sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Nós, o aquecimento global e as falhas do Relatório Stern (05/01)

Que o aquecimento global é um problema, ninguém tem dúvida. Que ele é fruto do excesso de civilização, tampouco. Mas o consenso sobre o tema acaba aí. Há duas questões centrais em discussão: 1) a quanto de bem-estar deveríamos renunciar hoje para garantir o bem-estar das gerações futuras e 2) a quanto de bem-estar deveriam renunciar os ricos para aumentar o bem-estar dos pobres sem afetar o ecossistema. Um doce para quem acertar a resposta à seguinte pergunta: os cidadãos e os governos dos países ricos preferem atacar principalmente o ponto 1 ou o ponto 2? Foi o doce mais fácil que você já ganhou em toda a vida. Claro que os ricos preferem congelar o statu quo, centrar o combate ao aquecimento global em sacrifícios igualmente distribuídos pelo planeta. Já os pobres e menos ricos não são tão espertos assim. Em vez de lutarem com unhas e dentes para que o ponto 2 esteja nos centro dos debates, aceitam com grande passividade teorias sobre os prejuízos globais decorrentes do crescimento econômico acelerado. Mas esse é um problema velho no mundo em desenvolvimento, especialmente no Brasil. Elites econômicas e políticas habituadas a se curvarem diante do colonizador, diante da lógica do colonizador. É raro ver autoridades que tenham a coragem de enfrentar o debate nadando contra a corrente. Tive a idéia de escrever este post depois de ler a corajosa entrevista que o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Jerson Kelman, deu ao Valor Econômico no último dia 3. Leia e tire as suas conclusões. Antes, em dezembro, o mesmo jornal já havia publicado um texto traduzido do Financial Times com críticas ao Relatório Stern sobre aquecimento global. O relatório foi encomendado pelo governo britânico e disseminou o pânico ao afirmar que se não forem tomadas medidas imediatas as perdas econômicas futuras decorrentes do aquecimento global serão maciças. Separei aqui também alguns links sobre o relatório, se você estiver interessado:

Página do Relatório Stern na Wikipedia

As conclusões do Relatório Stern

Sumário Executivo do Relatório Stern


Crítica do economista William Nordhaus, de Yale, ao Relatório Stern

Crítica do economista dinamarquês Bjorn Lomborg (desafeto do ambientalismo xiita) ao Relatório Stern

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3 Comentários:

Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Corretíssimo. Um abraço.

sábado, 6 de janeiro de 2007 20:12:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Olhem o que o Bresser escreveu hoje na Folha:

De todos esses problemas, apenas um realmente me preocupa: o do aquecimento global. É evidente, entretanto, que não é paralisando o crescimento na China ou na Índia que se vai resolver o problema. Ainda que a emissão de gás carbônico esteja aumentando nesses países, a origem da mudança de clima está nos países ricos -particularmente nos Estados Unidos, país que é o grande poluidor, mas não assina o tratado de Kyoto.
O problema preocupa, mas não me alarma, porque, apesar da irracionalidade das ações humanas quando conflitos de interesses nacionais prevalecem, estou convencido de que a humanidade, embora não possua um Estado mundial que evite os "free riders", os caronas, está hoje suficientemente consciente de seus problemas para poder agir de forma coletiva.
A sociedade global já dispõe de informações e de mecanismos que lhe permitem coordenar de forma imperfeita, mas aceitável, seus cinco objetivos políticos: segurança, liberdade, bem-estar, justiça social e proteção do ambiente.
Como era de esperar, os países ricos usam de sua hegemonia ideológica para impor seus pontos de vista, mas seu alarmismo -para uso mais externo do que interno- merece cada vez menos credibilidade.

domingo, 7 de janeiro de 2007 10:43:00 BRST  
Anonymous Luiz Lozer disse...

O mundo está ficando mais quente! as consequências disso são imprevisíveis, esses são os fatos e eles são arrasadores. Se o relatório inglês é incompetente isso realmente não me interessa, também não me interessa o dinamarquês Bjorn que acha que a melhor saída para combater os furacões é engrossar as paredes (confesso que não li tudo, é que quando cheguei ai mandei para PQP)

Temos o direito de crescer (lembra do direito de nascer?) porém, acho que temos de faze-lo com mais responsabilidade do que fizeram os mais ricos. Não vejo nisso um problema, mas sim uma oportunidade, no sentido de que se o fizermos com sabedoria, vamos agregar a riqueza, bens intangíveis que vão desde valorização de conceitos como “bem comum” até do aumento da nossa auto estima.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007 10:57:00 BRST  

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