segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

O primeiro acerto de Lula (01/01)


Foi preciso assistir a toda a enfadonha cerimônia de posse de Luiz Inácio Lula da Silva para pescar o lide. Como se fosse um prêmio aos que tiveram a paciência de esperar até o final, Lula disse que as ações do crime organizado já se confundem com terrorismo e que os criminosos serão tratados pelo poder público como terroristas. Escrevi sobre o assunto em Quando o terror e o crime são a continuação da política por outros meios, em julho do ano passado. Será que vem aí uma legislação específica, e mais dura, para ações que possam ser classificadas como terroristas? Seria bom. O debate sobre a segurança pública e a violência no Brasil costuma ser uma colagem de equívocos. Há os que jogam o problema na conta da pobreza. Falso. Não há correlação estatística entre crime e pobreza. Falso e enganador. É bobagem achar que o combate à pobreza, em si, ajuda a melhorar a segurança da sociedade. Outro equívoco, mais cruel, é acreditar que as pessoas estarão mais protegidas se os criminosos forem tratados como animais, se forem negados aos criminosos os direitos fundamentais da pessoa humana. O terceiro equívoco é achar que a solução para tudo é pôr cada vez mais gente na cadeia. A crise do sistema prisional, especialmente em São Paulo, é também produto desse último engano. Espero que Lula acerte na sua política antiterror. Tratar os terroristas com máxima dureza, dentro da lei, é a melhor arma de uma sociedade democrática para enfrentar o desafio posto pelos que pretendem, por meio do terror, destruir os próprios fundamentos da democracia.

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9 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Só discordo de seu terceiro equívoco. Infelizmente a solução para o crime é pôr cada vez mais gente na cadeia, sim. Criminosos que tem mandatos de prisão expedidos, se não estão na cadeia, estão nas ruas cometendo crimes. Segundo Ib Teixeira, devem haver em torno de 500 mil homicidas soltos no Brasil.
Há de se separar o joio do trigo.
Usar e abusar de penas alternativas para pequenos delitos, mas jamais deixar impune, mesmo crimes pequenos, porque encoraja o infrator à escalada de crimes maiores. Na verdade a punição (com dignidade) salva vidas da perdição para o crime.
Prisões para crimes pequenos deveriam ser como quartéis: apenas disciplinadoras e dignas, com o restabelecimnto de códigos de honradez no relacionamento humano. As "jaulas" das prisões convencionais deveriam ser reservadas aos criminosos que representam perigo, ou anti-sociais crônicos que não se comportam nos presídios "lights" do tipo quartel.
Por fim a pena de morte poderia ser considerada (por um período de uns 5 anos, por exemplo) no caso de presidiários que estão recebendo sua segunda chance para reabilitação em um presídio digno, e continuam desafiando o justiça (a sociedade), e cometendo crimes de dentro dos presídios, ordenando assassinatos, e fazendo reféns agentes prisionais em motins.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007 22:25:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Aln, bom sinal, começamos o ano concordando, mas como no comercial do japonês comprando TV:
- demorô, né?

JV

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007 23:55:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Dessa forma não vai mesmo. A situação já era de terrorismo há muito tempo. Leniência, idem. Soluções é que nunca foram implementadas. Pena de morte, RDD, tolerância zero, prisão de um grande número de pessoas...tudo já existe, tanto como legislação, que pode ser aprimorada. O que falta é o sentimento de justiça. Sempre que alguém é condenado, depois de anos de processo, fica sempre um vazio. Não há alívio, certeza de que a justiça foi feita. Parece que tudo foi provisório, jogo de cena, pois, depois veremos os mesmos sendo beneficiados com indultos. E a coisa vai do memso jeito de sempre.
Arnaldo

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 10:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Mais uma vez o senhor Lula ao FALAR SEM PENSAR ou por desconhecer o sentido das palavras, causa prejuízo ao BRASIL.
Discursando para a platéia, para o povão, em mais um dos seus improvisos, o "estadista-mor" declarou que no Rio de Janeiro estão ocorrendo atos de terrorismo e com tal declaração o senhor Lula colocou o BRASIL no rol dos países sujeitos a atentados terroristas e com isso prejudica seriamente tanto o turismo de agora, como até mesmo a realização do PAN 2007.
Os assessores do senhor Lula deveriam aconselhá-lo a, para o bem do Brail, não COMETER IMPROVISOS.
Silvio Roberto

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 10:48:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

oi Alon, cerimônias de posse enfadonhas dão um certo alívio. Até parece um país normal.
Quanto ao terrorismo, sinto-me no meio dele, pois enquanto a minha filha viaja e atravessa a Linha Vermelha a caminho de Mauá, eu como qualquer mãe iraquiana, rezo.
abraço
Inês

P.S. Ano passado, dois dias depois da "chacina da Baixada Fluminense", praticada por policiais contra gente indefesa, fui levar alunas em casa, pela estrada que da Posse vai até Queimados - exatamente o caminho dos matadores. Não havia luz na estrada, nem vivalma, nem viatura de polícia. Liguei para a chefe de gabinete do Lindberg e queixei-me. Fui informada que o problema da segurança era estadual. Liguei para o chefe de gabinete da Rosinha, Fernando Peregrino, nosso amigo do movimento estudantil, lembra? Esse nem atendeu mais o telefone. E tudo continuou como dantes, a estrada mais escura do Rio de Janeiro, infestada de cadaveres. Podiam ao menos iluminar um ou dois postes para vermos as caras dos que atiram.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 12:07:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Arnaldo,
..."depois veremos os mesmos sendo beneficiados com indultos."
"prisão de um grande número de pessoas...tudo já existe"...
Concordo com sua indignação, mas discordo de que já exista um grande número de prisões (em relação ao número de crimes).
A solução que os governantes encontram para fugir aos investimentos necessários ao bom cumprimento da execução penal é fazer uma espécie de rodízio de presos: precisam soltar mais cedo muitos deles, para abrir vagas para novos. Daí o regime de redução de penas.
O algoz do jornalista Tim Lopes já era reincidente, e ganhara liberdade após cumprir pena com comportamento exemplar. Hoje, condenado novamente, é acusado de ser um dos mandantes de dentro dos presídios dos atos bárbaros do fim do ano no RJ.
O Estado do Rio de Janeiro tem menos de 23.000 vagas em presídios (e há casos de superlotação). Isto representa 0,15% da população total do Estado. Nos melhores países desenvolvidos, o índice da população prisional é acima de 1%.
Segundo estudos do sociólogo Ib Teixeira, cerca de 60.000 homicidas devem estar soltos nas ruas do Estado do Rio de Janeiro.
O Estado de São Paulo tem números melhores, mas longe ainda dos países desenvolvidos.
Ou seja, o Brasil convive com uma taxa de impunidade oficialmente institucionalizada, quando não há política de suprir o déficit no sistema prisional.
Nem se a polícia trabalhar muito e o judiciário também, uma tolerância zero não seria possível por não ter onde colocar os condenados. Esse é o apagão de segurança em que vivemos. É muito caro resolvê-lo, mas não há outra saída, se quisermos segurança de fato.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 12:24:00 BRST  
Anonymous Carlos disse...

Ufa!
Isto é que pode se chamar de primeiro dia de trabalho produtivo.
Vc começou 2007 com vontade.
parabéns

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 13:13:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

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terça-feira, 2 de janeiro de 2007 13:16:00 BRST  
Blogger Sergio Leo disse...

Concordamos no lead, Alon, até fiz um auê com isso lá no meu Sítio. Parece que Lula já decidiu a primeira medida: convocar o Waldir Pires e a Anac para atuar no assunto. Com a experiência pregressa, vão, logo, logo, desarticular, pelo menos, os aviões do tráfico.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007 17:13:00 BRST  

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