quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

A moderação como virtude (11/01)

Enquanto você acompanha o noticiário sobre a sucessão na presidência da Câmara dos Deputados, enquanto você aguarda pela definição do PSDB (O que quer o PSDB?) sobre quem vai apoiar, Arlindo Chinaglia (PT-SP) ou Aldo Rebelo (PCdoB-SP), vale recordar dois trechos de posts deste blog. Em Balanço preliminar de uma guerra que não acabou, de 15 de agosto passado, ecrevi:

Vou tentar usar a lição aprendida duas décadas atrás numa viagem que fiz à República Democrática e Popular da Coréia (RDPC, conhecida entre nós como Coréia do Norte). Eu trabalhava no Voz da Unidade, o então semanário do também então Partido Comunista Brasileiro (PCB), e viajei com o saudoso João Aveline e com o colega Silvano Tarantelli. Os norte-coreanos sempre foram muito ciosos de sua revolução e de seu líder, Kim Il-sung, que comandou a resistência contra o invasor japonês na Segunda Guerra Mundial. Todas as conquistas e coisas boas do país eram relacionadas ao Grande Líder Camarada Kim Il-sung. Juízos de valor à parte, era uma maneira de manter o país unido e mobilizado em torno do Partido do Trabalho, o único permitido. Bem, depois de uma semana viajando pela RDPC, nosso intérprete já se permitia uma certa intimidade. A ponto de dizer: "Nunca cometa o erro de acreditar em excesso em sua própria propaganda". Foi uma lição preciosa, que procuro seguir.


Depois, em 9 de outubro, escrevi em Os limites da valentia:

Desconfie sempre dos políticos, especialmente em períodos eleitorais. É um exercício saudável. Não compre incondicionalmente as idéias que tentam lhe vender. Pense, raciocine, pondere. Não rompa amizades por causa da paixão política. Deixe sempre uma porta aberta para reconciliar-se com quem pensa diferente de você. Pratique a moderação. Se não por outro motivo, para não se sentir um idiota quando o seu líder decidir que é mais conveniente para ele fazer exatamente o contrário do que disse a você (e a todo mundo) que iria fazer.

Fazer blog dá um trabalhão. Mas é divertido. E dá prazer, principalmente quando você tem a fortuna de ver os seus textos sobreviverem ao tempo e às tempestades. Você sabe, este é um blog moderado. Nos dois sentidos da palavra. Há um moderador que filtra comentários. E o moderador é um sujeito moderado. É uma escolha, que quase sempre se mostra muito útil. Ah, sim, tem também outro post que reli hoje com prazer. É Por que não trato de certos assuntos, escrito logo após a eclosão da crise do dossiê, em setembro, antes do primeiro turno da eleição presidencial.

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1 Comentários:

Blogger cid disse...

Alon

Meio atrasado, pego esta nota sobre moderação e fico pensando nas besteiras que tenho lido, e outras tantas que tenho ouvido, especialmente de pessoas próximas. Você e aquele intérprete norte-coreano têm razão: não carece levar tudo a ferro-e-fogo, na ponta da faca, como se houvesse uma verdade absoluta. Aliás, há controvérsias se realmente existe alguma verdade...

Os últimos acontecimentos políticos - se é que dá pra chamar desse lero-lero na Câmara de acontecimento político - recomendam cautela e serenidade. Quase nada é o que aparenta. E não vamos gastar nossa energia vociferando contra dossiês que não se confirmam, sanguessugas encobertos pela mídia, ou por perdedores que parecem ter perdido o rumo.

Você recomenda que se pratique a moderação. Sábia recomendação. A sabedoria oriental também recomenda o caminho do meio. É o melhor caminho para não se descabelar porque as pessoas em quem se confia rasgam a fantasia na primeira curva. Decididamente, política não é para amadores.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

terça-feira, 16 de janeiro de 2007 09:40:00 BRST  

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