segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

O elogio de Aldo ao PT e a homenagem do PT ao PSB e ao PCdoB (29/01)

Assisti pela tevê ao debate entre os candidatos à presidência da Câmara dos Deputados (foto). Uma coisa boa é que doravante será difícil deixar de haver debate quando houver eleição para presidente da Câmara dos Deputados. A democracia é assim: os hábitos democráticos surgem como do nada e acabam se arraigando. O debate foi duro, como convém a contendas entre adversários. Foi curioso ver aliados de ontem se engalfinhando e adversários de ontem de mãos dadas. É a política. O PT parece ter se magoado com a fala final do presidente da Câmara, que advertiu contra uma possível concentração de poder nas mãos do PT. Eu não veria essa afirmação de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) como uma crítica. Do ângulo da ciência política, chega a ser um elogio. Partidos existem para lutar pelo poder. Quanto mais, melhor. Por isso é que o pluralismo partidário é insubstituível na democracia: o apetite de um partido é controlado pelo apetite dos demais. Eu não conheço mecanismo mais eficaz para defender a liberdade. Você conhece? Eu proponho que esse debate seja feito objetivamente. Por exemplo, se o sujeito acha que só o PT é quem pode fazer as reformas necessárias para levar o Brasil a crescer e distribuir renda, é compreensível que essa pessoa lute para o PT ocupar cada vez mais espaços, ainda que à custa de posições hoje ocupadas por aliados. Se o indivíduo está convencido de que o PT é a única corrente política genuinamente comprometida com a luta dos trabalhadores e com as aspirações dos pobres por justiça social, tem mais é que ajudar a remover todo e qualquer obstáculo ao poder do PT. Aliás, não há novidade nesse enredo. O PT age agora em relação ao PCdoB e ao PSB como sempre agiu em relação a aliados com projetos próprios de poder. O PT foi implacável com o PMDB até subjugá-lo. Deu certo. Hoje, as facções peemedebistas rivalizam nas mesuras dirigidas ao PT. Até o PSDB já dá sinais de ceder diante do mix de dureza e ternura dos petistas. Pensando bem, ao desencadear a operação Delenda Aldo, o PT-governo presta uma homenagem à aliança PSB-PCdoB. Reconhece a ambos não como aliados menores, mas como concorrentes. Não existe reverência maior na política. É preciso saber, porém, se socialistas e comunistas estarão à altura da honraria.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

3 Comentários:

Blogger cid disse...

Alon

É um raciocínio interessante este que você desenvolve. É correto dizer que os partidos devam lutar pelo poder, e que devem fazer todos os esforços, dentro das regras do jogo, para ocupar os espaços políticos e fazer valer seus programas.

Nesse sentido, concordo com você quando diz que o PT faz um elogío ao PC do B e ao PSB ao enfrentá-los como concorrentes, reconhecendo seu valor e o espaço importante que ocupam na arena política. E concordo também na sua dúvida: estariam aqueles dois partidos à altura de perceber a, segundo você, homenagem?

Mas também há uma outra dúvida sugerida por seu texto: estaria o PT à altura de perceber todas as implicações do atual jogo político e suas conseqÜências para 2008 e, principalmente, 2010? Não estaria o PT repetindo seu erro do primeiro mandato, que tudo quiz, a qualquer preço (a qualquer preço é ironia involuntária), metendo os pés pelas mãos e quase pondo a perder a possibilidade da reeleição e de uma representação expressiva na Câmara?

Para quem vê de longe, porque não é petista e está mais interessado na possibilidade de mundanças qualitativas neste 2ºmandato , fica a sensação de que o PT, mais uma vez, pode colocar água no chope de Lula, e, pior, de todos nós.

Daí minha dúvida, Alon. Estaria o PT à altura dos desafios do Brasil de hoje? Estaria disposto a abrir mão de seus pequenos poderes partidários para tentar, com as demais forças políticas,romper com a mesmice do primeiro mandato e pavimentar o caminho de 2010, caminho de barre a volta dos nefastos anos do tucanato federal?

Eu gostaria imensamente que o PT tivesse aprendido com seus erros, mas tenho cá minhas dúvidas. Gato escaldado tem medo de água fria.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007 18:33:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

A disputa pelo posto de candidato da coalizão governista a presidente em 2010 começou oficialmente hoje.

A dupla PSB-PCdoB conta com uma grande vantagem: possui o, até agora, candidato mais forte da base governista, o deputado Ciro Gomes. Candidato, coisa que o PT não tem hoje. E que o PMDB também não tem, possa ter caso Aécio Neves se convença de que não tem espaço pra ele no ninho tucano.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007 21:01:00 BRST  
Anonymous Leo disse...

Alon, seus comentários mostraram um raciocinio novo no que tange a disputa da Câmara. Mas, sou obrigado a discordar de sua opinião, pois as falas de Aldo sobre o PT foram no minimo deselegantes, pois utilizar certos esteriótipos construidos na mídia, como o PT tem sede de cargos, o PT é intransigente... É muito ruim para quem são aliados históricos.

É bom que se lembre que o PT já abriu mão para o Aldo na eleição passada para a Camara o que mostra como o PT abre mão sim...

Ah, esqueci de comentar que Arlindo propos que tivesse uma consulta a base aliada que Aldo rejeitou (porque será???).

E foi o fim os elogios de Aldo (durante o debate de candidatos, para flertar com Fruet) a gestão de FHC com os assentamentos rurias, pois todo mundo sabe que aquilo foi jogada de marketing, pois os assentamentos foram infladas e quando ocorreram não tinham nada de infra-estrutura...

terça-feira, 30 de janeiro de 2007 15:00:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home