principais distorções das leis anti-drogas: o efeito da prisão e punição é pior do que o efeito da droga em si, como bem apontou Jimmy Carter. Seria tratar a questão da droga como ela tem que ser tratada, como um caso de saúde pública e não de Polícia.
Já no combate ao tráfico em si, não sei se essas mudanças surtiriam muitos efeitos imediatos, mas já seria um começo, pois daria a possibilidade de os usuários descartarem os traficantes. É claro que hoje a indústria da droga alimenta toda uma ciranda financeira pelo mundo, que inclui lavagem de dinheiro, estelionatos, lobbys (como o da indústria de repressão à droga criada nos EUA) etc. O quanto as autoridades de cada País têm real interesse em acabar com a milionária indústria do tráfico? Acabar com o consumo é impossível (tanto que, mesmo com a proibição as pessoas dão um jeito de consumir), então o certo seria tornar o negócio menos lucrativo para os traficantes. Ações de legalização em conjunto com uma forte repressão à ação do tráfico em todas as instância da sociedade talvez seja uma forma. O que não se pode é jogar a culpa no usuário e querer que ele pare de se drogar. Como já disse antes é o mesmo que pedir que os seres humanos parem de fazer sexo para se tentar acabar com o Aids.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007 16:43:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, vou importunar mais uma vez para concluir o que só consegui formular agora.
Paulo Araújo e Anônimo: Sei que vocês fizeram apenas uma analogia sobre sexo e drogas (só faltou o Rock'n'roll! :), mas eu acho importante acrescentar: entendo que a repressão sexual é semelhante a uma mutilação do ser. A gente nasce com um sistema límbico, produz hormônios naturalmente, e negar isso através da abstinência seria uma mutilação da nossa própria natureza. Já o prazer químico é adquirido artificialmente. Se tiver contato com ele, inexoravelmente a pessoa gosta pelos fenômenos neuroquímicos que produz no cérebro, mas a maioria das pessoas podem passar a vida inteira sem ter contato com ele, que encontrarão todo o prazer que precisam simplesmente usando suas próprias emoções: paixão, amor, alegria, admiração do belo, euforia de vitórias e conquistas, vaidade, e muitas outras coisas que trazem recompensa de satisfação. O prazer das drogas, na verdade, trapaceia nossas emoções, para tornar feliz um estado de vida que não é de felicidade. Eu tenho consciência que quando bebo no boteco aquele copo a mais, estou mais praticando "voyerismo" da felicidade, escapando de procurá-la de fato. Acho que daí vem uma das explicações para o termo alienação. Os anos 60 fez muita confusão ao misturar repressão sexual com repressão às drogas. Vá lá que qualquer repressão não é desejável, mas são duas coisas diferentes.
Por fim tenho que discordar também de sua afirmação, anônimo, de que "Nenhuma lei que controle hábitos pessoais e morais pode dar certo". Toda lei é um contrato social estabelecido pelo coletivo da sociedade. É o mínimo denominador comum que a maioria dos indíviduos concordam em respeitar, para serem respeitados também. Por isso a lei quando expressa vontade da maioria e respeita direitos das minorias é moral (entenda moral no sentido amplo da palavra, não limitado ao moralismo conservador). Fossem os hábitos livres do controle moral, teríamos que admitir o estupro como sendo a legítima necessidade de satisfação do praticante. O controle moral que nos faz rechaçá-lo é justamente o fato de haver uma vítima do outro lado.

sábado, 6 de janeiro de 2007 11:36:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

domingo, 7 de janeiro de 2007 19:55:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alguem aí acha que os mafiosos pararam de cometer crimes só porque a lei seca acabou nos EUA? Assim, xi, podemos comprar uisque na esquina, vou largar o crime e arrumar um emprego....

domingo, 7 de janeiro de 2007 20:14:00 BRST  

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