domingo, 21 de janeiro de 2007

Envergonhem-se (21/01)

Reportagem exclusiva da revista Veja reproduz diálogo dos pilotos do Legacy logo depois do choque com o Boeing da Gol, em setembro do ano passado. Leia e conclua você mesmo. Eles viajavam com o transponder desligado e só perceberam isso depois do choque. O aparelho não estava quebrado, porque voltou a funcionar normalmente, alguns instantes depois do diálogo revelador. Meus pêsames aos controladores de vôo que, em busca de suas legítimas reivindicações, surfaram no complexo de inferioridade tupiniquim para vender ao país a idéia de que o acidente aconteceu por causa de falhas no nosso controle de tráfego aéreo. Se os pilotos eram americanos então, logicamente, a incompetência não deve ter sido deles, não é? Meus pêsames ao lobby que luta para retirar da Força Aérea Brasileira a atribuição de controlar o tráfego aéreo. Meus pêsames também ao lobby que defende a privatização da Infraero. Coisa feia, querer usar os cadáveres dos passageiros da Gol para alavancar bons negócios. E meus pêsames redobrados às autoridades brasileiras que deixaram os pilotos saírem do Brasil sem prestar contas à nossa Justiça. Para quem gosta de criticar ex-chanceleres que aceitaram tirar os sapatos para serem revistados em aeroportos norte-americanos, saibam que vocês fizeram algo muito, mas muito mais grave. Envergonhem-se.

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14 Comentários:

Blogger tulio_dorneles disse...

Alon, a quais autoridades você se refere? Os americanos saíram do país justamente porque foram tiveram autorização judicial.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 00:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, um aparelho defeituoso pode parar de funcionar e os pilotos não terem nenhum aviso de que isto aconteceu, de modo que você, como todos, está sendo precipitado.
E depois do choque, o cara vai lá e tenta dar o sinal, (sair de stand by) e "reseta" o aparelho e aí ele volta a funcionar.
JV

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 00:55:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, vamos por partes. O fato dos pilotos terem culpa, não significa que os controladores também não possam ter errado, vamos aguardar antes de tirar estas conclusões. Quanto ao lobby que luta para retirar do Comando da Aeronáutica a atribuição de controlar o tráfego aéreo, também sou contra, porque a aeronáutica teria que controlar o espaço aéreo do mesmo jeito, e teria que ter uma estrutura redundante. Quanto a privatização do Infraero, não tenho maiores objeções na parte de administração e logística dos Aeroportos, mas não da parte técnica e de segurança. Quanto a reter os pilotos aqui no Brasil, eu sou apenas especulador sobre o assunto, mas será que não era um direito jurídico deles? Até prisão preventiva tem um número de dias fixado pela ordem judicial até que a investigação traga mais provas.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 01:26:00 BRST  
Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon, você conhece minha luta pela "clínica geral" e "medicina geral" e contra a hegemonia da "especialização". Mas, o jornalismo está no extremo oposto: todos entendem de tudo e, obviamente, ninguém sabe nada. Todos comentaram sobre política carcerária,controle aéreo e, agora sobre obras de grande porte. Aposto, que quase nenhum dos inúmeros comentaristas esteve em uma delegacia, sabia o que significava CINDACTA e, muito menos do significado de "grua". Um pouco de especialização fará muito bem a todos.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 07:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

É isso aí, Alon. Nosso governo não moveu uma palha para segurar os pilotos aqui.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 09:45:00 BRST  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Menos, Alon, menos...
Você girou sua metralhadora com vontade, acertando alvos corretos mas deixando muita bala perdida por aí:
1- os controladores estavam trabalhando em turnos muito além do admissível, portanto não só tinham o direito de reclamar e fazer greve (mesmo sendo militares), como obrigação de alertar a sociedade brasileira do risco que vinha correndo. Nada a ver com admitir "culpa" pelo acidente;
2- a Aeronáutica vem sofrendo há décadas cortes orçamentários, e no remanejamento interno dos recursos disponíveis o noticiário deixou claro que sempre saíram perdendo as renovações dos equipamentos de controle de vôo (certamente em benefício dos soldos e pensões, que não podem deixar de ser pagos);
3- Entendo que é preciso, sim, separar controle de vôos do controle do espaço aéreo. Um tem a ver com a segurança dos passageiros (consumidores do serviço de transporte) e o outro com a questão da segurança nacional. E, sim, nesse tipo de controle é essencial que haja redundância (pois se um falha o outro continua operando, como duplo circuito de freios em um carro);
4- existem limites jurídicos para retenção de pessoas. Não sei exatamente qual seria, no caso, mas sei que existem e não se pode prender ninguém indefinidamente sem formalização de acusações. Concordo que, se os pilotos e a cia. proprietária do jatinho fossem birmaneses, por ex., talvez ainda estivessem aqui retidos...
5- a Infraero já está "privatizada" faz muito tempo, talvez desde seu início, feudo dos oficiais da reserva da Aeronáutica;

Mas uma coisa é certa: de vez em quando é gostoso dar uma saraivada dessas, não é?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 10:41:00 BRST  
Anonymous Alexandre Porto disse...

É, infelizmente para muitos, no Brasil ainda existe Justiça; que aqui foi confundida com "autoridades".

Você estava indo bem Alon, estava indo bem.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 12:08:00 BRST  
Anonymous Marco Silva disse...

Alon, não entendo muito do assunto, mas acho que as "autoridades" - entendido o termo como membros do Executivo, já que vc citou críticas a ex-chanceleres - não podiam mesmo fazer muita coisa para reter os pilotos. Salvo engano, foi o Judiciário, autônomo e independente, quem autorizou a saída deles daqui.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 13:50:00 BRST  
Anonymous Vera disse...

"Segurar os pilotos aqui" como? Ficaram "confinados" durante mais de dois meses sem processo. Poderiam ter ficado mais? Quem disse que não foi o juiz; corria o risco de o governo americano achar que estavam sendo sequestrados. Que palha o governo brasileiro poderia ter movido se eles não foram pegos em flagrante?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 14:06:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Alon,

Não foi só o transponder, foi também o TCAS, o sistema de defesa anticolisão, que segundo a Veja, no Legacy funciona acoplado ao transponder...

Os seus comentários são muito bons e os contrários também. A segunda tragédia desse acidente foi ter-se tornado um incidente político-eleitoral também. A data de ocorrência foi tão infeliz quanto o desempenho dos pilotos do jatinho. A ideologização da desgraça contaminou os principais veículos de comunicação. Ai, também, não houve sobreviventes.

Chegou uma hora que não aguentei mais e resolvi protestar contra a campanha do Joe Sharkey no NY Times contra o Brasil. É incrível como um repórter pode presenciar - até mesmo participar - de uma notícia sem ser nem mesmo capaz de reportá-la. Isso é pior do que a falta de "especialização" apontada abaixo por outro leitor deste blog. Felizmente o jornal concordou comigo e retirou o Sharkey da cobertura, transferindo-a para o Rio.

Eu ainda me pergunto quais as exigências da Embraer para entregar seus produtos aos entregadores que os vêm buscar e qual a sua influência sobre aquele aeroporto de São José dos Campos que lhe serve de departamento de expedição. Também não entendi direito a serviço de quem estava o garoto-propaganda Sharkey, pois o frila que fazia não era pro NY Times. Mas, a notícia do acidente que ele publicou no jornal não poupou elogios ao desempenho do Legacy. Foi só disso que ele gostou no Brasil.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 16:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O Legacy é tão bom que já está derrubando a concorrência - propaganda recebida pela internet.
A verdade é que a FAA é o padrão-ouro da aviação mundial, querer dizer o contrário é pura ignorância. Se foi aprovado para voar nos EUA, pode voar em qualquer lugar do mundo. Inclusive, o DAC no exame médico barra pilotos que só enxergam de um olho, e eles vão aos EUA fazer exame médico e tem permissão para voar no mundo inteiro- inclusive no Brasil.
Se quisermos ser melhores que os norte-americanos, temos uma longa estrada pela frente.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 18:14:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Eu ainda não entendi muito bem o que o Legacy estava fazendo no Brasil às vésperas das eleições? Buscar um avião na fábrica, trazendo de carona um repórter que disse estar a serviço de uma publicação que não confirmou? Coisa mais esquisita!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 18:52:00 BRST  
Blogger julio disse...

Alon!
Como piloto privado mais com muitas horas de vôo observo:
A conversa entre os pilotos do Legacy não prova e nem indica que eles teriam desligado o TCAS (transponder). Apenas indica que depoes do incidente se deram conta que estava desligado.
É impossível um piloto desligar propositadamenet o Transponder. Teria que ser uma bomba suicida.
O Controle Aéreo Brasileiro naminha experiéncia e nos muitos comentários de pilotos não brasileiros sempre foi exemplar.
Já a ação dos politicos pos Governos Militares de cortar as verbas das Forças Armadas em geral não é uma formaz inteligente de proteger os interesses da Nação. O Brasil deve e tem que ter Forças Armadas eficientes, bem treinadas e equipadas. Para ser respeitado pelos vizinhos que poderiam um dia ter ideas inimagináveis.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 23:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

o legacy é demais
pesames ao lobby

quarta-feira, 22 de julho de 2009 16:25:00 BRT  

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