quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

A diferença e o ultra (25/01)

Depois de anos de observação e esforço intelectual para superar minhas limitações e tentar entender alguma coisa de economia, acho que finalmente compreendi a diferença entre o monetarismo e o desenvolvimentismo. Entre a ortodoxia e a heterodoxia. Sabem qual é a diferença? É de 0,25 ponto percentual (pp). Ser ortodoxo e monetarista no Brasil de hoje é defender que o Banco Central reduza a taxa básica de juros em 0,25 pp a cada reunião. Já os heterodoxos e desenvolvimentistas acreditam que a única atitude aceitável do Comitê de Política Monetária (Copom) em suas reuniões seria cortar em dobro: 0,50 pp. Portanto, a diferença entre as duas concepções pode ser quantificada:

[0,50 - 0,25 = 0,25]

Fiquem à vontade para usar essa preciosidade conceitual. Será chamada doravante de Equação Fundamental do Blog do Alon. Peço apenas que citem a fonte. Perdoem minha vaidade, mas confesso que sinto uma satisfação íntima por ter, de algum modo, contribuído para esse passo decisivo da teoria econômica brasileira. Não sei se vai ser suficiente para merecer um Nobel de Economia, mas quem sabe? No Fla-Flu em que se transformou o debate nacional em torno das decisões do Copom, eu serei lembrado para sempre como o teórico que conseguiu medir, com precisão, a polêmica entre duas correntes históricas do pensamento econômico. O valor a que cheguei entrará para a galeria dos números especiais, vai ombrear com o π (pi) e os seus colegas. Invejem-me. Mas as minhas pesquisas não terminam aqui. Pretendo prosseguir no estudo de um conceito ainda pouco conhecido: o ultra. Pretendo estudar, por exemplo, a função "ultra" da heterodoxia. Chamarei de u(h). Por definição, u(cut, fiesp) seria, por exemplo, a redução da taxa básica de juros que certamente (100% de probabilidade) receberia aplausos da Central Unica dos Trabalhadores (CUT) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Meu único temor é que o número não seja verificável experimentalmente. Algo como o zero absoluto na escala de temperatura. Nunca ninguém viu. Teoricamente, jamais verá. Mas isso não significa que não exista. Não vou esmorecer. Nem que tenha que chegar a ele por extrapolação.

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8 Comentários:

Blogger Dourivan disse...

Pois é, Alon,

Você pode também conseguir reconhecimento intelectual e quiçá ganhar o Nobel da Economia explicando os cálculos econométricos do BC que permitem prever, tudo bem medidinho, que nível de crescimento do País irá impactar (em centésimos de pontos percentuais e com o intervalo de semestres e anos) o comportamento da inflação. Certamente os doutores moedeiros não podem fazer testes empíricos sobre isso, pois diante da enorme responsabilidade cívica que têm, isso equivaleria a testar que gradação etílica um alcóolatra em recuperação poderia suportar sem retomar o vício. Devo a lembrança dessa sábia metáfora ao douto ex-ministro (ou estaria ele apenas de licença sabática?) Pedro Malan. Mas quem sabe você poderia recorrer à ajuda dos doutores que fazem bico no Mercado, que, como bem lembrou o Luiz Sérgio Guimarães no Valor de ontem, utilizam as mesmas planilhas e modelos dos seus pares do BC.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007 12:19:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Obrigado por também me ajudar a entender... Até então, com minha vã compreensão sobre economia, eu pensava que ortodoxia fosse como a química (modelos que buscam seguir o método científico) e heterodoxia fosse como a alquimia (no que diz respeito à experimentar empiricamente um desejo, uma vontade, para ver se dá certo; como os alquimistas queriam transformar terra ou outros metais em ouro, através de ritos e experimentos, à revelia do conhecimento da estrutura da matéria). Como se vê, minha definição era muito vaga e imprecisa.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007 13:35:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Para completar: paradoxalmente, a austeridade do BC parece ser justamente por confiar em algum grau na eficácia do PAC.
A função do presidente do Banco Central é de um estraga prazeres mesmo, é quem tira o barril de chopp da festa quando a coisa ameaça desandar para o "porre". Se o governo lança o PAC e cortasse a taxa de juros em 0,5% na mesma semana, o "porre" seria uma possibilidade bastante grande. O cenário seria de uma bolha de crescimento de alguns meses, inflação recrudescente, e teria que subir a taxa de novo mais à frente para controlar, comprometendo a sustentabilidade do crescimento.
Só para lembrar, toda a implantação do Plano Real foi feita mantendo as taxas de juros do BC elevadas (o que provocou até irritação no presidente Itamar Franco, queixoso da "caixa preta" do Banco Central), o que não impediu o crescimento acima de 5% em 94, e um crescimento razoável até 96.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007 13:41:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

ortodoxia é cumprir a lei de responsabilidade fiscarl, heterodoxia é achar que gastos correntes são vida (a la Dilma Roussef)
JV

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007 20:35:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O BC está boicotando o Brasil, com uma política fundamentalista de juros extremamente altos!

Acho que o BC não tem um e-mail, mas podemos reclamar pelo site: Reclamação contra os serviços prestados pelo Banco Central: http://www4.bcb.gov.br/Pre/ouvidoria/sistema_reclamacao.asp. Vamos mandar protestos!!!

Também podemos mandar protestos para os que são os chefes dessa turma, pois, ao menos teoricamente, o BC está subordinado ao Ministério da Fazenda ( ouvidoria: https://portal.ouvidoria.fazenda.gov.br/sisouvidor/autoatendimento/cadastro/formularioMensagem.jsp ) e à Presidência da Republica ( fale com o Presidente: https://sistema.planalto.gov.br/falepr/exec/index.cfm?acao=email.formulario ).

Vamos divulgar os meios de contato com as autoridades responsáveis por esses juros absurdos!!!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007 20:44:00 BRST  
Blogger Pedro Lamarão disse...

Juros absurdos? Absurdos por quê? Eu não entendo esse criticismo aleatório.

Que grande desgraça econômica é essa do Brasil com seus insuportáveis juros, que acontece simultaneamente a um récorde no crédito habitacional desde 2002, para todas as faixas de renda?

http://terra-entrelinhas.blogspot.com/2007/01/s-por-causa.html

E a inflação, hein? Alguém tem pensado muito na inflação? A inflação está sob controle já a três mandatos completos de um presidente da República.

Pode conferir.
http://www.bcb.gov.br/?RELINF

Esse papo de juros está enchendo o saco. Deixem o Banco Central trabalhar em paz.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 11:22:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

lamarao,

se vc somar todos os creditos habitacionais concedidos no brasil de 2002 pra ca, nao da os creditos imobiliarios concedidos na cidade de sp em qualquer ano da decada de 70. se duvidar, alguns bairros superam aquele valor.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 19:49:00 BRST  
Blogger Luis disse...

Huahuahuahuahua!!!!
Sua fórmula é sensacional. Haverá certamente, em breve, uma disciplina nos cursos de Economia só para estudar a Equação Fundamental do Blog do Alon (EFBA).
Pena que alguns dos comentaristas aí em cima não entenderam o post.
[]s

sábado, 27 de janeiro de 2007 01:22:00 BRST  

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