quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Na trincheira (04/01)

Tempos difíceis, em que faltam as novidades. No dicionário, notícia é sinônimo de novidade. Meus agradecimentos a Carlos Eduardo Lins da Silva. Ele me ensinou, numa aula de jornalismo, que notícia nada tem a ver com novidade. Notícia é a informação que tem atualidade e interesse geral. Portanto, a ausência de novidades pode ser a notícia. É o que está acontecendo agora. A rigor, os jornais, os sites, as revistas, as rádios e as tevês deveriam dizer ao leitor/ouvinte/telespectador que vá fazer outra coisa, pois quando houver algo de novo ele será avisado. Mas não vai acontecer, pois o show precisa continuar. Um bom conselho para os dias que correm é o sujeito ficar bem escondidinho dentro da trincheira. São batalhões de jornalistas sem pauta perscrutando tudo, enlouquecidos pelo editor, que tem uma edição para fechar e cujas gavetas foram esvaziadas no Natal e reveillon. Todo cuidado é pouco. Estou revendo estes dias a minissérie Band of Brothers, da dupla Steven Spielberg e Tom Hanks. Num dos últimos capítulos, o fim da guerra (Segunda Guerra Mundial) está próximo e a preocupação de quem chegou até ali é uma só: evitar a morte, a qualquer custo. É muito azar o sujeito sobreviver aos piores combates e, depois, ser abatido por uma bala circunstancial.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

pois é, Alon, hoje de manhã, sem novidade nenhuma no Globo, e diante do mesmo, no Valor, fiquei indecisa entre fazer as palavras cruzadas do suplemento, para ir mantendo a memória, ou ler o artigo de quarta feira no Valor, do Fabio Giambiaggi, " A contabilidade fiscal e o superavit primario". Parecia mais do mesmo, pois desde o século passado que o Fabio insiste nos mesmos problemas e nas mesmas teclas para resolvê-los. Hoje porém, uma novidade. Ele admite que é possível, se os juros caírem, reduzir o superavit primário e mesmo assim diminuir as NFSP (necessidades de financiamento do setor público), pelo menor peso dos juros. Fiquei animada, Fabio admitindo rever a meta de superavit! mas aí chegam três pontos em que ele sugere que a flexibilização do superavit seja acompanhado de adaptação da contabilidade fiscal ao padrão observado nos outros países, em que se desconsidere, na estatística da dívida, a base monetária e se retire, também das estatísticas oficiais, as estatais não dependentes, (além de se adotar como referência da relação dívida pública/PIB, o PIB nominal corrente e não o PIB valorizado a preços de fins do período). O ponto que me interessa é o que trata de descartar as estatais não dependentes. Quando elas foram incluídas nas estatísticas fiscais, nos anos 80, eram responsáveis por mais de metade da dívida pública. Não incluí-las, naquela época, nas palavras do Fábio, seria " colocar a sujeira para baixo do tapete". Vinte e cinco anos depois, a situação das estatais é muito diferente, e não mais se justifica, segundo o Fábio, manter as mesmas normas contábeis de 1981/1982. Agora Petrobrás, Eletrobrás, Sabesp, Cemig, e algumas outras que preenchessem certos requisitos de boa governança - seriam excluídas do resultado oficial. Isso pressionaria a dívida, pois hoje são credoras líquidas, (o que seria compensado com a retirada da base monetária do cálculo) além de inibir a pressão por mais gastos, com o argumento de hoje de que o superavit de 4,25% é excessivo.
Esta a novidade, a agenda de discussão proposta pelo Fábio.
Volto ás palavras cruzadas.
abraço
Inês

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 16:29:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home