sábado, 13 de janeiro de 2007

O jabuti alado do PSDB (13/01)

Não sei se foi Ulysses Gumiarães quem inventou a teoria do jabuti na árvore. Sei que ele a popularizou. Jabuti não sobe em árvore. Portanto, se o jabuti está no alto da árvore é porque uma força exterior agiu para colocá-lo lá em cima. No popular: ou foi mão de gente ou foi enchente. Evoco o velho Ulysses para voltar a esse assunto da aliança PT-PSDB na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. Um assunto que ainda vai render. Se blog de política (e de outras coisas) é uma ferramenta para o que se convencionou chamar de Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), esse caso do casório tucano-petista na Câmara é um problema apetitoso demais para ser deixado assim, irresolvido. Aliás, gostaria de agradecer ao PSDB e ao PT -e acredito falar em nome dos colegas blogueiros: nem nos sonhos mais delirantes poderíamos imaginar que teríamos um janeiro como este, cheio de assunto, cheio de novidade. No governo, petistas e tucanos não se têm mostrado tão bons assim para criar os milhões de empregos que o país almeja. Mas uma coisa precisamos reconhecer. Enquanto esse pessoal estiver por aí, mandando, não vai faltar emprego para jornalista. Nem assunto para blogueiro. Mas chega de enrolação. Vamos à nossa APB. O problema é o seguinte: quem foi que no PSDB decidiu fechar a aliança em torno do candidato do PT a presidente da Câmara? Como será que a gente soluciona esse enigma? Bem, tem uma versão oficial, e desprezá-la liminarmente seria arrogante. A versão oficial, resumida, é mais ou menos a que segue. Estamos a três semanas da eleição. O candidato do PT pede ao líder do PSDB apoio na corrida para presidente da Câmara dos Deputados. Rapidamente, sem consultar a direção do partido ou os quadros tucanos (e se tem uma coisa de que o PSDB se orgulha são os seus quadros políticos), o líder decide sozinho promover uma consulta telefônica na sua bancada. Bancada que, aliás, ainda não tomou posse. Nem nunca se reuniu. E assim, sozinho, com apenas uma consulta telefônica na mão, feita em menos de 48 horas, o líder decide por conta própria que o PSDB vai apoiar para presidir a Câmara o partido que é o seu principal inimigo. Se você acredita nisso, você acredita também em jabuti que voa, o jabuti alado. Mas se você desconfia de que jabuti e passarinho são dois bichos diferentes entre si, este blog está aberto para o nosso exercício de hoje. Façam bom proveito. E não se esqueçam que a tal teoria da proporcionalidade já foi derrubada no post anterior.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

13 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Substitua a palavra Jabuti por Juthai, que veremos que foi Serra quem levou-o até metade da altura da árvore. Dizem que Juthai não vai ao cinema sem perguntar a Serra. O deputado Nárcio Rodrigues, ligado a Aécio, indicado para a vice-presidente da câmara, mostra quem acabou de levar o jabuti ao topo.
Acordos PT-PSDB nas Assembléias Legislativas de São Paulo e Bahia, também ajudam a explicar o porquê do empenho de Serra.
Me parece insuficiente, mas o resto, para mim, ainda é caixa preta.

sábado, 13 de janeiro de 2007 23:48:00 BRST  
Anonymous Robson Pires disse...

Como mineiro, eu digo que o Serra está levando a culpa por um acordo que beneficia o Aécio. O deputado do PSDB que vai ser vice-presidente da Câmara é aliado do Aécio. Robson Pires, de Ipatinga.

domingo, 14 de janeiro de 2007 00:10:00 BRST  
Anonymous Priscilla Tavares disse...

Eu duvido que o Fernando Henrique, o Tasso, o Aécio, o Serra e o Alckmin não estivessem sabendo. Depois que deu a confusão eles fingiram que não sabiam de nada e jogaram no colo do Jutahi.

domingo, 14 de janeiro de 2007 00:12:00 BRST  
Anonymous Wilson M. Barroso disse...

O que eu não compreendi foi a pressa dele. Será que o PT deu um ultimato do tipo dá ou desce? Se aconteceu assim, é um vexame para os tucanos, ficarem correndo atrás do PT que nem uns cachorrinhos. W. Barroso Aparecida-SP

domingo, 14 de janeiro de 2007 00:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Pois eu acho que eles fizeram o certo. O Lula não foi eleito? Por que vãi ficar enchendo o saco dele?

domingo, 14 de janeiro de 2007 00:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Eu votei no Alkmin e no Serra, acreditei nas coisas que eles disseram e hoje não tenho coragem de sair de casa. No trabalho é uma gozação só dos petistas. Me deram um tucano com a estrela do PT que eles tiraram do blog do Noblatt. O que eu quero é que um dos grandes líderes do PSDB explique isso, tintim por tintim. Também não acredito em jabuti alado. Não sou contra ajudar o Lula se for para melhorar o Brasil, mas sem perder a identidade e sem virar um poodle do PT. Tobias.

domingo, 14 de janeiro de 2007 00:20:00 BRST  
Anonymous luis fernando disse...

Nada como um dia depois do outro... o que prova mais uma vez o altíssimo grau de volatibilidade e relatividade dos nossos atuais parlamentares. De certa forma, mais poética, digamos assim, é como a presença de Antônio Carlos Magalhães no senado. Não teria a menor graça se não fosse assim.
Melhor mesmo é não levar muito a sério não, Alon, senão a gente fica piradinho...

domingo, 14 de janeiro de 2007 00:55:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Bom, alguém no PSDB somou 2+2 e só achou 4 se votasse no Chinaglia pra presidente da Câmara. Porque diabos esse alguém não aparece e diz claramente isso? Seria menos ridículo.

A grande verdade é: se não tivesse sido criado o clima de radicalização na eleição do ano passado, não tinha ninguém pagando mico. Mas é aquela história, o que você joga pode voltar e acertar você...

domingo, 14 de janeiro de 2007 04:13:00 BRST  
Anonymous jose carlos lima disse...

Só mesmo o Alon para acreditar e apostar na paz PSDB=PT. Vai ver que ele esqueceu-se da existência, para usar o termo de Luis Nassif, dos chamados senhores da guerra: FHC, Jereissati e Bornhausen

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007 13:25:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

o PSDB estava ganhando uma alternativa para o futuro, ao se aliar ao PT para apoiar a candidatura de Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara. Também critiquei, no sábado, a chiadeira geral da grande imprensa protestando contra essa aliança tucano-petista. Hoje, quando surgem mais detalhes da operação Chinaglia, podemos concluir que foi exatamente isso que o PSDB fez: mudar sua própria história, rumo a um futuro melhor. Na verdade, o PSDB está retomando os caminhos originais de sua história. Ele não nasceu para ser um partido lacerdista, como já declarou Cesar Maia. Foi levado a esse papel por causa do Governo Fernando Henrique e da Campanha Alckmin. Seria um partido social-democrata, que se posicionaria entre um centro peemedebista e uma esquerda petista. Mas o cacife neoliberal era maior e o PSDB acabou se desfigurando e se tornando um partido sem rumo. Com essa retomada de um perfil progressista, é claro que vai sofrer os protestos do eleitorado conservador conquistado nos últimos anos. Mas não lhe resta outra alternativa. (A não ser, claro, que se considere alternativa disputar o voto lacerdista com o PFL.) É natural que Fernando Henrique e Alckmin oponham-se a esse novo rumo. Tentam conservar o poder, mas é inútil, mesmo que a Executiva do partido dê pra trás. O vôo tucano será guiado daqui pra frente por Serra e Aécio, que vão trabalhar com um pragmatismo mais à esquerda. Nessa sua guinada, poderão contribuir para dividir ainda mais o PMDB e para que o PT se desloque um pouquinho mais para a direita. Mas o sentido final será progressista. Contra esse movimento, o PSDB sofrerá a forte oposição de Ciro Gomes, eterno adversário de Serra e candidato em 2010. (É verdade que o partido de Ciro, o PSB, é minúsculo, mas o seu eleitorado nordestino é cada vez mais decisivo.) No passado, ouvi de vários petistas que a aliança prioritária do Governo Lula deveria ter sido com o PSDB e parte do PMDB. Chegou a hora de saber se essa tese estava certa.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007 12:12:00 BRST  
Blogger Dourivan disse...

Sobre o jabuti trepado, acho que foi o Vitorino Freire quem trouxe o dito popular pra linguagem política.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007 17:26:00 BRST  
Blogger cid disse...

Alon

O país ainda está um pouco marcado pela radicalização da última campanha eleitoral, e é compreesível esse frisson todo, especialmente dos tucanos.

Entretanto, em política, vale sentir o vento, para não perder o bonde. Esse suposto pragmatismo dos com-voto do PSDB é simplesmente a luta pela sobrevivência na grande arena política do Brasil. Que tem sinalizado outras prioridades; adequar-se é preciso. Mais: adequar-se é vital.

Devemos considerar também que essa "adequação" passa por dentro do partido, cada um tentando se agarrar nos destroços do grande naufrágio eleitoral. Sim, mesmo ganhando em SP e MG, quem dá as cartas é Lula, que soube sentir o vento. Aliás, Lula hoje se confunde com o próprio vento, e Serra e Aécio terão que correr atrás. Jaboti alado? Quem acredita?

cid cancer
mogi das cruzes - sp

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007 19:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Acho melhor eu trocar de e-mail pra essa confusão não vir para o meu lado!!!!

jabutialado@yahoo.com.br

Belém - Pa

domingo, 28 de janeiro de 2007 21:38:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home