terça-feira, 9 de janeiro de 2007

O que quer o PSDB? (09/12)

O PMDB terá 90 deputados no início da próxima legislatura, em fevereiro. Hoje, 46 decidiram que o partido deve apoiar Arlindo Chinaglia (PT-SP) contra o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que tenta a reeleição. No PMDB tem sido assim: toda votação é apertada. A de hoje pode parecer que não foi. Mas foi. E parece que vai continuar sendo assim nos próximos quatro anos. A metade (mais um) do PMDB que fechou com o candidato do PT é, com exceções, aquela fração do PMDB que fez oposição cerrada a Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro mandato do petista. E que fez campanha para Geraldo Alckmin ano passado. Na aliança com Chinaglia repousam as esperanças desse hemisfério peemedebista: ao cederem a presidência da Câmara ao PT, esperam em troca entrar no ministério de Lula pela porta da frente. Oficialmente, o acordo é outro. Como maior bancada, o PMDB teria direito a indicar o presidente da Câmara dos Deputados. Cede agora essa vaga ao PT, que se compromete, em troca, a apoiar um nome do PMDB na próxima eleição, daqui a dois anos. A decisão do PMDB é uma vitória de Chinaglia e do PT. Esperam os petistas que a falta de apoio formal das duas maiores bancadas da base do governo leve Aldo a desistir da candidatura. O clima que eu senti hoje no PCdoB, no PSB e no PFL (que está majoritariamente com Aldo) não era bem esse de recuar. Aliás, era bem outro. À noite, a cúpula vitoriosa do PMDB manifestava o desejo de que Luiz Inácio Lula da Silva entre no circuito para forçar Aldo a desistir. Você poderia ficar intrigado sobre por que o PMDB e o PT, as duas maiores legendas, que somam quase 180 deputados, precisam que Aldo Rebelo, de um partido de 13 deputados, desista. Fica para você explicar. Uma dica é lembrar que o voto para escolher o presidente da Câmara dos Deputados é secreto. Certezas? Três das grandes legendas da Câmara já mostraram suas cartas, estão neutralizadas. Falta o PSDB. Os tucanos estão no lugar que tradicionalmente caberia ao PMDB. Hoje, são o fiel da balança. Seus 66 votos, para um lado ou para o outro, representam na prática uma diferença de 132 votos. Mais do que suficiente para decidir a parada. Em grandes números, o governo conta com uns 320 votos entre os deputados e a oposição, com uns 190. É improvável que Aldo tenha menos de 80 votos na base do governo. Deve ter isso só no PMDB, PSB, PCdoB e PP. Ou seja, o PSDB está com a faca e o queijo na mão. Resta saber o que pretende o PSDB.

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6 Comentários:

Blogger Cesar Cardoso disse...

É a volta do velho PSDB que não consegue sair de cima do muro?

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007 10:25:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Essa história do Aldo me lembrou uma fábula. A do sapo e do escorpião.

"Um escorpião precisava atravessar um rio e, como não podia, solicitou a um sapo que o levasse para o outro lado. O sapo respondeu que não faria isso – ele conhecia bem os escorpiões e sabia que eles iriam picá-lo e matá-lo antes de completarem a travessia. O escorpião respondeu que não faria isso por um simples motivo: se ele picasse o sapo ambos morreriam, pois ele se afogaria também. A lógica foi tão forte que o sapo aceitou a proposta e iniciou a travessia. No meio do lago o escorpião mordeu o sapo e, quando os dois estavam morrendo, o sapo perguntou espantado: “Porque você fez isso? Você está morrendo também?”. O escorpião respondeu: “Eu sei, mas esta é a minha natureza e eu não possa mudá-la”."

No entanto, tudo indica que o escorpião da vez já montou noutra "carcunda". E o sapo, coitado, parece que afunda sozinho.

Lá no litoral santista, a saparia que não carrega escorpião na corcunda coacha: "Foi, foi. Não foi" "Foi, foi. Não foi" "Foi, foi. Não foi" "Foi, foi. Não foi" "Foi, foi. Não foi" "Foi, foi. Não foi"

Assegurados (será?) os votos na "base aliada", as investidas voltarão para a "oposição". E sabe-se lá o que se passa pelas cabeças "oposicionistas".

Uma coisa é fato, a palavra política do petismo pró Chinaglia vale tanto quanto uma nota de três reais. Eu gargalherei na face da "oposição" se está embarcar o escorpião na sua corcunda.

Penso que a oposição deveria voltar-se para a anticandidatura que se tenta tecer na Câmara. A oposição recebeu 40 milhões de votos para fazer ... OPOSIÇÂO.

Portanto, em respeito aos seus eleitores a opção da oposição deve ser pela anticandidatura.

Aldo X Chinaglia é, sendo popular, "briga de branco".

abs

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007 11:26:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Mantidas as 2 candidaturas, o céu desanuviará quando soubermos a composição das mesas da câmara. Presume-se que o PT comporá a chapa de Chináglia; e, ficando fora da chapa de Aldo, dará a Aldo mais espaço à oposição. Aposto um doce que, caso as 2 candidaturas sejam mantidas, o PMDB dará um jeito de compor as duas chapas: uma oficial, outra infiltrada, ainda que com deputados de outras legendas que virão para o PMDB depois da eleição.
Outra consideração, é que a movimentação política dos líderes, enquanto blocos partidários, pouco tem a ver com o voto suprapartidário do baixo clero, o verdadeiro fiel da balança. Ali as negociações são soturnas, bem longe dos holofotes. Uma nomeação para uma autarquia numa cidade do interior (tanto faz que seja federal, estadual ou municipal) pode valer um voto, mais do que qualquer acordo partidário. Me preocupa o listão dos 22000 cargos nas mãos do Tarso Genro, mas também aí entra a importância do papel dos governadores.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007 12:53:00 BRST  
Blogger Patrick Gleber disse...

Alon meu amigo, parabéns pelo 5º lugar no ranking do site Technorati. Parabéns memso porque você ficou atrás apenas dos "endinheirados" Ricardo Noblat (O Globo), Josias de Souza (Folha), Fernando Rodrigues (Uol) e Reinaldo Azevedo (Veja).

Sucesso sempre mais!

Patrick Gleber

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 10:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Onde está esse ranking do Technorati?

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 10:58:00 BRST  
Anonymous paulo arújo disse...

Alon

Não faço a mínima idéia do que seja (importância) esse "ranking do site Technorati". Deduzo que seja um medidor de acessos.

A se confirmar, e tudo indica que sim, o que escreveu Patrick Gleber, sem dúvida é a conquista de um grande prêmio.

Espero que isso lhe renda algum pois você merece.

Naquela resposta ao prof. Wanderley há uma passagem que definiu muito bem a sua diferença: estilo. Há no blog uma forma muito particular e instigante na abordagem dos fatos que "viram" posts.

Parabéns, Alon

Forte abraço

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 11:57:00 BRST  

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